sábado, 27 de julho de 2013

"DEUS" - 17 -

- MARIA MADALENA -
- 17 -
EVANGELHOS
 
Ainda preocupado com as descobertas sobre Maria Madalena, o noviço Euclides de Astúrias continuava a buscar maiores informações sobre o tema enfocado. As enormes e majestosas estantes onde estava a Biblioteca do Mosteiro já não eram segredos para o jovem. Com toda a sua esperteza, De Astúrias movimentava de um lado a outros não se importando com os outros alunos noviços a completar os seus conhecimentos em filosofia e teologia. O aluno de Astúrias pesquisou as estantes e encontrou o velho livro no qual ele já estudara, mas não terminara por conta do intervalo para os Cantos Gregorianos há alguns dias. Desta feita, ele se inquietou e buscou o tomo saindo com bastante pressa para a sua Cela onde poderia ficar mais a vontade, pois nada no local o incomodava. E foi dessa forma ter ele quase que recomeçado a tardia leitura sobre a esposa de Jesus. Para ter certeza do já visto o noviço começou da parte onde um agricultor, escavando a terra do alto Egito perto de uma colina descobriu uma grande ânfora de quase dois metros. Nela, havia treze manuscritos em papiro que ficou sendo conhecidos como Evangelhos gnósticos. Esses papiros estão entre os mais importantes achados bíblicos do século XX. Escritos em copta, o antigo egípcio, os documentos contêm quarenta e nove tratados da seita gnóstica. Nesses livros havia outros evangelhos que nunca fizeram parte do Novo Testamento e muitos não eram conhecidos. Sabia-se que no velho mundo houve vários evangelhos, mas foram enterrados, destruídos, queimados por chefes da Igreja Católica que os considerava a mais abominável das heresias. Nunca se pode ler nenhum. Apenas se sabia que eram terríveis.
Os textos traziam abundante material sobre a luta que se estabeleceu após a morte de Jesus. O tema central do gnosticismo é que a divindade não é uma força externa como a de Jesus Cristo. Mas uma capacidade nata e interna em todos os seres humanos. Esses evangelhos têm uma mensagem diferente, pois os escolhidos como parte do Novo Testamento entre o segundo e o quarto século têm mensagem similar. É dito: “Cré em Jesus e serás salvo”. Os outros textos, como o evangelho de Maria Madalena dizem: “O divino está em ti, pois fomos criados à imagem de Deus”. Então há continuidade entre o divino e o humano. O que se observa em outros textos são vários pontos de vistas. Exatamente o que os sábios anciãos da Igreja não gostavam. Ireneu, o bispo que odiava hereges, disse: “Fora da Igreja não existe salvação. Todos os que têm fé, através da Igreja se salvarão. Fora, serão danados”.
Até a descoberta desses preciosos documentos grande parte do que era entendido como gnosticismo veio através das escrituras dos sábios que condenavam por denúncia. Tertuliano, um dos líderes da Igreja, disse: “Todos fazem perguntas. Perguntas levam à heresia. Propiciam explorações, como as que vemos nesses textos”. Um dos textos diz ter os teólogos situar em 250 ou 300 anos depois de Cristo quando lançaram nova luz sobre como os apóstolos de Jesus lutaram para semear e divulgar a doutrina a partir da tradição cristã. O texto caracteriza uma discussão notável entre Madalena e o apóstolo Pedro. A questão é que o apostolo dizia a Jesus Cristo: “Maria fala o tempo todo. Devia ficar calada e nada dizer”. Nesse texto, Jesus encoraja  Maria a falar. Por isso não faz parte da tradição católica. Outro texto gnóstico importante é o evangelho de Maria. Os poucos fragmentos existentes indicam que os gnósticos tinham Maria em alta estima como profeta, apóstola e líder. Em uma passagem significante ela revelou aos demais apóstolos que Jesus compartilhava ensinamentos secretos com ela. Então se pode notar ter no Evangelho de Maria que ela recebe ensinamentos de Jesus não revelados a mais  ninguém, nem mesmo a Pedro ou a apóstolos mais próximos. Ao se olhar o Evangelho de Lucas, o líder é Pedro. Ele é o porta-voz, o chefe. Comparando com os Evangelhos que falam de Maria Madalena e então Pedro é secundário, e ela, a apóstola proeminente. E Pedro está sempre se queixando dela. Os textos gnósticos transformaram Maria Madalena na figura central do primeiro cristianismo com autoridade inigualada pelos demais apóstolos. Essa versão é notavelmente diferente dos cânones aceitos. Nos Evangelhos do Novo Testamento, como o de Lucas ele fala de discípulos e mulheres. Discípulos não são mulheres, e vice-versa, isso fica claro. Mas nos evangelhos secretos havia mulheres entre os discípulos, e delas Maria Madalena era a mais destacada. O Papa disse: “Não há sacerdotisas, porque Jesus só escolhia homens.” Se o Evangelho de Maria fosse aceito tal afirmação não poderia ser feita. Os textos gnósticos representam uma das possíveis revisões da história de Maria Madalena e deixa uma pergunta no ar: “Quantas versões haveria da história dessa mulher tão discutida?”
Historiador:
--- No Mediterrâneo oriental, nessa época, há 2000 anos havia um caldo de várias idéias filosóficas e intelectuais. Havia gente trabalhando a noção de que Maria Madalena não viera de um lugar chamado Magdala, na Galiléia, mas de um lugar chamado Magdallah, na Etiópia. Talvez fosse negra, ou de pele muito escura e andasse pela Alexandria, um ponto de encontro então. Dali foi a Jerusalém e conheceu Jesus, um forasteiro. Ela era forasteira. Ambos iniciaram um movimento que criaria uma ordem  revolucionária.
 Todavia, a descoberta desses textos radicalmente gnósticos mal abalou os círculos acadêmicos. Foi necessária uma obra de ficção best-seller para lançar Maria Madalena de volta ao cenário. O relacionamento entre Jesus e Maria Madalena foi calorosamente debatido desde os primeiros dias da cristandade. É um assunto delicado que mais uma vez jogou lenha na fogueira das discussões. O Evangelho de Felipe, outro texto gnóstico descreve uma relação entre Jesus e Maria que parece sexual.
Historiador:
--- A maioria dos rabinos judeus, quase todos, entre 98 e 99%, era casada e tinham filhos. Seguiam as palavras bíblicas, “Crescei e multiplicai-vos”. Era uma convenção aceita. Um homem de 32 anos como Jesus foi descrito nos evangelhos aceitos casava-se e tinha filhos. Muitos estudiosos olharam  para essa prova cultural. Se Jesus era, de fato, um ser humano e se veio da cultura judia, com toda a certeza teria sido casado. E só poderia ter sido com Maria Madalena, cujo nome se lê 12 vezes nos evangelhos aceitos, e estava sempre presente nos momentos mais importantes da história de Jesus. O recente interesse em fazer de Maria Madalena a Senhora Jesus ou amante de Jesus, tem mais que ver com Jesus do que com Maria Madalena. Ou seja, se ele foi mesmo um homem tinha uma mulher, é certo. É um modo de usar uma mulher para pensar no homem.
 Teria Maria Madalena um relacionamento com Jesus mais profundo do que sugerido pelo Novo Testamento? A cena a unção dos pés mostrando Maria com um jarro de alabastro talvez contenha a pista simbólica.
Historiador:
--- Uma mulher tocando os pés de um homem é um gesto erótico, talvez semi-erótico e secando-os com os cabelos é um quadro bem sensual. Então eles o citam para indicar que essa mulher que pensa ser Maria Madalena, era casada com Jesus. Alguns consideram que o ritual da unção presente nos quatro evangelhos lembra os rituais de Hieros Gamos celebrados na região mesopotâmica.
Hieros Gamos ou “casamento sagrado” é a cópula (às vezes casamento) de uma divindade e um homem ou uma mulher muitas vezes com um significado simbólico e geralmente realizada da Primavera. É um antigo ritual em que os participantes acreditavam que podiam ganhar profunda experiência religiosa ou um intercambio de conhecimentos através da relação sexual Os antigos acreditavam que ganhariam profunda experiência religiosa, a união sexual em geral realizada entre um senhor e uma serva da comunidade proporcionaria a fertilidade entre os protagonistas, à Terra e ao povo. O Evangelho de Filipe tem uma passagem provocante que diz “Jesus amava Maria Madalena acima de todos e costumava beijá-la na boca”. No texto em si a sugestão é que Jesus e Madalena formavam um par no sentido de que ela seria o Espírito Santo uma manifestação do aspecto feminino do divino.
Para alguns estudiosos, o papel de Madalena como apóstola dos apóstolos seria um excelente argumento para adoção de sacerdotisas. Para outros, seu relacionamento com Jesus seria uma ligação mais profunda com o passado pagão. Havia religiões misteriosas no Império Romano e nessas religiões misteriosas, adoravam-se deusas. Há quem diga que havia sacerdotisas ou prostitutas sagradas que celebravam os rituais. Acredita-se que, baseada no ritual da unção Maria Madalena seria sacerdotisa de Isis celebrando um ritual de Hieros Gamos com Jesus. Isis é a mulher de Osíris, morto e seu corpo foi picado. Isis e a irmã Neptis juntaram as peças, untaram o corpo e ficaram com ele três dias. No terceiro dia, ele reviveu. Isso teve lugar no Egito, muito antes da história de Jesus. Então, a idéia da unção e de velar três dias a tumba não é nada incomum. Os deuses do antigo Oriente, os romanos, os gregos o egípcios, todos tinham uma parceira. É incomum que o Deus de Israel não tenha a sua. Por isso, a imagem de parceiras para Deus claro que foram reprimidas na Antiguidade.
Historiador:
--- As primeiras religiões, todas, veneravam deusas. Houve deusas antes de deuses. E elas viam a sexualidade não com os tabus e inibições que se tem hoje, mas com a noção de êxtase, de criação. Tudo isso, visto sob o prisma de hoje acumula-se na figura de Maria Madalena. De certa forma, ela representa tudo isso.
Hoje, tal como no principio da cristandade, Maria Madalena incorpora o que a Igreja Ortodoxa perdeu. O feminismo sagrado. Maria Madalena representa a face feminina de Deus.
De Astúrias:
--- Deus! Meu Deus! Seria Maria Madalena a mulher sagrada? Ou não se trata de apenas figurativismo essa questão? – bradou o noviço de toda sua alma.
 
