domingo, 12 de fevereiro de 2012

ACASO - 40 -

- Rani Mukhrerjee -
- 40 -
NINFAS
Na noite daquele dia, Joel estava a dormir. Silêncio na rua e na estrada a passar bem próximo em nada a incomodar aos eternos donos do sonhar. O vento morno da noite sombria era igual à nuvem passageira ao luar quase penumbra e encantar devaneios. Borboletas de asas tenras e douradas, pequeninas por sinal, voluteavam em torno da lâmpada e da luz do poste ao largo da rua naquele instante sem ninguém ao seu redor. Ouvia-se um pigarrear constante de um ancião em uma casinha pequenina posta ao largo da rua. O choro de uma criança quebrava a monotonia da noite quente em outro casebre qualquer. O ladrar de um cão se fazia presente como a luz da lua. O apitar de um guarda noturno quebrava a monotonia silenciosa do acaso. O gargalhar de uma meretriz açoitava a noite. E depois, silêncio.
Naquele tropical noturno Joel dormia um sono terno e aconchegante. E em seu sono ele ouvia três jovens ninfas a conversar; Ele estava em edifício parecendo um estúdio de rádio ou coisa assim. Apenas Joel ouvia o som de uma voz como de um locutor a falar com ligeira pressa as noticias do dia. Porém, o garoto não notava o senhor locutor. Uma gigante parede  o separava da cabine. Mesmo assim, não lhe fazia interesse conhecer o locutor, pois estava a vislumbrar as três jovens ninfas a conversar, em uma marcha apressada para seguir o caminho e a descer um vão de escada, enveredar por um bosque e sumir de vez. As ninfas vinham de um setor próprio para as ninfas sempre uma das tais a conversar solene para as outras duas ninfas. Seus cabelos tinham a cor de um sol brilhante a cintilar constante ao léu. Para Joel aquela ninfa de vestes longas e de cor suave como às ninfas se vestem. Ela e as duas outras mais eram a personificação criativa e fecundadoras da plena natureza.
Por acaso Joel permaneceu a olhar a deusa do bosque de Ártemis ou dos prados de Melíades, nascida da árvore da perseverança. Delírio estremado e sedutor viveu naqueles magnos instantes o jovem moço ainda pequeno ao vislumbrar a ninfa do bosque do Jardim do Éden. A noiva dos espíritos percorria para sempre tentadora a sorrir em desvario trilhando o caminho das verdadeiras ninfas fascinantes. E Joel apenas a observar aquela filha de Zeus cuja rainha das fadas era Hérmia. Talvez a sua ninfa fosse Alseídes ou Leimáquides. Quem sabe Efidríades então uma das ninfas de Nereidas. E na suavidade de seu sonho Joel tomou rumo ao ignoto a acompanhar a sua verdadeira ninfa da eventualidade. Sabia ele o aparecer da ninfa nas lendas onde o amor é o motivo central. Fonte de inspiração de arte as ninfas emprestaram suas características a seres mitológicos. E por assim sentir, o jovem moço se arcou em desenhos mil a busca de sua sonhada ninfa encantadora. Risos e lampejos ele ouvia cantar nos eternos bosques da fascinação. Joel a observar terno às ninfas do desejo deitou o seu véu encantado para ser o mago de sua adorada deusa. Um terno e brando abraço lhe aconchegou o seio. Era a ninfa dos seus sonhos. E ele explodiu em chamas a devoção do amor.
Manhã logo cedo, após refazer o seu estomago, Joel saiu para a escola e encontra no seu caminho com a doce fada Elizabete. E a jovem moça estava-o a esperar silente. O garoto a beijou na face ao encontrar a terna figura e marcharam os dois para o colégio. No caminhar a mocinha lhe perguntou de vez:
Elizabete:
--- O que são ninfas? – indagou a moça ao assustado garoto.
Joel:
--- Ninfas? Só eu procurando no dicionário! Por que a pergunta? – reviu o moço.
Elizabete:
--- Por nada. Eu queria saber apenas. – sorriu a moça ao chegar a frente do Grupo.
Eles já estavam a chegar ao Grupo Escolar quando Joel percebeu de qualquer forma o questionamento da linda e meiga garota ao lhe perguntar tal fato. E Joel se lembrou do sonho que ele tivera durante a madrugada de três ninfas. O caso era até muito complexo uma vez ter a mocinha a indagar quais seriam as ninfas. Certa vez Joel olhou em um almanaque uma historia de ninfas. Mas o bom tempo fugira-lhe da memoria. A olhar a deusa dos prados de Melíades o mocinho então começou a investigar em sua mente a questão da tal enigmática dúvida. E por isso mesmo o jovem garoto começou a sorrir ao ver se distanciar a frente aquela boneca de carne, o esplendor da fascinação a caminhar solitária. E daí de ponto respondeu:
Joel:
--- Minha Santa! ...- e foi interrompido na hora pelo brutal palavreado de enfeitiçada donzela.
E Elizabete de pronto respondeu:
Elizabete:
--- Burra é a sua mãe! – respondeu Elizabete de forma bastante agressiva.
Joel ficou atônito e em seguida lhe replicou.
Joel:
--- Mas eu disse: Minha Santa! – rebateu de face enrugada o moço Joel.
