quarta-feira, 6 de abril de 2011

DESEJO - 23 -

- Anne Hathaway -
- 23 -
Norma Vidigal foi até à porta de entrada da casa e de pronto abriu-a para Armando Viana poder entrar. Muito solicita fez questão em o rapaz sentar em uma poltrona depois de apresentá-lo a seu pai. Nesse mesmo instante, cheia de alegria, Norma teve a preocupação de convidar a sua mãe, uma senhora de meia idade conhecida pelo nome de Maria Helena. Por seu aspecto, Armando notou ser uma mulher bastante católica, pois ao convite de conhecê-lo chegou com um rosário preso às mãos. O homem, Teodomiro, ficou de pé no meio da sala a espera de algum assunto advindo.
--- Conte-me o que procuras? – quis saber a moça a olhar terno o rapaz.
Armando, meio encabulado, apenas dedilhou em dizer ter sido convidado pelo Governador para ser o seu Secretário de Imprensa, cargo a assumir no dia seguinte e faria o convite a Norma para acompanhá-lo em uma cerimônia bastante simples.
--- Ora viva! Um Secretário do Governo em nossa casa!! – sorriu a moça com imensa alegria.
--- É. Mas Secretário é hoje e amanhã não é. Eu aceitei o convite. Apenas aceitei. – sorriu o rapaz meio encabulado.
--- Mas meu rapaz, um Secretário é um passo muito importante. Se o Governador o convidou é, com certeza, por ter confiança em você. – declarou Teodomiro falando austero.
A mãe de Norma nada comentou. Privou-se com um sorriso a perguntar se o rapaz gostaria de tomar um ponche. E Armando Viana nada recusou. Enquanto a doméstica da casa lhe trazia o ponche, o rapaz fez perguntar se seria possível Norma estar com ele à simples cerimônia de transmissão de cargo no dia seguinte às dez horas da manhã.
--- Mas claro que eu posso ir. É só dizer aonde eu posso encontrar o novo Secretário. – sorriu a jovem Norma.
--- Menos! Menos! Menos! É uma cerimônia sem grande brio. Eu quero estar com você, por que achou que você é um amparo para mim. Na verdade, eu sou um molenga! – sorriu o rapaz ao dizer tanto.
--- Molenga que nada! Você é um homem! Eu quero-te ver subindo mais alto no pórtico da gloria. Um Governador ou mesmo um Presidente da Republica. -  falou alto a moça para o seu ouvir muito bem.
--- Que é isso! Um escritor seria muito para mim! – sorriu Armando querendo esconder o rosto
--- Que é isso, homem? Um presidente da República é apenas um cargo. Bom seria você se tornar um magnata. Homem de poder. Muito mais que um reles Juiz. –falou com bravura a moça no meio de tanta duvida lançada pelo rapaz.
E com o passar do tempo o rapaz concordou com tudo. A moça estava coberta de razão, era o quanto ele pensava. Deputado, Senador e até mesmo Governador do Estado. De cabeça baixa como a pensar Armando Viana deixou cair uma lágrima na face pela alegria contida no falar da moça Norma Vidigal.
--- Coragem. Homem. Coragem! - - relatou Norma com um sorriso na face.
--- Tenho que ir agora. Amanhã nos veremos. Eu ainda vou fazer matéria para o jornal A IMPRENSA. Já é tarde. Tenho que ir agora. – expôs Armando a todos os que estavam na sala.
--- Eu julgava você tomando café comigo. – penalizou-se Norma.
--- Tem tempo! Tem tempo! Qualquer dia eu volto para conversar com seu pai. – disse o homem a agradecer a atenção de todos os presentes. Sorriu mais uma vez e saiu.
No dia seguinte, logo cedo da manhã, Armando Viana já estava no café do Mercado onde havia conversa de todos os tipos. Ele advertiu a Canindé não falar sobre as suas nomeações para cargos superiores. Esse reconheceu também. Canindé guardou sua veste em casa do amigo e estava no café de forma simples apenas com a sua máquina fotográfica. Os parceiros de café, macaxeira, cuscuz, mungunzá e tapioca discutiam de forma acalorada os efeitos dos jogos de futebol realizados na Cidade em recentes dias. Outros discutiam o preço da banana ou a matança do gado.
--- Está muito cara a carne! – dizia um deles.
--- E o peixe? – indagava outro com voz acalorada.
Desse modo, Armando estava a recolher informações sobre o custo de vida na Capital. Ele ainda faria uma noticia sobre a situação enfrentada pelos mais pobres. E, em conseqüência, o mesmo pelos mais ricos. Um dos circunstantes dizia ter ouvido um secretário do Município dizer esperar  pelo final do ano quando a carne de boi estaria naquelas alturas. O homem ficou indignado com a desfeita do Secretario.
--- Não é ele que come! Não é ele que paga! – deflagrava o homem com bastante raiva.
