sexta-feira, 7 de março de 2014

DOIS AMORES - TRINTA E SEIS -

- Kristen Stewart -
- 36 -
CHAMAS
O fogo consumia tudo. Nesse mesmo instante chegou ao local viatura da Polícia da Base Aérea, Polícia Civil, Polícia de Trânsito e de reportagem. O fogo subia ao céu como um raio de luz imenso. O povo dos ônibus e dos automóveis saiu apavorado a gritar por conta das labaredas a se alastrar sem sossego. Era gente vinda por três lados do cruzamento das avenidas uma vez ter sido o outro interditado de repente. Um grupo de pessoas entrou em pânico no alto da loja existente em uma esquina. O Midway, conglomerado recente inaugurado era batizado pelas chamas devoradoras. Com um rastro, o fogo se aproximou das portas imensas do Midway como querendo tragar com voracidade os existentes seres vivos. As explosões sufocavam o então corrompido ambiente. A correria era maior ainda pelas ruas mais próximas de gente pisando em gente, gente matando gente e a maior parte fugindo inclemente. Ônibus vindos da parte da entrada da cidade foram parados e o povo se largou a correr com terror. O mesmo ocorria com carros e ônibus vindos do centro da cidade pelo lado da pista a ligar os bairros do Tirol e Petrópolis ou mesmo vindos do Alecrim, pela Avenida Bernardo Vieira. Era na verdade um pandemônio. Quem morava em apartamentos distantes podia ver as labaredas a consumir sem tréguas então as casas de comércio já fechadas, pois era noite sombria. As portas do Midway foram trancadas e o aglomerado de clientes era guiado a sair pela parte de trás a fugir sem trégua por uma rua oposta. Alguém procurava buscar seu carro. Nada podia ser feito
Depoimento:
--- É o fim do mundo! – dizia alguém do alto de um edifício.
Em poucos instantes surgiram os caminhões do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar. Os demais carros estavam fechando o local do lamentável acidente. Bombeiros de emergência cuidavam de sacudir pó contra as ensandecidas chamas dos dois veículos. E o caminha a se carbonizar estava enroscado como uma serpente entre a ambulância onde estavam os corpos esturricados dos seus ocupantes.
Depoimento:
--- Que horror! Chamem os bombeiros. – dizia a mulher do alto de sua ignorância. 
De imediato faltou à iluminação domiciliar em ampla redondeza. A Companhia de eletricidade de Natal fulminou todo o sistema ao redor do local do desastre. Hidrantes foram abertos e o Corpo de Bombeiros  entrou em ação protegendo os tanques de combustíveis de um posto mais próximo, na esquina da Rua Alberto Silva. Outro comando foi deslocado para o combate das imensas chamas a penetrar nos departamento da loja Midway.  Enquanto isso, os homens do fogo combatiam sem sossego o enorme fogaréu a destruir os carros presos no cruzamento das duas avenidas.  Do alto do céu, helicópteros sobrevoavam o local da catástrofe fornecendo informes à turma contra o fogo logo abaixo. O escuro pela falta de energia na região era aplacado pela imensa chama do incêndio pavoroso a consumir o Midway. De momento, os jornalistas falavam das tormentas atacadas em toda a região. As emissoras de radio e televisão abriram janelas em sua programação para dar informes tão precisos e instantâneos do flagelo destrutivo a se registrar naquela parte do mundo.
Repórter
--- Meu Deus do céu! É fogo muito! De onde estamos é possível informar a situação de calamidade arrasadora. Talvez haja vítimas fatais nesse acidente catastrófico. – relatava um repórter de tv. 
Jornalista:
--- Há falta de luz elétrica em toda a região. Apenas o imenso fogo a destruir a loja Midway, é o que se pode contar. – fornecia na reportagem um jornalista para a sua central.
Radialista;
--- Tantas mortes têm nesse acidente desastroso. Gente sem vida por todo o local. – falava o repórter de uma estação de rádio.
Repórter:
--- Tudo começou com a fuga de um detento do Hospital do Coração. A ambulância se chocou com Trucado a conduzir diesel para um posto de combustível nas imediações. – relatou com assombro.
Nesse instante a linda moça Dalva Tavares estava a acompanhar o capítulo de uma novela por outra estação de televisão quando ouviu em outro canal de um apartamento vizinho o assombroso drama relatado pela rede. Ela procurou escutar melhor e logo observou ser algo concernente a uma explosão em plena cidade do Natal. Depressa, Dalva mudou de canal para saber por inteiro o que se passava àquela hora da noite. Em um instante Dalva notou o abalo da corrente elétrica, porem de imediato se refez o fornecimento da energia. Por isso mesmo pouca importância ela prestou. Em seguida a moça acertou o sinal da nova estação. Era uma reportagem rápida por ser horário comercial. A estação aproveitou um break para divulgar os acontecimentos do momento. Eram fatos de três minutos. As estações de rádio tinham maior tempo. E Dalva buscou com pressa um rádio e voltou a ligar a procura de uma estação. Enquanto sintonizava a televisão ela verificava as transmissões por rádio.
Dalva:
--- Loucura! Loucura! Loucura! Essa era a oportunidade de Bartolo! – confessava a mulher.