 

"DEUS" - 16 -

- ESTRELAS -
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MISTÉRIOS
Na sua primeira noite de trabalho estava o Monge Bernardo a vascular alguns dos livros tidos pelo também Monge Ambrósio de Escócia apenas para matar o tempo enquanto o planeta Nibiru caminhava lentamente em sua rota até o Sol. De novidades nada o podia o Monge fazer. Era esperar simplesmente para anunciar a terrível descoberta. E a passear para um lado e para outro, muito bem compenetrado de posse com um livro talvez ainda do século passado, Bernardo destacou algo surpreendente a impressionar. O Monge era igualmente astrônomo e tudo o que era de tal importância ele costumava ler. E esse foi o livro da descoberta: Mistérios Inexplicáveis. E foi assim que o monge começou a ler o tomo. Dentre os mistérios inexplicáveis do Universo, um tem especial urgência para os admiradores de decifrar o planeta onde vive: a Terra. O autor do tomo indagava se cada pessoa teria uma data marcada para a extinção uma vez a cada vinte e seis milhões de anos?  E se for assim o que causa essa destrutiva chuva periódica?  Haverá uma grande explosão em milhares de quilômetros e tudo perecerá.  Haverá ondas gigantescas de um tsunami. Um calor enorme. Incêndios por todo o Globo. E depois, escuridão. Durante milhões de anos objetos espaciais tem se chocado contra a Terra com resultados desastrosos. Um impacto nas águas na península de Yucatán, no México, teria causado a extinção dos dinossauros a sessenta e cinco milhões de anos. Mas não foi a primeira extinção em massa no planeta e, provavelmente, não será a última. Para alguns cientistas, esses períodos de morte e destruição ocorrem regularmente. Alguns paleontólogos verificaram um estranho padrão. Eles descobriram que grandes extinções não ocorrem aleatoriamente. Mas ocorrem segundo um cronograma. O  extermínio ocorre a vinte e seis milhões de anos, sem explicação. A ciência acredita que essas catástrofes vêm de uma estrela anã vermelha a existir a bordo do sistema solar. A estrela Meneses, uma estrela desconhecida do Sol e desloca-se a três anos-luz a partir do centro do sistema solar traçando uma órbita elíptica. Quando Menezes fica mais próxima do Sol a cada vinte e seis milhões de anos sua órbita atravessa a nuvem Orth (ou Oort), uma coleção de trilhões de cometas que cercam o sistema solar. E ao fazê-lo perturba a orbita do sistema. A perturbação gravitacional causada por essa pequena estrela faz com que cometas a muito estáveis saiam de suas orbitas na nuvem Orth. Atraídos pela gravidade do Sol, um bilhão de cometas se precipitam em direção ao sistema solar interno. Alguns, inevitavelmente se encontram com a Terra causando grande impacto e extinções em massa.
A ideia de que o Sol tenha uma estrela mortal como companheira é controvertida. Para a maioria dos cientistas o Sol é uma estrela solitária. Mas, no Universo, estrelas em duplas ou até em trios, agrupadas pela gravidade são a norma. Mesmo que o Sol venha a ter uma companheira, os astrônomos nunca observaram um sistema binário em que as estrelas estejam tão distantes quando se afirma que o Sol e Nêmeses estariam. Em 1997, a NASA lançou um projeto com o potencial de desvendar o mistério. Para o espaço foi um laboratório usando dois telescópios a usar radiação infravermelha para varrer o Universo em busca de estrelas desconhecidas. A concentração foi em corpos difíceis de encontra na galáxia Via Láctea ou em suas proximidades. E já produziu mais de dois milhões de imagens. Se neles existissem o telescópio devia ter detectado. Mas o projeto nunca encontrou essa descrição.  Outra possibilidade é que Menezes seja uma anã marrom. Essas estrelas fracassadas são bem menores que as anãs vermelhas. Como tem órbita muito elíptica, uma estrela anã marrom permaneceria longe da Terra a maior parte do tempo e fora do alcance dos astrônomos. Se for assim, a Meneses terá escapado dos telescópios da NASA. Mas a descoberta da Meneses é uma questão de tempo. Há muitas estrelas no Universo. São milhões, diz o estudioso.
Monge Bernardo:
--- Isso é fantástico! – disse consigo o novo astrônomo.
--- De todos os mistérios inexplicáveis do Universo talvez, o mais fascinante e controvertido seja a possibilidade de viajar no tempo. Em 1955, Ronald Mallett, (hoje professor da Universidade de Connecticut) tinha apenas dez anos quando seu pai morreu de ataque cardíaco. Abalado, o jovem Mallett ansiou com o modo de rever o pai e talvez salvar sua vida. Um ano depois da morte do seu pai, o jovem viu um livro de H.G. Wells, A MÁQUINA DO TEMPO e então sonhou em construir uma máquina do tempo como a do livro para poder voltar no tempo e tentar salvar a vida do seu pai. A Máquina do Tempo era uma obra de ficção. Mas Mallett descobriu que a ciência explicava a misteriosa ideia de viajar no tempo. E a fonte era Albert Einstein. Ele teorizou que a distância e o tempo eram ligados. E imaginou que espaço e tempo como uma espécie de tecido. Em sua teoria geral da relatividade, Einstein mostrou que um objeto volumoso, como um planeta, uma estrela ou um buraco negro deforma o tecido do espaço e tempo. De fato, Einstein acreditava que a gravidade, a força que prende o ser a Terra e a mantém em orbita em torno do Sol é apenas um efeito dessa deformação. Os buracos negros, os imensos vestígios de estrelas colapsadas possuem poder gravitacional de distorcer o espaço e tempo. Matéria e energia eram formas diferentes da mesma coisa. A luz, que é energia deve ser capaz de distorcer o espaço e tempo tal como um objeto volumoso. O primeiro viajante do tempo precisará ser bem menor do que um ser humano. Uma partícula subatômica como um neutro. As máquinas do tempo da ficção científica permitem viagens ilimitadas ao passado e ao futuro. Teoricamente, uma civilização alienígena avançada pode ter uma máquina do tempo que foi ligada a milhares de anos. Muitos físicos acreditam que esse atual Universo é apenas um entre vários Universos paralelos. Então, se o homem voltar no tempo e entrar no Universo paralelo são possíveis afetar eventos sem afetar o Universo de onde ele veio. O ser humano pode estar a um século dessa viagem ao passado e ao futuro. Contudo, essa teoria criou um novo mundo para as gerações futuras.
--- Os cientistas acreditam que, enquanto se formava o Universo era apenas constituído não apenas pela matéria que hoje se compões tudo ao se está ao redor. Esses estudiosos são de acordo de conter uma quantidade quase igual de antimatéria. O oposto da matéria. Então remontar a seus primórdios o Universo será composto de matéria e antimatéria. Toda partícula tem uma antipartícula. Parece loucura, mas, é verdade. É meio ficção científica. Mas o que é essa misteriosa antimatéria? E o que aconteceu a ela? A antimatéria é igual à matéria. A diferença é uma carga completamente diversa.  A matéria comum é feita de átomos que, por sua vez são feitas de partículas subatômicas como os elétrons, de carga negativa e os prótons, de carga positiva. A antimatéria é o oposto dessas partículas. Tem a mesma massa. Mas a carga elétrica é oposta. No  Universo os opostos se atraem e as partículas e antipartícula tendem a se aproximar. Pode parecer um casamento perfeito. Mas, quando a matéria entra em contato com a antimatéria o desfecho é sempre o mesmo: elas se aniquilam. É de se imaginar duas espaçonave avançando pelo espaço em rota de colisão. Uma, é feita de matéria normal. A outra, é uma nave de antimatéria feita por uma civilização alienígena. O impacto seria espetacular e não restaria nenhum escombro para os investigadores examinarem. A matéria e a antimatéria desaparecem. Não resta nada. Mas a energia não desaparece. A quantidade de energia contida em um pequeno volume de massa é espantosa. A antimatéria é muito volátil. E quando encontra a matéria o potencial de energia seria tremendo. O maior mistério em torno desse tema é que, se havia quantidades quase iguais de matéria e antimatéria no começo do Universo, então, onde está a antimatéria agora? Só há uma pequena quantidade de antimatéria no centro da galáxia da Via Láctea. Porque esse Universo parece feito inteiramente de matéria e quase não se nota a antimatéria é um mistério. Uma teoria é de que havia uma porcentagem um pouco maior de matéria no começo do Universo. As partículas e antipartículas colidiram e se aniquilaram e o que restou essa pequena porcentagem superior de matéria. Os últimos veteranos da mais antiga batalha do Universo.
Monge Bernardo:
--- É espantoso. Como se pode compreende tal Universo? – indagou obtuso o monge
--- Essa explosão titânica causada pela colisão matéria e antimatéria no instante do tempo resultou no enigmático Universo. A mais avançada teoria não consegue explicar essa assimetria entre matéria e antimatéria. O que é de fato ela na verdade existe. A matéria prevaleceu e constituiu tudo o que se observa ao redor. Os cientistas aprenderam a criar minúsculas porções de antimatéria em aceleradores lineares para fins médicos. Partículas de antimatéria extraídos de matéria radioativa decomposto são injetadas no corpo para tomografia cerebral. A antimatéria ajudou desvendar os segredos da mente humana. Mas a mente humana ainda precisa desvendar todos os segredos da antimatéria. Como outros mistérios nesse Universo sempre em mutação toda a verdade sobre a antimatéria ainda permanece no domínio do inexplicável.   
Marte sempre esteve cercado de mistérios. Mas o mais intrigantes deles não tem nada a ver com invasores alienígenas. Evidências científicas sugerem que Marte já foi mais parecido com a Terra e tinha um dos elementos mais essenciais para a vida: a água. A água existia em abundancia em Marte. São possíveis evidências de correntes antigas e o vapor de água na atmosfera. Há até mesmo traços em Marte que parecem antigos leitos de rios e planícies. Marte, sem sombra de duvidas, foi um planeta tropical com mares e oceanos. Como a água de Marte pode simplesmente sumida? E por que desapareceu?  São mistérios que os cientistas tentam resolver. Evidencias geológicas colhidas por sondas e satélites em Marte sugerem que há três milhões e meio de anos sua superfície mudou drasticamente. O planeta outrora temperado tornou-se um lugar frio e seco. E a água desapareceu.  Uma série de eventos em Marte parece ter mudado drasticamente a paisagem. Marte passou por um intenso período de vulcanismo que espalhou lavas por sua superfície. Quando finalmente terminou, o núcleo de ferro fundido do planeta se solidificara. Isso pode ter levado Marte a perder seu campo magnético e sua camada protetora de ozônio. Os ventos solares castigaram o planeta durante milhões de anos destruindo toda sua atmosfera. O vapor da água que antes caia como neve ou chuva escapou do pequeno campo gravitacional.

