terça-feira, 24 de abril de 2012

OS QUATRO CAVALEIROS - 29 -

- Crislayne Barbosa -
- 29 -
CARRASCO
Naquele mesmo dia, no inicio da tarde, chegava à bodega da Vila da Lagoa, parte mais afastada da cidade o algoz pistoleiro Teodoro Fogaça. Homem frio e de boa estatura, aparente magro, mas de musculatura rígida, ele era um verdadeiro sanguinário. De inicio parou à porta da bodega a olhar para dentro e ver os açougueiros presentes sem falar palavra alguma. O pessoal olhou temeroso para o feroz pistoleiro a entrada da bodega, e nada falou. Apenas os abjetos homens de contrato ficaram a olhar de banda o pistoleiro. O chapéu achatado ao meio, abas largas, cinturão de balas a percorrer o peito fazendo o X e outro cinturão a rodear a cintura com duas pistolas ligeiramente abertas do corpo, essa era a sanha assassina do bandido mais parecendo um abutre. Sua cara era ossuda, olhos fundos e boca fina. O seu marchar era lento. O calçar era botas compridas até o meio das pernas. Para quem o visse, aquele era um homem mau. Muito vagaroso Teodoro se acercou do balcão onde pelo lado de dentro estava o bodegueiro. Olhando com aparentes quatro olhos o dono da bodega já sabia de quem se tratava. Mas ficou atento ao pedir do homem mau. O verdugo se escorou no balcão se virando para a entrada do ar e disse apenas:
Teodoro:
--- Bebida! – falou tranquilo o homem mau a olhar os que estavam a beber no bar.
O bodegueiro parecia até um autômato e largou a seguir uma garrafa e um copo sem dizer palavra alguma. Apenas serviu ao verdugo. Teodoro agarrou da garrafa pele garganta e o copo com a mão direita então as levou para uma mesa próxima e se sentou em um tamborete a estar desocupado. Sempre a olhar a clientela e a não dizer palavra alguma. Após tomar um gole da bebida Teodoro apenas perguntou:
Teodoro:
--- Mulheres? – indagou sem outras palavras o pistoleiro.
O homem do bar apontou para a rua cujo nome era Vai quem Quer.
Homem do bar:
--- Logo alí! - referiu-se o homem a apontar a rua.
Teodoro nada falou a esse respeito. Apenas ele perguntou a seguir:
Teodoro:
--- Comida? – e se virou para o bodegueiro.
Bodegueiro:
--- Carne de porco! – respondeu o bodegueiro.
Teodoro se voltou para ver os homens do bar. E mesmo assim, se pronunciou.
Teodoro:
--- Um pouco! – falou Teodoro sem ver reação dos bandoleiros ali presentes.
Com voz gutural e um pouco baixa, Teodoro dizia o necessário.
Uma mulher parecia estar a ouvir de detrás dos montes de sacos e logo foi assar a carne de porco. Mas foi um assar tao rápido e deu parecer ter estado pronta para se servir. Pois no imediato a mulher surgiu de trás dos sacos com a frigideira ainda aquecida e a servir a carne de porco assada. A mulher vestia um traje de seda em vermelho e nada fez de agrado para o seu consumidor do acaso. Apenas serviu e pronto. Teodoro no voltar da mulher lhe indagou algo nesse estilo:
Teodoro:
--- Sai? – indagou Teodoro.
Mulher:
--- Com ordem dele! – falou a mulher sem sorrir e se encaminhou para trás dos sacos.
E Teodoro continuou a sua refeição atento a todos os outros bandoleiros. Na parte externa da bodega, alguns pistoleiros estavam sentados em tamboretes. Eles nada falaram quando Teodoro entrou. Um ferreiro batia  ferradura de cavalos em um estábulo um pouco afastado. E uma mulher transitava pela calçada do bar. A passar pelo cavalo de Teodoro observou apenas o animal. E a mulher notou um rifle preso à sela. Na garupa havia um saco de dormir entre outras coisas. A mulher olhou sem dar fé. Apenas olhou. E ao chegar da esquina da bodega, ela dobrou e seguiu marcha. Os homens nada falaram.
Com poucos minutos, quando Teodoro ainda fazia a sua refeição, outro bandoleiro entrou pela porta da bodega e a caminhar como um solitário bandoleiro se acercou de Teodoro. Esse estava a mordiscar as costeletas de porto e levantou apenas a vista em direção ao bandoleiro de chegada. Nada Teodoro falou. Apenas esperou o bandoleiro falar. O homem estranho vestia roupas comuns de gente do mato e tinha segurado na parte direita do corpo um revolver e nada mais. Depois de alguns segundos o forasteiro falou:
Forasteiro:
--- Teodoro? – perguntou o forasteiro.
Teodoro ainda comer costelas apenas respondeu:
Teodoro:
--- Quem pergunta? – indagou Teodoro.
Forasteiro:
--- Anselmo! O professor quer falar com o senhor! – falou o homem a Teodoro
Teodoro baixou a vista e nada respondeu. Após terminar o seu repasto caminhou até o balcão e atirou umas medas para o balconista e se voltou para o bandoleiro. Apenas falou:
Teodoro:
--- Professor! – em um tom de quem confirmava o pedido.
Os dois bandoleiros caminharam a cabana do Professor no alto da montanha. Era uma cabana muito simples. O professor se mantinha então naquele local onde pouco saía para a cidade ou a vila da Lagoa. Na Vila mantinha a bodega e outras ocupações a lhe render numerário. O homem era forte, gordo, barbudo e um pouco idoso. Em tempos passados o homem fora professor em um grupo escolar. Após certas inconveniências abandou o ensino e passou a viver da bodega, dos alugueis de pistoleiros, das casinhas de prostituição e algo mais a lhe render proventos. Nunca ele falou de sua renda com tudo isso. E nem ninguém perguntava a ele. O que ele fazia era acerto com os patrões de outras regiões quando necessitavam de um acerto de contas. E ele se mantinha afastado de toda confusão para não dizer ser ele o autor, muitas vezes de morte. Para se chegar à cabana tinha de se andar uma porção. Muito de longe ele avistava o pessoal vindo em sua busca.  Os olhava e sentava em uma cadeira de forro já um tanto afundada. Quando o combinado chegava o Professor lhe estendia a mão, quando “amigo”. Do contrario, nada fazia.  E foi assim dessa fez. Nada largou para Teodoro. Apenas o ouvia indagar:
Teodoro:
--- Aqui estou! – fez ver Teodoro.
Professor:
--- É com o prefeito! – respondeu o Professor.
O pistoleiro balançou a cabeça de modo afirmativa. E apontou com um dedo:
Teodoro:
--- Prá lá ou pra cá! – deduzindo o local do encontro.
Professor:
--- Vá por fora. O capaz lhe fornece o caminho! – apontou o dedo para o bandoleiro.
Teodoro se deu por satisfeito e agradeceu com um gesto a oferta do Professor. Puxou o homem das rédeas de seu cavalo e se largou a caminhar na companhia do seu orientador. Pelo visto, o encontro se daria fora do sitio do senhor Prefeito, local só sabido pelo salteador acompanhante. E foi um longo caminho para ser feito. Teodoro olhava sempre para Anselmo esse nada comentava. Ao cabo de uma hora, Teodoro se acercou do local quando o salteador lhe falou:
Anselmo:
--- É aqui! – falou Anselmo ao bandoleiro.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