E Dalva se voltou para o quarto onde dormia a sono solto o seu amante. E então Dalva preferiu não acordar o rapaz a dormir por força de medicamentos. Então, a linda mulher ligou para o celular de Caio Teixeira. Esse atendeu. E de pronto perguntou de imediato onde estava sendo aquele incêndio. O homem respondeu ter a ligação sofrida muitos cortes e ele estava no local próximo.
Caio:
--- Eu estou distante do local. Mas é fogo no Midway. Causa da morte do General nazista. – respondeu ele a custo de intenso sacrifício.
Dalva:
--- Como eu chego ao local? – indagou perplexa.
Caio:
--- Tudo está bloqueado. Eu entrei por ser agente policial. – reportou o agente.
Dalva:
--- Mas eu posso chegar onde voce está? – perguntou assombrada.
Caio:
--- Nem pensar. Esta tudo no escuro. É impossível se encontra a mim. Além do mais tem gente morta pelo meio do caminho. – falou aos prantos o agente.
Dalva:
--- Isso é uma merda! – e desligou o celular.    
O fogo intenso destruía o complexo Midway com labaredas ao alcance do céu.  A inalação da ardente fumaça era o maior perigo possível, principalmente por causa de vapores de produtos químicos, com monóxido de carbono e cianureto. Na verdade, era imenso o fogo. O corpo de bombeiro protegido contra as chamas se resguardava a todo instante lançado jatos de água e de pó químico tentando combater as flamas. O calor no ar era incômodo. Por todos os meios estava a causa da asfixia por falta de oxigênio. A lesão pelo calor provocava grave edema das vias aéreas, obstruindo a passagem do ar para os pulmões. Havia bombeiro intoxicado apesar do uso de máscaras. O grande incêndio empatava a franca ventilação e reduzindo enorme quantidade de oxigênio.  Os mortos estavam estirados na rua por causa da falta de ar ou por serem pisoteados pelo volume inimaginável de gente espavorida a correr na tentativa de escapar da morte certa. O Hospital Central da capital se enchia de enfermos onde não cabia tanta gente desse modo. Carros e ambulâncias chegavam a todo instante ao Hospital a despejar os doentes, feridos e moribundos.  Dos imensos edifícios da cercania, procuravam-se mais enfermos, pois a cena trágica da chama era um horror. Os cordões de isolamento se estendiam por vários quarteirões. A ordem era de ninguém ultrapassar a barreira isolante.
Comandante:
--- Não passa ninguém! É a ordem! – dizia de modo trágico.
No cruzamento das avenidas Salgado Filho e Bernardo Vieira a tragédia consumia o restante dos destroçados veículos onde o fogo teve início. Helicópteros sobrevoavam a imensa área a registar tudo em filmes. Mesmo assim, os pilotos evitavam se acercar próximo do imenso fogo enfocado o incendo com suas máquinas de filmagem ao largo. Ordens eram dadas para se evacuar pessoas fora do trabalho com a máxima urgência. Corpos de vitimas eram registrados pelos militares. Eram vários corpos e não se denunciavam os números. A multidão corria apavorada com as chamas. Gritos e jovens e idosos eram tudo o que se ouvia. Apesar da imensa tragédia, tal fato a reportagem não denunciavam por não ter acesso a tais casos. Ninguém esperava pelo dia seguinte. Era tudo de vez no momento. O incêndio pavoroso no edifício do Midway continuava a crescer. Bombeiro tentava sufocar as chamas. Os carros vindos naquela altura da tragédia não podiam mais seguir e foram todos abandonados. Os veículos de dentro do edifício Midway eram tostados e explosão se ouvia a cada instante. Na verdade, tudo estava acabado.

quinta-feira, 6 de março de 2014

DOIS AMORES - TRINTA E CINCO -

- Debby Lagranha -
- 35 -
COBERTURA
A cobertura sobre a internação do General Rahner no Hospital do Coração correu rápida como um rastilho de pólvora em uma mina de ouro. De imediato, havia do lado de fora do hospital cerca de 10 carros de cobertura externa de televisão, cada qual procurando se posicionar da melhor forma possível. Os repórteres das estações de televisão, rádio e jornais corriam a qualquer modo para poder passar pelo cordão de isolamento montado pela Polícia Militar da Aeronáutica sem querer deixar passar toda uma turma de jornalistas. E começou a confusão do entra e não entra com a aglomeração de repórteres se acercando de demais autoridades militares. O cerco foi estendido a um largo espaço rodeando todo o Hospital. Havia repórteres fotográficos a se postar em cima de edifícios da vizinhança onde procuravam colher o melhor ângulo da sacada para registar o mais perfeito meio de fazer fotos. Carros a buzinar distante a procura de passagem para os edifícios próximos do hospital. Seus proprietários sem entender o ocorrido se exasperavam a todo custo.
Motorista:
--- Eu moro alí! Eu quero ir para a minha casa! As crianças estão no carro! – falava aos berros quem podia falar.
O cordão de isolamento se estendia de ponta a ponta da rua e a milícia não permitia passar ninguém para os seus apartamentos. O Hospital era um prédio de três andares e mais outros anexos. O prédio ficava no bairro de Lagoa Nova e o cordão de isolamento percorria um quadrado imenso. Os militares procuravam atender os de maior pressa. Principalmente médicos, enfermeiros, auxiliares, pacientes ou demais pessoais a buscar acesso ao Hospital. Nunca se ouviu falar em um aparato tão bem montado próximo a um Hospital em plena rua de tráfego constante. A zoada formada pelos jornalistas era incomum.