"DEUS" - 15 -

- ANUNNAKI -
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ANUNNAKI
Logo após a sesta os Monges visitantes chefiados por o Monge Carlo (o Grande) foram ter um encontro com o também Monge Ambrósio de Escócia do Observatório da Serra, no Mosteiro de São Simplício. Esse foi um encontro de longas horas onde o principal monge visitante explicou o que se deveria fazer ao longo dos dias para se descobrir a rota de um planeta Marduk muito mais conhecido como Nibiru. O Monge Carlo representava uma delegação do Priorado de São Simão, organização secreta e por ninguém sabido, salvo o Santo Padre, o Papa e os seus diretos signatários mais acercados. O Priorado de São Simão ficava no ponto mais alto da Espanha, fronteira com a França: os Pirineus. Chamada Cordilheira dos Pirineus, os montes formam uma fronteira natural entre a França e a Espanha. É uma fronteira natural onde o acesso é íngreme e ninguém sobe ou desce a não serem os Monges quando partem para fazer visitas ao Santo Padre, o Papa ou outro caso de suma importância. O Priorado tem escritórios em todas as partes do mundo e as visitas pastorais são um caso a parte. Antes de partir para uma vistoria, o Monge tem de se aquilatar no Mosteiro por um bom período de tempo até se aparecer obediente com as normas postulares. Os que estão em escritórios nas cidades, são os mais idosos. E a visita feita dessa vez foi por uma questão especial a mando do Sumo Pontífice. A Igreja tenta saber o fato da viagem estelar do planeta Nibiru. Tal planeta tem um curso de pelo menos 3.600 anos a passar pelo Sol a sendo visível da Terra. Na viagem, tal planeta sempre deixa pessoas na Terra e o Sumo Pontífice entraria de imediato em seus contatos diretos com esses povos. Da última vez que o planeta se acercou da Terra, deixou uma parte de seus viajantes conhecidos como Anunnakis. Esse povo é de suma inteligência. Anunnaki significa: “Aqueles que desceram dos Céus”. Essa civilização é de gente adiantada e chegou nessa terra vinda do planeta Nibiru. Seu desembarque ocorreu há 450 mil anos com o propósito de colonizar a Terra e buscar grandes quantidades de ouro. Os humanos primitivos que aqui viviam  foram geneticamente manipulados. O geneticista Enki e o chefe de medicina Ninhursag, realizaram diversas experiências e criaram híbridos dos próprios Anunnakis. Daí em diante os Anunnakis passaram a realizar novas experiências para formar o homem à sua imagem e semelhança. Deste ponto em diante os homens da Terra chamaram de deuses os que os fizeram. Os Anunnakis costumaram desertar os homens da Terra para cantos mais longínquos espalhando-os pelo planeta.  Mas as suas criaturas surpreenderam os criadores. Eram belos, sendo homens. E belas, sendo mulheres. E as fêmeas serviram de parceiras sexuais para os Anunnakis. Dessas uniões a mulheres deram filhos. E por milhares de anos os homens da Terra foram os escravos dos seus chefes. E ajudaram a construir palácios e cidades em instalações astronômicas em amplos continentes. Com isso, os Anunnakis ocuparam a Mesopotâmia como também o Egito, Índia, as Américas e o que se conhece hoje como a Europa. Em tais circunstâncias sua presença é vista em todo o mundo. Seis mil anos após o dilúvio os Anunnakis conduziram a raça humana a sua independência. Assim formou-se um sistema sócio-político fortemente hierarquizado. Linhagens de Reis vindas dos Anunnakis foram estabelecidas. Eram então os “iniciados” conhecedores da ciência, matemática e astronomia. E esses povos foram doutrinados a conhecer técnicas de medicina, arquitetura e engenharia. Então se formou o “colégio dos mistérios”.