Elizabete:
--- Pois é! O que é uma Santa? A Padroeira da Cidade! E o que se faz com a padroeira? Põe-se num andor! E quem acompanha o andor? Uma multidão! E o que é uma multidão? Um punhado de gente marchado um atrás do outro! E quem anda um atrás do outro? É burro! Por isso eu disse logo! Burra é a sua mãe! Humpf!  - e se voltou para frente do Grupo à meiga e afetuosa donzela. E dessa vez nada lhe restava de meiga.
Joel se pôs a sorrir. E de uma forma tal que se deitou no pleno leito de areia enxuta. Era tanto sorrir que outros estudantes também sorriram dele. Em um casebre de taipa existente na frente do Colégio, estava à porta o moço magrão. E magrão ouvira toda a atitude a mocinha. Quando acabou viu o jovem mancebo se deitar a gargalhar. Por todo esse evento o Magrão gargalhou também, saindo da porta de entrada do casebre para o seu terminal batendo as mãos e com o corpo encurvado para frente por causa de tanto riso.
A aula começou e foi à vez da sorridente professora Sonia Andrade a fazer a chamada e dar prosseguimento ao assunto interrompido no dia passado. Como não sabia de nomes de todos os escolares levou por bem chamar a turma como crianças. E então Sônia falou:
Sônia:
--- Crianças, meu bom dia. É o seguinte: hoje nós vamos aprender um pouco de Historia. Não dessa historia que se conta nos livros. Mas de uma historia que nem se ouve mais. A história antiga. Isso é bom porque vocês irão ter a capacidade de ver o passado distante com certos passados recentes e, assim, versarão o que foi antigamente e o que foi bem mais recente. Alguma dúvida? – indagou Sônia a sorrir.
E a turma em peso gritou:
A turma:
--- Nããããoooo! – falou toda a turma em uníssono.
Sônia a sorrir:
--- Pois muito bem! Crianças! A História é muito complexa. Se formos estudar de verdade o ser da História terá de começar pela pré-história. E o que é a pré-história? É o acontecer bem antes de haver a civilização na Terra. Há cerca de Dois milhões. ... Vejam vocês: Dois milhões de anos começaria a se encontrar vestígios de civilizações. Isso importa porque essa pré-civilização veio a perdurar até cinco mil anos antes de Cristo. Cinco mil anos. Entenderam? – perguntou Sônia, a mestra.
A turma:
--- Siiiimmmm! – a turma toda respondeu.
Sônia:
--- Pois bem: (sorrindo). Para vocês terem uma noção do tempo, cinco mil anos são um bocado de tempo. E como se deu essa descoberta? Tudo tem um motivo! Não é? – indagou a mestra.
A turma:
--- Éeéééé! – gritaram os alunos.
Sônia:
--- E qual foi esse motivo? Vocês sabem? – indagou com olhos abertos a mestra;
A turma:
--- Nããããooo! – respondeu a turma.
Sônia:
--- Pela pintura! – sorriu a mestra Sônia.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

ACASO - 39 -

- Rebecca Hall -
- 39 -
CAPIM
No dia seguinte a turma estava enfileirada para entrar em classe sob o comando do senhor Josino, o homem da sineta. A professora Noêmia Melo não havia chegado ainda na classe. Josino comandou a turma e ele esperou todos se sentar em suas bancas. Com poucos minutos a professora Noêmia entrou na classe. Ela agradeceu ao homem Josino e esse se retirou. Ao sentar em sua cadeira em frente ao birô, a mulher abriu a gaveta larga e notou a presença de um molho de capim. Ela se conteve e mostrou aos estudantes que podia ter esquecido o seu lanche naquele birô:
Noêmia:
--- Quem foi que esqueceu o seu lanche? – indagou a professora toda enervada.
Ninguém respondeu. Afinal ninguém sabia dizer ao certo de quem era o molho de capim em exposição. A professora Noêmia foi até o cesto e deixou cair o monte de capim. E bateu com suas mãos uma na outra. Ela olhava a cada um na esperança de descobrir qual deles tinha sido o astuto e mal comportado estudante. Com seus óculos de graus olhou por cima das lentes a cada um dos alunos sem, contudo descobrir penas um aceno. Joel estava sentado em sua carteira com a cabeça abaixada e o queixo em cima de uma das mãos a olhar apenas para a professora Noêmia. A mulher andou no tablado para cima e para baixo pesquisando o arteiro que lhe fizera de burra. Olhou bem para Joel e esse nada mostrou de desconfiança. Apenas olhava a mestra com a cabeça derreada e escorando o queixo em uma das mãos:
Noêmia:
--- Ajeite-se! Você não está na casa de sua sogra! Menino feio! – esboçou o comentário para ver se ele faria algum gesto comprometedor.
Joel se recompôs e se pôs a sentar como todos ou quase todos estavam sentados em suas desconfortáveis carteiras. A professora Noêmia continuou a caminhar de passos lentos e sacudindo o corpo baixo e redondo de gordura na intenção de ver toda a classe de ponta a cabeça. Após um longo de período ela voltou a se sentar na cadeira do birô sempre a olhar os estudantes. Então a professora relatou ser aula de português. É claro que ninguém ou quase todos não gostaram.
Pecado:
--- Lá vem merda. – relatou bem baixo o aluno Pecado. Seu nome era na verdade Manoel Picado. Dado o fato os colegas chamavam-no de “Pecado”. E Pecado não se incomodava com o apelido.