Jornalistas:
--- Nós queremos falar com alguém que possa dar informação. – gritava os jornalistas.
Aquele barulho soava como algo feito aos ouvidos dos militares os quais faziam ouvido de mercador. Nesse momento, as gruas começaram a transmitir informações recebidas por seus jornalistas os quais não sabiam de nada.
Passante:
--- O que está havendo aí? – perguntava um transeunte assustado.
Outro:
--- Parece que mataram alguma autoridade. – responde outro
Terceiro:
--- Foi a mãe de pantanha! – dizia alguém a sorrir.
Ambulância, carros de polícia da Aeronáutica, guarda de trânsito dando ordens descabidas para orientar os demais motoristas a tomar outro seguimento de alguma rua. Fim de tarde. Um sepultamento de um morto vindo de uma residência qualquer para os lados de Lagoa Nova, bairro novo de Natal cheio de prédios de moradias em meio a outros de pequeno porte. E tudo isso era um tumulto constante. A Polícia Federal estava em guardar com seus veículos parados e com agentes por perto em plena rua de trânsito daquele Hospital. Havia agente disperso pelo interior do prédio em busca de qualquer suspeito para a fuga do General Rahner em qualquer horário. O jornalista Bartolo estava solitário bem próximo do General alemão e não sabia dizer o que ele já sabia ao seu respeito. Um pouco mais além da enfermaria onde estava Bartolo, se encontrava também o velho General. Junto a Rahner estavam três médicos e alguns militares com formatura de médico, pois esses tinham no peito o emblema de doutor. As autoridades médicas buscavam falar sobre o estado de saúde do enfermo por sua vez de causa inesperada. O ancião enfermo tinha sido posto antes de tudo em um local para se verificar o que de fato havia com seu organismo. Nesse momento o velho estava dormindo por força de medicamentos. E uma maca entrou na UTI  em seguida passando em frente a cama de Bartolo. Dois maqueiros e nada mais. Os dois homens se postaram junto a cama do velho enfermo e de imediato soergueram lhe para depois seguirem para o final do corredor da UTI não passado mais em frente à cama do rapaz. Os médicos da Aeronáutica seguiram o enfermo ao compasso de uma longa espera.
E as horas se passaram. Eram sete horas da noite quando Bartolo chegou ao consultório do médico depois de ter passado longo tempo na UTI. Alí, então foram formuladas as mesmas questões de antes feitas a Dalva e o médico lhe passou a medicação devida alertando ser preciso para ele ir a um médico de coração. As indicações do cateterismo cardíaco previa um diagnóstico mais preciso para detectar doenças nas artérias coronárias. E uma porção de sugestões lhe disse o médico.
Médico:
--- O cateterismo cardíaco identifica doenças obstrutivas das cavidades e válvulas do coração. – declarou o médico.
Bartolo:
--- Quer dizer: eu devo ir para o meu apartamento? Não mais trabalhar? – indagou o enfermo.
Médico:
--- É melhor repousar por esses dias. Segunda feira o senhor pode voltar ao consultório de um especialista. – recomendou o médico.
Dalva:
--- É melhor assim. Cuidado! Foi apenas um surto. – disse a mulher.
Bartolo:
--- Mas. ... E a cobertura do palerma? – indagou sem entender.
Dalva:
--- Caio cuida. É melhor voce obedecer à orientação médica. – argumentou.
Com isso, o rapaz deu meia volta na cadeira de rodas onde estava, agradeceu ao médico, deu boa noite e saiu. Do lado de fora do consultório estava o velho amigo Caio Teixeira com um sorriso largo na face. Tao logo Bartolo notou a sua presença foi dizendo:
Bartolo:
--- Isso é uma merda! Eu não vou mais cobrir a histórico do palerma. Ordens médicas. – falou abusado
Caio:
--- Ora rapaz! Outro cobre. Eu tenho algo para lhe dar.  Conforte-se. – disse o seu velho amigo.
Bartolo ficou zangado e por longos tempos nada quis saber. Em companhia de sua amante, ele foi para  seu apartamento onde nem sequer ligou o televisor. Os medicamentos faziam efeito e Bartolo subiu à cama de agarrou no sono. Sonhos de um caso conturbado lhe vieram à memoria. E ele nem mesmo acordou por sinal. No sonho ele voltava à situação alemã com as atividades de fuzilamento em massa dos civis comandadas pelas ostensivas unidades móveis de extermínio. Os nazistas experimentaram a morte dos presidiários com asfixia por gás nas chamadas “vans de gás”. Eram caminhões hermeticamente fechados com o cano de escape voltado para o compartimento interior. Enorme grupo de mulheres e crianças tinha sua vida ceifada. Bartolo via muito bem os campos de extermínios para alcançar a solução final dos milhares de presidiários. E foram no campo de extermínio de Chelmno, na Polônia onde os prisioneiros foram mortos nas chamadas “vans gás”.