Há 500 mil anos o planeta Terra não era assim chamado. O nome “Terra” é uma inovação recente. O antigo nome do planeta era Tiamat. Era um lugar completamente diferente do que hoje se conhece. O Tiamat localizava-se no espaço em outra posição, ainda mais distante do Sol, entre Marte e Júpiter. Marte era então habitado, com um clima temperado e água abundante em estado líquido. Este fato foi amplamente estudado pela NASA e cientistas de outros órgãos.  O Tiamat estava mais próximo  da estrela Sírius. O sistema planetário de Sírius e o sistema do Sol eram parte de um mesmo e único sistema maior – parte de uma unidade cósmica. Os dois sistemas ainda são gravitacional conexos com um terceiro sistema, fato a ganhar espaço nos meios científicos. O “Sistema Regional de Sírius” gira em torno de um sol central chamado Alcyone, estrela situada na constelação de  das Plêiades ou “Quadrante das Plêiades”.  O conjunto de Sol-Sírius-Alcione descreve uma órbita ao redor do centro da galáxia Via Láctea em direção da estrela de Sagitário. Todo o movimento orbital do mega sistema tem uma duração de 200 milhões de anos.
A prova definitiva da veracidade da tradição suméria seria o reconhecimento científico de um décimo planeta no sistema solar: a descoberta do Nibiru com tamanho, órbita e outras características descritas nos registros da Mesopotâmia. Plutão foi descoberto em 1930 e Caronte, sua lua, em 1978. Entre 1983 e 1984, o IRAS – o Instituto astronômico de Satélites  - registrou informações relacionadas a um décimo planeta. E nessas informações falam do planeta Tiamat, do tamanho de Urano, cuja órbita passa entre Marte e Júpiter. O grande planeta Nibiru foi capturado pela força gravitacional do sistema solar e sua entrada no conjunto causou anomalias nas luas dos outros planetas. Nibiru colidiu  com Tiamat e enormes fragmentos entraram na órbita da Terra. Um desses fragmentos veio a ser a Lua da Terra.
Nibiru é um termo que significa “cruzamento” ou “ponto de transição” geralmente relacionado a rios. Ele é associado ao deus Marduk que geralmente acredita-se tratar do planeta Júpiter. O povo antigo conhecia todos os planetas do sistema solar, inclusive Nibiru, um planeta lento. Sua passagem é junto ao Cinturão de Asteroides.  A passagem de Nibiru é a causa da mudança nos polos da Terra, dos regimes das marés, dos padrões climáticos, dos desvios da órbita r choque com asteroides que são arrastados pelo “intruso”. Hoje, especula-se, que Nibiru pode ter provocado a extinção da vida em Marte, o fim dos dinossauros e o dilúvio fantástico acontecido há milhares de anos.
Monge Carlos:
--- Essa é a missão vossa. O Santo Padre está bastante preocupado. A tensão é enorme. Caso seja a colisão inevitável, tudo ruirá. Vós podeis decifrar esse fenómeno inquietante. – palavras inquietas de Carlo, o Grande.
De Escócia:
--- Mas não é possível! Um planeta vir ao alcance da Terra? – indagou assustado o Monge de Escócia.
Monge Carlos.
--- É provável. Não restam dúvidas. Os nossos telescópios podem varrer a sua trajetória! – falou um tanto assombrado o Monge Carlo.
De Escócia:
--- Certamente. Certamente. Eu já observo há alguns meses esse planeta. E deve demorar um pouco para vir até aqui. E o que o Santo Padre quer fazer quando o planeta se aproximar? – indagou o monge sem entender os pormenores.
Monge Carlo:
Quanto ao caso eu não vos direi, pois o Santo Padre não nos falou. É pensamento da NASA averiguar o que o planeta tenciona fazer.  – falou com voz longa o prelado.
De Escócia:
--- Muito bem. Eu creio que o Planeta não tenciona a fazer coisa alguma. Ele é apenas um planeta. No entanto, pode haver consequências negativas para os demais planetas que estão em sua rota de percurso. Lembro-me bem as vossas informações. Temo ser um pouco cedo para tal. A NASA tem observatório mais acurado do que nós temos. Ela pode divisar através de outros sistemas o que nós não podemos. – relatou desatento o Monge.
Monge Carlo.
--- Certamente. Certamente. A NASA tem sistemas mais acurados. O Hubble por exemplo. Talvez nada se venha a fazer. Mesmo assim, é bem melhor prevenir. Quem sabe se o Planeta não virá com mais força do que a vez anterior? Nunca se sabe. Há comentários da NASA querer expulsa-lo de sua órbita de navegação. – falou calmo o Monge.
De Escócia:
--- Expulsar? Mas como meu nobre Monge? – indagou perplexo.
Monge Carlo:
--- Nós não sabemos. Talvez explodir bombas. Um caso simples até? – disse Carlo, o Grande.
De Escócia:
--- Bombas? Caso simples? Isso é impossível! – relatou com temor.
Monge Carlo:
--- Notadamente que não é muito grave. Expulsa-lo é um caso a parte. Mas vós tendes aqui o seu companheiro de labuta, o Monge Bernardo. Ambos ficarão em observação. Um dorme e o outro assume o posto. – confidenciou o Monge superior.
De Escócia:
--- Ah. Bom. Boas vindas. – disse De Escócia com um pouco de ciúme de ter que dividir o ofício.
Bernardo:
--- Senhor! – e fez a costumeira forma de obediência ao Monge do Observatório a se curvar.

"DEUS! - 14 -

- SINAGOGA -
- 14 -
PERDÃO
Passada a hora dos Cânticos pelos Monges, Boaventura retornou a seu afazer a procura de maiores informações a respeito do crime que abalou a Igreja no seu nascedouro. Era fato tudo não passar de lenda. Com isso, o Monge estava conformado. Olhava ele o livro antes de qualquer ação. E comentava em murmúrio todo o seu pensar:
Boaventura;
--- Demônios! Essa é nova! Não sei por que esses “hereges” inventam esse inimigo como se fosse demônio! Tudo é demônio! Ora vá para o diabo que o carregue! – comentava em surdina o Monge.
E assim, um tanto zangado, o Monge recomeçou a leitura procurando entender melhor o que o autor do tomo escreveu.
--- Mas algo profundo começa a acontecer com o passar do tempo. Os irmãos irados começam a aprender a perdoar. No capítulo 25 do Livro do Genesis a reversão começa com a história dos irmãos gêmeos; Jacó e Esaú que brigam pela herança do pai Isaque. Jacó e Esaú começam a brigar no útero materno.
Oráculo:
--- Você tem duas nações lutando em seu útero. – disse o Oráculo ao ver a mulher grávida.
--- Esaú, mais tarde, associado ao cristianismo (?) nasceu primeiro, tornando-se o mais velho e ganhando a herança. Mas Jacó, que simbolizava o Judaísmo, nunca aceitou isso e continuou a lutar. Jacó, finalmente venceu o irmão mais velho quando enganou o irmão fazendo negociar a sua herança por uma tigela de sopa de lentilhas. Na época Esaú estava faminto, mas isso não implica em misericórdia para ele na história. O fato de Esaú vender os direitos de família em troca de um prato de sopa é às vezes interpretado como um sinal de desrespeito às tradições de seu pai. Esaú tem de matar Jacó. E Jacó tem de fugir de Canaã. Mas depois de quase vinte anos ele não consegue resistir de voltar para a casa. Na verdade ter perdido os direitos de primogênito Esaú fica rico e poderoso e confronta Jacó com um exercito. Mas ao ver o irmão ele é tomado de alegria.
Narrador:
--- Ao ver Jacó, Esaú lançou-se em seu pescoço e chorou durante muito tempo entre os seus braços.  
Boaventura:
--- Não dá para acreditar. Cristão? Nesse tempo nem Jesus era vivo! – resmungou com ira o Monge.
--- Deslumbramos aqui um primeiro passo para um significado mais amável de irmandade de que aquele entre Caim e Abel. Entretanto a reconciliação mais verdadeira ainda está por vir. Essas rivalidades entre os irmãos reverbera por todo o Livro dos Genesis  e chega ao seu clímax em sua prova mais elaborada no final do Genesis com a história de José. E tudo começa com o manto multicolorido, um presente de Jacó a seu filho mais novo, José, símbolo de que ele irá receber a herança de seu pai. Os irmãos mais velhos de José são tomados de ciúmes e ira. Eles roubam o manto multicolorido, simulam o assassinato do irmão e o vende a comerciante de escravos. José acaba chegando ao Egito onde é escravizado e jogado na prisão. Mas depois de dois anos de sofrimento José é chamado pelo Faraó.
O Faraó ficara sabendo que esse escravo em particular tinha um dom especial para interpretar sonhos. E quando José ouve o sonho do Faraó, ele percebe que se trata de uma profecia divina. José alerta o Faraó: as águas do Nilo irão secar e haverá fome por sete anos. Ele diz ao Faraó como proteger o reino. O Faraó fica tão impressionado com José que dá a ele o mais alto cargo político do Egito. Ele fica mais poderoso e rico do que se possa imaginar. E, finalmente chega a ele a sua oportunidade de vingança. Quando ele fica sabendo que os seus irmãos haviam vindo para o Egito fugindo da fome, José sabe que pode destruí-los assim como Caim destruiu Abel. Entretanto, em vez disso ele lhes dá boas vindas.
Outra traição famosa na Bíblia acontece, sem dúvidas, na história mais recente de Jesus. Aquele que pregava a fraternidade e o perdão foi entregue às autoridades por seu discípulo. E alguns poderiam dizer: por seu irmão espiritual – Judas. E Ele aceitou sua morte com a pureza da não violência que, segundo, o sagrado Alcorão, teve início com Abel. Certamente a frase; “Perdoa-os, pai. Eles não sabem o que fazem” poderia ter sido dita para o próprio Caim, matando sem qualquer conhecimento do que a morte ou assassinato do que realmente significavam.
Boaventura:
--- Estúpidos! Lendas! São puras lendas. Caim nunca existiu. E nem Abel também. Brutos! – o Monge assim raciocinou.
--- No século XX essa deturpação do Genesis tomou outro rumo inquietante. Em 1941 quando  os nazistas ordenaram que todos os judeus alemães se identificassem em público usando uma estrela amarela, Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda nazista escreveu um editorial de jornal no qual comparava a estrela amarela ao sinal de Caim e fazia pouco aos judeus de Berlim por tentarem encobri-la. Para arqueólogos e historiadores a fundo de verdades ocultas na sombra das pirâmides egípcias. Outros acreditam que a história remonta a um passado muito mais distante. No Egito, terra dos Faraós. E certamente onde os israelitas viveram durante gerações. Por certo tempo o Faraó teve medo da prosperidade dos israelitas e os escravizou. E então uma filha do Faraó encontrou um bebê no rio e o criou no Palácio. Assim começa a história de Moisés salvador do povo judeu que liderou durante êxodos. No entremeio há historiadores os quais acreditam que Moises tenha tirado do Egito mais do que seu povo. Ele pode ter tido também parte da religião egípcia e que parece reproduzir de forma surpreendente a história de Caim e Abel. Os egípcios imortalizaram a história nas paredes das próprias tumbas, nas profundezas das pirâmides. Então se encontra paralelos instigantes com conflitos retratados nas paredes. A pirâmide de Unas tem mais de quatro mil anos. Centenas de dizeres mágicos estão inscritos  nas paredes desse santuário. Entre os feitiços e encantamentos há uma história de ciúmes e fratricídio incrivelmente semelhante entre a de Caim e Abel. Os hieróglifos egípcios contam a história de dois irmãos: os deuses Osiris e Seth. Osiris era o deus da agricultura, governante do mundo. E Seth era o deus da guerra e do conflito. Um dia Seth teve ciúmes e matou Osiris. Cortou-o em quarenta e dois pedaços e o espalhou por todo o mundo. Os dois deuses egípcios lutaram até a morte pelo amor da mesma mulher, a irmã deles. Estudiosos e arqueólogos veem outra semelhança. Os estudos indicam que eles estão mais ligados à pré-história da humanidade. Tudo começou no berço da civilização onde hoje é o Iraque.  As pessoas haviam começado a se afastar do comportamento de caçador e comedores da idade da pedra e começaram a controlar seu ambiente. Elas não mais procuravam alimentos, mas o produziam. Havia os que domesticavam animais – os pastores – e aquelas que domesticavam as plantas – os agricultores -. As histórias de confronto entre pastores e lavradores foram finalmente escritas pelo povo que inventou a escrita: - os sumérios.
Os sumérios viviam na Mesopotâmia, parte do que é conhecida como é hoje – o Iraque – a mais de seis mil anos. E era um povo mais talentoso da face da Terra, pois eles inventaram a escrita, inventaram as leis, inventaram todo tipo de raciocínio moral, os provérbios. Eles inventaram um sistema de crença religiosa para explicar o poder do bem e do mal. Esculpido em pedra batalhas entre pastores e agricultores se transformaram em mito surpreendente similar a história de Caim e Abel. Na história suméria, Dumusi o deus dos pastores, luta com seu irmão, Enkimdu, o deus dos lavradores pelos favores da irmã deles, a deusa Inanna. O que é de espanto como teria sobrevivido tal história por milhares de anos tornando-se parte de uma tradição monoteísta, O início da história teve lugar nas cabeceiras de quatro rios: Tigre, Eufrates. Apesar de não estar ligado à história, o Gihon e Pishon, que flui do norte do Mar Cáspio seja esses os outros dois rios. Um estudo das línguas antigas mostra que com o passar do tempo houve uma reversão da língua falada. E nos estudos leva-se a compor ser o Jardim do Éden no Iran ocidental. Há sete mil anos, o Golfo Pérsico não era o enorme corpo de água que é hoje, mas um repleto vale cheio de rios de água doce. Enfim, a história de Caim e Abel tem suas origens na Mesopotâmia, no vale dos sumérios. Isso leva a crer ser a Bíblia um completo texto dos sumérios. Os dois deuses que lutaram foram eles Tumusi e Enquindu retirando-se então os livros de Moisés.
Boaventura:
--- Está aqui a verdade. O texto é sumério. A guerra foi com dois irmãos sumérios. – alegrou confiante o monge.
Verdade ou não. A Bíblia é uma tradução do escrito sumério. Quando esse povo esteve na região do Egito, deu os seus escritos a um Faraó e logo após largaram pelo mundo afora onde ainda hoje tem seus descendentes.
Nesse instante, alguém bate a porta do Monge Boaventura e esse, temeroso, guarda o tomo em baixo de sua cama. Logo após se apressa e vai. É a hora do almoço. Mas a terrível história de Caim e Abel não ficou esquecida na mente de Boaventura. Ele sempre irá acreditar serem todas as religiões monoteístas em suma irmãs. O Monge soprou a vela e buscou saída pela única porta de sua cela. Eram doze horas do dia.