Apesar de falar baixo, o garoto foi ouvido pela professora Noêmia. De imediato, Noêmia se levantou da cadeira e marchou até a carteira de Pecado no com o orgulho ofendido fez ver a sua força.
Noêmia:
--- Para fora! Imediatamente! Seu palerma! Quero ver quem manda nessa sala! – falou alto a professora Noêmia sem querer pensar duas vezes.
Pecado então arrumou a sua bolsa e partiu devagar por entre as carteiras e ao chegar à porta da sala ainda teve a coragem de dizer:
Pecado:
--- Vamos ver quem manda aqui, na verdade! – e cruzou pelo corredor até chegar à sala da diretora e pedir licença para falar.
A diretora Maria da Penha olhou atento o aluno e após alguns segundos deu autorização para o estudante se explicar. Outra mestra estava na sala batendo a maquina. E não prestou a atenção a que o estudante começava a relatar.
Pecado:
--- Professora, bom dia. Eu venho da minha sala porque a novata me expulsou. Isso não tem nada. Se eu não puder estudar aqui peço transferência de imediato. Agora, o que não pode ser é que tenhamos uma professora carrasca de modo pão duro a estar investigando todos os alunos da classe. Eu saí. Não tem problemas. Mas que fica vai ver onde o calo aperta. Muito obrigado. – e fez meia volta para sair da sala da diretora. 
O rapaz já estava saindo da sala quando ouviu a diretora chama-lo de volta. Ele não tinha dito o motivo da expulsão. E a diretora perguntou:
Diretora:
--- O jovem sabe me dizer por qual motivo a professora Noêmia o expulsou da classe? – indagou a diretora Maria da Penha.
Pecado:
--- Pois não. Eu fiz um comentário para mim mesmo quando a professora disse ser a aula com a matéria de Português. E disse mesmo baixo, apenas comigo: posso dizer? – perguntou o aluno Pecado.
Diretora:
--- Pode. Faça o favor. - relatou a diretora Maria da Penha.
Pecado:
--- Bem. Com a sua licença o que eu disse foi: “Lá vem merda”. Mas isso foi só para mim. Pronto. Foi o que eu disse. – fez ver o aluno atrevido.
A diretora sorriu. E depois de alguns minutos relatou a Pecado:
Diretora:
--- Meu filho. Quem manda na classe é a professora. Se ela se sentiu ofendida, nada mais certo do que tirar você da sala de aula. Eu a não reprovo. Mas vou esperar a vinda da mestra e se o que você diz for à verdade, então, não se preocupe. Eu tenho poderes para justificar a sua ausência da aula. Esta bem assim? – perguntou a diretora ao aluno Pecado.
Pecado:
--- Sim senhora. Posso sair? – quis saber o aluno Pecado à diretora.
Diretora:
--- Pode. Pode. – e sorriu Maria da Penha.
Ao toque da sineta começou a debandada dos alunos para receber seu lanche. E as professoras do turno da manhã saíram de classe para a sala da diretoria. Cada uma que conversasse o ter que fazer no próximo final de semana. A professora Noêmia não entrou na conversa. E foi direto para falar a diretora da animosidade tida logo cedo do dia, com um molho de capim no seu birô e para completar a insolência de um aluno chamando “merda” na plena classe. A diretora ouviu e recebeu a nota do aluno expulso por sua atitude. Nesse ponto a diretora vez ver a senhora Noêmia que tal aluno era filho de um importante senhor do Departamento dos Correios e Telégrafos e tal atitude seria bancar uma deselegância  para com o senhor seu pai.
A professora Noêmia ouviu tudo com legítima atenção e lego depois veio a sua defesa:
Noêmia:
--- Muito bem. Se for assim, eu peço que a senhora me dispense dessa obrigação. Eu já tenho idade para me aposentar e não vai ser um aluno qualquer que fará uma desfeita para comigo. De minha parte eu estou dispensada. Pode arranjar outra, pois eu não fico mais nem um minuto aqui nessa escola. Tenho dito. – relatou com estupidez a professora Noêmia.
E de imediato a senhora Noêmia Melo saiu da diretoria da Escola, pegou rumo da rua e saiu esbravejando tudo o que tinha ou não direito. Com uma bolsa enorme a tiracolo, com seu pote baixo, o andar miúdo e as banhas a cair à mestra tomou o rumo da cidade.
A aula recomeçou com a presença de uma novata mestra e foi até o final da manhã. Houve a explicação da saída de dona Noêmia Melo e a nova professora Sonia Andrade esperava ter a melhor compreensão dos alunos. Como não sabia muito bem o que seria dada na segunda metade da aula, ela resolveu conversar com os alunos sobre os temas preferidos o qual se dava em aula. E cada um que dissesse a sua preferencia, pois cada aluno tinha o seu estilo de gostar mais de uma matéria ou outra. Sentada no estrado e esboçando sempre um sorriso, a mestra Sonia foi alegre e bem quista por todos os escolares. O tempo foi passando e a hora de encerrar o turno já era vinda. Os alunos então perguntaram a mestra Sonia Andrade se ela estaria de volta na manhã seguinte.