O perigo estava à solta. Dois maqueiros colocaram o General Wagner Rahner na sua fria cama e seguiram viagem para o interior do Hospital. Em metade do caminho foram pegos de surpresa dos dois outros maqueiros. Os invasores agarraram com rapidez o velho coronel e saíram em debandada. Os primeiros maqueiros ficaram desacordados com a pancada segura em suas cabeças com uma espécie de granada não explosiva. No pátio do estacionamento interno, os meliantes colocaram o General para dentro de uma ambulância e com a mesma rapidez deram ordem de saída da motorista todo vestido de branco. Ao seu lado seguia um rapaz com um disfarce de médico.
Vândalos:
--- Depressa! Depressa! Depressa! – era a ordem emanada.
A ambulância seguiu caminho por trás do hospital em correria louca. Na parte externa da casa de saúde, estavam os carros de externa das emissoras. E nem sequer deram conta do ocorrido naquele instante. Os jornalistas estavam digitando suas matérias para a redação em seus notebooks e tablets não se dando conta do ocorrido. Um rapaz, motorista de uma das vans foi quem deu o aviso de um veículo sair em debandada enveredando pela Rua Rui Barbosa em correria louca parecendo um trem bala:
Motorista:
--- Gente! Uma ambulância! Ela corre como um louco! Eu suspeito de algo! – disse com pressa
Jornalista:
--- Quem? Quem? Onde? Onde? – se levantou de sobressalto um repórter
Nesse momento um carro da polícia, e outro, no encalço da foragida ambulância. O van se postou de imediato na terceira posição dos veículos e logo após vieram mais três ou quatro carros todos com sirenas abertas. O van dos jornalistas não tinha como competir que os veículos policiais dados à extrema rapidez como faziam ultrapassagem. E a perseguição prosseguiu rua a fora até ao entroncamento com a Avenida Bernardo Vieira e dali para frente com a máxima velocidade ao qual se seguia. Carros freavam quando vinham em sentido contrário. A ambulância, ao atingir o cruzamento da Avenida Salgado Filho não teve a vez de brecar. Nesse local, ela atravessou com todo o empenho indo colidir com um trucado Bitrem na parte frontal. A ambulância rodopiou três ou quatro vezes no meio da avenida com o trucado a conduzir óleo diesel para um posto de combustível logo à frente e se enroscar com tamanha rapidez sobre o carro de socorro envolvendo em chamas todo o veículo a revirar cambalhotas com o trágico fim de ficar de pneus para cima. O fogaréu intenso se formou. O motorista do trucado conseguiu sair do cavalo, mas os que estavam na ambulância de pronto socorro nada puderam fazer. As cinco vítimas tiveram um fim trágico consumidas de modo espetacular pelas chamas. Carros e ônibus vindos em três direções brecaram. Os passageiros dos veículos viram a extraordinária tragédia surgir por entre as chamas das viaturas em colisão e nada puderam fazer se não gritar alarmados.
Passageiros:
--- Meu Deus do Céu! É fogo muito! – gritavam amedrontadas.

quarta-feira, 5 de março de 2014

DOIS AMORES - TRINTA E QUATRO

- Natalie Wood -
- 34 -
SOLUÇÃO
Naquele dia, Caio Teixeira conversou murmurando sobre algo ocorrido com o General nazista quando o homem estava em serviço na Polônia na inspeção dos campos de concentração. Após algum tempo como chefe supremo de Treblinka, Wagner Rahner foi transferido para outro campo numa cidade do norte do país. Ante da capitulação ante as Forças Aliadas, Rahner foi transferido para outra cidade: Chelmno. Esse centro de extermínio ficava mais ao norte e funcionou entre os anos de 1941 a 1945. O horror desse temeroso campo foi à morte de 340 mil prisioneiros considerados todos judeus. Os nazistas criaram campos de extermínio para que os assassinatos em massa fossem mais eficazes. Os campos de extermínios ou “campos da morte” eram exclusivamente fábricas da morte. O Governo alemão da época assassinou cerca de 2 milhões e 700 mil judeus pelo método de asfixia criada pela emissão de gases. O primeiro campo de extermínio foi Chelmno, inaugurado em Warthegau, parte da Polônia anexada à Alemanha. Os mortos eram principalmente  judeus e ciganos envenenados em furgões de gás. Todos os deportados que chegavam a esse campo eram imediatamente enviados para a morte na câmara de gás. As SS consideravam esse campo de extermínio como ultrassecreto.
Caio:
--- Quem me forneceu esses dados foi um oficial que está no comando da investigação onde o General Wagner Rahner está envolvido. – relatou em sigilo.
Bartolo:
--- Mas o canalha estava embutido em tudo isso? – perguntou alarmado
Caio:
--- Sei bem que as tropas de ocupação aliadas foram documentar as atrocidades cometidas pelos nazistas durante a ocupação alemã na Polônia. E foi ordenada a exumação dos corpos  para investigar os vários extermínios em massa. – salientou
Bartolo:
--- Covardes! – detonou o jornalista.
Caio:
--- Ainda tem mais. (pigarreou e olhou para um lado e para o outro). No final de 1939, já se preparando para as operações de assassinato em massa, os nazistas iniciaram  experimentos com gases venenosos em doentes mentais. A eutanásia, eufemismo utilizado pelos nazistas para o morticínio, era simplesmente o processo de eliminação sistemática daqueles alemães que os nazistas consideravam “indignos de viver” devido a alguma deficiência física ou mental. – relatou o agente.