quinta-feira, 18 de julho de 2013

"DEUS" - 13 -

- O PARAISO -
- 13 -
O CRIME
O Monge Boaventura estava folheando o livro um tanto gasto em sua Cela iluminada pela chama de uma vela. Nos restante do pequeno espaço havia como nos outros locais, uma cama com um colchão de palha, uma banda para estudos, um armário para se guardar as vestes e uma cadeira duas cadeiras. Uma servia para os estudos. O ádito era como as demais com uma portinhola de tranca. O livro era um tanto pesado por seu grosso volume. O título era apenas: “Caim de Abel” e nada mais. No seu bojo trazia toda a história dos dois irmãos. Eles, filho de Adão e Eva os primeiros seres humanos, segundo a Bíblia. Em todo o texto trazia apenas a guerra entre Caim e Abel. Apesar de está trinta ou mais anos no Mosteiro, o Monge não perdia a sua curiosidade pelos assuntos religiosos. E foi dessa forma ter ele o cuidado de passar a ler o respectivo livro. Após se por a vontade em sua mesa e olhar ao redor para ter a certeza de que estava só então o monge começou a sua aventura. Ler o Livro de Caim e Abel.
Após uma breve introdução sobre o enredo, pondo na Bíblia e no Alcorão a história do primeiro assassinato ocorrido da Terra, a história conta a aventura de Caim após a morte do seu irmão praticada por ele mesmo e sair a vagar pela terra como um assassino. A história está repleta de enigmas. A preferencia de Deus por um dos irmãos, a reação violenta de Caim e um sinal misterioso que inspiraria ódio e intolerância durante dois mil anos. É uma das histórias mais brutais e desconcertantes já contadas: o sombrio mistério de Caim e Abel. Isso é o que conta o autor do livro.
--- A história de Caim e Abel é uma das mais fascinantes da Bíblia. Ela mostra a primeira morte de um ser humano e o primeiro assassinato. Um irmão matando o outro. Mas o que torna essa lição de Cain e Abel tão poderosa é que uma lição para uma família. Mas para toda a humanidade. A história é bastante curta, enigmática e misteriosa. Ela apresenta o assunto da rivalidade fraterna e então ressoa por todo o livro de Genesis. A história de Caim e Abel não é para os fracos. Brutais e detalhadas apenas dezesseis linhas do Genesis contam a história desse assassinato. Tudo começa depois que Deus expulsa Adão e Eva do paraíso e eles têm dois filhos. Caim, (lança) o primogênito, torna-se lavrador. Seu irmão mais novo, Abel, torna-se pastor. Os dois irmãos tentam agradar a Ele dando-Lhe graças e oferecendo sacrifícios. Esses são os primeiros rituais de sacrifícios registrados na Bíblia. Cada um dos irmãos fazendo suas oferendas de acordo com seu próprio meio de vida. Bíblia relata que Caim chega até Deus oferecendo-Lhe um sacrifício de sua colheita. E Abel oferece-Lhe um sacrifício do seu rebanho, o primeiro cordeiro a nascer. Deus aceita a oferenda de Abel. Mas rejeita a de Caim sem motivo aparente. Esse é o primeiro dos muitos enigmas da história. Por que Deus prefere um sacrifício a outro? Quanto a isso o Genesis nada diz. Mas a história prossegue. Caim fica zangado e com ciúmes do seu irmão mais bem sucedido e se torna violento. Logo que eles  chegaram ao campo Caim lançou o seu crime ao irmão. E o matou. Eis o outro mistério. Se ninguém havia sido morto antes, muito menos assassinado, como é que Caim sabia como matar? E será que chegou a entender o que havia feito?
- E então o Senhor disse a Caim: “Onde está Abel, o teu irmão?” Caim respondeu: “Eu não sei. Acaso sou o tutor do meu irmão?” – E o Senhor replicou: “Que fizeste”? “A voz do sangue do teu irmão clama da terra até mim”. ”De futuro serás maldito sobre a terra que bebeu da tua boca para beber da tua mão o sangue do teu irmão”.  E agora, a Bíblia deixa clara o quanto Deus está zangado com Caim por cometer um crime tão hediondo. Deus o bane de sua terra para sempre e ele é condenado a vagar sozinho pelo planeta. Caim implora a Deus dizendo que ele tem medo que possa ser morto por alguém que possa encontra-lo no deserto. Então Deus promete colocar um sinal para ninguém se aproxime de Caim e o machuque. Mais enigmas. Se no início havia apenas Adão e Eva e Caim e Abel, quem são as pessoas que Caim teme no deserto? E o mais enigmático ainda. Mistério que ecoaria através dos tempos: qual é o sinal de Caim? Finalmente Caim afastou-se da presença do Senhor o foi residir na região de Nod (terra da fuga) no oriente do Éden. Mas algo desconcertante que gera perguntas sem respostas. Mas na verdade, uma mensagem poderosa surge em alto e bom som: “Sim. De fato você é o guardião do seu irmão”. Na continuidade se pode observar que o pacifismo de Jesus, Mahatma Gandhi e Martin Luther King podem todos remontar a história de Caim de Abel com sua mensagem sobre a irmandade do homem e a importância da não violência. Mas ao mesmo tempo o sinal de Caim tem sido usado a centenas de anos para demonizar e destruir pessoas, nações e raças. De onde vem essa história intrigante, contraditória e quase bizarra? As grandes religiões do mundo há muito tempo lutam para penetrar nos mistérios dos testos sagrados.
Cada tradição acrescenta detalhes intrigantes e surpreendentes tentando reconciliar os enigmas e contradições dessa história extraordinária. Apesar de séculos de hostilidades, guerras e derramamento de sangue, judeus, cristãos, mulçumanos  concordam com uma coisa: todos eles tem suas crenças em um Deus e no conceito de que são descendentes de Adão e Eva, até as tribos hebraicas e o profeta Abraão.  As filosofias centrais e duradoras de um Deus, amor e perdão são a força fundamental por trás das grandes religiões do mundo. Entretanto cada religião precisa lidar com os enigmas da história à sua própria maneira. Comentaristas islâmicos de hebraicos sugerem uma razão surpreendente para Deus ter aceitado a oferenda de Abel, mas não a de Caim: o coração de Abel é justo porque Deus sabe de tudo.  Em outra versão, historiadores islâmicos e hebraicos, trata-se a fonte previsível de conflito entre dois homens: uma mulher. Caim cobiça a mulher que deve ser do seu irmão. Daí a ira Deus com o irmão mais velho. Os comentaristas sugerem que Caim e Abel tinham uma irmã. O nome dela era Auan.  O Genesis a propósito não ver qualquer problema com irmãos e irmãs se casando, pois não há outra opção nesse ponto. Agora o ressentimento de Caim parece um pouco mais claro. Deus havia favorecido a Abel tanto no casamento quanto no sacrifício. Deus adverte Caim para que se afaste de pensamentos maldosos. Mas ele não faz isso. Com o passar dos séculos a tradição islâmica acrescenta mais detalhes a história, simpatizando o lado pacífico  de Abel. Estranhamente, apesar da reação passiva de Abel, Caim não consegue completar o terrível ato. Quando Caim percebe apesar de todos os seus esforços ele não consegue matar Abel, o Demônio aparece e fala com Caim e o ensina como cometer o assassinato. O Demônio diz a Caim para atingir o irmão na cabeça com uma pedra. Mas, o que significa assassinato nesse mundo sem morte? Os comentários islâmicos oferecem alguns detalhes como a situação era nova e terrível. Quando o Demônio visita Eva que ainda não sabe que seu filho mais novo está morto, ele diz:
--- Seu filho Abel não irá voltar para você. – diz o demônio.
--- Como assim? – pergunta Eva.
--- Ele está morto. Ele foi morto.  - responde o demônio.
--- O que significa morto? E que significa morte?  – volta Eva com espanto a indagar.
--- Ele não falará mais com você. Ele não voltará. Ele não respira.  – falou o demônio.
Ela começa a chorar, afinal Abel é o seu filho. Segundo os comentários do Alcorão as lágrimas de Eva são as primeiras de um ser humano. Na tradição islâmica foi assim que a tristeza se tornou parte da experiência humana pela primeira vez. Em todas as tradições monoteístas esse é o primeiro exemplo de morte, assassinato, fratricídio e pesar. E para sempre a partir daí, o pesar se multiplica tanto no Antigo como no Novo Testamento. Lágrimas; roupas violentamente rasgada; ranger de dentes e derramamento de sangue, todos eles respiram essa segunda queda da graça de Deus no assassinato de um irmão. E o restante do Antigo Testamento está repleto de histórias que repetem os temas mais violentos relativos a Caim e Abel. Irmãos colocados contra irmãos. Pela família, pelo sangue, pela herança, pelo ciúme.
Monge:
--- Com mil demônios. Então foi assim? Mas eu tenho uma questão: Essa história é uma lenda. Sendo assim, nada disso aconteceu. Isso é apenas o exemplo de como se daria a causa. Os Sumérios, tempos antes pregavam tal método. E ninguém sabe ter sido a Bíblia a cópia do livro dos sumérios. E o alcorão veio bem depois. Diabos! – reclamou exaltado o monge Boaventura.
Era a hora de seguir para o interior da Igreja onde o monge faria a sua oração corriqueira. Nada falaria aos demais Monges, Ele teria que ver o restante do livro em que estado ficou toda a questão. Havia de consultar outros alfarrábios para se inteirar da verdade.  Ao vento frio sobrou leve e Boaventura olhou par foram vendo o firmamento. As nuvens escuras garantiam chuva em poucos minutos. O monge se cobriu com sua opa e, guardando por debaixo da cama o grosso livro, logo após ele destrancou a porta e saiu vexado para o templo. Quem o visse sentia a impressão de que era um camundongo a correr envolto em capa percorrendo o corredor por entre a úmida parede. Seus passos miúdos garantiam mais ainda a forma de um rato amedrontado. As folhas de ciprestes acoitavam com a ventania a aumentar a cada instante. O monge do sino estava a badalar o campanário a chamar todos para as orações diurnas. O Monge Boaventura deixava todo coberto com o capuz a sua cabeça ligeiramente fendida para frente. No interior da Igreja se ouvia o cantar dos outros Monges recitando o Canto Gregoriano.
O templo, naquela hora da manhã de um dia chuvoso, estava cheia de autoridades da Igreja. Boaventura procurou se inteirar quem eram os artífices religiosos a estarem presentes. Um Monge declarou fielmente em murmúrio ser as autoridades do Sumo Pontífice.
Boaventura:
--- O que eles querem em horas tão diminutas do dia? – quis saber de forma preocupada.
Monge:
--- Não sei. Talvez apenas visita de rotina. – declarou o monge.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