Sonia:
--- Provavelmente. Provavelmente. – respondeu a mestra a sorrir.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

ACASO - 38 -

- Emma Stone -
- 38 -
A OUTRA

Foi assim que definiu o jovem moço Joel Calassa quando entrou na classe a professora Noêmia Melo, substituta eventual de Maria Eugenia. Todo porque a professora original teve que se ausentar por motivos desconhecidos dos alunos. A nova professora em idade muito mais adiantada que a original Eugenia era de um tipo carrancudo, não sorria, era baixa e gorda mais parecia um balão, diziam os alunos.
Alunos:
--- Ela é gorda como um balão. – fuxicou em murmúrio com outro aluno um dos quais estava na derradeira carteira da classe.
Pelo visto, a professora Noêmia era de pouca conversa. Ela entrou na classe depois dos alunos quando seu Josino de posse da sineta disse apenas:
Josino:
--- Eu estou saindo professora! – e logo saiu da classe pegando rumo desconhecido.
Quem estava em classe teve a dúvida de perguntar a Joel.
Aluno:
--- Quem é ela? – murmurou o colega de Joel.
Joel deu de ombros como quem dizia:
Joel:
--- Não sei. A outra. – finalmente falou por baixo o garoto Joel.
Aluno:
--- E dona Eugenia? – indagou de novo o aluno pesquisador.
E Joel deu de ombro ao dizer:
Joel:
--- Não sei. – fez ver Joel ao aluno vizinho.
Aluno:
--- Esse trambolho foi tirado de algum mausoléu. – relatou o aluno pesquisador.
E a aula teve inicio. A professora Noêmia Melo cumprimentou a todos mesmo estando com a sua pequenez e o corpo avantajado e alertando a quem quisesse ouvir ter ela a virtude de não dar licença a nenhum aluno no meio da aula. E somente dava a resposta ao assunto em questão. Os alunos ouviram e calaram. Joel ficou como estava: escorado na carteira e com os pés esticados para fora do banco, o que era normal. A professora ao notar tal comportamento do menino Joel veio logo em cima do fato:
--- Sente-se!. Eu não admito desobediência em classe! – disse a professora Noêmia sem mais nem menos.
Os seus óculos de grau numa armação de couro de tartaruga evidenciavam ser a professora bastante malcriada a qualquer desaforo.
Professora:
--- O aluno que não obedecer eu ponho pra fora! – falou exaltada e sem graça nenhuma com a sua régua na mão a atrevida professora.
A turma toda calou. Joel não mais desobedeceu às normas da nova mestra. A mocinha ao seu lado, Elizabete, ficou temerosa e olhou bem forte para o seu amado com o dedo posto na sua boca. A professora Noêmia Melo então começou a aula ditando questões de História onde buscava antever a questão dos Cristãos Novos:
Noêmia:
--- Anotem! Vale nota! Quem sabe o que são os cristãos novos? – relatou a mestra a olhar toda a classe.
Silêncio! Não houve resposta. Nem mesmo por parte do garoto Joel Calassa. Esse estava apoiado da carteira anotando tudo o que a mestra falava e nem se importava a responder. A mocinha olhou para Joel porem nada indagou. Era o silencio total na classe. E a professora então falou:
Noêmia:
--- Bem. Ninguém sabe! Pois bem! Eram os Judeus! Quem sabe o que é Judeu? – indagou a professora. Mas ninguém quis responder.
Um grupo de meninas conversava baixinho no final da sala e uma dizia:
Aluna:
--- Eu acho que é uma velha aleijada que mora perto da minha casa! Todo mundo diz que ela ficou assim porque era Judéia! – relatou muito baixo a mocinha.
As demais sorriram tapando a boca e encolhendo os ombros. E nesse instante ouviu-se a professora chegar bem próxima das meninas. Com a régua na sua mão bateu para chamar atenção do grupinho rebelde.
Noêmia:
--- O que é que há? Tem bicho aqui? – indagou a mestra com voz bastante áspera ao grupo de alunas.
Aluna:
--- Tem não senhora! A colega estava explicando o que era a mulher Judéia. – explicou outra aluna sobre o zum-zum-zum que elas estavam a conversar.
Noêmia:
--- Não é Judéia. E sim judia! Ouviram bem? E quem disse que sabia? – perguntou a professora ao grupo de meninas já assustadas.
Aluna Um
--- Foi minha cara mestra! Eu disse que perto da minha casa tem uma velhinha aleijada. E a vizinhança diz que ela era Judéia. – respondeu com bastante temor a mocinha.
Noêmia:
--- Eu já disse ser judia. E não tem nada a ver com esse caso! – falou de modo grosseiro a pequena mestra.
E a classe calou. Apenas Joel escrevia sem sossego tudo o que a mestra recitava e algo mais por saber. O lápis do garoto não parava e ele escrevia com toda a pressa o que era ou não dito durante a aula de História. Foi tanto rascunho ter o garoto escrito que a certa altura a mestra veio até a sua carteira olhar com atenção tudo do garoto. Indiferente a presença da mestra ele continuava a escrever. A mestra estranhou todo aquele material e foi a perguntar:
Noêmia:
--- O que é isso? Pode me dizer? – indagou com voz ativa a professora.
O garoto não respondeu e continuo a escrever com toda a pressa. Era uma escrita extenuante como se fosse o garoto feito uma máquina de teletipo. A mestra se assombrou com tanta pressa de Joel e nessa altura mandou o menino parar. Mas o garoto tinha pressa e não ouviu o falar de sua mestra. Ao final de tudo o garoto, extenuado, acabou a redação. E desse modo enfiou a testa da mesa da carteira.