--- Eu só queria que desse uma peste bovina no rebanho dele, só para ver o que o infeliz tinha a dizer. – reprovou um outro ao calor do debate.
Canindé, a certa altura, disse a meia voz:
--- Eu acho é pouco! – o fez cara feia saindo do recinto.
Por seu lado Armando fez sinal para Canindé não dizer nada. Apenas ouvir o debate de todos os dias. Canindé ouviu o jornalista e respondeu:
--- Eu vou ali. – respondeu Canindé ao seu amigo e desceu os batentes do Mercado.
--- Pra onde você vai? – indagou Armando a Canindé.
--- Urinar!!! Posso?!!! – reclamou o fotógrafo de forma rude.
Ás dez horas da manhã estavam Armando Viana e José Canindé Revoredo, prontos para a cerimônia de posse nos cargos de Secretário de Imprensa e de Fotógrafo Oficial do Governo do Estado. Canindé se tremia todo não suportando o fraque que ele trajava. Era a gola para cá, era a gravata para lá e nesse impacto de desespero ele sacudia todo o seu material de trabalho fotográfico em cima de uma cadeira perto dele. Armando, por seu lado, se posicionava quieto tendo ao seu amparo a linda flor de Norma Vidigal, representado o seu pai, o homem forte do Cartório da Cidade, senhor Teodomiro Vidigal, um exemplo de dono de terras herdadas do seu pai e do seu avô. Dono da mansão “Mundo Velho”, ele pouco aparecia no local vivendo apenas do Cartório para a sua casa onde podia ouvir as noticias do rádio. No Cartório ele era o Tabelião tendo a filha Norma Vidigal como a Tabeliã Substituta. Não foi por esse cargo ter sido levada pelo namorado Armando Viana para a posse no cargo de Secretário de Imprensa. Ele somente queria ter o apoio da jovem moça e o amparo de se ter alguém de maior confiança ao seu lado. Com relação à Leane Ventura, o rapaz tinha acabado o romance na noite do dia anterior. Tal namoro estava em caldo morno já há algum tempo. O caso da irmã da jovem moça no dia passado também contribuiu para ser o pivô de tudo, muito embora Armando não tenha dito qualquer coisa a respeito do assunto a Leane Ventura. Aquele foi um namoro de pouco tempo com idas e vindas. E com a designação de Secretário, isso faz mais pompa para o rapaz se decidir em terminar o tal namoro.
Para início da cerimônia falava apenas a chegada do Governador. Esse estava na sala ao lado tendo a secretaria especial, Dulce Pontes, retardado um pouco no bater das nomeações dos dois servidores. Tão logo terminou de redigir a ata de posse, a secretária especial levantou do seu lugar e avisou ao Governador já está tudo pronto. O Governador se dirigiu para o seu gabinete tendo em seguida a Secretária Especial Dulce Pontes e parte do seu Secretariado. Havia um clima de pura emoção entre todos os presentes, inclusive Armando Viana e José Canindé Revoredo. A acompanhante de Armando torceu o braço do rapaz como quem dizia:
--- Coragem, homem! – e com isso sorriu a contento.
Armando não se desesperou, porém a tranqüilidade estava longe de ser presente. Ele também olhou para Norma Vidigal e fez um gesto meigo para a moça. A Secretária Especial Dulce Pontes colocou o livro em cima do birô do Governador enquanto esse prolatava palavras agradáveis sobre o assumir do Gabinete dois novos servidores. Isso lhe dava imenso orgulho. Em seguida mandou Armando assinar o seu termo de posso para depois o Governador referendar. Em seguida foi à vez do fotógrafo José Canindé Revoredo também assim o termo de posse. Todos os participantes da solenidade aplaudiram a posso do Secretário Armando Viana e em seguida o rapaz agradeceu por toda aquela oportunidade de poder servir mais diretamente ao Governo. Taças de champanhe, canapés, uísque entre outras bebidas e comidas foram servidas aos novos servidores do Palácio. Canindé aproveitou a oportunidade para fazer as fotos necessárias, inclusive a da posse de Armando Viana.
--- Uma linda festa! – declarou o Governador sorrir.
Nesse instante, alguém surgiu na sala e fez uma confidencia ao Governador. Esse teve um leve susto, porém se conteve para dizer. O mesmo rapaz retornou ao seu ambiente ao salão de trabalho contiguo. O Secretário Armando Viana olhou para a moça e disse baixinho.
--- Algo aconteceu! – falou murmurando Armando ao ouvido de Norma Vidigal.
--- Percebi! – relatou a moça no mesmo instante.
E o Governador deu por encerrada a solenidade tendo sido apresentado pelo novo Secretário à jovem que o acompanhava como sendo Norma Vidigal.