Bartolo:
--- Como? Matar pobres doentes? – falou alarmado.
Caio:
--- E ainda tem: seis instalações para levar adiante este projeto de mortandade por gás foram criadas. Estes campos de extermínio utilizavam o monóxido de carbono em sua forma pura. O General Rahner tem fotos de Castelos onde os doentes mentais eram mortos por asfixia. – disse mais.
Bartolo se notou a tremer e procurou sentar em uma cadeira de espera do próprio Hospital. A sua memoria rodava igual um pião em altíssima velocidade. Ele procurava a qualquer jeito encontrar o norte de sua busca para entender melhor. Nesse momento, Dalva Tavares chegava do gabinete sanitário onde foi recompor a sua maquiagem. A linda moça olhou o semblante do seu amante e se alarmou com a palidez nele alimentada.  De imediato Dalva alarmou:
Dalva:
--- Que você tem? Estas bem? Estas me ouvindo? Acudam! Um paciente aqui! – alarmou com pressa.
Caio então se voltou e achou também algo de anormal com o seu amigo Bartolo. E então procurou urgente no balcão de atendimento e falou com pressa.
Caio:
--- Acudam aquele rapaz! Ele está ao desmaio! Rápido! – falou o homem a atendente
Atendente:
--- Mas ele é de alguma instituição? – procurou saber com calma.
Caio:
--- Senhora! Se o rapaz morrer, a senhora é a culpada! – falou bravo
Com isso a atendente se alarmou e procurou chamar uma enfermeira a cuidar do caso.
Atendente:
--- Urgente! Uma enfermeira, por favor! – falou sem graça a moça ocupando todos os fones do Hospital.
De imediato chegou para próximo Caio um oficial da Base Aérea a buscar informação precisa. De outro lado surgiu uma enfermeira procurando ver qual o caso tão urgente. A atendente apontou para Caio. Nesse momento a linda Dalva já seguia com o seu amante para o interior da toalete masculina com o intuito e buscar forma de reforçar a aparência de Bartolo totalmente zonzo e suando frio. Uma moça do balcão surgiu com uma xicara de café quente para dar ao paciente. A guarda da Base ficou atenta com aquela emergência imprevista. Caio seguiu para a toalete e então viu descambar para um canto o corpo inerte do seu amigo.
Caio:
--- Cuidado! Ele desmaiou! Cuidado! – gritou o homem a segurar o corpo de Bartolo
Dalva:
--- Ai meu Deus! Ele está morrendo! – gritou chorando.
A enfermeira se acercou do doente e o segurou. De imediato chamou os maqueiros para conduzir a vítima ao andar de cima onde estava a UTI. A vítima pendia a cabeça para um lado e nada fazia, além disso, com seus olhos fechados.
Após algumas horas, Bartolo recobrou o sentido e ainda meio zonzo perguntou onde estava. Ele parecia não entender muito bem o que se estava se passando. Não via mais o seu amigo Caio e nem a sua namorada, Dalva. Ele estava em um quarto onde havia outros enfermos. Os enfermeiros passavam para um lado e para o outro a conversar murmurante se juntando no final de um corredor. Outras pessoas estavam à espera de alguma coisa. Bartolo não sabia bem o que eles estavam a esperar. Então se sentiu a ocupar uma cama muito alta. Olhou para um lado e para o outro e viu apenas cortinas. Um médico gordo se aproximou dele, com vagar, com seu estetoscópio e medindo com vagar a pressão sanguínea ouvindo as batidas do seu coração, provavelmente. Ele usava uns instrumentos de escuta. E nada falou para o enfermo. Apenas lhe abriu os olhos e a boca. O sepulcral silêncio na sala era impecável. Os enfermeiros olhavam para o rapaz e ouvia do médico alguma coisa a formular. O homem gordo falava muito murmurante. E logo depois saiu. Uma enfermeira se acercou do leito no qual Bartolo estava a ajeitou o travesseiro de sua cabeça. Tecia os ombros do enfermo sem dizer uma só palavra.
Bartolo:
--- Onde estou? Que estou fazendo aqui? – indagou um tanto confuso.
Ele então notou uma seringa a espetar o seu braço aonde conduzia uma espécie de soro ou demais medicamentos. A enfermeira ligou os aparelhos. Bartolo então percebeu onde estava.  Um quarto um tanto apertado onde tinha fios interligados. Um aparelho de medir pressão, com certeza entre demais aparelhos. Uma banca ao lado e outra pelo lado esquerdo. Um aparelho como se fosse um televisor ou um computador. Bancas imensas sustentavam esse computador, se era o caso. Na parede outro aparelho de computador. Ele observou também algo como um televisor tela plana. A cama onde Bartolo estava tinha protetores de metal a circundar todo o espaço. A enfermeira vestia um jaleco verde. Ela não falava nada. Apenas cuidava do paciente a verificar a sua pulsação constante. Após certo tempo, em silencio a enfermeira deixou o leito e saiu sem pressa com suas passadas firmes, porém vagarosas. Os atendentes volteavam a todo instante os leitos onde estavam confinados demais enfermos. Entre um passar e outro, Bartolo tinha o dever de chamar alguém para lhe explicar o que se estava sucedendo com ele. Mas não obtinha resposta. Apenas uma mão carinhosa de uma moça – talvez enfermeira - lhe ordenava a ter calma.