Noêmia:
--- Menino você está louco? O que está escrito nesse caderno? – perguntou a mestra de olhos tão perplexos e assustados.
Após alguns segundos o menino acordou do transe e mostrou a mestra:
Joel:
--- Está ai mestra o que a senhora pedirá explicação. É tudo! – falou quase a desmaiar o garoto Joel Calassa.
Ali estava escrito toda a história dos judeus e dos novos cristãos que foram mandados para o Brasil desde a sua descoberta. Dizia a escrita ter sido Portugal o primeiro país a reconhecer os direitos dos judeus. Em outra parte o menino destacou o reconhecimento do Tribunal do Santo Oficio e o destino de Fernão de Noronha em conquistar o arquipélago que levou o seu nome. E Portugal mandou para a terra brasileira os primeiros homens, mulheres e crianças feitos escravos. Os judeus tinham dever de ter um nome de real de seu batismo desde que o identificassem como cristãos ou cristãos novos. Silva, propriamente dito, não é um nome. E sim um apelido de família. O mais importante é ter Silva no príncipe dos Godos, Dom Alderedo cujo filho era Dom Guterre da Silva.
A professora se tomou de espanto com tudo ter sido escrito a um só tempo por garoto. E então ela achou de magna surpresa como teria um menino de tal idade ter tanto saber. E diante da sua perplexidade de sua total ignorância Noêmia perguntou:
Noêmia:
--- Quem te ensinou tudo isso? – indagou perturbada a mestra.
Joel:
--- A vida, professora! A vida! – dizendo isso Joel desmaiou.
A classe toda entrou em polvorosa. E os mais próximos gritaram:
Aluno de perto:
--- Desmaiou? – a dizer com os olhos tensos e a boca aberta.
Aluno outro:
--- Chega gente. Joel desmaiou! – gritava uma estudante.
A aluna Elizabete não teve jeito: E desmaiou também. A professora saiu na carreira a procurar auxilio de alguém. Estava próximo o homem da sineta, senhor Josino. Esse veio com toda a pressa segurar o garoto. Um grupo de estudantes – femininas – segurou a mocinha Elizabete e tentou reanima-la com tapinhas no rosto. A Diretora Maria da Penha, diante de tantos gritos entrou na sala com mais duas mulheres da cozinha para pegar a menina quase moça. E um grupo de duas salas no fim da escola veio ver o que se passava. As professoras também estavam ali com os seus alunos. E umas com a mão na boca a dizer:
Professora:
--- Ave Maria! – falou a sustada uma das professoras.
Outra:
--- Seguram-nos! Seguram! -  dizia outra professora.
Duas mesas foram improvisadas como camas. E Josino colocou o garoto em uma delas enquanto as cozinheiras colocaram a mocinha Elizabete na outra mesa.
Uma cozinheira:
--- Álcool! Álcool! Passa nas mãos! – era o que dizia a cozinheira atormentada com os desmaios



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

ACASO - 37 -

- Olivia Wild -
- 37 -
LUA
Em certa noite o garoto Joel estava sentado no batente do portão do muro de sua casa, olhando o Céu prateado, enorme até como se dia fosse. Ele ouvia o som do velho radio na sala e em sua mente acudia o que a lua podia então refletir. Era uma lua branca. Porem já ouvira de alguém ser aquela a lua azul. De mão no queixo Joel apenas olhava a lua azul. E ele imaginava poder ir até esse satélite conhecer São Jorge, ver de perto o dragão a ser morto pela cruel lança de aço assim como se contava em histórias simples nas noites sem luar. A solidão da lua fazia ao garoto sentir uma dor de paixão em taful instante de pergunta amena. Ao saber ser a lua uma rocha, ele ficava desanimado em não poder ter São Jorge e o dragão. Mesmo assim, essa sua preocupação se desvanecia a observar a solitária azul a caminhar lenta e preguiçosa pelo espaço aberto e sem fim. Ao notar Joel as informações prestadas pela sua professora Eugenia de a lua estar a mais de 384 mil quilômetros de nossa amada Terra, ele resmungou por estar tão longe assim:
Joel:
--- Trezentos e oitenta e quatro mil é tao longe assim? – indagava Joel a si mesmo.
E a lua azul contemplar o menino como se quisesse dia a ele:
Lua:
--- Vem para cá, vem! – sorria a lua azul em eloquente prece de amor.
Joel:
--- Mas você esta longe. E eu não tenho sapatos para ir. – disse o garoto com vergonha.
Lua:
--- Que sapato que nada! Aqui é frio. Se não quiser ficar no lado claro, eu tenho noite sombria! – respondeu a lua a sorrir.
Joel:
--- E como eu chego até você? – indagou Joel cheio de dúvidas.
Lua:
--- Em um trenó de papai Noel! – respondeu a lua ao menino sempre a sorrir.
Joel:
--- Mas ele está longe e eu não conheço o caminho. – respondeu  garoto a lua azul.
Lua:
--- É longe sim. Mas papai Noel está preparando os presentes infantis e ele tem os gnomos. – respondeu a lua azul a sorrir.
Joel:
--- Gnomos? Que são gnomos? – indagou perplexo o garoto.
Lua:
--- Gnomos seus seres pequenos. Espíritos de lendas da Escandinávia. – respondeu sorrindo a lua azul.
