quinta-feira, 9 de maio de 2013

"NARA" - 52 -

- Giovanna Antonelli -
- 52 -
ENÍGMA
O homem na Terra tem presença a cerca de dois milhões de anos. É um período muito vasto. E o tempo é cíclico com a criação do Universo por centenas ou milhares de vezes. E a população da Terra teve origem muito remota. Melhor se referindo, conforme as escrituras sânscritas a população foi criada há um Kalpa o que representam Quatro bilhões e 320 milhões de anos passados. Propriamente na Terra, a presença humana data de dois milhões de anos. Tais hipóteses foram seguidas por inúmeros cientistas à busca da verdade. Na filosofia Hindu, existem os dias de Brahma e as noites de Brahma. Tais representações chegam a uma verdade entre vida e morte de cada ser. Já está comprovado que um dia de Brahma atingem quatro bilhões e 320 milhões de anos. Os dias de Brahma se repetem com as noites, conforme as escrituras sânscritas. A língua sânscrita é um idioma da Índia, com uso litúrgico no hinduísmo, budismo e jainismo. O sânscrito faz parte do conjunto das vinte e três  línguas oficiais da Índia. Um dos sistemas de escrita tradicionais do sânscrito é o “devanagari” que significa “escrita urbana dos deuses”. O sânscrito foi registrado ao longo de sua história em diversas escritas, visto que cada região da Índia possui uma escrita e uma tradição cultural particular. O sânscrito védico surgiu em torno de 1.500 a.C.
Kalpa é uma palavra em Sânscrito que designa um éon, (“era” ou força vital) ou um longo período de tempo na Cosmologia Hindu e na Cosmologia Budista A definição de Kalpa é equivalente ao encontrado nos Puranas mais especificamente no Vishnu Purana e Bhagavata Purana. Em explicações mais simples, existem quatro tipos diferentes de duração de kalpas. Um Kalpa regular tem 16.789 milhões de anos. O kalpa médio tem 320 bilhões de anos. Não há registros de duração exata do Maha-Kalpa. Mas, esses dias de Brahma terminam em um processo que nunca chega ao seu final. Essa a história levantada pelo mestre Sisenando ao continuar as suas palavras sobre a descoberta dos Sumérios ou os protos-sumérios
Sisenando:
--- Veja bem meu rapaz: Antes mesmo de Abraão, o homem que “fabricou” o seu Deus quando ele chegou à Síria. Ele vindo da Mesopotâmia, já existiam os Sumérios. E existiram também os Acádios, Assírios e Babilônicos. Os homens e os macacos conviveram muitos anos. Apenas para ilustrar: os chipanzés vieram a 40 milhões de anos atrás. E homens-macacos existiram pelo menos a seis milhões de anos. Os escritos sânscritos também falam dos homens-macacos. Conforme os escritos houve uma coexistência dos homens e dos homens-macacos. Quer dizer não ter havido uma evolução do homem macaco até o homem “sapiens” ou homem sábio pelo que eu sei. – falou o mestre enquanto o médico o escutava.
O médico Eurípedes calou por uns bons segundos do tempo. Ele abaixou a cabeça a tocar as mãos uma na outra. Sentado estava, pois sentado ficou na poltrona. Nara se aproximou do seu noivo e indagou se ele queria beber algo:
Nara:
--- Quer café ou suco? – indagou aproveitando o minuto de silêncio.
Euripedes:
--- Não. Agora não. – falou o noivo ainda mais preocupado.
O vento frio soprou de leve à rua dando a impressão de uma noite amena. Os guinchos dos morcegos eram o comum naquelas noites estivais. Fora da casa de Nara passos noturnos, gargalhadas sem fim. Era o sinal a se ouvir no início da Rua Apodi. Um estreito beco por assim dizer. Na Padaria ouviam-se conversas dos operários. Na casa em frente, uma moça se colocou de fora por breves minutos. Logo a seguir a moça entrou falando algo para outra pessoa no interior da habitação. Três rapazes caminhavam e discutiam algo sobre esporte, talvez natação ou futebol. Eles seguiram ao dobrar a esquina da Rua Apodi. Um homem robusto se aproximou de um portão de sua casa e logo adentrou trancando o ferrolho. Mulheres de vida livre sorriam ao passar pela frente da residência de Sisenando. Após tal estado de momento escuro, tudo era silêncio. Um enigma. Por seu encanto o mestre falou.
Sisenando:
--- Eu tenho um livro que o autor escreveu sobre evidencias, pegadas, ossadas e todo tipo de descobertas arqueológicas demonstrando a vivência de homens há cem milhões de anos na Terra.  Várias centenas de milhões de anos. Essa é a história oculta da raça humana. – soletrou o mestre ao médico. E com isso abaixou a sua cabeça olhando o chão.
Eurípedes:
--- Acontece que as pessoas não estão cientes de tais evidencias. – relatou o médico
Sisenando:
--- A ciência está decidida a ocultar tais evidências. Acontece um processo de filtragem de modelos de pensamento a todo instante. Mas certas contradições acabam passando e postas ao leitor. Mesmo assim, nos livros escolares não tem tais evidências expostas.  E nos Museus essas evidências ficam guardadas em local não acessível. –explicou o mestre.
Eurípedes:
--- Mas os cientistas não ficariam aos cuidados de encontrar a verdade? – indagou o médico.