terça-feira, 5 de abril de 2011

DESEJO - 22 -

- Jannifer  Aniston -
- 22 -
Em poucos instantes os dois amigos, Armando Viana e José Canindé, o fotografo, chegaram à redação do jornal A Imprensa. Ao chegarem ao local Armando procurou o Redator Chefe e fez a entrega das matérias programadas para o dia seguinte. Entre os amigos presentes, os dois conversaram assuntos de jornais e então se despediram. Já eram quatro horas da tarde ou um pouco mais e Canindé voltou a lembrar Armando sobre o chamado do Governado. O homem disse não ter pressa pois o que fosse podia esperar um pouco. O argumento do rapaz chateou o fotógrafo o qual comentou abusado:
--- Tá bom. Você é quem sabe. Não está mais aqui quem falou! – respondeu abusado Canindé.
--- Ora merda. Eu tenho tudo que fazer em cima da hora?! – instigou o repórter.
Canindé nada respondeu. Saiu na frente balançado a cabeça para um lado e para o outro. O repórter parece ter se arrependido do feito  e chamou Canindé fotógrafo para ir até o Palácio, pois, com certeza poderia ser algo de merecer fotografar. E Canindé confirmou dizendo:
--- Bosta! No fim você tem que pedir o penico! – falou bravo o fotógrafo.
Ao chegarem em Palácio o repórter foi de imediato para o Gabinete do Secretário de Impressa e enquanto o fotógrafo subia para a ante-sala do Gabinete do Governador. Foi então que Canindé chamou a atenção do repórter ao declarar sem medo.
--- É nessa sala palerma. Vamos subir. Ora. – reclamou o fotógrafo.
--- Eu sei seu bosta. Mas tenho que falar com o secretário. Merda! – falou feroz o repórter.
--- Pois vá atrás do secretário. Bicho frouxo. Trabalhar com esse palerma é o fim! – reclamou de qualquer modo Canindé.
--- Tá bom. Espere. Eu vou com você. Ora bosta! – rezingou Armando totalmente abusado.
Quando Armando entrou na ante-sala do Gabinete do Governador foi logo falando com a sua secretaria ao dizer ter o chefe lhe chamado e ele estava na ante-sala. A moça de bons modos pediu um momento a Armando Viana, pois o Governador estava atendendo um secretário e logo o rapaz era recebido. E não passou nem mesmo cinco minutos quando a moça abriu a porta para o rapaz entrar. Armando Viana não fez cerimônia e logo entrou deixando Canindé, o fotógrafo a esperá-lo sentado também na ante-sala.  Canindé não fez cerimônia e balançou a perna como se dissesse:
--- Estou pronto! – e olhou o retrato do Governador com se aquilo fosse deveras por demais importantes.
A conversa durou pouco tempo. O Governador formulou convite para Armando Viana assumir a Secretaria de Imprensa. Um caso bastante simples. E Armando indagou do Governador sobre o outro Secretário. O homem disse que de bêbado estava completo. Armando sorriu. E pediu do Governador o contrato do fotógrafo Canindé com seu auxiliar nas reportagens a serem feitas pelo interior o Capital. O homem concordou com o pedido aduzindo ser o cargo passado no dia seguinte.
--- Será aonde, Governador?  - perguntou o jornalista.
--- Aqui mesmo no meu Gabinete. – fez questão de frisar o Governador.
--- Posso chamar o fotógrafo  para o senhor conhecê-lo? – indagou Armando preocupado.
--- Pode e deve. Porém eu já o conheço. – sorriu o homem.
Com três ou quatro passos apressados, Armando chegou até a porta por onde entrara e chamou Canindé. Esse fez uma careta como sempre fazia, arranjou seus equipamentos presos em um saco na cintura, preparou a máquina fotográfica  e com pouco esforço  se levantou fazendo um sinal com a cabeça como quem dizia:
--- O que é? Tem gente aí? – e chateado caminhou para a porta e de lá para o Gabinete.
--- Entra. Fale com o Governado. – disse baixo o seu amigo.
Sem outro meio de descompor Armando o fotógrafo entrou bem de mansinho até onde estava o Governador sendo recebido com entusiasmo por esse ao se levantar de sua poltrona de almofada e abraçar o “grande amigo Canindé” – dizia o chefe de Estado. Embora tímido, o fotógrafo agradeceu a deferência e indagou se havia de fazer alguma foto pela qual o Governador disse apenas.
--- Nada de fotos. Quero parabenizar a você por ser meu fotógrafo preferido. Amanhã  você vai trabalhar junto com o novo Secretário de Imprensa. – disse feliz o Governador.
Canindé olhou para Armando sem entender muito E fez a pergunta com a cabeça. Armando lhe disse o não esperado. No dia seguinte ele estava a serviço do Gabinete. Não seria nada de mais do que já era feito. Apenas Canindé fotógrafo seria promovido a fotógrafo exclusivo do Governo. O fotógrafo sorriu e disse:
--- Mas em cima da bucha? – perguntou Canindé a Armando completamente assustado.
E todos sorriram. O Governado chamou pelo interfone a moça do Gabinete do lado oposto e mandou fazer a nomeação dos dois: Armando Viana e José Canindé Revoredo.  Então estava terminada a sessão.
Naquela mesma tarde quando ambos saíam do Gabinete do Governador, Armando se despediu de Canindé fotógrafo e disse ter mais o que fazer naquele instante, afinal ele teria de anunciar a sua nomeação a Norma Vidigal e no dia seguinte apresentá-la como uma de suas amigas ao Governador. Mesmo assim, nada disse Armando deixou dito a Canindé. Apenas declarou ter de ir a um lugar.
--- Eu sei o que vai fazer! – respondeu sorrindo o fotógrafo.
--- Não é nada do que você pensa! – respondeu de cara trancada o seu amigo.
--- Eu venho de paletó amanhã? – indagou Canindé meio aturdido.
--- Deve vir. Se não tiver eu arranjo um. – respondeu Armando Viana.
--- Tá danado! E presta um dos teus? – perguntou Canindé sem entender ao certo.
--- A gente compra um na loja. Deixe comigo! – sorriu Armando para o fotografo.
--- Amanha você vai ao Mercado? – perguntou o fotógrafo.
--- Sim. É claro! – sorriu Armando para o fotógrafo.
--- Então a gente se encontrar por lá. – respondeu Canindé com sua bolsa de fotos preso a barriga.
E ambos se despediram indo Canindé para um lado e Armando para o outro. Ao chegar à esquina da rua do Cartório, o rapaz notou tudo fechado. Ele olhou para o seu relógio e verificou ser mais de cinco horas da tarde. O comércio já estava cerrando suas portas e mesmo a turma tagarela da Farmácia já partira para outros locais. Na Farmácia da esquina se reunia a turma da Maçonaria, todos os dias ao final da tarde para por em dias as suas tagarelices costumeiras. A Farmácia ficava posta na Rua da Palha, a mesma rua do Cartório onde trabalhava a jovem Norma. Ela era a filha do tabelião Teodomiro Vidigal de origem do velho Coronel Vidigal, o seu avô. Quando Armando passou pela frente do Cartório se recordou do fim de semana onde ele e Norma os dois ficaram em um belo e límpido lazer virginal. Ânsias e saudades sentidas. Armando então sorriu. Depois de ver fechado o Cartório, o rapaz caminhou até quase o final da rua. Gente vinda e indo como uma procissão. Ele procurou um veículo, pois o homem Teodomiro tinha um auto cujo uso não fazia nem um pouco. Era Norma aquele quem usava o veículo quase sempre. O carro devia estar parado em frente da casa. E foi nesse intento o rapaz procurou o veículo. Ela não contava a existência de uma garagem. Por isso, mais procurasse não encontrava o tal veículo. Mesmo assim, olhando atento para o interior das casas nobre, ele viu um retrato de Norma pendurado em uma parede. E disse:
--- Eureka!!! E essa aqui! – sorriu Armando ao era o retrato da bela jovem.
E bateu palmas em seguida. Um homem robusto surgiu como por encanto de uma poltrona escondida próximo a um rádio ligado. O rapaz tremeu em conseqüência de medo ao ver a figura daquele monstro à sua frente separado por uma parede. O homem indagou ao frágil rapaz relutante.
--- Pois não! – disse o homem de óculos escuros.
Armando Viana ainda temeroso perguntou quase a desmaiar.
--- É aqui que reside a senhorita Norma Vidigal? – perguntou Armando com leve temor.
--- Sim! Quem é o senhor? – perguntou o homem com muita calma.
--- Meu nome é Armando Viana. Eu sou amigo da senhorita Norma Vidigal. – respondeu o rapaz ainda tremendo de medo.
--- Um momento que eu vou chamá-la. – respondeu o homem.
--- Deixa papai. Eu sei quem é ele. Olá Armando. Que bons ventos te tragam. – disse a moça com alegria suprema.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