OS QUATRO CAVALEIROS - 28 -

- Monica Vitti -
- 28 -
SUPRESA


Por volta de duas horas da tarde, Renovato Alvarenga e a sua companheira de vagar, Ludmila se apearam de suas montarias em frente à estrebaria e por lá deixaram os cavalos aos vigiados de um cuidador de equinos. Os animais estavam exaustos e Renovato deu uma tapa nas ancas do seu animal como forma de carinho. Ludmila fez por igual. Ao percorrem o espaço para a casa grande, depressa estava a moça Emília a correr e declarar a Renovato:

Emília:

--- Tem visita para o senhor! – falou sorrindo a moça.

Renovato:

--- Para mim? Quem diabo pode ser? – e olhou depressa para Ludmila com forma desconfiada.

Emília:

--- Vá lá! Vá lá! Está bem à frente do casarão. Venha! – e puxou Renovato pelo braço.

O homem se inquietou e quis logo saber de quem se tratava. A moça sorriu e falou:

Emília:

--- Corra homem! É surpresa! – sorriu a donzela de forma angustiada por tão demora.

O pistoleiro não era acostumado a visitas de surpresa e até mesmo ainda pegou nas suas cartucheiras para verificar o estado das mesmas. O empurrado da garota era mais atrevido e Renovato fazia todo o possível para se largar de Emília a qualquer custo. Mas, isso era em vão. A tarde estava quente por demais e o suor nas costas dava a impressão a Renovato de menos chuva e mais calor no correr do dia. Além do mais, a garota tinha o dizer para ele de:

Emília:

--- O senhor precisa de um banho! Ora! – enquanto seguia pelo o alpendre em busca da frente da casa.

Isso provocava mais zanga no pistoleiro. Até o momento derradeiro quanto Renovato viu em meio das sombras do Jaboticabal a figura da Irmã Josefina a colher frutos da árvore. De imediato ele não a reconheceu. Porém, em poucos segundos o homem gritou sem dúvidas:

Renovato:

--- Josefina? Você aqui? – gritou o homem para a sua irmã.

E Josefina, tomada de sobressalto, largou as frutas e correu para o colo de Renovato. Foi um abraço terno e de plena simpatia. A Noviça Isabel sorria de modo calado. E a moça Emília colocava as mãos da boca enquanto lágrimas rolavam por sua face. Foi um eterno encontro talvez de alguns anos. Renovato chorou de emoção ao sentir em si a presença da irmã de carne e de tantos anos. Aquela presença entre os dois abraçados demorou por alguns minutos com o pistoleiro a sentir forte arrependimento por tudo o que fizera. O mundo rolou em sua mente como se a vida parasse naquele instante. Do mundo nada se leva, era o pensamento de Renovato. Mesmo assim, aquele mundo era apenas seu e de Josefina. Ela, uma Freira, Irmã vivendo confinada em um Convento onde nada de fora poderia incomodar. E naquele instante as duas almas separadas se uniam pela sagrada coroação do ser irmãos. Triste, combalido, o homem saía tão somente da sua altivez para apenas chorar. Um choro de criação, talvez. Doce e dor de recordação de tempos infindos. A sua irmã também chorava agarrada a Renovato igual um pato pequenino a voar para o ninho da sua eterna e terna mãe. As frutas caíam ao seu redor e eles nada podiam sentir. Aquele era apenas o momento de união e afago. A doce e real surpresa daquela tarde de verão.

Após certo tempo, o casal de irmão voltara para a varanda a procura de um assento onde pudesse conversar. Ao subir os degraus Renovato encontrou Emília a quem apresentou a sua irmã e vice versa. A dizer tal fato, ele acrescentou para a sua irmã:

Renovato;

--- Essa é a braba da corte. Ela me obriga a tomar dois banhos por dia. E tem uma cabeça dura que nem Deus duvida. – fez vez o pistoleiro.

Emília:

--- Pra ver! Ele passa um mês sem tomar banho e ainda bota queixo! – respondeu Emília meio zangada a mostrar o queixo duro que  rapaz costumava fazer.