Sisenando:
--- Sim. Mas se eu converso com Nara, por exemplo, a respeito de determinado assunto que ela ignora, a primeira reação da minha filha é a de não acreditar no que eu tenho a falar. E hoje a ciência está preocupada com a chamada “teoria da evolução”. Dessa forma, o que contradiz a ciência de um modo geral, ela nega não podendo ser verdade.
Eurípedes:
--- As teorias védicas, como o senhor falou, comprovam a existência do homem a existir há milhões de anos. Como se chega à verdade? – indagou preocupado o médico.
O mestre sorriu para então falar:
--- Veja bem. Vamos um pouco mais para o próximo. No século dezenove o ouro passou a ser descoberto e explorado nos Estados Unidos, mais precisamente na Califórnia, na região de Serra Nevada. Os escavadores das minas encontraram artefatos e esqueletos humanos. Esses esqueletos humanos foram achados no meio de uma rocha de cinquenta milhões de ano. E tempos mais tarde, já no século XX, tais artefatos ainda estão guardados na coleção de um museu norte americano. Mas os cientistas ligados ao Doutor Charles Darwin tentaram impedir à reportagem de mostrar os esqueletos. Ainda hoje, os esqueletos são guardados em uma sala distante no próprio Museu. E tem documentos de arqueologista terem encontrado artefatos no México com 250 mil anos. Isso está escrito em livros. – declarou com ênfase o mestre.
Eurípedes:
--- Nunca ouvi falar em esqueletos humanos de 250 mil anos encontrados em escavações no México. – afirmou desenganado do médico.
Sisenando:
--- Esses achados já aconteceram centenas de vezes na história da arqueologia. Isso comprova que a teoria da evolução está errada.  – explicou o mestre.
Eurípedes:
--- E a natureza do ser humano? – indagou o médico.
Sisenando se levantou do estofado com as mãos para trás e se dirigiu até a porta de sua casa como se fosse averiguar o tempo. E de lá voltou com a cabeça abaixada por alguns instantes. Então falou:
Sisenando:
--- O importante é se indagar o que é o ser humano. Tal ser é a combinação de três coisas: o lado físico, a mente e o terceiro é a consciência. O ser humano é a combinação de matéria, de consciência e de mente ou espírito. Existe ainda a consciência pura ou o espírito. Nós somos a consciência pura que descemos até o nível material. Mesmo assim, existe a meditação, o yoga, a oração que nos faz elevar da consciência pura. Isso seria as evidencias do ser humano. – explicou com maestria o homem.
A partir desse manuseio, o mestre entrou por diversos caminhos da origem do ser e enveredou pela psicocinese, um processo de mover-se e afastar-se de alguma outra forma de objetos físicos  usando-se apenas a mente, sem nenhum contato físico. Poderes psicocinéticos são impressionantes. Os cientistas vêm investigando o PK (psicocinese) desde o século XIX. A noite avançava com as contagens pelo mestre de fenômenos sobrenaturais. Tais fenômenos não se encontravam nos livros escolares. Mas existia alguma coisa que se relacionava a mente. As provas científicas de que o espírito se manifestasse fora do seu corpo. E o mestre explicou.
Sisenando:
--- Eu tenho um livro onde aborda casos nesse sentido. Pacientes a observar o seu corpo fora dele. É um ataque do coração e o paciente era submetido a uma cirurgia. Isso prova que um corpo pode se mover de um corpo para outro corpo. Essa questão prova também que o ser remonta a vidas passadas. Não podemos conhecer a vida do homem sem conhecer tais fatos: matéria, consciência e mente. A religião budista se tem como conduta externa. Uma verdade é: Deus não existe. Apenas existem nessa Terra três religiões que impedem do homem progredir: Judaísmo, o Islamismo e o Catolicismo. Essa é a verdade. – concluiu o mestre.
Em tal momento o jovem médico teve de observar a sua noiva e declarar estar muito satisfeito com a aula ministrada por Sisenando. Nara fez uma cara de suspeita e não disse coisa alguma. A doméstica Margarida chegou à sala a conduzir uma bandeja com café, leite e biscoitos. E ainda informou ter o garoto Neto urinado nas fraudas. Nara indagou:
Nara:
--- Limpou? – indagou ansiosa a moça.

"NARA" - 51 -

- Anne Hathaway -
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COSMO
A continuar sua conversa o homem declarou ter em um livro um ensaio sobre uma mulher de cabelos louros, cor branca, bela até demais e mostrando a foto a mulher de seus trinta anos. Era uma maravilhosa mulher e caminhou até uma nave estelar, entrou na nave e a nave subiu e desapareceu no Céu diante dos olhos de quem a notou.
Sisenando:
--- São casos de tal natureza que me deixa perplexo. Não era mentira, pois o fotografo documentou o fato a bater suas fotos. Esses e outros casos de avistamento estelar acontecem frequentemente. – declarou com emoção.
Eurípedes.
--- Mas isso não é um caso isolado? – indagou perplexo.
Sisenando:
--- Isolado? Isolado? Tem toda a documentação em um livro e mostra a virgem como ela era. Isolado? – indagou perigosamente.
Eurípedes:
--- Sei. Sei. Está bem. Desculpe-me por querer saber um pouco mais. – falou com certo temor.
Sisenando:
--- Meu rapaz. Deixa eu te contar: os seres extraterrestres vieram à Terra com seus Anunnakis. Para bem te informar, os Anunnakis são mulheres belas. São divindades. Faziam ou fazem parte do panteão sumérico. Nos tabletes cuneiformes elas bem revelam serem divindades extraterrestres. – falou eufórico.