DESEJO - 21 -

- Elizabeth Taylor -
- 21 -
Dois dias depois de gozar um amplo feriado na praia. Armando Viana estava no seu escritório na Rua Visconde do Uruguai, no bairro da Ribeira, batendo a maquina as noticias do dia para deixar no jornal de remetê-las para o sul do País como fazia sempre. Era costume fazer sempre aquele serviço o rapaz. Na parte da manhã, trabalhou o redator Humberto Patrício. À tarde ele não voltaria, pois estava de serviço na FAB. Canindé, o fotógrafo, terminara o seu serviço no Laboratório e postara as fotos em cima da mesa do amigo Aramando. E depois de uma “até logo” ele rumou para a rua. Armando nem ouvira bem a despedida de Canindé, pois estava cuidando das matérias do dia. Quando eram três horas da tarde, alguém entrou na porta do escritório de Armando e logo a fechara. O rapaz nem olhou para ver que era. Apenas ele pensava ser Canindé a procura de seja lá o que for. No entanto, quem entrara era uma moça. Quando teve tempo, Armando olhou para ver quem estava ali escorada na porta. Surpresa. Era alguém muito conhecida e ele não esperava jamais. Seu nome:  Sueli, irmã de Leane, a moça com quem Armando mantinha namoro. E de repente, o rapaz com surpresa, indagou:
--- Você aqui? – perguntou Armando Viana em sobressalto.
A moça plenamente sorria. Ela trajava um vestido branco de bolinhas pequenas e vermelhas. Seu comprimento descia abaixo dos joelhos em forma godê. A parte de cima do vestido era uma blusa e no meio, um cinto bem acochado dando a impressão de ter a moça o corpo esbelto. Os sapatos de salto alto eram todos brancos. Seus cabelos estavam penteados como uma diva do cinema. A boca rubra a seduzir formava uma esplendorosa forma no seu divinal e belo rosto. Ela era um encanto de mulher a seduzir a qualquer adorado vivente encantador. Seu sorriso era por vez enigmática e inebriante. Era na verdade uma boneca encantadora feita mulher. A seduzir Sueli sorriu enfim ao embebedado e misterioso repórter.
--- Olá querido. Sou eu mesma. Que achas? – indagou a moça em êxtase.
--- Que estas a fazer por aqui? – perguntou Armando torcendo os olhos por ver tão misteriosa diva dos deuses do Olimpo.
--- Apenas vim te ver. – sorriu a moça em encantos embriagadores.
--- Muito bom. Eu estou a trabalhar agora,. Nem posso te dar atenção. – disse o rapaz.
--- Que importância tem. Eu vendo você, já tenho todo o tempo da vida. – sorriu a moça acercando-se de Armando igual a fruta a desejar amor.
--- Ora. Que tolice. Tu és boba. – relutou Armando ao dizer tal simples frase.
--- Eu sou mulher. Amante do desejo. – sorriu Sueli naquele ponto do êxtase.
E sacudiu o vestido até a cintura para mostrar a sua nudez. Armando acordou ter visto a dama da ternura a fazer o mesmo no sábado em um cinema. Ele sabia o que a dama da tarde teria o que fazer àquela hora em seu escritório plenamente fechado. Ele podia querer como também não querer. Era apenas um gesto próprio do rapaz. Então o jovem voltou a indagar:
--- Onde está a chave? – perguntou Armando com um pouco de remorso.
--- A chave? Qual chave? – indagou suavemente a doce criatura dos deuses do monte.
--- Da porta! Da porta! – fez questão Armando em saber o que tinha sido feito da chave.
--- Está em meu coração. Querido! Que achas da Clementina? – indagou a moça a sorrir.
--- Clementina? Que Clementina? Não te entendo! – respondeu o homem se acabando em suor ao meio da tarde.
--- Eu tenho Clementina. Tu: Valdivino. Clementina e Valdivino.  – sorriu Sueli a mostra o seu órgão sexual.
--- Ora que bosta é essa. Por o nome de pessoa em um órgão. - declarou Armando surpreso.
Sueli se aproximou suavemente do rapaz e com o vestido soerguido até ao alto da cintura, a blusa entreaberta a mostrar os seios, então sentou entre as pernas de Armando. Esse nada fez, porém recusou o gesto da moça em querer fazer amor em plena sala de redação do escritório.
--- Espera! Espera! Você deve lembrar-se de sua irmã. Eu sou namorado. – respondeu o rapaz com um pouco de temor.
--- Que importa! Ela não sabe usufruir da fruta. – lembrou Sueli da irmã.
--- Mas isso não está certo. Ele é a minha namorada. – respondeu Armando a moça.
--- Bobo! Você é bobo! – falou a moça a roçar em Armando o seu órgão sexual como querendo despertar a emoção adormecida no rapaz.
A chama embriagadora da virgem mulher ardente e fatal foi êxtase estranha capaz de alucinar ao rapaz impelido pela dura emoção dos arcanjos da divindade. E entre formas abstratas, a jovem moça extraiu de si todo o esmerado indumento para poder se aconchegar por toda a sua vida mais fielmente ao corpo do homem quente e abrasador. A emoção era extasiante cheia de candura. Sueli apenas dizia:
--- Ponha Valdivino! Ponha!! – dizia alarmada e alucinada entre beijos perpétuos.
Sem suportar demais, o homem fez o que era preciso. E neste instante, bateu a porta o rapaz Canindé a pedir a Armando a chave. O rapaz se assustou arrebatado e empurrou a dama da tarde para um quanto qualquer. Ele pediu-lhe silêncio para quem batia não soubesse haver alguém no recanto da sala. Mesmo assim Canindé continuou a bater a porta.
--- Abra essa porta seu merda. Eu tenho de pegar as minhas chaves no laboratório! Ah corno gigante esse porra. – dizia Canindé pelo lado de fora da porta.
Sueli quis sorrir, mas Armando tapou-lhe a boca para não fazer ensurdecedor barulho. Deixar o rapaz a resmungar, pois Armando sabia ser por pouco tempo. E como Armando pensou Canindé levou pouco tempo para ir embora. Algumas vezes, o fotógrafo chutou a porta com força e isso despertou a atenção do dentista no fim do corredor. Esse abriu sua porta e nada declarou. Canindé saiu com a sua maquina fotográfica esbravejando aos montes contra o colega de redação:
--- Eu sei que estás aí. Pensa que me engana? – falou bravo Canindé fotógrafo.
Por fim, Armando esperou um tempo e abriu de modo suave a janela e poder vislumbrar a saída do fotógrafo na direção do Jornal matutino A IMPRENSA para ter certeza de não ter sido observado mais um pouco. Tudo estava quieto. Então ele mandou a moça sair porque uma vez ou outra Canindé poderia voltar ao seu escritório.
--- Vá! Vá! Vá! Depressa! Ele é um tipo moreno, baixo, barrigudo. Veja se está lá fora e me avise fazendo um sinal passando a mão no cabelo se ele estiver. Vá logo. – resolveu Armando inquieto pela forma da moça fazer fincapé pra não sair do escritório.
Por fim Sueli obedeceu. Ao chegar à porta de entrada, olhou para um lado e para o outro e passando a mão no cabelo dando sinal do homem está por perto. Armando ficou assustado e correu para o banheiro do prédio onde passou um bom tempo trancado. E por não vir ninguém ele saiu às presas, topando-se na saída com Joel, um rapaz jornaleiro. Ele boa tarde a Joel e desceu as escadas apressado. Ao chegar a porta da rua encontrou Canindé. E como estava avisado pela moça não fez nenhuma cerimônia ao dizer:
--- Estava no aparelho, homem! Você não sabe esperar? – fez de conta que foi assim o que aconteceu com ele.
--- Eu sei qual era o aparelho! Até no aparelho? – argumentou Canindé olhando desconfiado o seu amigo.
--- Que aparelho? Eu estava lá mesmo! – argüiu o rapaz de forma truculenta.
--- Sei. Espera que vou buscar minhas chaves!. Deixa-me ver a tua! – falou Canindé aborrecido.
Armando Viana lhe entregou a chave e viu nesse mesmo instante, Sueli passando de volta pela o lado de lá da calçada o olhando a gozar pela mentira aplicada do fotógrafo. A moça sorriu e entrou no beco próximo e sumiu de vez. Canindé entrou no escritório de Armando Viana e encontrou tudo desarrumado.
--- Parece que passou um vendaval por aqui! NOSSA! Eu, heim? – fez o fotógrafo.
Ao voltar ele ainda olhou por mais uma vez a tragédia feita e desceu as escadas até onde estava o repórter. Ao chegar na rua ele olhou para o rapaz e disse apenas.
--- Que tragédia! – e olhou para o repórter como quem dizia algo mais.
Armando olhou para o fotógrafo e apenas sorriu. Com o passar do tempo  foi dizendo:
--- Sei não! Ela é louca da vida. Mas não diga nada a ninguém. – respondeu Armando.
--- Dizer o que? Foi uma tragédia. – relatou o fotógrafo do seu modo.
E então o repórter sorriu a bessa. Não havia outra solução a não ser sorrir. E os dois amigos caminharam até o jornal. Quando perto o fotógrafo se lembrou e disse?
--- O Governador quer falar com você. – relatou o fotógrafo Canindé.