Josefina:

--- Ô. Também não é assim meu adorado irmão! Um mês? – quis saber a freira assombrada.

Renovato afinal desconversou e pôs a culpa na mocinha Emília tirando de fora a seringa de injeção bem preparada para ser aplicada em seu atlético músculo.

Renovato:

--- É tudo conversa da oposição. Eu tomo banho sim. – refez o rapaz.

E Emília logo advertiu com força.

Emília:

--- Conversa, não. Pode tirar seu cavalinho da chuva. Eu não estou para mentiras! Ora! – rechaçou a moça com ênfase de escândalo.

Josefina:

--- Calma gente! Calma! Tudo se ajeita. Eu não quero namoro desfeito por uma bobagem! – refez a irmã para contornar a situação.

Renovato:

--- E eu estou a namorar a ninguém! – rebateu Renovato todo abusado.

Emília:

--- Quem? Eu? A senhora está louca! – fez ver a moça com muita aparente raiva.

Josefina:

--- Sei que não está, Emília! É força de expressão. Mesmo assim, ele é um bom partido! – resolveu a irmã de Renovato.

Emília bateu de leve com a ponta dos pés no assoalho e virada para outro lado com os braços cruzados fez ainda um:

Emília:

--- Thuc! – fez a moça com a boca fechada.

Então, Josefina com todo jeito, fez os dois se abraçarem como amigos e talvez namorados.

Josefina:

--- Cheguem aqui vocês! Abracem-se para não guardar mágoa um do outro! – resolveu o intricado problema a Irmã.

E os dois pombinhos se abraçaram com Emília temerosa, mas mesmo assim satisfeita. Renovato não tinha jeito de abraçar uma moça e fez de conta em dar mesmo um aperto com Emília ao seu peito. Era um calor tremendo aquele a fazer ao inicio da tarde. Nem mesmo assim a moça se importou em sentir o azedo perfume do suor do rapaz. O que mais perturbava a moça era a coronha do revolver a lhe tocar a barriga. De qualquer modo não tardou em esquecer a arma e se deleitou no abraço acochado daquele tao profundo ser. As aves de arribação passaram em bandos a procura do sul daquela terra íngreme e calcinada com apenas o vento brando a cortar.

Após esse angustiado momento Renovato foi sentar junto a Josefina e com Emília sou das noticias de fora. A sua mãe ainda era viva e o seu pai também, como informara a Irmã ao seu perdido irmão. Por algum momento Renovato chorou. Ele nem sabia se era de remorso ou de vergonha. Já fazia um bom tempo aquele momento de felicidade. Junto à irmã Josefina ele queria apenas saber de casos de alegria e nada mais. O tempo se foi e as duas Irmãs tiveram de ir a prometer a Noviça voltar em breve para novos convívios de emoção. Aquele era o momento de paz para Renovato. Uma paz tao distante por sinal. A Freira Josefina estava a morar no Mosteiro próximo a cidade. E sentiu demais a falta de Renovato, homem perdido em suas andanças pelas caatingas do sertão, outrora um profundo oceano.

Josefina:

--- Até breve, meu querido irmão. – voltou-se a Freira para a despedida.

Um cavalo relinchou na cocheira como se desse também um até breve. Os dois namorados se abraçaram de vez.

domingo, 22 de abril de 2012

OS QUATRO CAVALEIROS - 27 -

Gina Lollobrigida
- 27 -
O GRITO


De repente ouviu-se um grito. O pessoal correu para fora a perguntar o sucedido. Mulheres da cozinha, a moça Emília, a Irmã Josefina, a dona da casa, Cantídia. Muita gente afinal. Até mesmo as mulheres dos vaqueiros e afins. Um pedido de socorro era escutado e tudo vinha da parte do quarto onde estava a máquina de força. A máquina de iluminação de toda a casa. As mulheres em desassossego continuaram a correr para saber melhor o estado da situação. Era um grito de medo ou terror. De imediato chegou ao local a moça Emília e a Irmã Josefina, todas alarmadas ou sobressaltadas. Acompanhava as duas pessoas uma multidão de gente, inclusive dona Cantídia. Na porta de entrada a Irma Josefina topou de imediato com a figura da adolescente Noviça. Essa estava desmaiada, parecia crer quem a visse. Josefina com a mão na boca se acercou da Noviça. Ela estava segura por um homem estranho, para Josefina. De imediato, veio igualmente à moça Emília e demais serventuárias da casa grande. Na ocasião se encheu de gente o pequeno compartimento onde havia apenas um motor de luz e nada mais. O homem segurava a Noviça pelas costas e essa se mostrava indiferente. Com observação mais acurada Josefina se postou a vera Noviça em desmaio. E falou Josefina então.

Josefina:

--- Que houve com a Irmã? Menina levanta! Ai meu Pai! Segura aqui, moça! Levanta! – dizia a Freira a qualquer modo.

A moça Emília correu e segurou as pernas da Noviça sabendo ser aquilo um desmaio. E olhava para a cara do homem. Ele nada fazia a não ser segurar a Noviça. E há certo instante explicou ter a noviça entrada na casa de força e energia. Foi então que ele notou a serpente Jararaca se aproximar e sem mais conversa liquidou o ofídio com dois balaços. Foi então o desmaio da jovem Irmã. Ninguém se acertava dizer, pois toda a gente falava a um tempo só. Dona Cantídia colocava a mão na boca e o olhar de surpresa. Mais mulheres a acudir a Noviça. Era o mudo todo. E quem viu a serpente logo se espantou.

Mulher:

--- Olha a cobra! Olha a cobra! – gritava alarmada uma mulher.

As outras mulheres ficavam alarmadas também e gritavam a levantar os pés:

Mulheres:

--- Cobra? Aonde? Virgem Maria! – diziam alarmadas as mulheres.