Joel:
--- Es o que? – estranho de certo modo com o resto franzido o garoto.
A lua azul sorriu imensamente e logo após declarou:
Lua:
--- Escandinávia. Fica perto da Finlândia. É um país Nórdico. –  sorriu a lua azul.
Joel:
--- E eu sei lá onde fica esse Nórdico! Tem bicho lá? – perguntou Joel a lua azul.
Lua:
--- Ah tem. Alces, Renas, Cães, Ursos. Mas são mansinhos, mansinhos. – relatou a lua azul ao admirado garoto.
Joel:
--- E o que se come nesse Nórdico? – perguntou o garoto a bela lua azul.
A lua deu uma bela gargalhada. E depois disse ao mocinho.
Lua:
--- Ah bom. Pode-se dizer ter os escandinavos o costume de comer o peixe bacalhau. Além disso, tem o gado, do qual se tira a carne, o leite, o queijo, a manteiga. E o porco, que se obtém igualmente a carne e a gordura. E ainda se tem a cabra e ovelhas além das aves. – explicou a lua azul ao garoto.
Joel:
--- Quer dizer: de fome ninguém morre no Nórdico? – perguntou para saber de fato como era a situação da Escandinávia.
Lua:
--- Não. Não. E ainda tem o vinho, conhaque, passas e amêndoas. – sorriu a lua azul a diz tal cardápio ao garoto.
Joel:
--- Mas menino não pode tomar cana! – explicou o garoto a lua azul.
Essa deu uma alegre gargalhada e em seguida declarou.
Lua:
--- Ah bom. E tem a cafeína, o cacau, chocolate, chá, guaraná, noz de cola e refrigerantes. Não falta o que beber para a criançada. – sorriu admiravelmente a lua azul.
Joel coçou a cabeça, fez careta e após de tudo isso respondeu:
Joel:
--- Roupas? O que existe no Nórdico? – pesquisou o garoto a indagar a lua azul.
A lua azul sorriu como pode. E depois relatou:
Lua:
--- Ah. Tem de tudo. Sapatos, botas. Jaquetas, casacos. Lã, camisolas e mesmo as camisetas. Tudo o que necessita tem na Escandinávia. Por falta de roupa ninguém morre. – relatou com o espirito infantil a bela lua azul.
E o garoto pesquisou e pesquisou em sua mente. Por fim veio o melhor:
Joel:
 --- E onde se mora no Nórdico? Hum? – indagou cheio de esperança em derrubar a lua azul de sua sapiência.
A lua azul não teve tempo de parar uma bela gargalhada. E disse em seguida ao tom de pergunta:
Lua:
--- No campo ou na cidade? – indagou de maneira sutil a ociosa lua azul.
“Peguei. Sabia que pegava!”– pensou o garoto para em seguida perguntar;
Joel:
--- Na cidade! – vibrou o garoto de contente.
A lua quase morre de rir. E depois declarou:
--- Em casas, vivendas, mansões. Tem casas até a beira-mar. Cozinha, sala de estar, casa de banho, frigorifico, maquina de lavar louça, forno, congelador, micro-ondas, cafeteira, ducha, ar-condicionado e tudo mais que você necessita. Até a lenha. – sorrio a lua azul do alto de sua sapiência.
Joel:
--- Tá danado! Não tem nada que ela não responda. – fez ver o garoto a seu modo.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

ACASO - 36 -

- Michelle Pfeiffer -
- 36 -
TEATRO
Durante a aula daquele dia, a professora Maria Eugenia solicitou a atenção de toda a classe para um comunicado. O professor Clovis Canto estaria em classe naquela hora para dar um breve comunicado a todos os alunos. Ele era um dos fundadores do Grupo “Boneca de Piche” cuja estreia se deu há dois anos. O seu retumbante sucesso fez com que a escola de Joel procurasse o professor Clovis para formar, quem sabe, um grupo de teatro daquela unidade de ensino. E o professor não se fez de rogado. Naquele dia ele estava ali para conversar com os escolares e tomar nota de quem quisesse ir aprender o teatro. E Clovis falou:
Clovis:
--- é o seguinte, classe: como a senhora professora disse, eu estou aqui para saber se vocês querem também seguir a carreira do teatro. Não será preciso toda a gente. Tem aqueles que não desejam seguir. Mas tem os que se interessam. E esses não sabem sequer como entrar em um teatro. Não é isso? – sorriu o professor Clovis para dar mais tranquilidade aos alunos.
E ninguém respondeu. Uns ficaram batendo com o lápis em cima da carteira. Outros apenas desenhavam flores. E alguns ficaram mais atentos para o que esse professor dizia.
Clovis:
--- Bem. Eu tenho aqui um caderninho e se vocês se interessarem e bastante vir ao birô da mestra e colocar o seu nome. É somente isso. Agora eu vou para a outra classe fazer o mesmo que fiz aqui, Teatro, gente! Não é um bicho de sete cabeças. Vocês podem aprender como se segue a carreira de teatro. Aliás, tem muito que se aprender para se ser um artista. E não é só artista. Tem um mundo de coisa para ser feito. Alguém pensa que não é. Mas é assim mesmo. Tem cenógrafo. Tem maquinista. Tem até músico de teatro. E se pode fazer teatro com uma pessoa só. Ou com dois atores. Ou mais gente. Mas tais pessoas se relaram para aprender ser um artista.  No fim, ele só tem os aplausos. É tudo isso que o ator almeja. Se não se aplaudem, tudo bem. Mas é a força de se querer fazer algo de melhor. - explicou o professor Clovis.
