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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

ACASO - 43 -

- Gene Tierney -
- 43 -
CEMITÉRIOS
De volta ao Grupo Escolar Joel Calassa percorreu outro itinerário contrário ao de sempre, pois assim não estaria a ver a sua namorada Elizabete e nem prestaria contas do dia passado quando teve que ir mais Isabel, sua amiga de espírito, a lugares bem distantes, como fizera a conhecer a Suméria. O rodeio foi bastante longínquo e Joel entrou na escola quando a sineta batia e a multidão de estudantes queria entrar de uma só vez no interior do terreno do Grupo. Elizabete estava entre aquela multidão. Mesmo assim, não deu para Joel ter de explicar o que sucedeu no dia anterior apesar das perguntas frequentes a mocinha. Com toda a pressa, Joel correu para a fila de entrada da sala e logo atrás estava a renitente Elizabete com as suas iguais perguntas.
Elizabete:
--- Onde você estava ontem? – perguntava Elizabete com uma voz chorosa.
Joel:
--- Fui ali. – respondeu o garoto não querendo entrar em detalhes.
Elizabete:
--- Ali aonde. Diga! – falou a mocinha com voz lamentosa
Joel:
--- Ali. Não posso não? Ali! – disse reclamando Joel.
A turma começou a entrar na sala de estudos, cada um atrás do outro, com os passos curtos e Joel procurou se sentar logo em sua velha carteira. Logo atrás veio também Elizabete. Com a mesma conversa de querer sabe onde Joel andava metido ela perguntou mais uma vez:
Elizabete:
--- Me diga! Eu quero saber! Ora droga! – falou exaltada a pequena moça.
Joel se exaltou por seu lado e para calar a boca de vez de Elizabete disse logo de uma vez:
Joel:
--- Fui ali! Não entendes! Ali sinhá burra! – reclamou exaltado o moço.
Foi tombo e queda. Nesse momento Elizabete pegou de sua bolsa e meteu na cabeça de Joel por uma, duas e três vezes. Nesse momento entrava na sala a professora Sonia Andrade e flagrou a jovem mocinha a pinicar a cabeça de Joel com a sua bolsa. Quase que revoltada a mestra correu em defesa do aluno a perguntar:
Sonia:
--- O que é isso?! Já estão brigando?! Pára já com essa teima! Ora! – falou Sonia com os olhos bem abertos.
Elizabete caiu num choro e colou a cabeça em cima dos seus braços cruzados para ninguém notar ter ela sido apanhada em flagrante por conta de uma briga constante.
Elizabete falou chorando a apontar Joel.
Elizabete:
--- Foi ele que me chamou de burra. Esse macarrão de uma figa. – dizia e chorava a mocinha.
Joel:
--- Foi ela professora. Porque queria saber para onde eu fui à manhã de ontem! – se defendeu Joel ainda zonzo com as pancadas levadas em sua cabeça.
Sonia:
--- Vamos parar com isso! Ora essa! Todos sentados em suas carteiras! – falou brava a professora daí por diante.
E Sonia Andrade voltou para o seu birô e pegou a caderneta de chamada e logo em seguida parrou a dizer ser melhor chamar quando todos fossem embora. A mestra olhou para um lado e outro como estivesse a contar os alunos e logo declaro:
Sônia:
--- Crianças! O que vocês querem saber hoje? – indagou a professora a toda a classe.
A classe inteira emudeceu e cada um olhava para o outro. Havia quem batesse com o lápis da carteira como se fizesse um sinal de um samba. Enfim, todos calaram até mesmo Pecado e Mulherzinha. Esse era o homossexual da classe. E, finalmente Joel pediu a palavra:
Joel:
--- Licença professora? – E se levantou o garoto da sua carteira.
A professora se virou e disse:
Sonia:
--- Pois não! – falou a professora quase em seguida.
Joel:
--- Eu estive lendo uma matéria sobre mausoléus e, de modo especial, sobre catacumbas de Edimburgo. O que a senhora diz desse fato? – indagou Joel de olhos abertos.
Sonia:
--- Você diz falar sobre Edimburgo ou sobre as necrópoles?  - perguntou a mestra.
Joel:
--- Pode ser. Um. Ou os dois. – falou o garoto a se sentar na sua carteira.
A professora sorriu e voltou a indagar a classe afirmando ser um tema por demais importante. Mas os alunos nada disseram. Apenas uma mocinha no fim da sala estranhou:
Moça:
--- Chega me dá arrepios! – disse a donzela encolhendo os braços.