O caso. Tudo aconteceu quando a Noviça chegou ao quarto do motor de força e luz e encontrou o rapaz armado com dois revolveres e resolver problemas existentes no motor. Depois dos cumprimentos a Noviça indagou de Júlio Medalha, o Júlio Vento, o que estava a fazer a um tempo tao bem armado na sua função. Júlio ouviu a noviça e disse apenas serem as armas para defesa pessoal. E na ocasião, ele viu se aproximando por trás uma cobra venenosa e em um instante o homem puxou a arma e atirou duas vezes continuamente liquidando a serpente. E a Noviça viu a arma apontada para o seu lado e, de vez, desmaiou.  Após alguns minutos a Noviça se recuperou do desmaio e, meio aturdida indagou pelo homem da arma. Foi então mostrada a Noviça uma cobra. A Noviça se atrapalhou e falou ainda tonta:

Noviça:

--- Cobra? – disse a moça bastante preocupada e voltou a desmaiar.

Foi aquele alvoroço. Emília segurando as pernas da Noviça e a Freira a segurar pelas axilas e outras mulheres a por as mãos nas costas e levar para um canto mais seguro. O pistoleiro abismado, todavia reclama a dizer:

Júlio:

--- Eu não tive culpa! Quem manda a Freira ter arrastado a cobra? – reclamava nervoso o pistoleiro a suar por todo o canto possível.

E  foi aquele desacerto no resto da manhã. Dona Cantídia olhou o homem por alguma vez e esse nada falava a segurar a pata de óleo para lubrificar a maquina e a tremer de medo da Noviça poder morrer.

Josefina dizia constante:

Josefina:

--- Vamos tirá-la daqui! Pra fora! Pra fora! Vamos! – reclamava a Irmã Josefina.

Júlio Medalha procurou fazer algo, porém não tinha jeito. Havia mulheres a socorrer a Noviça e ele, por vezes tentava, mas era posto de lado. Apenas o olhar de Cantídia atormentava qualquer um. Logo fora a Noviça recobrou a consciência e pode ver melhor o homem todo sujo de graxa a querer prestar ajuda. Ela sorriu e voltou a dizer:

Noviça:

--- A cobra? – indagou surpresa a Noviça.

Júlio:

--- Foi sim, senhora! Ela estava pronta para saltar na senhora. Eu nunca tinha visto uma serpente tão voraz. Mas agora está tudo normal! – relatou Júlio esfregando uma das mãos em suas vestes.

A Noviça sorriu e pediu desculpas pelo transtorno. E se desculpou a Irmã Josefina pedindo ajuda para se levantar do chão, pois achava já ter dado muito vexame ao pessoal. Então, as mulheres a deixaram sós e recuaram para ver a moça andar cambaleante. A Noviça então voltou à vista para Júlio e sorriu, Apenas dizia:

Noviça:

--- A cobra! – falava a sorrir para o homem das pistolas.

E então foram as duas Irmãs e Emília para frente da casa e por lá ficaram a sentar na poltrona. O homem dos dois revolveres as acompanhou pela parte de baixo da varanda sempre a pedir desculpas pelo transtorno causado. A Noviça sorriu e disse apenas.

Noviça:

--- Deus te guie. Não foi nada. Meu nome é Isabel. Irmã Isabel. – respondeu a Irmã.

A freira também fez leve sorriso para Júlio a pedir desculpas pelo transtorno causado.

Já estava na hora do almoço e as Irmãs resolveram partir, pois a caminhada era longa por demais. Porém, Emília resolveu o contrário e pediu para a Freira ficar na hora do almoço, pois a distancia era menor. A Freira sorriu e disse não querer algo de transtorno para os donos da fazenda. A moça Emília largou as mãos e falou:

Emília:

--- Besteira! Onde come um, comem dois! Quero ver quem vai empatar! Vamos! Se arranchem pois a tarde é longa! – sorriu a moça Emília entrando na sala seguida das duas Irmãs.

No meio do caminho Emília foi atalhada por dona Cantídia, a senhora da casa a perguntar para onde as Freiras estavam a prosseguir. E a moça, toda arrebitada foi logo a dizer:

Emília:

--- Almoçar! Pode? Quero ver quem manda! Ora! – fez a moça bastante abusada.

As freiras ficaram quietas e nada mais disseram. Na hora do almoço, as duas Irmãs fizeram a oração do bom alimento para poderem se servir. Dona Cantídia ficou com plena surpresa pela interrupção, porém nada falou. Apenas se deslocou para o seu quarto de dormir onde não havia mais visão de freira alguma. Dessa forma, a mesa ficou posta e as Irmãs de claustro ficaram a conversar sobre costumes do povo da fazenda e assuntos sobre bandidos e coisa e tal. De tudo que a Irmã falava tinha sempre a resposta cabida dada por Emília. E a moça falou ainda sobre a ausência do seu irmão Renovato. A moça não sabia por que o rapaz não estava ainda de volta do caminhar a cidade. As mulheres da cozinha trouxeram o mais apetitoso do almoço: peru assado na brasa. As Irmãs se olharam e logo disseram:

Noviça Isabel:

--- Nem parece com o almoço do Convento! – relatou Isabel com muita precaução.

Nesse ponto, Emília gargalhou a valer. De fora, o bandoleiro Antero Soares na espreita de toda a fuzarca apenas sorriu enquanto o seu companheiro Júlio o chamou para o almoço um tanto assombrado:

Júlio:

--- Não tem vergonha? Chega logo para cá! – relatou com raiva o bandoleiro.