Eurípedes:
--- Mas os Sumérios ou os Anunnakis ainda estão perambulando entre nós? – indagou curioso.
Sisenando
--- Isso eu não posso afirmar com plena convicção. Porém, nos textos Vedas hindus, e nos da Bíblia também, tem-se dito os Anunnakis como “anjos” e “mensageiros do Senhor”. E vem daí as sociedades secretas. E nas tabuletas sumérias  já decifradas tem engenho para voar acima das estrelas. São deuses a bordo de uma máquina voadora. – tentou explicar.
Eurípedes:
--- Deixa-me concatenar as idéias. Os sumérios vindos do Céu já estavam cientes sobre o poder da  astronomia? – indagou.
Sisenando sorriu antes de responder. Ele levou alguns segundo para formular.
Sisenando:
--- Tenho certeza. Eles navegaram milhares de anos, conheceu Saturno, Netuno, Júpiter, Marte e até chegarem a Terra. Eles conheciam esses mundos como a palma da sua mão. Eles tinham escritos detalhados sobre o sistema solar. Está me ouvindo? – indagou.
Eurípedes:
--- Creio que sim. Eles tinham conhecimento sim. – relatou o médico.
Sisenando:
--- Pois muito bem. A questão de Urano, Netuno e Plutão, os sumérios já sabiam. E veja que esses planetas apenas foram descobertos pelo homem a coisa de 1781, 1846 e Plutão agorinha mesmo. Em 1930. E  os sumérios sabiam de toda sua composição. – relatou o mestre.
Eurípedes:
--- Provavelmente. Provavelmente. – vez ver desconfiado pela sua incerteza.
Sisenando:
--- Então, os seres da Terra foram criados pelos Anunnakis. Isso eu já falei. Mas convém repetir para podemos ter a certeza. São seres que desceram do Céu. Veja bem o que eu digo! – enfatizou o maçom.
Eurípedes:
--- Não restam dúvidas. Prossiga. – enfatizou o médico
Sisenando observou bem para o rapaz e após alguns segundos prosseguiu.
Sisenando:
--- Tais seres desceram do céu em veículos voadores. Isso está escrito nas tabuletas sumérias em letras cuneiformes. E tem também estátuas e gravações. Eles parecem ser viajantes espaciais modernos com relógios, botas e capacetes. – confirmou o mestre.
Eurípedes sentia-se mais curioso pelas afirmações a continuar sua história, uma verdadeira aventura jamais por ele falada. Terras de Deuses, extraterrestres, de guerreiros audazes e de cientista compenetrado. Cidades imensas eram feitas então pela população suméria. Algo de fantasia, porém de verdade. E o professor a falar às vezes neurastênico por sua voz ofegante. Às vezes tranquilo e falando como a sussurrar. As duas verdades em uma só. O Cosmo, a ciência, as descobertas fantásticas de um povo audaz.  E ele aproveitava certas ocasiões para se levantar puxar as calças como se estivesse a cair, fala de um púlpito inexistente a balançar seus braços para cima e para um lado. A falar de forma altaneira a observar o Céu visto diante das telhas da cobertura da casa. E depois de um breve instante, calar de vez como se alguém o tivesse acordado. E Sisenando voltava a se sentar saindo do púlpito quimérico completamente suado da tenaz tergiversação. O homem, a cismar ficava mudo por certos instantes. Eurípedes também calava. Por certo ponto o rapaz indagou:
Eurípedes:
--- Ninti é a “Senhora da vida”? – indagou calmo o doutor.
O homem se soergueu novamente, puxando as calças como se estivesse a cair e falou:
Sisenando:
--- Perfeitamente. Conforme eu já havia dito, essa Mulher era uma cientista de escol. Não fez apenas a procura de ouro.  Porém “fabricou” dos homens rudes aqui encontrados o protótipo do “Homo Sapiens” ou “raça primordial”. O homem civilizado. E fez crescer a Mesopotâmia, a América Central, a Ásia e o Mediterrâneo. Até mesmo o complexo de Gizé, no Egito. Pirâmides de Tiahuanaco e Sacsyahuaman, na América Central; as ruínas de Yonaguni, no Japão. – falou o homem sábio.
Eurípedes:
--- Com certeza. Com certeza. O Mestre mostra agora as suas garras. – falou sorrindo o doutor.
Sisenando:
--- Não. Eu não sou mestre. Apenas acompanho a história. Casos já ditos por cientistas. Eu, apenas, os ouço. – falou devagar o grande mestre.
Eurípedes:
--- Mas o senhor tem um cabedal muito vasto. O senhor mergulho há 450 mil anos, antes da raça de Adão e Eva, antes mesmo dos Judeus ou qualquer nação aparecida. Tivemos a Grécia e seus 70 mil anos; a Índia, a China; Povos Bárbaros, Celtas, Etruscos.  A Etrúria é até uma nação nova, do século VI a.C. O senhor foi mais fundo. Há 450 mil anos. Esse reflete a posição da Grécia com seus 70 mil anos – falou com ênfase o rapaz.