DESEJO - 21 -

- Elizabeth Teylor -
- 21 -
Dois dias depois de gozar um amplo feriado na praia. Armando Viana estava no seu escritório na Rua Visconde do Uruguai, no bairro da Ribeira, batendo a maquina as noticias do dia para deixar no jornal de remetê-las para o sul do País como fazia sempre. Era costume fazer sempre aquele serviço o rapaz. Na parte da manhã, trabalhou o redator Humberto Patrício. À tarde ele não voltaria, pois estava de serviço na FAB. Canindé, o fotógrafo, terminara o seu serviço no Laboratório e postara as fotos em cima da mesa do amigo Aramando. E depois de uma “até logo” ele rumou para a rua. Armando nem ouvira bem a despedida de Canindé, pois estava cuidando das matérias do dia. Quando eram três horas da tarde, alguém entrou na porta do escritório de Armando e logo a fechara. O rapaz nem olhou para ver que era. Apenas ele pensava ser Canindé a procura de seja lá o que for. No entanto, quem entrara era uma moça. Quando teve tempo, Armando olhou para ver quem estava ali escorada na porta. Surpresa. Era alguém muito conhecida e ele não esperava jamais. Seu nome:  Sueli, irmã de Leane, a moça com quem Armando mantinha namoro. E de repente, o rapaz com surpresa, indagou:
--- Você aqui? – perguntou Armando Viana em sobressalto.
A moça plenamente sorria. Ela trajava um vestido branco de bolinhas pequenas e vermelhas. Seu comprimento descia abaixo dos joelhos em forma godê. A parte de cima do vestido era uma blusa e no meio, um cinto bem acochado dando a impressão de ter a moça o corpo esbelto. Os sapatos de salto alto eram todos brancos. Seus cabelos estavam penteados como uma diva do cinema. A boca rubra a seduzir formava uma esplendorosa forma no seu divinal e belo rosto. Ela era um encanto de mulher a seduzir a qualquer adorado vivente encantador. Seu sorriso era por vez enigmática e inebriante. Era na verdade uma boneca encantadora feita mulher. A seduzir Sueli sorriu enfim ao embebedado e misterioso repórter.
--- Olá querido. Sou eu mesma. Que achas? – indagou a moça em êxtase.
--- Que estas a fazer por aqui? – perguntou Armando torcendo os olhos por ver tão misteriosa diva dos deuses do Olimpo.
--- Apenas vim te ver. – sorriu a moça em encantos embriagadores.
--- Muito bom. Eu estou a trabalhar agora,. Nem posso te dar atenção. – disse o rapaz.
--- Que importância tem. Eu vendo você, já tenho todo o tempo da vida. – sorriu a moça acercando-se de Armando igual a fruta a desejar amor.
--- Ora. Que tolice. Tu és boba. – relutou Armando ao dizer tal simples frase.
--- Eu sou mulher. Amante do desejo. – sorriu Sueli naquele ponto do êxtase.
E sacudiu o vestido até a cintura para mostrar a sua nudez. Armando acordou ter visto a dama da ternura a fazer o mesmo no sábado em um cinema. Ele sabia o que a dama da tarde teria o que fazer àquela hora em seu escritório plenamente fechado. Ele podia querer como também não querer. Era apenas um gesto próprio do rapaz. Então o jovem voltou a indagar:
--- Onde está a chave? – perguntou Armando com um pouco de remorso.
--- A chave? Qual chave? – indagou suavemente a doce criatura dos deuses do monte.
--- Da porta! Da porta! – fez questão Armando em saber o que tinha sido feito da chave.
--- Está em meu coração. Querido! Que achas da Clementina? – indagou a moça a sorrir.
--- Clementina? Que Clementina? Não te entendo! – respondeu o homem se acabando em suor ao meio da tarde.
--- Eu tenho Clementina. Tu: Valdivino. Clementina e Valdivino.  – sorriu Sueli a mostra o seu órgão sexual.
--- Ora que bosta é essa. Por o nome de pessoa em um órgão. - declarou Armando surpreso.
Sueli se aproximou suavemente do rapaz e com o vestido soerguido até ao alto da cintura, a blusa entreaberta a mostrar os seios, então sentou entre as pernas de Armando. Esse nada fez, porém recusou o gesto da moça em querer fazer amor em plena sala de redação do escritório.
--- Espera! Espera! Você deve lembrar-se de sua irmã. Eu sou namorado. – respondeu o rapaz com um pouco de temor.
--- Que importa! Ela não sabe usufruir da fruta. – lembrou Sueli da irmã.
--- Mas isso não está certo. Ele é a minha namorada. – respondeu Armando a moça.
--- Bobo! Você é bobo! – falou a moça a roçar em Armando o seu órgão sexual como querendo despertar a emoção adormecida no rapaz.
A chama embriagadora da virgem mulher ardente e fatal foi êxtase estranha capaz de alucinar ao rapaz impelido pela dura emoção dos arcanjos da divindade. E entre formas abstratas, a jovem moça extraiu de si todo o esmerado indumento para poder se aconchegar por toda a sua vida mais fielmente ao corpo do homem quente e abrasador. A emoção era extasiante cheia de candura. Sueli apenas dizia:
--- Ponha Valdivino! Ponha!! – dizia alarmada e alucinada entre beijos perpétuos.
Sem suportar demais, o homem fez o que era preciso. E neste instante, bateu a porta o rapaz Canindé a pedir a Armando a chave. O rapaz se assustou arrebatado e empurrou a dama da tarde para um quanto qualquer. Ele pediu-lhe silêncio para quem batia não soubesse haver alguém no recanto da sala. Mesmo assim Canindé continuou a bater a porta.
--- Abra essa porta seu merda. Eu tenho de pegar as minhas chaves no laboratório! Ah corno gigante esse porra. – dizia Canindé pelo lado de fora da porta.
Sueli quis sorrir, mas Armando tapou-lhe a boca para não fazer ensurdecedor barulho. Deixar o rapaz a resmungar, pois Armando sabia ser por pouco tempo. E como Armando pensou Canindé levou pouco tempo para ir embora. Algumas vezes, o fotógrafo chutou a porta com força e isso despertou a atenção do dentista no fim do corredor. Esse abriu sua porta e nada declarou. Canindé saiu com a sua maquina fotográfica esbravejando aos montes contra o colega de redação:
--- Eu sei que estás aí. Pensa que me engana? – falou bravo Canindé fotógrafo.
Por fim, Armando esperou um tempo e abriu de modo suave a janela e poder vislumbrar a saída do fotógrafo na direção do Jornal matutino A IMPRENSA para ter certeza de não ter sido observado mais um pouco. Tudo estava quieto. Então ele mandou a moça sair porque uma vez ou outra Canindé poderia voltar ao seu escritório.
--- Vá! Vá! Vá! Depressa! Ele é um tipo moreno, baixo, barrigudo. Veja se está lá fora e me avise fazendo um sinal passando a mão no cabelo se ele estiver. Vá logo. – resolveu Armando inquieto pela forma da moça fazer fincapé pra não sair do escritório.
Por fim Sueli obedeceu. Ao chegar à porta de entrada, olhou para um lado e para o outro e passando a mão no cabelo dando sinal do homem está por perto. Armando ficou assustado e correu para o banheiro do prédio onde passou um bom tempo trancado. E por não vir ninguém ele saiu às presas, topando-se na saída com Joel, um rapaz jornaleiro. Ele boa tarde a Joel e desceu as escadas apressado. Ao chegar a porta da rua encontrou Canindé. E como estava avisado pela moça não fez nenhuma cerimônia ao dizer:
--- Estava no aparelho, homem! Você não sabe esperar? – fez de conta que foi assim o que aconteceu com ele.
--- Eu sei qual era o aparelho! Até no aparelho? – argumentou Canindé olhando desconfiado o seu amigo.
--- Que aparelho? Eu estava lá mesmo! – argüiu o rapaz de forma truculenta.
--- Sei. Espera que vou buscar minhas chaves!. Deixa-me ver a tua! – falou Canindé aborrecido.
Armando Viana lhe entregou a chave e viu nesse mesmo instante, Sueli passando de volta pela o lado de lá da calçada o olhando a gozar pela mentira aplicada do fotógrafo. A moça sorriu e entrou no beco próximo e sumiu de vez. Canindé entrou no escritório de Armando Viana e encontrou tudo desarrumado.
--- Parece que passou um vendaval por aqui! NOSSA! Eu, heim? – fez o fotógrafo.
Ao voltar ele ainda olhou por mais uma vez a tragédia feita e desceu as escadas até onde estava o repórter. Ao chegar na rua ele olhou para o rapaz e disse apenas.
--- Que tragédia! – e olhou para o repórter como quem dizia algo mais.
Armando olhou para o fotógrafo e apenas sorriu. Com o passar do tempo  foi dizendo:
--- Sei não! Ela é louca da vida. Mas não diga nada a ninguém. – respondeu Armando.
--- Dizer o que? Foi uma tragédia. – relatou o fotógrafo do seu modo.
E então o repórter sorriu a bessa. Não havia outra solução a não ser sorrir. E os dois amigos caminharam até o jornal. Quando perto o fotógrafo se lembrou e disse?
--- O Governador quer falar com você. – relatou o fotógrafo Canindé.