Assim foi o começou da história.

sábado, 21 de abril de 2012

OS QUATRO CAVALEIROS - 26 -

- Vanessa Hudgens -
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A IRMÃ
Ainda naquela manhã, o arremessador de punhais, armas preferidas,  Antero Soares conhecido por Antero Foguetão, chegou apressado em seu cavalo e procurou de imediato o seu companheiro Júlio Medalha, conhecido por Júlio Vento para deixa-lo em local seguro, pois foi em Fabiano, pistoleiro de aluguel a serviço do prefeito da cidade, ter ele arremessado o seu punhal causando morte instantânea. Ele não tivera receio da morte de Fabiano. Contudo era preciso confessar o seu feito ao Coronel, o deputado estadual doutor Marcolino Godinho, homem severo e brutal. A morte de Fabiano seria um caso à parte nos feitos de Antero. Mesmo assim, ele temia ser preso por um assassinato de um pistoleiro contumaz. E mesmo sendo preso, ele não demoraria na prisão, pois a morte de Fabiano tinha severas testemunhas para lhe defender. O homem pistoleiro também, Júlio Vento lhe disse não temer e procurar a dona da casa e esperar o caso esfriar. Isso, o pistoleiro Vento sabia muito bem desde ter matado um punhado de facínoras quando serviu ao Exercito. O arremessador de punhal seguiu um tanto constrangido para a casa grande à procura da dona da casa. Ao galgar os batentes de entrada da casa, viu duas mulheres a conversar algo. Isso não diria respeito. Apenas indagou sobre a dona da casa. E recebeu a resposta:
Mulheres:
--- Está lá dentro! – respondeu a lavadeira.
Enquanto isso, na casa da máquina, Júlio Medalha fazia aquilo de costume: um pato com óleo a despejar nos locais mais necessários de se fazer reparos. Ele, por vezes dizia:
Júlio:
--- Eita maquina boa. Mas vai precisar de reparos. A ventolina vai se acabar. É chamar alguém para fazer o reparo. Não que eu não possa. Mas. – divagava Júlio com seu conversar.
O quarto onde estava o motor de força era pequeno e a zoada do mesmo fazia como uma estaladeira onde pouco se ouvia a conversa entre mais de uma pessoa. E Júlio passava o dia todo nesse local apenas a ouvir zoada e nada mais. Era o costume da Farda onde o homem fazia o mesmo serviço.
Em poucos instantes uma mocinha veio avisar a patroa.
Mucama:
--- Lá fora tem duas freiras, dona Isadora! – relatou a mucama.
Cantídia:
--- Freiras? Se for dinheiro, não tenho! Ora! – disse a mulher com cara abusada.
A mucama ficou para trás com as mãos cruzadas e ainda declarou;
Mucama:
--- Que é que eu digo a elas? – perguntou a mucama.
Cantídia:
--- Deixa-me receber a visita! Que abuso! – disse a mulher deixando de lado o que estava a fazer.
E a mulher caminhou para frente da casa onde se encontravam as duas Freiras. O vento frio sobrava inquieto, porém de nada perturbava as Irmãs com as suas vestes longas de um preto rigoroso. As Irmãs olhavam o cercado e verificavam vacas, touros, cabras, carneiros, galinhas, bezerros e tudo mais havido ali a sua frente. Mesmo assim, pouca importância lhes davam aqueles animais. As Irmãs estavam mais para as verduras e legumes, coisas de todos os dias para elas fazerem. Vaqueiros, jagunços e mesmo as suas mulheres maltrapilhas eram negócios de todo o sertão bruto. Em suas capelanias no Mosteiro as Irmãs viviam de orações e mais distante dessa brutal realidade. Nesse Mosteiro, as Irmãs limpavam todos os dias os seus aposentos. Por lá existiam Igreja, dormitório, claustros, bibliotecas, refeitório, albergaria e campo de cultivo. Era um mundo à parte da vida de fora se viver em um Mosteiro. E nem sempre se ouvia falar de rezas e coisas mais das Irmãs a trabalhar. O sopro do vento frio não inquietava as Irmãs. Elas até gostavam e sorriam.
Foi nesse tempo de pecado onde apareceu a dona da casa. As cumprimentou e indagou o precisar. A Irma mais velha – entre as duas – disse apenas estar a procura do seu irmão de sangue. Era provável ser ele o hospedado do dono da casa. E o seu nome, a Irmã logo falou:
Irmã:
--- Renovato Alvarenga. Creio eu ser ele! – relatou a Irmã Josefina.
Na sala de visitas estava escondida Emília a escuta da conversa de dona Cantídia e a Irmã. Com surpresa a moça largou os pratos no chão fazendo um barulho tremendo. Isso até espantou a dona da casa. A mulher foi ver o acontecido e pegou de surpresa a empregada Emília toda inquieta sem saber o seu estado de coisas. E dona Cantídia foi quem falou:
Cantídia:
--- O que estás fazendo ai, moleca? – indagou abusada a dona da casa.
A mocinha nada podia responder e ficou pesa de espanto com a boca aberta e os olhos entontecidos de surpresa. O que a sua patroa falou de nada Emília ouviu. Nada era tao doloroso como ver Josefina à sua frente, tão de perto como devia parecer. A Irmã, na verdade, era uma Freira para a questão truncada de Emília, pois nunca acreditou de verdade na verdade dita por Renovato Alvarenga. Nesse momento, a verdade estava ali presente: a irmã de sangue do verdugo. A patroa de Emília não se cansava em perguntar:
Cantídia:
--- Hem moleca? Que estás fazendo ai? Responda! – dizia com aspereza dona Cantídia.
Foi então ter Emília ouvido um murmúrio distante. E sem saber aquilo a responder dobrou nos pés e voou para o interior da casa grande se enfurnando por completo no banheiro feminino onde se pôs a chorar amargamente.  Então, dai a mulher voltou para ouvir os reclamos da Irma e poder dizer alguma coisa.
Cantídia:
--- A Irmã é irmã de Renovato? Mesmo? – indagou a mulher com o rosto espichado para ouvir melhor.
Irmã Josefina:
--- Sim. Ele é o meu irmão de pai e mãe, com certeza, - respondeu Josefina toda calma.
Cantídia:
--- Meu Deus do céu! Quem diria? Uma irmã ser Freira. Caso me deixa de boca aberta. Olhe bem. Ele saiu há algumas horas para tratar do cavalo da minha filha. E deve voltar muito em breve. Eu não sei se eu mande a senhora espera-lo ou não. De qualquer forma, eu peço a senhora a tomar assento, pois a qualquer momento ele não tarda a chegar. – falou demais a mulher.
A Irmã Josefina agradeceu e se sentou na poltrona da frente da casa enquanto a outra Irmã, uma Noviça passou a pesquisa os amplos cercados por redor da casa grande. Em poucos instantes a outra cozinheira veio a servir café a Irmã Josefina com bolos e biscoitos. E na verdade estranhou a Irma Josefina está sozinha, pois a outra Irma estaria ali também. Tudo feito a mando de dona Cantídia, mulher soberba e dona da casa grande.  
Com o passar dos minutos a moça Emília se acercou da Irmã Josefina. Era bem visto em seus olhos Emília havia chorado um bocado, pois o tempo da demora norteou a Josefina. De qualquer forma, Emília se deu por conformada e sentou a beira da poltrona e dai foi longo o período de espera. Mas o tempo é o dono da paciência e, então, Emília indagou:
Emília:
--- A senhora é irmã de Renovato? – foi à pergunta feita por Emília.
Josefina:
--- Sim. Nós somos irmãos de sangue. Eu sou dele está aqui. E agora vim abraçar meu irmão. – sorriu leve a Freira.
Emília:
--- Ele me disse certa vez. Renovato é um homem atirado. Mas o tempo resolve tudo. Com certeza. – falou com imensa piedade a moça Emília.
Josefina:
--- Com certeza. O Senhor há de prover para Renovato um caminho. – sorriu leve a Freira. melhor
Com isso, Emília também sorriu.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