Sonia;
--- Bem. Vamos começar. E não tem nada de arrepios. É um fato comum. Cemitérios! Quando se começa a construir uma aldeia, logo se tem em mente também se fazer sua Igreja e notadamente o seu cemitério. É bem comum esse fato. Igreja e cemitério. Antigamente os corpos eram sepultados ao lado e dentro das Igrejas. Isso até vale um tema. Com a continuação e o aumento da população se desfez de tal ideia. Se bem porque nas cidades tinham as religiões diversas. Então os copos não cabiam em um só local. Na maioria dos casos os cemitérios são lugares de prática religiosa. As civilizações mais antigas tinham já as suas necrópoles. O Egito, no tempo dos Faraós, aquele que serviam o Faraó procurava se enterrar junto com o seu rei. Na verdade, apenas o Faraó era o defunto. Os demais eram seres vivos e acreditavam na ressurreição do seu divino mestre. Por isso, todos realizavam um enterro simbólico. Como havia um longo espaço na pirâmide, os vivos demoravam a morrer. Mesmo assim, acabam eles por morrer também. A palavra “cemitério” vem do latim e do grego. Quer dizer “pôr jazer”. Hoje em dia os cemitérios são locais para se cumprir de acordo com a sua religião: católica, protestante, islâmica, judaica e até mesmo maçônica. Esses são cemitérios da fraternidade para apenas quem for Maçon. Tem cemitérios famosos, como o de Paris, na França onde foram sepultadas figuras ilustres. E tem os modernos além dos cemitérios pagãos onde são depositadas as cinzas dos mortos. E o caso de Edimburgo, citado pelo nobre aluno é um cemitério que foi feito sobre tumbas. Em anos passados, ele foi depósito de gente pobre. O Governo da Escócia não tolerava vagabundos, desempregados, bêbados a andar pelas ruas da metrópole. E em tais circunstancias os pobres e desempregados, os velhos por assim dizer, era relegados às catacumbas. E por lá vivia o restante de sua vida. Há muita lenda a respeito de Edimburgo como o aparecimento de pessoas ou espíritos de mortos a andar por entre as ruas de Edimburgo em tempo de lua cheia. Entendidos, crianças? – sorriu leve a mestra.
Joel:
--- Está certo, professora. Mas, os mortos reaparecem? Têm vida eles? – indagou o garoto à sua mestra.
Sonia:
--- Há quem diga que tem sim. Eu não duvido. Porém não confirmo. Há muitas lendas como as dos passos perdidos; do homem que visitava a sua esposa depois do mesmo ter morrido; da noiva que morava em um cemitério. Lendas, e nada mais. – relatou a professora.
A sineta tocou para o recreio de meio de aula.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

ACASO - 10 -

- Gene Tierney -
- PLANETAS -
- 10 -
Na noite de sexta-feira. Joel Calassa estava em sua casa, lendo uma revista em quadrinhos, com os pés em cima da cadeira onde ele se sentava e o seu pai, Jaime Calassa estava lendo o Jornal da Tarde para se atualizar do que havia já anunciado durante o dia na Estação de rádio onde trabalhava. Para matar o tempo, o rádio estava ligado em uma estação qualquer com Jaime a ouvir músicas e a ler o jornal. Foi quando o quase rapaz Joel veio a lhe perguntar sem que nem por que.
--- Pai, quais são os planetas que existem? – perguntou como sem querer o garoto.
--- Planetas? Planetas tem uma porção. Oito ou nove mais ou menos. – respondeu o pai do garoto enquanto lia o jornal.
--- Ah bom. Mas nós estamos da Terra? – indagou Joel para pesquisar melhor.
--- É. Na Terra sim. Vocês estão estudando isso, agora? A professora sabe! – respondeu Jaime Calassa enquanto cuspia para um jardim uma gosta de fumo e continuava a ler o jornal.
--- Sabe? Eu pergunto a ela. Mas a questão é de ter uma Via Láctea. E essa tem muitos planetas espalhados por ai. Não sei se a professora sabe. – respondeu melancólico o garoto.
--- Sabe. Ela sabe. Ora se eu sei! Ela é quem sabe mesmo! –respondeu Jaime sem tirar os olhos do jornal.
--- É. Ela sabe. Uma colega disse que já leu numa revista que tem um mundão de Planetas nessa tal Via. Sei lá! Achou que vou é dormir! – articulou o garoto para com o seu pai.
--- É bom. Durma bem. – respondeu Jaime sem cuspir para fora.
E o garoto foi dormir em seu quarto mobiliado com uma mesa de estudos que ele nunca utilizava; um camiseiro onde estavam guardadas suas roupas e nas gavetas os livros, cadernos, coleções de lápis e borrachas. Em cima do camiseiro, onde tinha um espelho, vidros de perfumes, goma para passar no cabelo – se ele quisesse – e outro punhado de negócios não usados pelo garoto. A sapateira só servia de enfeite, pois Joel tirava os sapatos de qualquer forma, sacudindo os mesmos para cima e os deixava cair no chão ou em qualquer parte do quarto. Na parede que dava para o oitão da casa havia uma janela feita em duas bandas em veneziana. E essa hora da noite, a janela já estava trancada, pois era o cuidado de sua mãe Isaura Calassa deixar tudo fechado ao anoitecer. A luz difusa de um abajur era a única parte que restava na penumbra do quarto, pois a lâmpada de 40 velas já estava desligada. Quando Joel entrou no quarto, a sua mãe veio olhar para ver se tudo estava nos conformes. Ela olhou bem o filho. Esse se deitou e pediu a benção a sua mãe. Essa o abençoou e fechou a porta devagar com bastante cuidado para não soar ruído.