Sisenando:
--- Adão e Eva como eu já frisei bem antes, é a consequência de pesquisa da raça humana. Os Sumérios. A raça humana não surgiu por encanto. Foram anos de pesquisa. Adamus é homem. O que se fez tempos depois quando Abraão surgiu e fundou a sua Igreja para se “adorar” a um único Deus foi outra história. Isso foi na Síria. Até aquele tempo tinha-se deus de todo tipo. Os sumérios construíram cidades e Igrejas. “Mas nas Igrejas não era para se “adorar” a um deus”. Era o momento de se refletir sobre causas e consequências dos feitos. Havia também um deus do trovão, da chuva, do sol, da lua, da peste de gafanhotos e até mesmo da dor de barriga – sorriu o grande mestre.
Eurípedes:
--- Mas o senhor é maçom. Esses livros o senhor obteve na loja? – indagou o médico.
Sisenando:
--- Alguns. Alguns. Os demais eu faço pedido. Sempre vem um interessante. Os amigos do Rio (de Janeiro) já sabem o meu conhecimento. Quanto a ser Maçom, isso vale a pena. Não porque eu tenha descoberto o filão. Porém, por ser Maçom, eu tenho maior amizade; sou mais visto pelos meus Irmãos. E assim vou levando a vida. – sorriu o mestre.
Eurípedes:
--- Mas já ocupou algum cargo? – indagou o rapaz.
Sisenando:
--- Além de mestre fui indicado Venerável. Podia eu ter sido Grão Mestre. Mas, dei-me por satisfeito em ser Venerável. Trabalho. Trabalho. – respondeu o mestre já cansado da vida.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

"NARA" - 50 -

- Mariana Rios -
- 50 -
UNIVERSO
Passaram-se meses. A tranquilidade voltou a reinar na pequena capital fincada no nordeste do Brasil. Eurípedes, o médico, estava empenhado na apresentação de um quarteto formado por Fred, no contrabaixo de cordas, Rócia no violino, Nara no violão e ele ao piano. A apresentação estava marcada para um dia qualquer do mês de agosto. Nara conheceu Rócia e as duas fizeram um par de todo o gosto. Como se dizia: para onde uma vai, também vai à outra. Risinhos e segredos de mocinhas. E nada diziam as moças a quem perguntasse o teor da conversa. Apenas sorriam. E saíam de braços dados pela rua do comércio no bairro da Ribeira. Era uma fuzarca de dá pena. E nesse meio tempo Eurípedes observava a casa adquirida na Rua da Estrela, no bairro da Cidade Alta. Quando não estava no Hospital, Eurípedes estava junto ao mestre de obras dando o seu conhecimento a respeito da obra de acabamento. Essa era a vida do doutor. Em casa, o menino Neto já estava crescido. A doméstica Margarida se empenhava em dar sopinhas, canjas e algo mais ao garoto. Ceci cuidava dos afazeres em costurar o enxoval de sua filha preparando o noivado para o casório no final do ano. O velho  Sisenando, quando não estava na repartição quase todo o dia, costumava estar em casa lendo uns livros de grossos volumes e muito bem compenetrado.  Apenas às quartas-feiras Sisenando saía à noite para a sessão realizada na Loja Maçônica. Em uma noite de estio, chegou à casa de Nara o seu noivo, Eurípedes, por volta das oito horas da noite. Ele adentrou o recinto, cumprimentando seu futuro sogro, Sisenando, abençoando o menino Neto, confabulando com sua futura sogra Ceci, brincando com sua noiva Nara e olhando Margarida como sendo a dona da cozinha. À Nara ele quis saber da volta que fez com Rócia, naquele dia pela manhã e se encontraram o procurado, pois Nara estava a procura de uma palheta de violão. Em seguida o rapaz foi até a sala onde estava seu Sisenando para saber das novidades. O homem sorriu e respondeu:
Sisenando:
--- Novidades? Quem sabe é o senhor! – e gargalhou.
Eurípedes:
--- Ora eu! Ora eu! É o senhor que dita à ordem. Um homem culto! Não vejo a hora de me meter nessa cultura também. Livros e mais livros. Uma estante repleta! – e gargalhou.
Sisenando:
--- Culto?! Eu acho até graça. Isso é um livro velho. É só o que me resta. – e mostrou o livro que estava com ele.
Eurípedes:
--- A propósito: que estás a ler? – indagou curioso.
Sisenando:
--- Velharias. Esqueletos. Do tempo do “ronca”. Coisas do passado. Tudo muito velho enfim. – respondeu com cara amarga.
E Sisenando passou o livro para o médico ver melhor. E esse recebeu o livro tendo ficado abismado com a caveira encontrada, pois aquele corpo era três vezes maior a de um homem alto, com certeza. E o médico indagou:
Eurípedes:
--- Onde foi encontrado esse tal esqueleto? – indagou preocupado.
Sisenando:
--- Rússia ou coisa assim. É uma boa coleção de osso! – sorriu o velho.
Eurípedes:
--- Sim. Isso é. E tem mais alguns? – indagou admirado.
Sisenando:
--- Ali pela estante. Só tem esqueleto. A propósito: o que você sabe dos Sumérios? - indagou de repente.
Eurípedes:
--- Alguma coisa. Poucas, penso eu. – respondeu o medico a folhear o livro.