domingo, 3 de abril de 2011

DESEJO - 20 -

- Bruna Linzmeyer -
- 20 -
Armando Viana pouco entendeu daquele pedido da anciã. Mesmo assim, relutante, olhando para Norma, resolveu de pronto entregar-lhe a Mao direita guardando em segredo a mão esquerda toda trancada. A anciã ao tomar a mão direita do rapaz fez uma rápida observação. O caso foi tão surpreendente e nem mesmo Norma percebeu o que a índia anciã vira de tão importante.
--- Abra a sua mão esquerda, meu filho! – relatou a anciã ao pressentir ter o rapaz guardado a mão esquerda de forma a trancar as forças tidas por ele. E então o moço abriu a mão esquerda
O rapaz começou a suar por todos os seus poros. E passado um breve instante, ele quis puxar a mão para saber de qual modo a mulher estava a estudar o seu destino. Porém, com uma fricção da anciã na palma de sua mão, ele enfim relaxou e deixou à anciã a procura do segredo nunca dantes revelado na palma de sua mão direita. A anciã índia olhou para a mão do rapaz por alguns instantes e em seguida Armando perguntou:
--- O que a senhora viu na minha mão? – indagou o rapaz suando frio.
A anciã sorriu levemente e olhou bem para o rapaz. Nada ele respondia a anciã. Porém a velha índia lhe deu um recado cujo teor ele já sabia desde o sábado passado.
--- Meu filho. Alguém está a sua procura. Não de apresse. Está dito aqui. – e a vela índia soltou a mão de Armando. E esse a guardou com cuidado.
--- Só pode ser Canindé. Ele não me vê desde ontem. – respondeu Armando a sua namorada.
A moça então sorriu com o desespero do rapaz. E respondeu, enfim:
--- Acalme-se. Amanhã você tem o dia todo. – respondeu a moça a sorrir de leve.
Com o passar de instantes, Norma recordou coisas acontecidas. Ela era menina e estava a pescar no rio Doce com o seu bodoque. Era manhã e fazia calor. Sol de oito horas. Ela, o seu bodoque e umas flechas em um saco de pano. Norma sempre a procurar piabas para matar. Um susto tremendo. Ela foi tocada por um pescador. Mulato era o seu nome. O homem índio falou para Norma:
--- O que estás a pescar? – indagou Mulato, filho de dona Carmozina, a índia da aldeia.
A menina se assombrou e quis correr. O homem atalhou a fuga. E perguntou de novo:
--- Que estás a pescar? – falou serio o índio.
--- Nada não! – respondeu Norma para o índio.
--- Como nada não? Isso é uma arma. É igual a uma pistola, a um machado, uma foice, um tacape. Ouviu curumim! – falou bravo o homem para ser entendido.
--- Sim senhor. – respondeu Norma tremendo de medo.
--- Venha cá que eu vou te mostrar. – seguiu o homem para quase a metade do rio Doce.
E a menina, ainda com temor, seguiu o índio tanto cabisbaixo. Os dois entraram na água e uma vez o índio Mulato repetiu para a menina.
--- Está vendo isso aqui? É uma arma! Qual o peixe que você quer? – indagou o índio de olhos bem abertos.
--- Só pescava piabas! – respondeu a menina de forma angustiada.
--- Piaba não se pesca. Só se pesca peixe para comer. Veja como eu faço! – e o índio procurou um peixe grande e fisgou com uma única flechada.
Ele então puxou a flecha e atirou para cima deixando o peixe além da margem do rio Doce. Foi tudo tão depressa e a menina não teve nem a oportunidade de ver o peixe fisgado.
--- Vá lá! Pegue o peixe! – falou o índio para a garota.
--- E onde está? – perguntou Norma aturdida pela ação do pescador.
--- Na mata. Vá lá pegar. Rápido! – falou o índio com franqueza.
E a menina correu até à margem do rio onde encontrou depois de intensa procura o peixe ainda vivo a se sacudir com uma flechada em seu corpo espinhoso. O índio também estava por perto e ainda mostrou como se atira a flecha para cima. Ele mostrou uma debandada de patos do mato, mirou no que desejava acertar, atirou e pegou o pato a cair no solo. Em seguida indagou da menina.
--- Está vendo pra que serve a flecha? Para matar! Bichos, pássaros e mesmo os inimigos. Leve esse peixe para a sua casa. O pato eu mesmo frito. – sorriu o índio, nu de cintura para cima.
E os dois saíram em busca de casa. A menina jamais esquecera aquela lição. Certa vez, ela topou com um garoto. Esse empunhava um revolver e dizia:
--- Olha que meu pai tem? – disse o garoto  sorrindo.
Norma partiu para cima do garoto e lhe tomou a arma. Deu-lhe uma lição de não pegar mais em armas, pois aquilo era para o adulto. Não era brincadeira de menino.
--- Isso é uma arma seu merda. Uma arma!! – vociferou a mocinha a tomar o revolver do garoto e partir para a casa onde guardou o revolver.
--- Me dê o revolver! Me dê o revolver! – gritava o garoto com medo da surra do seu pai.
--- Mande o seu pai vir buscar. – e estirou a língua para o garoto.
Tais virtuais acontecimentos Norma Vidigal após quase meia hora de estada, ela contou a anciã Carmozina, descendente de índio na presença de sua nora Cantídia, uma morena quase branca, casada com José Passo, o Mulato, filho da anciã Carmozina. Depois de tanto tempo, Norma Vidigal tinha comparecido ao casebre a anciã para buscar certas informações a respeitos de pisadas no seu casarão. E ali foi recordado ter sido o nome dado pelo Coronel  Vidigal ao antigo casarão de “Mundo Velho”. No passado, o Coronel tinha outras mansões uma das quais os de “Solidão”. Essa mansão fora, com o tempo apagado e nada além restava nas cercanias. Para se chegar ao cercado da “Solidão” tinha de se percorrer a cavalo muitas léguas, horas e mais horas. No tempo do Coronel, o casarão era a sua moradia. Quando era tempo de inverno, com relâmpagos e trovões para todos os lados, o velho Coronel Vidigal, de barbas longas, rumava em direção de seu casarão da praia onde Norma passara o tempo de sua vida. A outra fazenda, ela não conhecera. Porém sempre ouvira dizer ser um casarão soberbo. As terras do velho Coronel se perdiam de vista indo para além de três dias de viagem. Em certa ocasião, quando Norma Vidigal voltara para o seu “Mundo Velho” entrou em uma conversa paralela. Armando desconhecia o sentido do fato. Ela falou de divisão de terras. E disse ainda ser nessa divisão o poder dos senhores de engenho ou de gado. Seu bisavô era dono de uma esteira de gado para além de cinquenta mil cabeças. Todos os anos ele levava para os barcos vindos da Europa, atravessando rios, lagoas e terras secas.
--- Você sabe quem governa as terras? – indagou Norma ao namorado.
--- O Governo. É claro! – respondeu Armando com olhos atentos.
---E quem manda no Governo? – indagou novamente a moça.
--- Quem  manda? O partido! Ora! – contrapôs Armando.
--- Você está enganado. O Governo, muito embora sendo eleito em escrutino, ele é mandado por uma camarilha. O País é dividido em Estados, E os Estados são divididos em grupos. Quatro no máximo. Mas esses países se incorporam em nações mandadas por quatro senhores. Esses senhores mandam e desmandam nos países. Há os pobres, os mais ou menos e os poderosos. Esses poderosos, onde não se inclui o Brasil, mandam em todos os outros, inclusive o Brasil. Essa é uma máquina perigosa. O mundo obedece a um grupo de quatro homens. Não se pode dizer ser a America do Norte, ser a Inglaterra ou mesmo a Suiça. Eles estão no mesmo barco. Os homens decidem aquilo de se fazer. Petróleo, carne, algodão, entre outros implementos. O Brasil de antigamente quem mandava na região era o Coronel e mais duas pessoas. E hoje, quem manda é a política feita por três ou quatro pessoas. Não pense que você ganha da Loteria por que tem sorte. Você ganha porque alguém quer. Isso quer dizer ser o Governo dessa joça aquele a ser mandado por um Coronel. Tais Coroneis ainda existem. Ganha aquele filho dos Coroneis. Ou seja: os serviçais. – comentou por fim Norma Vidigal.
--- Não creio nisso! – falou o jovem Armando combatendo a moça.
--- Pois fique na ilusão de menino. – respondeu Norma com austeridade.  
Logo após o casal estava na praia onde o banho de mar era o melhor de tudo o que podia a haver. As ondas chegavam e marulhavam na areia. Na praia quase não havia viva alma, salvo uns garotos filhos de pescadores. Seus pais eram herdeiros dos seus avôs. A rede de pesca a balançar ao sabor do vento, enfiada nos paus de dois metros pegando o sol de primavera. Os nautas se ondulavam longe no sabor do apanhar o novo pescado. Eram vario destes nautas a apanhar o peixe. A criançada a brincar de se esconder por entre os paus, era o que mais havia. Norma Vidigal era mais uma a mergulhar nas ondas para o orgulho do seu amante. Uma vez ou outra ela gritava:
--- Vem pra cá. Vem! – sorria Norma a chamar o seu amado.