OS QUATRO CAVALEIROS - 25 -

- Milla Jovovich -
- 25 -
INQUERITO
O delegado de polícia, sargento Tobias, entrou no escritório do Prefeito Jorge Nepomuceno como sendo um furacão. Não falou coisa alguma com quem estava a espera ou mesmo a trabalhar na Prefeitura de Alcântara. Uma senhorita, alarmada com tanta fúria, logo abriu a porta para o delegado entrar e esse nem mesmo agradeceu a presteza. E entrou direto no Gabinete do Prefeito Nepomuceno não se importando com quem estava ou não e falou baixo para o Prefeito Municipal ter ele um assunto de suma importância a lhe dizer. Dito isso, caminhou apressado para uma sala vazia onde apenas o prefeito podia receber um visitante ilustre ou qualquer coisa de interesse do prefeito. E lá estava os dois a confabular sobre o caso da morte do pistoleiro Fabiano, homem disposto a matar. O delegado sabia muito bem ter o prefeito Nepomuceno contratado o pistoleiro para a sua guarda pessoal. O prefeito ainda não sabia do caso àquela hora da manhã. E ficou perplexo quando soube. A vista se deu no momento no qual o corpo furado do pistoleiro ainda estava estendido na calçada da pracinha a espera de ser removido para o recanto dito aos policiais pelo próprio delegado. Após saber o ocorrido o prefeito Jorge Nepomuceno não quis ir à praça ver o cadáver de Fabiano e declarou ao prefeito deixar a coisa esfriar.
Prefeito:
--- Deixe a coisa esfriar. Não vale a pena. –declarou entristecido o prefeito.
Delegado:
--- Tenho informes de ter sido gente do coronel! – relatou o delegado meio constrangido.
Prefeito:
--- É. Deve ter sido. Mas é melhor esquecer o caso. Esse é ano de eleição. O coronel pode não gostar. Além do mais ele está na capital. O homem era um pistoleiro. Coisa sem importância. – deduziu o prefeito e se encaminhou para a sala de despachos.
O delegado Tobias também o seguiu e nada mais foi dito. Apenas um muito obrigado e até breve fez o delegado ao sair do Gabinete e o prefeito continuou sua sessão de despachos com secretário e outros mais. Para o delegado Tobias o dia começou nem um pouco bom. Mas mesmo assim ele se encaminhou para o seu escritório reservado todo embrulhado com os acontecimentos recentes. Apenas ouvia-se reclamar:
Delegado:
--- Nada bom! Nada bom! Esculacho! – reclamava o delegado vez por outra.
Um preso quase liberto fazia a limpeza do xadrez e olhava sempre para o delegado com uma visão desconfiada. O preso nada fazia. Apenas varria o xadrez. Outro ex-detento se acostumou em ficar no xadrez e fazer refeição para os presos e o delegado Tobias. Ele fazia isso por vontade própria. Mas, toda vez ele se atrapalhava com o delegado. Esse reclamava do café frio, ou quente, ou morno, ou amargo ou mesmo doce demais. Se for ao almoço, mais reclamação vinha de lá.
Delegado:
--- O bife está frio! Está mal cozido! O ovo está duro ou está mole! – reclamava sempre o sargento Tobias.
E desta forma o ex-detento se encaminhava de volta para refazer tudo e levar para o delegado. Esse, como de costume, voltava a reclamar com a boca cheia e a olhar o ex-detento. De nada adiantava fazer cem vezes,  pois sempre o delegado reclamava. Como de vezes anteriores, dessa vez o delegado voltou a reclamar do novo café servido e despejar a bandeja em cima do ex-detento. Dessa vez foi o pingo nos is. O ex-detento se aborreceu de veras e mandou o delegado fazer a sua própria refeição, pois ele estaria indo embora. E saiu sem dizer mais nada. O delegado esbravejava a todo punho contra o ex-detento.
Delegado:
--- Volte já aqui! Volte! Estou ordenando! – falava áspero o delegado Tobias.
E o ex-detento, de tanta humilhação sofrida, saiu sem dizer nem bom dia. E caiu na farra, pois ninguém é de ferro.
Dramas e sorrisos de uma Delegacia de Policia. Os demais presidiários foram os mais exaltados com a ausência do ex-detento. Para eles, um serviçal exemplar. Para o delegado apenas um defenestrado.
