sábado, 20 de novembro de 2010

AMANTES - 01 -

- Audrey Hepburn -
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A casa de Vera ficava na esquina do cruzamento das ruas São José com a Rua do Cacete. Era ali que Silas teria que passar quando voltasse da aula do Grupo Escolar. Naquele dia a professora reclamou pela ausência de Vera. Dia de exames e ela faltara à aula. Foi isso que a professora Dulce reclamou insistente. Por isso e por costume mesmo, Silas resolveu passar na casa de Vera para lhe dizer o sucedido. Os dois alunos sempre chegavam juntos ao grupo escolar. Naquele dia era exame, uma espécie de avaliação do mês. Alguns alunos também haviam faltado. Outros não. E Vera, a mais solicitada pela professora, não tinha ido ao grupo. Se aquilo seria uma preocupação, Silas não sabia dizer. Apenas diria que a professora perguntou por Vera. A menina era bem comportada, sabia a lição de co e salteado, apesar de contar com a ajuda do seu colega de aula Silas Albuquerque. Todo dia, pela tarde, Silas, depois do almoço, corria para a casa de Vera. Quando essa menina tinha ido à escola, eles passavam em revista ao que ainda era incompreensível. Quando não, como daquela vez, os dois estudavam como dois alunos disciplinados.
Ao chegar à casa de Vera, sem mais nem menos, o garoto Silas destrancou a porta por dentro pondo a mão e entrou. A porta era de duas bandas cortadas ao meio de cima a baixo e tinha duas venezianas. Para se abrir, tinha um trinco do lado de fora. Porém, a porta sempre estava fechada pelo lado de dentro. Para se conseguir entrar tinha-se que se destrancar fornecendo assim as condições da porta se escancarar pela metade. E foi isso o que fez Silas. Ele era um garoto inteligente e não importando com isso, já sabia muito bem abrir a porta fechada por dentro. Ele aprendeu com Vera abrir a porta de sua casa. Além do mais, a casa de Silas também era fechada pelo lado de dentro. Na sua casa, Silas tinha que escorar na porta também de duas bandas, para conseguir chegar até a chave e abrir então.
Quando Silas entrou, dona Cora, mãe de Vera, olhou para o menino como quem diz:
--- Quem é? – falou dona Cora em voz baixa e olhando para Silas.
O garoto olhou e sorriu para dona Cora e pediu água. A mulher lhe ofereceu o copo e disse que a água estava na quartinha. Ele agradeceu e em seguida bebeu um copo quase cheio de água. A mulher lhe ofereceu um pedaço de galinha cozida tirada da panela e ele não fez questão. Pegou o pedaço de carne de galinha e degustou solenemente. Acabou Silas de beber água e a mulher perguntou ainda mexendo o feijão na panela em cima do fogão.
--- A aula já terminou? – indagou a mulher mexendo a panela.
--- Já. Foi prova. – respondeu Silas sorrido.
--- Verinha está doente e nem foi. – replicou a mulher de forma quieta.
--- A professora perguntou por ela. – sorriu fraco o garoto.
--- Ela nem foi. – respondeu a mulher ainda mexendo a panela do feijão.
--- Eu vou dizer a ela que não foi porque está doente. – disse o garoto.
--- Ela está no quarto lendo revista. – explicou dona Cora.
O garoto entrou no quarto de Vera empurrando a alta porta devagar tentando fazer surpresa. Os seus livros, ele já deixara em cima da mesa da sala de jantar, onde havia um copo grande com umas rosas dentro. Era o enfeite da sala. Quando Silas entrou no quarto viu a menina com as duas perninhas erguidas com os joelhos a fazer uma espécie de amparo para onde ela postava a revista que estava lendo. Sentada na cama, de costas para a janela do quarto que dava entrada ao ar, escorada no espelho de madeira rústica, a menina olhou por cima da revista e disse apenas:
--- Estou com gripe. Espirando. – ressaltou Vera com um lenço no nariz.
--- A professora perguntou por você. – respondeu Silas acanhado.
---E o que você disse? – indagou Vera lendo sua revista.
--- Nada. Eu não sabia que você estava doente! – retrucou o garoto.
--- Besta! – respondeu Vera se ajeitando na cama para melhor ler.