sábado, 2 de abril de 2011

DESEJO - 19 -

- Shirley Temple -
- 19 -

Após o café matinal repleto de queijo, ovos, macaxeira, muito leite de vaca, pães de forma entre outras comidas, Norma convidou Armando Viana para seguirem até a choupana da velha e senhora dona Carmozina. Quem recebeu à porta do casebre foi dona Cantídia, mulher do pescador índio Mulato cujo nome verdadeiro era José Passo. Cantídia cumprimento Norma. Ela Olhou bem o rapaz acompanhante e teve um calafrio. Em seguida Cantídia caminhou para dentro da choupana até onde a velha índia estava sentada na rede fumando cachimbo, com seus cabelos todos brancos, olhos miúdos, pele enrugada, braços finos e bem amuquecada. O barraco era por demais simples com poucas coisas a se notar. Norma teve o convite de se sentar em um tamborete de três pernas enquanto o rapaz ficou em pé. A mulher de meia idade dona Cantídia olhou por mais o rapaz e se largou para fora do casebre. A velha Carmozina foi quem puxou um tamborete para o moço sentar.
--- Pode se abancar. Não tenha cerimônias da velha índia. – sorriu bem de mansinho a índia.
--- Agradecido. – respondeu Armando procurando se sentar no tamborete de três pernas.
--- Como vai a vida por onde você tem andado? – indagou com voz rouca a velha índia.
--- Pela cidade vai tudo bem. Eu vim passar o fim de semana na casa grande. O homem trouxe o leite logo cedo da manhã. Eu nem vi quem trouxe. De qualquer jeito, ele trouxe. São as vacas do cercado do meu pai herdadas do meu avô e vindas do meu bisavô. – sorriu a moça a contar tanta estória.
--- Na certa foi Rocha, o homem. – sorriu a velha para a moça.
--- Deve ter sido. Eu nem vi. Estava tudo guardado na porta de frente o casarão. – respondeu a moça de modo a tranqüilizar a velha índia.
--- E o que é que a menina me trás? – indagou Carmozina sem tirar a vista do rapaz.
--- Primeiro a sua benção. E depois lhe trazer uns presentes. Feito isso, eu vim saber de uma coisa acontecida na madrugada no interior do casarão. – falou Norma temerosa.
--- O que foi que houve minha filha? O que foi? – indagou um pouco com a sua voz baixa.
--- É o seguinte: esse é meu noivo. Amando Viana. Ele disse ter ouvido uns passos de gente durante a noite lá dentro do casarão. Posso jurar: lá não havia viva alma. Eu verifiquei tudo e estava tudo trancado. E agora eu vim saber da senhora o que pode ter sido os passos por ele, meu noivo, ouvidos. – respondeu Norma inquieta.
--- A menina quer saber mesmo? – indagou a velha índia com a sua baixa voz.
--- Quero sim, se foi alguém do outro mundo! – destacou Norma tremendo de medo.
--- Menina. Muita coisa acontece pelo casarão. Quase todo o dia acontecem coisas. Eu mesmo até vejo os homens que já passaram dessa vida a aparecer pelas redondezas do casarão. O que houve hoje não foi nada além de uma visagem de seu  bisavô. Ele vem todos os dias para ver o cercado. Ele está ainda no mesmo lugar dos seus antepassados. Ele vive menina. Ele vive! – respondeu a velha índia Carmozina.
--- Vive? Ele está vivo? Como isso se dá? – falo assombrada de olhos regalados a moça.
A velha índia Carmozina sorriu baixo embalando-se na rede para um lado e para o outro e calou por alguns instantes. Após breve momento, falando como se dissesse estar a ouvir de outra voz a velha índia falou bem baixinho.
--- Sabe quem está aqui? Sabe? Quer saber? – perguntou a velha em tom baixo.
--- Sim Quero. Diga pra mim! – respondeu Norma com muita ansiedade por saber.
--- Menina! Se eu disser a menina vai cair de medo! – sorriu muito baixo a velha índia.
--- Pode dizer. Eu me seguro nos trancos! – falou Norma  para Carmozina.
--- Teu bisavô, minha filha. Teu bisavô. – respondeu a velha índia e sorriu.
Naquele instante, Norma Vidigal não agüentou e caiu de susto. A velha índia Carmozina chamou sua nora o mais depressa possível para que a mulher trouxesse umas ervas aromática e ajudasse a fazer um chá para por na boca da moça em desmaio. E tudo se fez em tempo breve de modo a Norma Vidigal tornar. O rapaz também, assombrado, fez massagens no pulso de sua namorada. Ele soprou-lhe por varias e incontáveis vezes o ar nos pulmões de Norma. E batia-lhe na face como forma de recobrar o sentido da moça plenamente desacordada. Em seguida veio Cantídia a nora da velha índia, trazendo-lhe erva e o chá para esfregar o coração da jovem e por na cerrada e exangue boca para lhe fazer voltar à consciência plena. Em certa oportunidade, Cantídia olhou a cara do rapaz Armando Viana e fez sua cara amarga e terrível. Porém, nenhuma palavra lhe saiu da boca naquele instante. Por seu turno, Armando estava e esfregar o pulso de Norma na tentativa de fazê-la recobrar a consciência. A par de certo tempo, Norma recobrou os sentidos muito vagarosos e se viu ao lado do seu amante. Então e velha índia Carmozina benzeu em cruz a face da jovem moça e recitou oração muito calada em linguagem só por ela entendida. Ao final da reza a mulher índia gritou baixo:
--- Vai-te pras ondas do mar sagrado mal amaldiçoado. – falou a velha atirando para longe a porção de ervas.