Logo após ter feito o serviço nas patas do cavalo, o de fazer o ferrageamento e cravar as ferraduras, os dois companheiros voltaram para a fazenda. Foram eles: Ludmila, filha do deputado Marcolino Godinho e o pistoleiro Renovato Alvarenga, o Chulé. Antero Soares já estava abrigado na fazenda, pois se voltou contra o bandido Fabiano e desfechou o punhal na sua garganta.  Ludmila resolveu voltar por outro caminho saindo de perto da multidão formada na praça vendo os corpos dos dois homens mortos. Isso foi antes do enterro de Fabiano pela força militar. Eles caminharam por outras redondezas sempre de olhos abertos com relação ao sucedido. Renovato Alvarenga caminhava como se fosse solitário sem dizer uma só palavra. A moça, por igual, fazia o mesmo. E nessa caminhada atingiram os dois a Lagoa Dourada, parte da fazenda Guandu. Eles percorreram um longo caminhar temendo se topar com alguém ou algum outro bandoleiro. Renovato Alvarenga era pistoleiro afamado de não negar um tiro sequer. Mesmo assim, todos sabiam de um dia aparecer outro para desfazer a devida lambança.  Ao entrar na Lagoa Dourada, os dois se refestelaram como podiam fazer à sombra das acácias e de outros arvoredos. Era um caminho bastante árduo o qual os dois companheiros de cavalgada fizeram. O sol já estava bem alto, quase a pino quando os dois arriaram para repousar um pouco. Após ver as arvores a balançar instigando pássaros a partir para lugares estranhos, Ludmila após uma breve pausa indagou de Renovato há quanto tempo ele conhecia o seu companheiro Antero Soares. Esse então respondeu estirado na grama existente na região e com as mãos por baixo de sua cabeça.
Renovato:
--- Não muito. – disse Renovato a olhar o céu claro e de vez voltar para a moça Ludmila.
Ludmila:
--- Isso não responde a questão. Um dois ou três meses? – indagou a moça também postada na grama com a sua cabeça escorada com as suas delicadas mãos.
Renovato:
--- Pode ser um pouco mais. Qual é a sua curiosidade? – fez ver o homem do gatilho silencioso.
A moça demorou a responder a questão e Renovato a olhou novamente e se voltou a seu estado natural de estar deitado na grama. Ele viu algo na lagoa a mergulhar constante e deixou de lado tudo o visto. Era apenas um peixe não muito grande. Talvez desse um almoço para dois. Olhou ele de novo e indagou a moça esbelta, de olhos suaves e pele clara.
Renovato:
--- A senhorita quer almoçar? Tem peixe na lagoa! – fez ver o pistoleiro.
Ludmila:
--- Peixe! Não é necessário. – respondeu Ludmila a se soerguer um pouco para verificar o peixe
O bandoleiro se soergueu e foi até a Lagoa Dourada onde com pouco tempo pescou dois peixes não muito grandes e logo voltou ao seu lugar onde estava a deitar Ludmila colhendo impressões da mata virgem, das aves, veados, esquilos e tudo mais. O bandoleiro se acercou e mostrou em enfieira de peixe ainda a se rebelar por estar fora da água. Ele mostrou os peixes suspensos por sua mão direita. E rodeou um pouco pela mata. Dentro de algum tempo já estava ele a fritar os dois pescados. A moça, de onde estava, sorriu e se virou para ver melhor o assar dos peixes. E o bandoleiro indagou em voz branda.
Renovato:
--- É servido? – indagou o bandoleiro remexendo as brasas feitas pelo fogo.
Ludmila:
--- Eu nunca pensei em ver o senhor pegar um peixe. Para mim, o senhor nem comia tanto assim. – relatou Ludmila com sua voz branda.
Renovato:
--- Sabe moça. Eu sou também humano. Eu pesco, caço. E às vezes também durmo. – fez ver o pistoleiro.
Ludmila:
--- Interessante. Para mim o senhor é outro cavalheiro. – respondeu Ludmila a sorrir.
O sol voltou a crescer no céu para os dois amantes da natureza.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