Sisenando:
--- Eu tenho vários livros que contam história dos Sumérios.  Pelo que se foi possível observar, os Sumérios chegaram a Terra há cerca de 450 mil anos. E foram eles a primeira civilização. A sua cultura era muito avançada. Eles fizeram, no modo de falar, o primeiro homem na Terra. Mas esse “primeiro” não foi um só. Foram vários. Eles inocularam nas mulheres belas fatores genéticos. E fizeram isso centenas de vezes até conseguir formar os primeiros “Adamus” ou “Adapa”, como os Sumérios os chamavam. – contemplou a esquecer de algo.
Eurípedes olhou o velho um pouco cismado da caduquice, pois Sisenando não estava ainda na idade do caduco – homem que perde a razão em consequência da idade avançada -. E por isso fez tal pergunta:
Eurípedes;
--- Como? 450 mil anos? – indagou perplexo o médico.
Sisenando:
--- Por aí assim. Eles vieram em carros de fogo, com diz a Bíblia. Aliás, essa tal Bíblia é um arranjo muito mal feito do que os Sumérios fizeram. Eles deixaram tudo o que fizeram gravados em tábuas pregadas em cones. Peças cunhadas. Ou seja: cuneiformes. – explicou o homem.
Eurípedes:
--- Mas o homem primitivo era negro? – indagou curioso.
Sisenando:
--- Nem todo. Os Sumérios aterraram no Oriente Médio. Porem eles conheceram toda a Terra. Ásia, Europa, África, as Américas e até mesmo a chamada Ilha de Pascoa, no Oceano Pacifico. Eles colocaram estátuas gigantes, como pode se observar. O homem primitivo, os Sumérios foram buscar na África. Quando eles formaram esse primeiro homem, era um tipo meio pardo, cabelos negros, enrolados. A mulher – Eva, significado de “Vida” -, era mais parecida com os Sumérios.  Nesse trabalho os Sumérios levaram anos e mais anos. Não foi assim: “vupt”. Foi muita teima O senhor sabe o que é Satanás? – sorriu o homem a conversar.
Eurípedes:
--- Não é o cão? O bicho feio? O molestado? – respondeu indagando de olhos acesos o rapaz.
O velho sorriu e calou. Olhou para a estante, mas não teve a coragem de se levantar da cadeira estofada. Com um pouco de tempo, respondeu:
Sisenando:
--- Bem. Eu me equivoquei. Em lugar de Satanás vamos dizer: Lúcifer. Bem. Um ou outro dá no mesmo. Mas Lúcifer, que a Igreja diz ser o “demônio” tem outro significado: “Portador da Luz”. Esse era o nome do deus Enki. – gargalhou o homem.
Eurípedes:
--- Arre égua! Quer dizer que nos ensinam tudo errado? – ficou espantado o rapaz.
Sisenando:
--- Pra você ver! A Bíblia, essa que está aí, é uma confusão enorme. E é para ser assim. Ela – não a Bíblia – mas o que está na Bíblia foi tirada dos documentos dos Sumérios. – sorriu.
Eurípedes:
--- Nossa! Que loucura! Quer dizer que nós estamos aprendendo o que foi dito há 450 mil anos? – indagou perplexo.
Sisenando:
--- Pois sim. E tem mais. A fêmea de Adamus ou Adapa foi fertilizada pela Rainha Ninki. Isso há um tempo muito remoto. Depois do “homem” pronto ele e sua mulher foram enviados ao Planeta Nibiru para ter o aval de Anu, o Rei de todos os Reis. – relatou sossegado o homem.
Eurípedes:
--- Ora merda! O senhor está me deixando mais confuso ainda! – alarmou o rapaz.
Sisenando:
--- Não tem nada disso. É apenas o senhor seguir a trilha. Mas o que vieram fazer da Terra os Sumérios? Hum? – indagou o velho.
Eurípedes:
--- Não sei! O que? Buscar escravos? – indagou meio confuso.
Sisenando:
--- Ouro, meu rapaz! Eles vieram buscar ouro, pois no seu planeta já não havia tanto ouro assim! Eles procuravam sobreviver! E isso só podia se tivesse ouro! – gargalhou o velho.
 

terça-feira, 7 de maio de 2013

"NARA" - 49 -

- Kate Holmes -
- 49 -
REFORÇO
As Forças Armadas do Exército em comum acordo com a Polícia do Estado, Polícia Rodoviária e Prefeituras de cidades do interior entraram em serviço desde o primeiro estrago havido com o tremor de terra. E nesse último, o negócio foi ainda mais grave. O Batalhão de Engenharia estava empenhado na remoção de estragos nas rodovias federais e a Polícia do Estado foi incumbida de revolver os escombros de moradias. As Prefeituras ficaram responsáveis de conseguir locais para cavar as covas onde se sepultavam dezenas de corpos de pessoas. A Prefeitura de Santa Cruz nada pode fazer uma vez ter os servidores se ocupado em abrir as próprias valas para sepultar os mortos no acidente com um ônibus. Outros mortos foram levados para as valas comuns vistos não haver servidores disponíveis. O Batalhão de Engenharia se ocupou em refazer a estrada onde ocorreu a tragédia. Nos municípios afetados, todos eles se compadeciam do sofrimento do povo onda o drama foi sentido. Helicópteros da Base Aérea circulavam pelo Céu a verificar a situação caótica em cada município.  Por terra ouvia-se o roncar dos motores dos caminhões guinchos a cuidar de abrir caminho pelo meio do sertão onde se podia chegar por estradas até então inexistentes. Caminhões, tratores, escavadeiras e demais máquinas a abrir com rigor estradas onde se pudesse cruzar com maior frequência de um município a outro. Era um mutirão dia e noite. Candeeiros, luzes geradas por motores, soldados armados até os dentes. Parecia a II Guerra Mundial. Todos os que se apresentavam eram treinados de imediato e logo arranchados. Havia casos de jovens ser recrutados a força. Muitas vezes eram rapazes de menor idade. Na verdade era uma Guerra Surda onde à força era a razão. E se divisava militares a pé ou em jeep, carros, caminhões e até em ambulância. Por conta do terreno pegajoso os carros não trafegavam em correria. Havia carros atolados por entre restingas e matagais. Uns caminhões de reboque puxando outros. Carros quebrados por uma razão qualquer. E soldados sem patente a empurrar para sair o caminhão do atoleiro. 