Bartolo:
--- Agora deu! Ninguém diz nada! – reclamou exaltado.
Em outro local do Hospital um médico conversava com Dalva para se inteirar da situação do enfermo, Bartolo. Paciente e igualmente “marido” da mulher. As perguntas de praxe: nome completo, profissão, trabalha aonde, o que ele fez nesse dia entre muitas outras questões. No final veio a verdade da consulta:
Médico:
--- Ele sofreu um surto coronário. Nada mal. Ele terá alta dentro de instantes. – falou o médico
Dalva.
--- Algo mais senhor? Medicamentos? Ficar em casa? – perguntou a moça.
Médico:
--- Não. Só isso. Agora, é bom procurar um médico especialista em problemas coronários – recomendou.

domingo, 2 de março de 2014

DOIS AMORES - TRINTA E TRES -

- Leighton Meester -
- 33 -
A FUGA
Naquele sábado à tarde quando Dalva descansava de seu labor extenuante da semana com as pernas estiradas de um divã a outro, a ouvir o Sonho de Amor, (Liebestraum), de Franz Liszt, aguçava a vista para a matéria lida. Em um Jornal de Letras a bela mulher colhia informações sobre o Prêmio Pulitzer na área de jornalismo a um competente escritor conferido sempre no mês de abril de cada ano. Tratava-se de uma Reportagem Especial conduzida com habilidade pelo autor de outras mais. O prêmio em dinheiro era de dez mil dólares e um certificado. O seu companheiro Bartolo dormia a sono solto logo depois do almoço por estar bastante enfadado do movimento de toda a semana. A tarde aquecida não demonstrava o seu calor tanto porque o ar condicionado estava ligado no apartamento. Ouvia-se bem longe o grito de um vendedor de frutas a oferecer as mais saborosas espécies de um momento trivial. O motor de um carro a passar enquanto outro voltava. Após breve instante tudo acalmou. Nada ouvia para além de outrora. Bartolo se remexeu na cama quando naquele instante o celular tocou. Ele não ouviu bem. Mesmo assim, Dalva ouviu o chamado e procurou acordar o rapaz. Apesar do inquieto sono, Bartolo procurou ouvir o chamado mesmo atrapalhado em seu despertar. E alguém lhe informou sobre o caso do General Rahner.
Caio:
--- Ele está sendo levado agora para o Hospital do Coração. O caso é de urgência. Eu estou indo para lá também. – falou com pressa
Bartolo:
--- Quem? Quem? – perguntou com pressa para se certificar do chamado.
Caio:
--- O alemão. Entendeu? – e desligou o outro celular
Nesse mesmo instante Bartolo disse:
Bartolo:
--- Caramba! O alemão! Tenho de ir ao Hospital! – falou com pressa o homem.
Em meio do seu vexame ele tropeçou na sua bermuda quando procurava as calças. No meio da confusão Dalva procurou saber o motivo da pressa. Bartolo respondeu ter o General Rahner sofrido de algo a supor ser o coração. A moça se alertou e resolveu ir com o seu amante.
Dalva:
--- Ah. Vou ver o sujeito! – disse alarmada.
Bartolo:
--- Não sei se pode entrar. Mas, de um jeito ou de outro convém ir. – declarou o rapaz a vestir as calças de forma errada. Ele caiu e outra vez se levantou proferindo palavras de baixo calão.
O Hyundai seguia em alta velocidade atrapalhando o transito de outros veículos e deixando amedrontado quem estava nas calçadas das casas de moradias a supor que tinha sido a vítima daquele desastrado acidente. Na direção do carro estava o repórter Bartolo enquanto a sua namorada quase sempre gritava para se ter maior cuidado.
Dalva:
--- Cuidado! Voce atropela todo mundo! Cuidado!!!! – gritava a moça. 
Bartolo:
--- Cuidado que nada! O alemão saiu da cadeia! – vociferou o rapaz.
A frente do Hospital do Coração estava toda tomada por soldados severamente armados onde não se podia nem mesmo poder se entrar, a não ser com os documentos aprovados e seguidos de perto por outra guarda militar.
Visitante:
--- Que horror! Não se pode nem visitar um parente! – dizia uma mulher agoniada com tanto desespero.
No saguão de entrada estava postado o agente policial Caio Teixeira como se esperasse o seu velho amigo, Bartolo Revoreto em companhia de sua amante Dalva Tavares. No instante, Bartolo se topou com a severa guarda militar e logo teve de se identificar. A moça nada recebeu em troca, pois não era visitante ou alguém de cobertura jornalística. Então, a moça voltou ao seu veículo. E estava ela constrangida por não suportava tal desaforo da Polícia da Força Aérea. As funcionárias do Hospital cochichavam de modo temeroso com temor de serem detidas a qualquer preço. Um homem em uma maca passava, empurrada por dois funcionários para algum lugar do Hospital. Uma enfermeira segurava uma bolsa de soro aplicada em outro paciente. O homem era um idoso e se podia verificar pelo seu semblante. A boca aberta do homem enfermo. E um gemido ele soltava a cada instante.  Entre todos os eternos enfermos, os militares em ponto para vigiar quem entrava ou saía. E todos os que saíam se voltassem teriam de mostrar a sua identidade:
Visita:
--- Mas eu saí agora para trancar o meu carro! – dizia assustada uma mulher.