Aluno:
--- Licença professor! – pediu vez um escolar.
Clovis:
--- Ah. Um estudante. Pode falar. – sorriu o professor para o aluno.
Aluno:
--- E onde é que a gente aprende esse negocio de teatro? – perguntou cheio de duvidas o aluno.
Clovis:
--- (Sorrindo) – Em vários pontos da cidade. Agora, o Grupo “Boneca de Piche” tem o Teatro Estadual onde se aprende tudo. E eu acredito que a escola de vocês tem meios de leva-los até ao Teatro. E se não for assim, nós arranjamos meios de transportes. As aulas serão à tarde ou à noite. Depende dos alunos. Os que estudam a tarde podem frequentar a noite. E nós temos um limite. Apenas vinte alunos por turma. Vinte de tarde e vinte de noite. Quando chover, a gente procura outro espaço no próprio teatro. Mas nunca chove no Teatro. Mais alguém? – perguntou o professor olhando toda a classe.
Outro aluno:
--- Dura muito pra gente ser artista? – perguntou uma das estudantes.
O professor sorriu:
Clovis:
--- Bem. Esse curso dura dois meses. E depois terá o ensaio geral de uma peça para vocês interpretarem no final. – relatou o professor Clovis.
Joel foi logo dizendo em surdina para a sua colega Elizabete:
Joel:
--- Eu não quero ser ator! – relatou Joel de modo a cochichar com a mocinha.
Elizabete:
--- Também não. Eu quero ser médica de bichos. – reclamou a meninota em forma tranquila.
Joel:
--- Bichos? Que bichos? Baratas? Lagartixas? – indagou sorrindo o seu amante Joel.
Elizabete:
--- Não seu burro! Cavalo! Ignorante! Brocolhó! – descompôs como pode Elizabete.
E a mocinha jogou em cima do seu amado a bolsa cheia de livros, cadernos e lápis. Foi uma surra tremenda de fazer qualquer um chorar de alegria ou de medo. A professora logo prestou atenção à desavença dos dois alunos e partiu para a defesa de ambos.
Eugenia:
--- Quieto bando de burros! Nem em classe vocês se comportam? Eu mando chamar o padre para casar vocês! – reclamou a professora Maria Eugenia completamente aturdida.
Joel e Elizabete se aquietaram e por sua vez o garoto fez cara feia a dizer:
Joel:
--- Votes! O padre não! Eu quero lá casar com uma burra coiceira igual a essa? – relatou com raiva o garoto.
E a bolsa de outra aluna falou no centro de novo. A menina enraivecida apanhou a bolsa que estava na carteira de trás e meteu na cabeça de Joel. Nisso, a menina que estava na banca de atrás plenamente gritou:
Aluna assustada:
--- Epa! Minha bolsa não! – disse a aluna assustada tentando agarrar a bolsa.
Mas foi sem tempo. A bolsa já tinha caído no chão a espalhar tudo o que estava dentro pela frente da sala. O professor Clovis veio à frente ajudar a professora Eugenia apartar os temíveis algozes. E assim, terminou a arenga com os alunos embravecidos levados no muque para a diretoria onde ficaram de castigo. Mesmo assim, na diretoria, depois de ouvir a explicação da professora e de por de castigos os dois eles rosnaram um para o outro:
Elizabete:
--- Cavalo de cão! – disse a mocinha olhando embrutecida para o garoto.
Joel:
--- Peixe inchado! – retrucou Joel de volta a desavença da garota.
Nesse ponto a professora Maria da Penha falou:
Diretora:
--- Quietos! Não respeitam nem o castigo? De pé! Cada um olhando para a parede! – ordenou a diretora da escola já com raiva
Eugenia:
--- É assim. Não estou dizendo? – se refez a professora de tanto abuso pelo qual passou.
De volta a sala de aula a professora Maria Eugenia se desculpou ao professor Clovis Canto e reviu a lista dos alunos que foram ate a sua banca para assinar ao estudo de teatro. No canto da sala teve um que assinou o caderno. Era um aluno alto, magro, de voz fina que a turma o chamava de “Mulherzinha”. Em um tempo ele foi flagrado por alguns dos estudantes em uma moita por trás do Mercado fazendo sexo com outro aluno. O caso findou por ai, mas o apelido ficou vogando. Além do estudante que se chamava Mulherzinha outro escolar também fez o visto. Três alunas da classe igualmente assinaram o caderno. Após tudo isso a aula recomeçou sem maiores atropelos até a sineta de seu Josino tocar para o recreio.
Na sala da Diretora Maria da Penha os dois alunos malcriados receberam ordem de sair com forte recomendação da exigente mulher:
Diretora:
--- Eu não quero ver nenhum de vocês novamente aqui! Entenderam?! – fez ver a diretora com plena força dos seus pulmões.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ACASO - 35 -

- Kristin Kreuk -
- 35 -
VOGT
No dia de aula de geografia a professora Maria Eugenia foi logo advertindo ao aluno Joel Calassa a não se intrometer no assunto uma vez que a geografia era o forte que ele já estava a observar a cada tempo. E relatou mais uma vez a professora Eugenia:
Professora:
--- Eu boto pra fora se você vier com certas questões! – relatou bem séria a professora.