Era essa sina dia e noite dos reservistas sem graduação do Batalhão de Engenharia ou mesmo de outros meios do Exército ou até da Aeronáutica.  Sacrifício tirano os dos militares. Se fosse para cavar tumbas, eram os pobres das Prefeituras ou arranjados por elas. O que se prestava atenção eram os carregadores com os cadáveres das costas para sacudir em uma vala aberta não fazia tanto tempo. Um, dois, três e mais “catingosos” a arrastar pelo mato ou pela rua os corpos já putrefatos dos indigentes sem nome. Uma caçamba era posta a disposição para por cal em cima dos cadáveres. Dia e noite. Noite e dia. Era essa a constante. A “boia” era servida sempre fria e azeda. E nem todos tinham o direito de receber. Quando não muito, uma coivara era acesa ao longe da estrada aberta. Eram corpos insepultos já em estado de não poder se levar até as valas. Queimava-se tudo a um só tempo. Muitos dos quais sem roupas. E de tão magros já nem era fétidos. Esse caso nunca se revelou ao grande mundo. Havia sepultamentos do interior dos chapadões onde, em tempo de chuva, corria um rio entre duas serras. Em todos os enclaves se fazia de sepultura. Esses eram as avocadas sepulturas dos desterros ou puramente desterro.
Capitão:
--- Esses levem para o “desterro”. – era a ordem obedecida.
O barulho dos motores dos aviões era um incômodo terrível para os matutos. Alguns vaqueiros pensavam serem aviões a cair naquele instante. Os monstros do espaço passavam baixos a descarregar víveres bem mais para os militares e após o desembarque com as caixas descendo de paraquedas os assombrosos do ar voavam para o alto então. E se ouvia a meninada correr amedrontada para se encobrir em baixo da camarinha ou por baixo da mesa de refeição na esperança de que tudo passasse logo e a tranquilidade voltasse. Eles gritavam enfim;
Meninos:
--- O monstro! O monstro! Corram! – falavam assombrados os pequenos de uns para outros.
E nesse momento, um touro bravo de máscara de lata na face corria do matagal vindo do fim da terra aterrorizado com a zoada provocada pelas aeronaves Douglas. Quem ainda estava fora de casa correu para dentro alarmada e sem sossego.
Mulher:
--- Touro doido! Touro doido! Touro doido! – gritava assombrada a mulher.
Outra que vinha de dentro da casa, ainda perguntou:
Segunda:
--- É o touro barbatão? – falava a mulher com os olhos esbugalhados.
Primeira:
--- É ele. Chega enlouquecido. – dizia a primeira procurando um canto para se esconder.
Segunda:
--- Nossa! É o barbatão! Vou me esconder depressa! – e se enfiava em baixo da camarinha onde estavam apavorados os meninos com a zoada dos Douglas.
Logo atrás, três cavaleiros seguiam com a maior gana o touro brabo. Os seus cavalos já sabiam a quem os vaqueiros perseguiam e não faziam por menos. À galope, os cavalos tentavam cercar o bruto animal. Esse, por sua vez, pinoteava para um lado e outro, a derrubar cercados de arames farpados e troncos de aroeiras, mugindo feito um louco a confundir seus berros com o zunir dos aviões de carga. Louco ele estava em tal situação desesperada. Bufos soltavam pelas narinas aos mugidos estonteantes. Os moradores da fazenda se escondiam depressa no interior de seus casebres a temer o bruto enlouquecido. Os vaqueiros tentavam cercar o barbatão sem jeito algum. De momento, o touro se enraiveceu e avançou contra os vaqueiros. Esses, temerosos, se protegiam como puderam. As suas montarias relinchavam como cavalos enlouquecidos. Os vaqueiros, temerosos sentiam pavor do poderoso e valente touro. Na luta desenfreada a quase morte de alguém ou de algum cavalo, ouviu-se um disparo de arma de fogo. Assustados os vaqueiros procuraram ver quem dera o disparo. Uma mulher por trás de um pé de algaroba se escondia com temor de ter feito uma arte estranha. Mesmo assim, os vaqueiros viram a mulher com sua arma fumegante. O bruto animal caiu ao solo naquele instante soltando um brado de um louco ao terminar a queda. Ele fora atingido bem no seu peito e no momento em que avançava para agredir um dos vaqueiros. O disparo lhe varou o coração pondo por terra o bugre selvagem. Foi um momento assustador por todos os vaqueiros. Ao relincho dos cavalos os vaqueiros se aproximaram do estólido quando o animal soltava seus últimos suspiros da morte. A mulher correu do seu canto para a sua tapera com pavor do acontecido. A morte do touro barbatão aquietou os vaqueiros. Em deles falou:
Vaqueiro:
--- Tá morto! Morto mesmo! Que tiro! – disse assustado o vaqueiro.