A vistoria se completava. Se não tivesse documento, a pessoa não podia entrar de forma alguma. A vigilância era por justo austera naquela ocasião. Em outra parte do Hospital, o Coronel Júlio César, da Aeronáutica conversava a sós com o investigador Caio Teixeira sobre as ordens emanadas por conta o presidiário Wagner Rahner da doença acometida de súbito. Houve um problema cardiovascular no General Rahner e então ele fora submetido a uma inspeção geral para detectar alguma anormalidade no seu organismo:
Júlio:
--- Houve uma queda súbita de pressão. O homem jazia como um cadáver! Impressionante! – declarou em confusão de memória.
Caio:
--- Talvez ele sofra de problemas cardiovasculares. Talvez. Ele toma algum medicamento? – indagou para esclarecer.
Júlio:
--- Isso não consta no seu histórico de saúde! – falou claro.
Caio:
--- Pode ter ocorrido de momento. A prisão. Não posso acreditar em doença anterior. – relatou
Bartolo a tudo ouvia sem querer se envolver no assunto. Mesmo assim, a certo momento, o repórter sem querer ser ousado, indagou:
Bartolo:
--- Quem prepara a comida do palerma? – indagou com suspeita.
Júlio:
--- A comida é a mesma dos oficiais mais antigos. Ora que pergunta! – reprovou o coronel
A Polícia Federal procurava em todos os recintos presença de alguém suspeito sem nada encontrar de imediato. Um militar chegou ao Coronel Júlio César e declarou;
Militar:
--- Suas ordens foram cumpridas, meu Coronel. – disse ele a bater continência e dar meia volta
Nesse instante o Coronel Júlio César se desculpou do agente Caio Teixeira e se afastou até o gabinete improvisado para atender os chamados de última hora e foi rever a lista de novas pessoas. Entre elas, estava Dalva Tavares com acesso permitido àquela hora então. Em conversa particular, Caio indagou de Bartolo:
Caio:
--- Que história foi aquela de quem preparava a comida do General Rahner? – com surpresa.
Bartolo:
--- Nada demais. Apenas uma pergunta desinteressante. – respondeu
Caio:
--- Menino! – chamou a atenção de Bartolo
Nesse ponto chegou ao seu lado a amante Dalva Tavares cheia de abusos, conturbada até, por ter ficado de fora do que podia saber então. Com ela estava o Coronel Júlio César e pediu mil desculpas pela guarda não permitir a entrada da moça no primeiro instante.
Júlio:
--- O senhor sabe. Ordens são ordens. Desculpe-me não ter permitido a entrada da moça no primeiro instante. Afinal, o preso está nesse edifício e não sabemos quem são seus cúmplices. – relatou o coronel com toda calma do mundo.
Caio:
--- Não houve nada demais. No meu setor também se processa da mesma forma. – sorriu
Júlio:
--- Algo a mais? – indagou
Nada mais tinha a relatar o agente.

sábado, 1 de março de 2014

DOIS AMORES - TRINTA E DOIS -

- Giovanna Lancellotti -
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A MORTE
O veículo de Dalva seguia pela rua principal da cidade onde havia movimento gigante de gente a procurar ou comprar mercadorias para o seu almoço ou jantar. O sinal fechou e todos os carros vindos do oeste tiveram que parar. Os transeuntes aproveitavam para passar de um lado a outro com suas sacolas cheias de mercadorias. O rapaz começava a atravessar a avenida a rebuscar os DVD em suas mãos. Aquilo despertou a atenção de Dalva, pois pouco sabia de local a comprar DVDs novos foras das lojas especializadas do comércio. Em um instante, quando o sinal deu alerta, Dalva Tavares dirigiu o seu Hyundai para um local reservado a estacionamento de veículos e logo após se encaminhou a um sebo onde tinha DVDs de todos os tipos. Naquele local era quase impossível se escolher o melhor. De qualquer forma, apesar da imensa dificuldade, ela recolheu um por nome “OLGA”  de Jayme Monjardim baseado no livro de Fernando Morais que, talvez apreciasse melhor. Após o largo atraso levado, Dalva saiu contente por ter um presente para doar ao seu amante, Bartolo, quando esse chegasse à noite.
Enquanto isso, no seu local de trabalho, Bartolo estava a rebuscar as folhas antigas de jornais onde ditavam os maiores acontecimento do século. Após minuciosa busca teve de encontrar um artigo antigo sobre o Julgamento de Nuremberg. Nesse ponto, o rapaz se aprofundou com firmeza nos seus estudos. Estava ali todo o encontro e um total julgamento, inclusive a forca. E foi então que Bartolo leu com mais afinco e tenacidade à formação inédita de um tribunal militar internacional para o julgamento do alto escalão nazista por crimes de guerra. Rebuscando com cuidado, o homem folheou todas as informações alusivas ao que ocorreu no Palácio de Justiça de Nuremberg, na Alemanha. A duração de 315 dias entre os anos de novembro de 1945 a outubro de 1946 despertou a ansiedade do povo em acompanhar e caso dos nazistas, criminosos de guerra. Foram apenas 24 indiciados. Porém apenas 22 criminosos participaram do julgamento. Um deles morreu antes do julgamento ter início e outro, Gustav Krupp, também assassino convicto foi dispensado. 