E não teve outra. O tomou de sua bolsa, ajeitou os livros e saiu de mansinho para fora da sala. Porém, ao tentar sair da sala a professora Eugenia fez um gesto inquieto.
Professora:
--- Para onde você vai? – indagou a professora de modo inquieto.
Joel:
--- Prá aqui pra fora. Não adianta eu ficar. Então vou para a varanda. – disse o garoto de forma muito meiga.
Professora:
--- Volte já para cá! Eu não dei licença para sair! – respondeu a professora com atrevimento
E o aluno voltou para sentar na sua carteira. Em seguida ele fez menção de pedir licença.
Joel:
--- Licença professora? – indagou Joel todo desajeitado.
Professora:
--- O que é? Vá dizendo logo de uma vez! – respondeu atenta a professora Eugenia
Joel:
--- E queria sair. – respondeu Joel calmamente.
Professora:
--- Não! Sem conversa! E fica sentado ai! E calado! – respondeu feita uma fera a professora.
E o menino obedeceu e se sentou ficando calado o tempo que coubera. A certa altura a professora perguntou à classe sobre a questão do planeta Terra.
Joel:
--- Já sei que vai sobrar pra mim. – falou murmurando o aluno obediente.
Professora:
--- O que foi que o senhor falou seu Joel? – indagou de olhos arregalados e por cima das lentes a senhora professora Eugenia.
Joel:
--- Nada não, professora. – disse Joel se encurvando na sua banca.
Professora:
--- Pois a pergunta vai para você. Qual a quantidade de água e terra em nosso planeta? Responda! – perguntou com severidade a professora Eugenia.
Joel:
--- Eu respondo. Mas antes tem outra questão. Posso perguntar? – falou Joel cabisbaixo.
A professora pensou um pouco como que diz: “La vem bronca”. E após refletir respondeu:
Professora:
--- Pergunte logo! – falou com aspereza a professora Eugenia.
Joel:
--- É o seguinte: Tem um planeta não tão distante da Terra, onde tem água e, possivelmente, vida. Ele está na zona habitável de sua estrela principal. O seu nome é Vogt. A senhora já estudou o assunto? – indagou o aluno a sua mestra.
A professora Eugenia se viu em palpos de aranha. Ela jamais ouvira falar em tal planeta. Mas, para não esquentar mais a causa resolveu dizer que sim:
Professora:
--- Eu sei!  E o que tem ele com o nosso planeta? – indagou severamente a mestra.
Joel:
--- Nada. Só queria saber. Sabe o tamanho dele? – perguntou o estudante à tão desnorteada professora.
Professora:
--- Ele é igual que a Terra! Certo? – vociferou a mestra.
Joel:
--- Certo. Mas se trata de um pouquinho maior do que a Terra. Dez vezes mais. É como Urano e Saturno. E inclusive no cinturão de Escorpião, o Vogt leva 28 dias para orbitar sua estrela. Sua distancia é de 22 anos-luz da Terra. Bem. Agora a resposta:
Professora:
--- Não precisa! Não precisa! Você já deu a sua resposta! – atalhou indignada a mestra.
Nesse instante a sineta tocou e a turma, em farra saiu gritando para o recreio de meio de aula, pois ninguém queria perder seu copo de café com leite e o pão com queijo que eram ofertados a todos sem distinção.
A mestra saiu indignada da sala direto para o local da diretora onde não teve outro jeito senão de chorar. Colou a testa no birô da diretora Maria da Penha e largou a chorar, tocando com a mão direita a dizer:
Professora:
--- Não é possível! Não é possível! Não tem vez para eu não ser enrolada! – dizia a mestra com raiva da sua pouca experiência.
A Diretora:
--- Acalme-se filha! Isso é o estudo! Se ele tem conhecimento não tem jeito o que fazer. – relatava a diretora acariciando o cabelo dourado da nova mestra.
Ao terminar a aula, no seu segundo turno, a professora Maria Eugenia se voltou para o garoto Joel e agradeceu a ele pela descoberta feita de um planeta em outro mundo, pois, na verdade, os seus estudos não contemplavam maiores informes. O estudo é contínuo, dizia Eugenia.
Professora:
--- Estude meu homem. O estudo é continuo. Sabe bem quem estuda mais. Obrigada! – disse isso a professora Eugenia com amplo carinho e emotividade.
E os dois, aluno e professora, saíram juntos de escola a fora com Eugenia largando fora a sua eterna vaidade. Ela sabia que não sabia o que o garoto sabia. Na rua, onde os dois se apartaram, Maria Eugenia deu um beije na cabeça do garoto Joel e esse saiu para casa em companhia de sua colega preferida, a mocinha Elizabete. No caminho, a mocinha perguntou ao garoto Joel Calassa:
Elizabete:
--- Que foi que ela disse a você? – indagou curiosa a mocinha.
Joel:
--- Ela me mandou estudar. Todo mundo diz uma coisa só. Droga! – relatou insatisfeito o garoto Joel.
O magrão estava na porta de sua casa de taipa a olhar os meninos saírem da escola. Nada o rapaz falou.  E logo após, o magrão entrou e fechou a banda de cima da porta como se nada houvesse também para ele declarar. O garoto Joel perguntou a mocinha Elizabete.
Joel:
--- Vamos de novo para a praia hoje à tarde? – indagou com graça o jovem garoto.