O garoto ficou calado. A menina estava apenas de blusa e calcinhas. O lençol estava caído a um lado. O garoto ficou a olhar as calcinhas da menina. Não disse nada. Trocou de olhar vendo os armários. A menina olhou para Silas e indagou malcriada.
--- Que é? Nunca me viu de calcinhas? Estou coberta! – retrucou Vera a assuar o nariz.
Naquele instante algo incentivou Silas. Mesmo assim, ele se agüentou. Silas não quis mais olhar para as calcinhas da garota e disse que já teria que partir.
--- Não! Vem cá! – chamou a garota de momento.
--- Pra que? – indagou Silas acanhado.
--- Olha! Estão nascendo cabelos. – sorriu a garota e baixou as calcinhas.
O menino olhou e desviou a vista. Sorriu meio encabulado. E virou as costas para a garota. A garota suspendeu as calcinhas e fez uma careta para um menino. Ela estirou as pernas e se cobriu toda. Teve medo que a sua mãe ouvisse algo. E o garoto saiu do quarto dizendo que de tarde vinha para por a lição em dia.
--- Merda! – disse a garota sacudindo a revista nas costas do menino.
O garoto olhou para a menina e não quis responder. Seguiu em frente para a porta e se despediu da mãe de Vera, abrindo e fechando a porta após sair. A garota se levantou da cama e apanhou a revista. Desapontada com o garoto ela estirou língua. O garoto já havia saído e nada disso notou. A mãe de Vera a chamou para tomar banho apesar da gripe que era normal a garota ter.
--- Defluxo. Toma banho para ver se tira essa murrinha. – disse a mãe a garota ainda no quarto.
Ela nada respondeu. Apenas vestiu a saia e então saiu do quarto para o banheiro da casa, um cubículo apertado onde cabia apenas o sanitário e o local de se tomar banho de chuveiro.
A garota demorou um tempão para abrir o chuveiro. Ela esteve na privada olhando somente para os cabelos do seu sexo ainda virgem. Isso ela costumou a fazer. Tirando os pelos devagar com os dedos da mão. Ao sentir doer, a garota fazia esforço para não gritar. A sua mãe era que dizia perdendo a paciência.
--- Vamos menina. Teu pai está chegando. – declarou dona Cora aborrecida.
--- Pera. Tô tomando banho. – respondeu Vera correndo para ligar o chuveiro.
--- Não vejo água nenhuma. – respondeu dona Cora.
A garota começou a tomar banho e em poucos minutos saiu ainda espirrando por efeito do resfriado que lhe acometera. Ela entrou no quarto e foi se vestir apressada sentindo dor no púbis por causa dos cabelos que extraíra.
--- Arra diabo. Como dói. Virgem! – comentava a garota vestindo as calçinhas, pois a outra ficara no banheiro.
--- Que foi de Silas disse? – perguntou a mãe de Vera chegando à porta do quarto.
--- Nada. Somente que a professora perguntou por mim. – sorriu a garota.
E a mulher saiu dizendo que ela se vestisse depressa, pois o almoço estaria pronto em cinco minutos. A mulher não esperaria por seu pai, pois logo depois de uma hora da tarde teria que ir ao médico.
--- Fazer o que, mãe? – gritou alarmada a garota.
--- Não interessa. Você fica em casa. Se o homem da luz chegar, você abra a porta. Está ouvindo? – indagou dona Cora tirando a panela de feijão do fogo.
A tarde chegou e eram duas horas. O pai de Vera tinha retornado ao trabalho e dona Cora estava no consultório do médico. Vera estava só. Nesse instante chegou a casa de Vera o garoto Silas com os seus livros debaixo do braço. Ele fez o mesmo que sempre fazia: abrir a porta por dentro. A garota, nesse momento, estava no seu quarto. Quando Silas chegou a sua casa, a garota veio de imediato para a sala de jantar com os seus livros. O garoto disse que estava atrasado para a revisão. A garota sorriu e sentou em uma cadeira ao redor da mesa. Nesse mesmo instante, o menino também sentou em outra cadeira de palha se arrumando para começar a lição. A garota perguntou apenas o que a professora tinha explicado. O menino respondeu:
--- Nada. Foi prova. Você faltou. Não sei se vai ter nota. – respondeu o garoto.
--- Que me importa. Eu já sei tudo. – reclamou Vera.
--- Mas a prova foi dura demais. – disse Silas com certo temor.
--- Já estou boa da gripe. Foi só de manhã. Água fria nos pés. – reclamou Vera mal humorada.


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