Entre os 24 acusados, havia militares, membros do Partido Nazista, ministros e estruturadores das finanças e da comunicação do regime de Adolf Hitler. A ideia era a forca além dos réus, criando um precedente para que todo o aparato nazista de agressão e repressão pudesse ser indiciado no futuro. No seu final doze deles receberam pena de morte. A maioria dos acusados assumiu os crimes de que eram acusados, porém muitos alegaram que estavam apenas seguindo as ordens de autoridades superiores. Aqueles envolvidos diretamente nos assassinatos receberam as sentenças mais severas. . Outros indivíduos que desempenharam papéis importantes, incluindo oficiais de alto escalão do governo nazista e executivos que usaram prisioneiros dos campos de concentração para trabalho escravo, foram condenados a curtos períodos de detenção ou não receberam nenhuma penalidade. Alguns fugiram da Alemanha para viver no exterior, incluindo centenas que foram para os Estados Unidos.
Bartolo:
--- Incrível! E ainda faltam os vinte e sete milhões de russos mortos durante a II Guerra. – lamentou, com efeito.
Na Base Aérea estava confinado em uma cela muito bem vigiada por severos militares de várias patentes o General nazista Wagner Rahner. Nos primeiros dias de prisão o nazista foi interrogado por várias vezes por militares brasileiros a procura de saber o verdadeiro nome e ofício desempenhado durante a guerra e depois do conflito mundial. Eram sempre as mesmas perguntas pelo dia e a noite como se estivessem os militares temerosos em ter o General esquecido de algo ou estivesse a guardar alguma coisa de maior importância. Entre os militares a ter escapado do julgamento de Nuremberg, a cidade centro escolhida pelo Tribunal Militar, estava por vez onde foram armadas as três forcas no presidio da cidade-estado para a execução dos condenados à impiedosa morte. A Segunda Guerra Mundial não é apenas uma dos eventos mais marcantes do século XX, mas o mais trágico da história da humanidade. Nunca uma guerra envolveu tantas pessoas no mundo e com tamanha capacidade militar.  Com as fotos tiradas do julgamento via-se a temerosa ansiedade de tantos homens presentes ao derradeiro terror.  Sob esse aspecto o General era sempre interrogado da fuga inesperada e de onde ele era o chefe maior por essa ocasião.
General:
--- Treblinka! Eu estava em Treblinka, na Polônia. – respondeu o General Rahner.
Inquisidor:
--- Treblinka  foi um campo de extermínio alemão? – indagou sereno.
General:
--- Nem tanto! Era mais uma prisão de desordeiros! Vagabundos! – relatou com ênfase.
Inquisidor:
--- A história dá um pouco diferente. Diz que judeus foram mortos em câmaras de gás. É verdade isso? – indagou
General:
--- Não estou bem ao par! Eu servia em outro departamento! Era isso! – falou bruto.
Inquisidor:
--- Treblinka ficava na cidade? – inquiriu
General:
--- Um pouco afastada! – salientou.
Inquisidor:
--- Mas há registro de ter sido o primeiro campo de morte alemão onde ocorreu a cremação dos cadáveres! É verdade? – indagou
General:
--- Não me compete dizer tal fato! Eu não estava nesse tal ambiente! – detonou.
Inquisidor:
--- Quantas pessoas foram cremadas em Treblinka? – indagou
General:
--- Como eu já falei: eu não estava ao par dessa situação! – disse mais.
Inquisidor:
--- Mesmo por ouvir dizer? – perguntou:
General:
--- Era o fim de um embate. E poucas pessoas falavam em tal caso! – salientou.
Inquisidor:
--- Sei. Sei. Mas havia os judeus encarregados de receber os comboios que chegavam. E os deportados eram encaminhados às câmaras de gás. Isso é fato. Os judeus extraiam os dentes de ouro dos cadáveres antes de serem cremados. Verdade? -  indagou.
General:
--- Confesso que estou sabendo disso agora! – declarou com entusiasmo.
Inquisidor:
--- Pelo relatório, o campo de Treblinka foi dividido em dois campos menores: um deles os prisioneiros somente se ocupava do extermínio e a recuperação de objetos. O segundo campo os prisioneiros só se ocupavam da retirada dos cadáveres e cremação. Em qual dos dois o senhor servia? – indagou.
General:
--- Eu não me imbuia de tal trabalho. Eu ficava apenas a conferir as contas das mercadorias vindas para as tropas. – alegou.
Inquisidor:
--- Em que ano o senhor serviu em Treblinka? – indagou solene.
General
--- Em 1943. Creio! – declarou.
Inquisidor:
--- Quer dizer: no tempo da revolta.  Em Treblinka sobreviveram quinze prisioneiros. Verdade? – indagou.
General;
--- É provável. Mas esse fato se deu antes da minha chegada. – confessou.
Inquisidor:
--- O senhor afirma esse fato? – perguntou
General.
--- Não há por que negar. Eram todos bandidos fugitivos. – disse ele.
Inquisidor:
--- Bandidos? – perguntou com ostentação.