OS QUATRO CAVALEIROS - 24 -

- Doris Day -
- 24 -
A SORTE

O soldado da polícia ficou admirado com a destreza do pistoleiro em atirar três vezes sobre o morto e indagou como um pistoleiro fazia algo assim. O outro policial respondeu ter sido uma questão de honra, pois um pistoleiro não queria saber se o defunto era enterrado ainda com vida.
Policial Dois:
--- Para pistoleiro, defunto só tem validade se está bem morto. – respondeu o outro policial cuspindo fumo pelo canto da boca.
Policial Um:
--- Imagine só! Com aqueles disparos eu até pensei: Se sangue fede eu então estou baleado. – respondeu o policial um
O carregador Um disse então ao policial com a cara bem raivosa não querendo ouvir resposta.
Carregador Um:
--- O senhor está é todo cagado! – e cuspiu fumo pela a boca como forma de tapar as suas narinas.
Policial Um:
--- Quem? Eu? – e passou a mão nas calças.
Atormentado pela ação do pistoleiro em disparar três vezes sobre o morto, o homem se lambuzou sem sentir e as fezes estavam a sair pelas bocas da calça. De repente, ao notar o seu desespero, o policial um saiu a correr até o mato a tirar as calças, limpar a cueca em desespero e tiraras fezes das calças com um medo terrível por estar completamente sujo. O outro policial disse logo em cima da bucha:
Policial Dois:
--- Desse jeito o senhor não pega na estaca do punho da rede. Pode procurar o que vestir! – relatou com raiva o policial Dois por ver o outro soldado todo nu a retirar da farda a sua sujeira
Policial Um:
--- Que? E o que visto agora? – indagou atormentado o palerma policial.
Carregador Um:
--- Use folha do mato! – e gargalhou a beça o homem carregador.
O soldado com a cara amuada nada mais queria responder. Apenas limpava as calças e o cuecão para ver se a coisa melhorava de aspecto. Folhas e mais folhas do mato ele arrancava com toda a fúria em uma espécie de zanga com ele mesmo ou com os outros condutores do cadáver de Fabiano, pistoleiro malsinado até após a morte. E o policial nem olhava o céu quase coberto de aves de rapina, o gargalhar das hienas, o uivo dos lobos entre o rosnar dos cães bravios moradores do pleno mato. O despenhadeiro da Caveira do Diabo ainda estava bem longe do local estacionado pelos quatro condutores por causa do aparecimento do pistoleiro Teodoro Fogaça, atirador de esmero ainda a cumprir a triste sina de meter bala no algoz já falecido para ter a certeza do homem está bem morto matado. Essa era a dita dos bandoleiros do sertão árido do nordeste brasileiro.
No árido terreno do sertão bruto o cavalo de Teodoro Fogaça tomava rumo desconhecido atropelando a terra seca e a levantar um poeirão desgraçado onde já não podia se vislumbrar ao todo o caminhar do cavaleiro. Com um pouco de tempo ele se enveredou pelas matas desiguais até topar o mundo também desigual. Quem ficou a observar o cavaleiro em desembestada carreira pode assim dizer:
Carregador Um.
--- Ele tomou a direção da vila da Lagoa, com certeza. – disse o homem pensativo no matador de aluguel.
Carregador Dois:
--- Eu já ouvir falar dele. É um caboclo malsinado o qual se chama Teodoro. Teodoro Fogaça. – cuspiu para um lado uma golfada de fumo o carregador.
Carregador Um:
--- Ele é dos tais? – indagou o outro carregador.
Carregador Dois:
--- O povo diz que é. Ninguém escapa de sua pontaria. Homem mau. Perverso. Não tira camisa pra matar. – relatou com ligeira cisma o carregador Dois.
Carregador Um:
--- Eu já ouvi falar também. Trabalha só ele. Não quer ajuda de ninguém. Cara brabo que só bêia. – cuspiu para um lado o carregador Um.
Policial Dois:
--- Foi por isso que ele matou o homem que já estava morto. –relatou o policial Dois.
Carregador Dois:
--- Só não quero que ele venha pra cima de mim. Com Jesus ou sem Jesus eu lhe enfinco o ferro. Humpf! – faz o carregador Dois perpetrando o gesto de enfiar a peixeira.
Policial Dois;
--- Não diga isso meu senhor! Não diga isso! – gritou alarmado o policial.
Carregador Um:
--- É. Homem, nessa Terra só tem validade se matar primeiro! – cuspiu de lado o Carregador Um.
Com um pouco de tempo o soldado Um saiu da mata com um improviso de roupa no corpo feito com folhas de mato. Ele então reclamava as maiores doidices em ter de usar folhas de mato em lugar da farda. Os outros a olhar o soldado Um não aguentaram e caíram na gargalhada. O outro soldado a dizer:
Soldado Dois:
--- Onde está a farda, excelência? – e gargalhou ainda mais.
Solado Um:
--- Não faz graça comigo! Não faz graça! – disse de vez bem mal humorado o solado Um.
E o carrego do morto teve continuidade até as escarpas do despenhadeiro da Caveira do Diabo aonde entre inúmeras moscas, lagarto, hienas, cães vadios e mesmo lobos chegara ao fim. Em baixo, muito além, onde nada se podiam enxergar de fato os quatro carregadores despejaram a carga de osso e carne de corredeira abaixo. Os carregadores procuraram ouvir o baque profundo do cadáver de Fabiano. Porem nada se ouviu. Apenas as aves de rapina a traçar algo fresco como um presente do céu. As aves fizeram festas com a nova vítima de homens maus. Nada mais havia a fazer e os solitários carregadores, sendo dois soldados, retornaram as suas tarefas originais. Apenas um soldado se valeu da pena do seu companheiro e foi buscar vestimenta apropriada para o soldado militar vestir. E não parava de sorrir o soldado Dois por ver a cara do soldado numero Um agachado entre abrolhos a pestanejar constante a espera de seu fardamento.
Soldados Dois:
--- Mas tu com uma cara! – sorria o soldado Um.
Soldado Um:
--- Me dá a roupa seu bosta. – disse de vez o soldado Um que ainda estava melado de merda.
E os dois carregadores se plantaram a sorrir vendo a cara do militar agachado procurando a todo custo vestir o novo-velho fardamento com uma cara estupida de não sei o que. Após isso feito por detrás de uma moita, o militar correu como pode para tomar banho na delegacia de policia, pois só assim tirava o mau cheiro parecia carcomido em seu corpo.
Carregador Dois:
--- Essa foi boa. Não precisa nem pagar pelo enterro do Fabiano, pois essa não tirou mais a cara de se poder querer achar graça. – relatou o carregador.
E daí em diante acabou a graça.