"DEUS" - 12 -

- Basílica de Vezelay -
- 12 -
MILAGRES
Não foram sem êxtase ter o noviço conhecido sem conflito os milagres de Jesus. Ele já estava sabedor do conhecer do velho e decaído Monge um dia encontrado no meio do caminho do Observatório da Serra. Com alegria o rapaz deu um murro no ar ao ler o escrito. A capacidade de cura está em todas as pessoas. O noviço estava no caminho certo. Ele se lembrou de uma anciã a qual fazia a longos anos os referidos milagres. Era ela uma anciã notadamente pobre e nada cobrava como pagamento. Apenas dizia ser o mal o qual não voltaria. Em suas preces a anciã costumava dizer: “Vai-te para as ondas do mar sagrado” quando rezava ao enfermo. Era uma cura que a idosa fazia. Como Jesus, a ditar os seus inesperados milagres, a velha também fazia do mesmo modo. Rebuscando nas imensas estantes da Biblioteca do Mosteiro de São Simplício o noviço De Astúrias encontrou um velho tomo a tratar de Jesus e os quarenta dias perdidos, o Novo Testamento da Bíblia, a fundação do cristianismo e seus vinte e sete livros culminam em dois eventos “milagrosos” no centro da fé cristã: a Ressurreição e a ascensão de Jesus Cristo. A ressureição e a ascensão são o que dizem que Jesus é quem Ele diz ser: “Eu sou a ressureição e a vida”.  Não vale a pena ter uma fé cristã se essas coisas não aconteceram. Tudo depende disso, explica o autor do tomo. Outras histórias da vida e do nascimento de Jesus são cheias de comentários. Há conecções feitas, há explicações dadas. Quando se chega à ressureição tudo é ligeiro. Não se conta nenhuma história a respeito. Continua o mistério. O Novo Testamento diz claramente que o que aconteceu nos quarenta dias não está incluído no Evangelho. Durante séculos os descrentes perguntam: “Como é possível que uma fé inteira seja baseada em tão pouca informação?”. No Novo Testamento Jesus Cristo volta à vida e anda pela terra há quarenta dias. No final desses quarenta dias Ele sobe ao Céu. Até mesmo para devotos cristãos o período de quarenta dias pode ser um pouco cego, apesar de esses dias serem os mais profundos na Bíblia. Uma questão obvia é levantada: por que quarenta dias? Alguns explicam: são quarenta anos no “deserto” dito em “NÚMEROS”, capítulo 14 versículo 34. A própria experiência de Jesus em seu “ministério público”: - quarenta dias no “deserto” – Marcos, capítulo I versículo 13. Então os quarenta dias no final da história do período de Jesus na Terra são um sinal. Não se sabe se tem um significado simbólico. Pensa-se que pode ser apenas uma testemunha a lembrar de que Ele esteve no “deserto” por quarenta dias e depois partiu. Séculos de artes religiosas mostram Jesus Cristo ressuscitado andando entre os vivos por quarenta dias. Busca-se saber o que Ele fez ou disse. As principais fontes do conhecimento sobre Jesus de Nazaré são os Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Mas além do Novo Testamento ha outras ferramentas e materiais que podem ajudar a esclarecer essas profundas crenças cristãs. Entre eles, o artefato mais reverenciado e controverso da cristandade: o Sudário de Turim. O Santo Sudário é um pedaço de tecido de quatro metros e meio por um metro e dez  que tem a imagem de um homem crucificado: a frente e o dorso. Há sangue nele e acredita-se que esse foi o tecido que cobriu o corpo de Jesus Cristo. Além do Sudário há outras possíveis fontes de informação sobre os quarenta dias. Fontes além do sagrado Novo Testamento. Pastores, beduínos, nômades depois arqueólogos começaram a encontrar urnas enterradas e começaram a descobrir os rolos que foram cuidadosamente escondidos dentro delas. O Evangelho de Maria Madalena, o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Pedro. Eles foram encontrados em jarros de barro que foram escondidos para que não se perdessem em terras do Egito no ano de 1945. O que é interessante é que há outros Evangelhos que não entraram no Novo Testamento. Nesses Evangelhos Jesus Cristo guardou os seus verdadeiros ensinamentos secretos para depois de sua ressureição. Algo real. O verdadeiro significado de salvação e da vida, nesse mundo. Se esses ensinamentos são reais eles formam uma parte crítica da história dos quarenta dias. Os registros entre o nascimento e a morte de Jesus Cristo contam trinta e três anos no início do primeiro século depois de Cristo. No Novo Testamento por quarenta dias depois de sua morte Jesus Cristo ressuscitado faz seis aparições chave: começando em Jerusalém e indo até o norte da Galileia. Jesus apareceu em vários momentos e em vários locais. Ele não se prendeu a uma área geográfica pequena. Ele podia se “mover” e aparecer em diferentes lugares em momentos diferentes para pessoas diferentes. As narrativas da ressurreição são encontros estranhos do cotidiano com o sobrenatural. Era a vida comum com as pessoas passarem sem o reconhecerem e o reconhecem depois. Esses eventos milagrosos registrados pela história começam com um mistério simples, mas profundo. Um judeu é crucificado pelos romanos. Dois dias depois sua tumba é encontrada vazia. De acordo com o Novo testamento Jesus Cristo passou quarenta dias na terra depois da ressurreição. Os autores escreveram pouco sobre o que ele fez e disse nesse período. Onde começaram as investigações sobre esses quarenta dias aparentemente perdidos? A ciência definiu o que é um evento histórico. Ele precisa de um observador. Na ressureição não havia um sequer. Mas a ciência pode permitir a um observador, se foi criado um registro permanente acessível suficiente tornar esse evento histórico real. Felizmente a uma relíquia que representa esse evento: o Sudário e Turim. Se ele é genuíno se precisa entender o que ele presenciou. Muitos cristãos acreditam que ele presenciou o corpo de Jesus no momento exato da ressureição. Se tiverem razão o Sudário é um documento único para visualizar as seis aparições chave do Cristo ressuscitado durante os quarenta dias. No Novo Testamento os quarenta dias perdidos começam com uma mulher; Maria Madalena, a primeira pessoa a encontrar Jesus Cristo ressuscitado. Maria Madalena é uma dessas mulheres míticas. Ela foi usada na tela na qual foram projetadas fantasias imensas durante dois mil anos. Ela é mais lembrada na imaginação cristã como a “prostituta” arrependida. Ela é associada ao pecado, principalmente ao pecado sexual. Até mesmo na língua inglesa Madalena é sinônima de “prostituta”. Mas o que se vem, a saber, é que Maria Madalena é a esposa de Jesus de quem teve uma filha.  O conteúdo de um texto antigo descoberto no Egito no final do século XIX oferece uma nova perspectiva que ainda não obteve aceitação universal: o Evangelho de Maria Madalena. Esse Evangelho dá um retrato de Jesus visto por ela. Mostra Madalena como líder da Igreja e íntima de Jesus. Uma pessoa que mostra uma sabedoria que não está disponível para mais ninguém. De acordo com o Novo Testamento, a segunda aparição de Jesus acontece entre Jerusalém e a cidade de Emaús. O que acontece durante esses quarenta dias e o Novo Testamento? É possível olhar além dos Evangelhos coisas que foram deixadas. Os autores dos Evangelhos foram sinceros sobre o fato de que Jesus disse e fez muitas coisas depois da ressureição. Então eles contam uma história nos Evangelhos e chegam a ser extremamente seletivos no que escolhem falar.  Alguns estudiosos questionam se os autores dos Evangelhos são restritivos ou seletivos. Ou se havia uma intenção mais obscura. Qual poderia ser a razão para os autores dos Evangelhos limitarem o número de testemunhas do Jesus Cristo ressuscitado? Lucas tem uma isca: Há certas pessoas para quem Ele quer aparecer. Eles são os apóstolos seu circo íntimo de Jesus. Diante disso, além dos quatro Evangelhos há vinte e três outros livros no Novo Testamento, incluindo sete cartas que foram escritas pelo apóstolo Paulo. Elas contêm informação sobre Jesus Cristo ressuscitado durante os quarenta dias perdidos. Nas histórias dos Evangelhos, a segunda aparição acontece a segunda aparição horas depois do encontro com Maria Madalena, a sua esposa, num caminho onze quilômetros fora de Jerusalém. Um estranho se aproxima e indaga; “O que há com vocês? Por que estão melancólicos?” E eles dizem: “Você é o único que não sabe do que aconteceu?”. E o estranho pergunta a eles: “E o que aconteceu?”. A resposta foi: “Tínhamos a esperança e ela foi desfeita”. Era enorme a decepção por Jesus ter sido crucificado. Mas a história tem uma virada surpreendente. Sem que soubessem eles conversavam com Jesus Cristo e esse Jesus estava prestes a se revelar no caminho para Emaús, a segunda de suas aparições chave durante quarenta dias. Os três companheiros de viajem se abrigam durante a noite, Os apóstolos se hospedam em uma estalagem logo perto e chamam Jesus para sentar à mesa com eles sem saber quem o convidado era. Então, Jesus pega o pão, o abençoa e parte. Foi nesse ponto que os apóstolos reconheceram Jesus. Não por sua face. Mas por causa do modo como Ele dividiu o pão, como o fez na Ceia dias antes. Aqueles senhores estiveram na última Ceia. Essa ocorrência seguiu depressa para todos os recantos entre toda a comunidade cristã. Na estalagem, quando o pão toca a mesa Jesus desaparece daquele meio. Imediatamente os discípulos percebem e trocam impressões sobre a verdadeira pessoa convidada. Há um último enigma intrigante nessa segunda aparição. Por que Jesus escolheu se revelar desta forma? A jornada de Jesus Cristo ressuscitado está longe de terminar. Em algumas horas ele fará sua terceira aparição. Dessa vez aos seguidores mais próximos. Quando as pessoas dizem a palavra “milagre” elas se referem a um evento para o qual não há explicação física obvia. A questão é: Deve continuar a ser assim? A ciência cegou a um ponto em que todo o Mundo se conhece que já há não a permissão de algo é um milagre. O que acontece é algo que não se entende, mas se tenta entender.
Jerusalém for o marco zero da violência por mil anos. Esse foi o local da terceira aparição, no Senáculo, da cidade antiga e sagrada do povo judeu. Os grandes impérios do mundo antigo tinham disputado frequentemente naquela mesma região, naquela cidade. Jerusalém era uma cidade de tensões políticas prontas a explodir a qualquer minuto. Nos dias depois da crucificação, temendo por suas vidas os homens que ficariam conhecidos como apóstolos se escondem. Podia-se imaginar qual seria a atmosfera do Senáculo. Naquele local não existia esperança e não existia futuro. Tudo em que se acreditava tinha acabado. Não foram apenas os romanos que mataram Jesus Cristo. Foram os amigos mais íntimos que fracassaram, O abandonaram e até O negaram. A ideia de que   Jesus Cristo pudesse estar vivo simplesmente não existia. A devastação Dele é intensificada pelo histórico político da época. Uma guerra romana de um século contra o povo judeu combatido desde o tempo do nascimento de Cristo até a era dos quarenta dias foi escrita. A crucificação era uma arma psicológica naquela guerra. O sofrimento intenso da crucificação não apenas dele. Isso era comum. Quem existisse ao julgo romano era crucificado. O objetivo da crucificação era essa característica. Grotesca, extrema e sádica. Então essa era a marca da maldade. Uma morte lenta. Uma morte miserável.
De Astúrias:
--- Meu Deus. Era uma morte lenta. Uma morte miserável. – compadeceu-se da real situação de Jesus o jovem noviço.
Uma morte lenta e miserável. Morte no calvário com as suas características de sadismo e selvageria.
 