Os demais se aproximaram do animal ainda a se debater em umas de suas pernas para se certificar do morticínio do bruto. Um dos vaqueiros tirou o chapéu de sua cabeça e olhando depressa viu a mulher a entrar em sua tapera com a arma na mão. Alarmado ele falou:
Vaqueiro 2
--- Foi a mulher? – indagou perplexo.
E de momento a momento os moradores da fazenda vieram se acercar para ver de perto o touro barbatão já sem vida. Até mesmo a mulher que se escondeu debaixo da camarinha veio devagar olhar a ferra morta. Gente de toda a fazenda ficou alí, em pé, enquanto um homem que fazia a vez de açougueiro retirando as tripas do touro e entre as partes gordas, como as de primeira qualidade. A meninada acolhia tudo que recebia e saía contente para a sua tapera. O passar de uma hora e estava tudo concluído. Restava apenas a carcaça do touro valente e hediondo. Tudo o mais acabara naquele local. As partes de primeira foram levadas para a casa grande onde serviria de comida para o homem da fazenda. Mesmo ele não estando em casa. Quando voltasse provavelmente.
Uma semana e o tempo mudou. Veio a chuva. Muita água. Uma enormidade. Rios correndo e cachoeira então zoando. Terra molhada, mato verde. Açudes a sangrar. Era muita chuva onde o povo se ressentia de ter feito uma procissão das latas a suplicar por chuva. Mesmo assim, havia alegria entre todos. E mais alegre a natureza. Na Fazenda Boqueirão o açude do velho Amaro transbordou de vez. O riacho tomou água e alargou a Lagoa dos Burros formando o Riacho “Dois” um rio caudaloso. Não havia mais barulho de avião no campo. O camponês começava o plantio de suas roças. Tudo era alegria. Pontes e estradas favoreciam a passagem de transportes indo ou vindo. Seu Amaro era de um só sorriso alegando ser o tempo de recomeço. Mais trabalhos ao agricultor desempregado. O gado comprado era chegando e deixando no prado.
Amaro:
--- É assim. Chove e pára. E então tudo recomeça. Nessa terra ninguém morre de sede ou fome por longos tempos. – disse o homem a colocar suas mãos no suspensório.
Vaqueiro:
--- Gado magro agora vai ser gordo. – sorriu um vaqueiro.
Amaro:
--- Veja o céu como está lindo. Chuva muita. É água a transbordar no açude. O rio que nasce na serra veio em turbilhão. Deus é bendito. – formulou o velho.
E haja chuva com trovão e relâmpago. Nunca se viu coisa igual. Era muita teima entre os vivos a acudir grande parte de cercado a plantar para depois colher. O início do período de chuvas trouxe esperança para o sertanejo. Uma semana e as aguas encheram todos os reservatórios da Fazenda Boqueirão e demais fazendas do agreste e do sertão, pois chovia em todos os locais mais sofridos pela estiagem. De Açu, a noticia do transbordamento do rio e de uma mulher ter dado à luz a um filho no meio do rio sobre um camiseiro ou coisa assim. Notícia da barragem de Acarí onde a chuva fez transbordar o açude Gargalheiras ainda em construção desde 1909. Transbordamento da barragem de Caicó. Notícias desencontradas sobre as barragens maiores do Estado. Mesmo assim, o velho Amaro sorria presunçoso não esperança de melhores dias.
 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

"NARA" - 48 -

- Kate Beckinsale -
- 48 -
TORMENTA
Em Natal, seu Sisenando conversava com o seu futuro genro, Eurípedes, sobre a precária situação do Estado. O  homem ouviu falar de ajudas do Governo Federal para o pessoal pobre de vários municípios atingidos pelo recente sismo. Uma questão era o número de gente morta em consequência do tremor. Ainda não se dispunha de um total. Porém pelo que soube o velho Sisenando, esse número devia ser muito maior do previsto. Até então já estavam catalogados 110 mortos além de inúmeros feridos, alguns de caráter irreversível.
Sisenando;
--- Fala-se em mais de três mil feridos. – salientou o home com o rosto amargo.
Eurípedes:
--- É necessária a ajuda contínua do Exercito e da FAB. Equipes de bombeiros e máquinas para remover escombros. Muitas casas desabaram. Algumas estradas estão interrompidas. O terremoto foi sentido a mais de 200 quilômetros da capital. – relatou desenganado o médico.
Sisenando:
--- O difícil são as réplicas. – ajuntou o velho.
Sisenando continuou ler as notícias e a ouvir as transmissões de rádios de fora, como a Radio Nacional onde sempre foi a primeira a dar cobertura aos acidentes naturais. Mesmo assim, uma tormenta ocorrida em Natal pouco valia a importância. Era o pensar de Sisenando. Quando a Cidade estava no topo do mundo, isso era importante. Presidentes de Republicas, Imperadores, artistas de cinema estrangeiro. A cidade era um fervilhar de emoções. Terminada a Guerra tudo voltou à estaca “zero”. Ninguém falava mais em Natal. Um ou outro ainda consumia bebidas no Grande Hotel ou frequentava o Aero Clube nos finais de semana. Havia atração no novíssimo cine Rio Grande, casa de luxo da capital. Os cartazes dos filmes eram postos nas paredes e de forma bastante ampla. Pessoal fardado com roupa de esmero. Tudo era guarnecido pelas aparências vistosas. As Cigarreiras costumavam cravar os jornais do Rio de Janeiro, a capital do País. Na Avenida Rio Branco apenas os ricos residiam. Mas havia o Mercado Público onde os pobres transitavam. Na verdade, o Mercado foi construído no século XIX no local onde havia um matadouro e uma feira para vender peixe fresco. O pessoal costumava frequentar o Mercado para saber das últimas notícias antes mesmo de se divulgar pelo sistema de alto falantes da Agencia Pernambucana.