O garoto estava a dormir e toda a vizinhança também. Na rua só se ouvia o ladrar dos cães e os miados dos gatos. A bodega de seu Ferrer estava fechada e, talvez algum rapaz voltasse da cidade para a sua casa. O apito estridente do guarda-noturno se fazia ouvir, muito longe, a cada instante. A noite continuava sem chuva e a lua magra fazia o quase desaparecer no horizonte oeste. Foi em um momento como esse de ter aparecido como uma luz brilhante nos aposentos de Joel a bela imagem da mocinha Isabel. Ela não precisou acordar o seu amigo e entrou no sono dele para poder conversar com maior vontade. E foi logo a dizer:
--- O passei de hoje estava bom. – falou a moça a Joel Calassa a dormir tranquilo.
O garoto sorriu e perguntou a Isabel.
---Para onde você foi naquela hora? – indagou Joel a bela moça.
Ela sorriu e com o passar dos segundos respondeu.
--- É que tinha alguém a me chamar. Eu me ausentei um momento. – sorriu a moça ao dizer o seu desaparecimento.
O garoto pensou um pouco e logo disse.
--- Na verdade eu pensava que você tinha morrido. Mas não passava de pensamento. Você está viva e aqui. – sorriu o garoto ao dizer tal fato.
A ninfa sorriu e respondeu:
--- Ninguém morre. Tem umas casas que levam os desencarnados e procuram dar melhores momentos a sua vida. Mas essas casas tem um grave problema. Elas ditam coisas que não são precisos. – falou a jovem ninfa ao garoto.
O garoto se surpreendeu e perguntou:
--- Que coisas?! – indagou espantado o garoto.
A ninfa sorriu para poder falar.
--- Coisas! Apenas coisas. Têm nas casas os chamados médiuns. Eles – alguns – se emocionam, choram, gritam, esperneiam, fazem de tudo. Mas não vejo necessidade. – relatou a ninfa sem dar importância a tal fato.
O garoto ficou inquieto e perguntou logo após:
--- Mas você já viu esses casos? – indagou perplexo o garoto.
Isabel sorriu e declarou:
--- Já! – (meio longo ao dizer tal fato) – Todas elas fazem o mesmo. O importante é se viajar. Eu estive num lugar bem ambientado onde não houve nada do que se fala! – argumentou a moça
O quase rapaz ficou admirado e perguntou a Isabel.
--- E onde é esse lugar? – perguntou o garoto quase não acreditando.
Isabel suspirou para poder dizer, sentada a beira da cama do garoto.
--- Veja bem. Eu estive em um lugar distante dessa Terra. É um local tranquilo onde as pessoas trabalham, mas não tem um superior que mande com força: “Faça isso!” – Isabel falou com certa arrogância – Mas o povo opera como se diz: milagres!. – sorriu Isabel para o garoto.
O garoto se surpreendeu e voltou a perguntar:
--- Milagres? Mas milagres mesmo? – indagou confuso o garoto Joel.
--- É. Milagres! Eu estive até olhando em uma relação e não me surpreendeu de ver seu nome no calendário passado de que você tinha feito diversos milagres. – sorriu Isabel.
O garoto se espantou e disse:
--- Eu? Eu nunca tive em um lugar desses! – reclamou com temor o moço Joel.
A moça sorriu e disse apenas:
--- É. Você diz isso. Mas, na verdade, você esteve lá. Em algumas outras gerações. É uma galáxia não muito longe daqui da Terra. Não tem nome. Ela fica atrás da poeira das estrelas na constelação de Cepheus. É grande, maravilhosa. As estrelas mudam do amarelo para o azul. Mas é possível se chegar até a galáxia e penetrar em um globo como se fosse a Terra. E você já esteve nessa galáxia e na poeira de Cepheus. Esteve sim! – sorriu a ninfa ao relatar o fato ao garoto.
O  garoto se inquietou e disse a Isabel:
--- Cepheus? Eu nunca estive num lugar tao feio assim! – relatou o garoto com o rosto amargo
Isabel falou:
--- Filho. Você já inventou negócios que a Terra ainda vai inventar. Os espíritos são eternos. Eles vivem a eternidade. Você é eterno. Sempre vive e sempre viverá. – disse a moça e de repente apagou a luz e sumiu do quarto de Joel.
Logo em seguida Joel Calassa acordou todo suado e com um medo atroz gritou por sua mãe.
--- Mãe! (grito prolongado e vazio) A senhora está aí? – gritou o menino para a sua mãe.
Uma voz respondeu:
--- Estou! Vá dormir! – respondeu Isaura Calassa ao seu filho.
O relógio da sala bateu as doze horas da noite e Joel, nesse instante, ouviu o galo a cantar. Outros galos dos terreiros próximos também cantavam. O garoto sentia-se todo molhado de suor e uma vontade louca lhe acometeu com a vontade de urinar. O coração batia firme e em seguida o garoto se levantou do leito para urinar no pinico posto em seu quarto. Nesse momento, a sua mãe entrou no recinto e ajudou o menino a urinar.
--- Faça xixi, faça! – disse dona Isaura para o seu terno infante garoto.
Um carro apitou ao longe e nada mais aconteceu.