terça-feira, 16 de julho de 2013

"DEUS" - 11 -

- ALICE ENGLERT -
- 11 -
A SEITA
Dias passados o noviço De Astúrias estava na imensa Biblioteca do Mosteiro a procura de livros sobre a leitura com respeito a Maria Madalena, a esposa de Jesus. Ela mantinha a convicção de ter havido casamento entre ambos quando. Madalena estava com outros discípulos em um almoço fraternal. Jesus era homem feito e tinha para além dos trinta anos. Madalena tinha ouvido do seu Mestre os lugares por onde Ele andara por toda a sua juventude. Sem gostar de escrever o que Ele sabia, apenas costumava relatar aos poucos com quem vivera e como fizera. Com esses monólogos Madalena se impressionou com o jovem senhor e dedicou-se a Ele com mais presteza.  Dando continuidade ao já sabido, o noviço teve a oportunidade de ler e de ter conhecimento ser Madalena levada para o sul da França após a crucificação do seu amado esposo. Nessa região nasceu uma seita com milhares de seguidores que nunca admitiu  sua identidade como mulher decaída. O folclore francês insiste que Madalena foi à França após a crucificação viajando em um barco sem leme empurrado por Pedro. A lenda de Maria Madalena também esteve ligada a um grupo de crentes fervorosos, os Cátaros – “puros” – que morreram literalmente pela fé durante o Tribunal da Inquisição. O movimento cristão foi considerado herético pela Igreja Católica. Os cátaros exerciam grande influência  em toda a Europa e no Oriente Médio. Dizia-se que eram guardiões do Santo Graal – Maria Madalena – que ficara guardada em seu Convento de Meditações no alto de uma montanha. Para os cátaros Jesus era um homem de carne e osso dominado por um princípio cósmico. E Cristo permitia que o homem Jesus operasse milagres. Quando ele foi crucificado Cristo, que havia cumprido sua missão deixou o homem. Jesus sobreviveu à crucificação, e no fim casou-se com Maria. As relações das ligações cátaras com o Graal cresceram com o tempo. Os últimos sacerdotes cátaros antes que fossem eliminados como heréticos conseguiram esconder o tesouro, não de bens ou joias. Mas de algo muito mais precioso. Na França, a lenda do Santo Graal transmutou-se de Cálice para a própria Maria Madalena. Casada em segredo com Jesus ela carregava no ventre o início da mais sagrada de todas as linhagens. E foi numa dessas oportunidades que Maria Madalena foi ao Egito. Depois navegou para a França com Lázaro e as duas irmãs: Maria e Marta. Porém, na terra egípcia deu à luz a uma menina chamada Sara. Depois de passar algum tempo de poucos meses no Egito para se recuperar do resguardo, ela e as três irmãs chegaram ao vilarejo da costa sul chamado Maria do Mar. Na opinião de muitos Sara seria filha de Madalena e Jesus. A lenda diz ainda que Sara tornou-se a primeira da linhagem dos Reis franceses. Uma linhagem que, segundo alguns, ainda sobrevive. Hoje, Santa Sara, por vezes associada a Madona Negra é venerada por ciganos e outros povos que nutrem grande amor por ela. Essa história é uma das muitas lendas sobre o Santo Graal. Maria Madalena é, na verdade, o próprio Graal. Porém, na literatura bíblica, isso é pura invenção medieval.
De Astúrias:
--- Que história fantástica! Eu nunca vi coisa igual. Esse autor é do Século XX. Próximo da própria Inquisição feita pela Igreja Católica de Roma. Eu já li um pouco sobre a Inquisição. Eles matavam gente da França, Itália e mesmo da Espanha em tempos depois. E tem aqui a ação delituosa do Papa. Imagine só. – falou para si o noviço.
Mas a história prosseguia. Casos mais estranhos e fantásticos eram narrados pelo autor do livro rebuscando as narrativas de lendas e alusões aos Cavaleiros Templários. Desta forma o noviço de Astúrias se deslumbrou com as descrições. Os Templários, cavaleiros guerreiros e protetores de peregrinos rumos à Jerusalém deixaram um rastro de sangue durante as Cruzadas partilhando os mitos dos cátaros como guardiões do segredo do Graal. O  segredo foi preservado e guardado por séculos. Mas os Templários também eram fieis defensores da fé. Não se sabe se eles se voltaram contra os cátaros de quem foram aliados. Nem precisariam. A armada do Papa Inocêncio III matou quase vinte mil cátaros só na cidade de Lisieux. Alguns anos depois a Cruzada ganharia o nome de Inquisição – (Congregação da Sacra, Romana e Universal Inquisição do Santo Ofício) – Essa inquisição existiu entre 1542 e 1965. Mas sua fundação foi em 1184 no Languedoc, aula da França para combater a heresia dos cátaros. Durante a Inquisição a Cruzada executou quase um milhão de pessoas como hereges. A Inquisição, em si, formou-se em resposta à heresia cátara. Houve uma cruzada contra os cátaros e sua heresia. No coração da região cátara uma pequena vila cercada de Castelo templários tornou-se a possível locação do maior segredo da história: a fonte de significado do Graal. Em 1885 descobriram-se documentos contendo informações em código que se acreditava revelariam a verdade sobre Maria Madalena e Jesus. De acordo com a lenda, o segredo continha prova de que Maria Madalena teria o Santo Graal e levara para a França uma criança que dera inicio a linhagem merovíngia dos franceses. Na verdade Jesus se casou com Madalena, tiveram um ou mais filhos e a criança e seus descendentes emigraram para a atual região sul da França. Uma vez lá, eles se envolveram com as famílias nobres que acabariam por tornar-se a dinastia merovíngia. O termo “merovíngio” deriva do latim medieval Merovingi (filhos de Meroveu). Hoje, no atual tempo a dinastia merovíngia é defendida por uma sociedade secreta chamada Priorado de Sião.
De Astúrias:
--- Coisa estranha! Ainda hoje? Não creio! – pensou indeciso o noviço.
O referido documento do ano de 1885 foi levado a Paris para ser decifrado. No entanto, quando o documento voltou o pároco da Igreja ficou imensamente rico e nada mais falou sobre a verdade escrita. O sacerdote tinha o nome de Saunière. Outra batalha sobre Maria Madalena começou no século XIII entre duas igrejas que garantiam possuir as relíquias da Santa Padroeira. A lenda de que Maria Madalena passou trinta anos finais em penitência numa caverna da França, é interessante. A Santa morava nesse local sem comer nesses trinta anos sendo alimentada por “anjos” – freiras -. Em meados do século Onze, Vézelay, a igreja da França soube da história e localizou a caverna onde Madalena morava. Houve milagres inclusive na Inglaterra a pessoas que procuram o tumulo da Santa. Monges descobriram restos de Madalena na Igreja de São Maximão, na Provença. A Igreja foi fundada pelo o apóstolo que, segundo a lenda, viajava para a França com Madalena a quem dera a extrema unção. Vézelay vivera na glória das relíquias de Maria Madalena. E de repente, sem mais àquela, os Monges de St. Maximin (Maximão) garantiram que Vézelay havia cometido um erro. A alegação de que Vézelay tinha um resto de outra pessoa, na verdade de uma Santa menor permitiu aos Monges de São Maximão afirmar que os ossos de Maria Madalena ainda se achavam no sul da França. E assim, os fieis acorreram para Provença. Vézelay jamais recuperaria o antigo prestígio. Embora muitas relíquias de São Maximão se perdessem na revolução francesa, ainda hoje a Igreja expõe o crâneo de Maria Madalena em uma caixa de ouro e cristal.
De Astúrias:
--- Fantástico! – falou em surdina o noviço.
A leitura do tomo prosseguiu sem interrupções para aquele jovem noviço em estado de êxtase a procura de saber onde estava o segredo do idoso Monge que um dia de estio ele encontrara no caminho da Serra. A Gruta de Sainte  Baume, onde Madalena passou os últimos trinta anos em calma contemplação pode ter sido o lugar de ritos pagãos dedicado a uma deusa da fertilidade esquecida há muito tempo. A floresta alí é interessante. À medida que se tem acesso ela deveria esfriar. Mas quanto mais fundo se conseguir chegar mais quente ela fica. Quando o fiel chega ao topo encontra a gruta muito fria. O chão é úmido menos num ponto bem no fundo da gruta e nem os geólogos sabem explicar, que é seco. Nesse local Madalena ficou uns trinta e três anos. Tornou-se um lugar onde as mulheres vão rezar por alguém que precisa de cura.
De Astúrias:
--- Brilhante! – comentou com garbo o noviço.
A identidade de Maria Madalena como heroína da Europa medieval acabou diminuindo com a insistência da Igreja (Católica) em qualifica-la de “pecadora” arrependida. Porém uma descoberta levou-a para a passarela de novo derrubando as velhas noções de quem e o que era ela. Escondido sob o rico solo do vale do Nilo um tesouro enterrado havia quase dois mil anos foi repentina e inesperadamente revelado. Em 1945 um agricultor Alto Egito ao escavar a terra perto de uma colina descobriu uma grande ânfora de quase dois metros. Nela havia trezes manuscritos em papiro que hoje conhecemos pelos Evangelhos gnósticos. Esses papiros estão entre os mais importantes achados bíblicos do século. Escritos em copta o antigo egípcio os documentos contêm quarenta e nove tratados da seita gnóstica. Os textos continham abundante material sobre a luta que se estabeleceu sobre a morte de Jesus. O tema central do gnosticismo é que a divindade não é uma força externa como a de Jesus Cristo. Mas uma capacidade inata e interna existente em todos os seres humanos. Esses evangelhos têm uma mensagem diferente, pois os escolhidos como parte do Novo Testamento entre o segundo e o quarto século têm mensagem similar. Os outros textos, como o Evangelho de Maria Madalena dizem: “O divino está em ti, pois fomos criados à imagem de Deus”. Então, há continuidade  entre  o divino e o humano. Outro texto gnóstico importante é o Evangelho de Madalena. Os poucos fragmentos existentes indicam que os gnósticos tinham Madalena em alta estima como profeta, apóstola e líder. Em uma passagem por demais significante ela revelou aos demais apóstolos que Jesus compartilhava “ensinamentos secretos” com ela. Os textos gnósticos transformaram Maria Madalena na figura central do primeiro cristianismo com autoridade inigualada pelos demais apóstolos.  Esta versão não é aceita notavelmente nos cânones da Igreja de Roma.