Nesse meio tempo chegou à sala junto ao piano com o seu filho no colo a virgem Nara já refeita do incomodo passado em dias da semana. Ela colocava leite n boca da criança por uma mamadeira enquanto ouvia a palestra dos dois senhores. Por algum tempo, o rapaz continuou a conversa e ainda teve o ensejo de chamar Nara para o seu lado, pois teria conversa de interesse a todos os de casa. A virgem não se importou e foi até onde estava Eurípedes. Dai então, o rapaz mudou de conversa. E se dirigindo a Sisenando indagou:
Eurípedes:
--- Mas me diga simplesmente: o senhor conseguiu uma doméstica? – indagou
Sisenando:
--- Quem pode saber é Ceci. Ela se ocupou do caso. – respondeu
Euripedes observou bem para Nara para ver se ela sabia de algo. Em seguida a moça falou:
Nara:
--- Acho que não. Por que a pergunta? – quis saber a moça.
O rapaz coçou a testa antes de começar a história. E assim fez:
Eurípedes:
--- A questão é: Está lá em casa uma moça – ainda de menor – mas sabedora de cuidar de uma casa. E é capaz de se ajeitar com criança. Eu fiquei a imaginar: Você não teria a vontade de ver se a menina se dá bem com esta casa? – indagou e olhou um e outro.
Pai e filha ficaram sem saber o que falar. Era sabido do desemprego na cidade por conta do terremoto havido nos recentes dias. E Nara buscou sua mãe Ceci alguma resposta. Contudo, dona Ceci estava na Catedral. E Nara então falou:
Nara:
--- Tem que dar a resposta agora? – perguntou a moça com cara de antigamente.
Eurípedes:
--- Não. Coisa alguma. Eu pensei apenas. – sorriu o rapaz.
Sisenando:
--- Quem é essa menina? – indagou cismado.
Euripedes:
--- Bem! Ela é do mato. Já esteve a morar conosco. E vive na casa grande do meu pai, no interior. Às vezes vem para Natal. Passa uns tempos e retorna à fazenda. Agora está havendo uma seca de morte. E a garota correu para a Capital. Não sei se fica ou se retorna. Enquanto isso, Margarida – é o seu nome – passa o tempo na janela. – gargalhou o médico.
Nara:
--- Janela? – estranhou a moça.
Euripedes:
--- Sim. É o modo de falar. – e ainda gargalhou.
Nara:
--- Você! – disse a moça com o rosto de quem não gostou da alusão.
Sisenando:
--- É piada do rapaz! - - gargalhou também o velho.
Eurípedes:
--- Ela sabe. Eu não aguento! – gargalhou demais o rapaz
 
E o médico gargalhou por demais apenas pela estranheza de Nara ao ver o rapaz aludir algo como “na janela” o que para a moça era só um atrevimento. Nesse ponto, Nara se acercou do rapaz e deu com as ancas para fazer o moço abrir um pouco o sofá. Ele gargalhava e a moça a dizer:
Nara:
--- Nem acho graça! –e fez um thunc com a boca.
Sisenando:
--- Minha filha deixa o seu noivo sorrir. Ele está apenas a gracejar. – e gargalhou o velho.
Nara:
--- Você dois? Não tem um que preste! – reclamou a moça fazendo cara amuada.
E o menino Neto começou a achar graça por ver a mãe com a cara feia. E nem era isso, por certo. E o pai a gargalhar apontando com o dedo para o garoto traquino gargalhando como um bebê e a sacudir suas pernas.
Sisenando:
--- Até o menino! – gargalhou o velho.
E Nara se levantou o sofá dizendo ter de sair daquele bloco de “monstrinhos”.
Nara:
--- Vou logo sair. Não aguento esse bloco de monstrinhos. – e saiu da sala cuspindo brasas.
O pai chamou a moça de volta e ela não quis conversa e se meteu na sala da cozinha onde o tempo parecia não passar. O velho Sisenando, com o tempo, continuou a conversa com o seu futuro genro sobre Margarida, estradas e afins. Nesse tempo Eurípedes falou de estradas ruins para se chegar à fazenda. Por causa do tremor, houve estragos e o transito se fazia de modo precário pela própria estrada de Santa Cruz onde se registrou acidente com mais de trinta mortes.
Eurípedes:
--- É um estrago total. O caminhar pelas rodovias não pode ser tranquilo, pois os estragos são por demais. O velho meu pai apenas segue seu destino. Por outras regiões é uma tormenta.  Eu mesmo não sei. – declarou o medico com o pensamento desiludido.
Sisenando;
--- Não tem nem cemitérios. Como se faz? – perguntou o futuro sogro.
Eurípedes:
--- Valas. Apenas valas. Joga-se o morto em valas. – respondeu quase a chorar.
Sisenando:
--- E depois? – indagou perplexo o homem.