O dito pela índia em sua reza ficou em segredo. Apenas a velha sabia o significado de tudo. Norma Vidigal ao tornar apenas indagou o nome do seu bisavô, Coronel Epaminondas Vidigal, o velho, como se estivesse ao seu lado por breves momentos. A velha índia escutou por mais uma vez uma aparente voz somente por ela ouvida na qual recomendava algo não muito preciso aos ouvidos de Armando Viana. O rapaz preocupado teve apenas cuidado em amparar a sua prometida nubente.
--- Já passou. – falou a velha índia para tranqüilizar a ambos.
--- Assim espero. – respondeu baixinho o rapaz.
--- O que houve? – indagou a moça ao  seu namorado.
Já estavam passados alguns minutos quando Norma voltou aos seus sentidos normais. Ela olhou para a velha índia e retornou a ver o seu namorado. Nada pode dizer no momento. Algum instante depois se recobrou e pensou no seu sentido. E se lembrou do dizer da mulher. Era ali onde estava o seu bisavô. Norma então recordou do velho Coronel. Se bem soubesse, o Coronel Vidigal havia morrido há tempos. Naquele momento a índia lhe falou dele. Então, Norma quis saber se os mortos ainda vivem. A velha índia sorriu.
--- Não existem mortos. Eles desaparecem como por encanto. Você não vê mais o seu bisavô. Mas ele a vê. Ele não morre nunca. Pense nisso. – declarou a velha índia a sentar na tipóia.
--- Quer dizer que meu bisavô esta vivo? – indagou alarmada a moça.
--- Ele vive. Os homens daqui sempre viram o Coronel. E mesma sempre o vejo. Quase sempre ele passa a cavalo por essas terras que são dele. – relatou a velha índia a sorrir.
--- Nossa! Meu Deus! A gente então só reza para um morto e ele não está? – indagou Norma assustada por demais.
--- Minha filha. Os que passaram há certo tempo, eles mesmos ficam aqui. Quando eu olho lá pra fora vejo um monte de gente. Índios, caboclo, vaqueiro, jagunço. Todos eles. – fez um riso a velha índia.
--- Quer dizer que não se deve rezar para os mortos? – perguntou por saber a moça.
--- Ninguém está morto. Todos nós somos vivos. Alguns partem para terra distante. Outros costumam pescar. Nem todos ficam no mesmo lugar. Eles voltam para lugares distantes. Bem distantes, - revelou a velha índia Carmozina.
--- Meu Deus!!! Eu nunca vou morrer? – indagou a moça de forma surpreendida.
A velha índia sorriu e calou por certo tempo. Parecia estar a escutar a alguém a lhe falar certa coisas obscuras. E ela não poderia dizer tudo o que lhe revelavam os espíritos de índios. Tudo era sigiloso para os vivos enquanto vivos. A velha fez um comentário em uma língua tupy, caso nunca observado por Norma Vidigal. Por isso, a moça nada entendeu.  E nem Armando Viana também. O rapaz estava alheio a tudo aquilo. Nada ouvia dizer para ele. Apenas queria saber um pouco mais do que a velha dizia. Naquele instante, Cantídia, nora de Carmozina, passou por perto do rapaz e fez algo para a velha como querendo dizer ter o rapaz um espírito do “mau” em seu poder. A velha entendeu o recado dado. E voltou-se para Armando fazendo um sinal para conversar com ele.
--- Meu filho. Deixa-me ver a tua mão. – falou de modo firme a velha índia.
Armando não entendeu bem o que se passava naquele momento e fechou a mão incontinente com se preservasse um enorme segredo.
--- Deixa-me ver filho! – falou clara a velha índia Carmozina.
--- E o que tenho a ver com tudo isso? – respondeu Armando alarmado.
--- Deixa-me ver, filho! – respondeu a velha índia pacientemente.


sexta-feira, 1 de abril de 2011

DESEJO - 18 -

- Rosanne Mulholland -
- 18 -
À noite, os dois sentados na sala de visita e a moça Norma a conversar tranqüila a respeito do velho Homero, um homem dos seus oitenta anos. Norma contou em rápidas passagens tudo o saber de seu Homero. Conforme Norma pode se lembrar, o velho era de suma inteligência. Mesmo não tendo sido do tempo do seu bisavô, ela pôs-se a encantar com suavidade as verdades relatadas pelo mestre Homero, homem de profundo saber. E certa vez ele relatou algo surpreendente. No seu tempo ou bem antes, pessoas “viram” o coronel Vidigal no alto do penhasco olhando o mar. Isso acontecera muito tempo depois do velho coronel ter morrido, conforme relato do próprio Homero. Disse o velho ter jamais visto qualquer visagem do velho Coronel. Mesmo assim, tinha conhecimentos de pessoas videntes. O Coronel Vidigal era visto soberbo e altaneiro, com a barba alongada, como o homem deixara crescer para dar maior imponência ao seu título de Coronel. Ele vestia uma capa muito usada na sua época. Quem viu o Coronel nunca esqueceu. Mesmo aqueles desconhecidos. Essas pessoas diziam apenas ter visto um homem gigante no penhasco a olhar o mar. Isso era sempre por volta da meia noite.
--- São negócios que eu hoje não creio. Mesmo assim, quando criança, o homem, um velho de oitenta anos contou a mim toda aquela aventura, eu tremi de medo. Juro por Deus. Eu até pensava ser o velho uma reencarnação do meu bisavô. Ele falava forte como um trovão. Talvez fizesse como meu bisavô. Ele era todo metido em uma capa escura. Contudo, o tempo passou e o velho veio a óbito. Ele foi um vaqueiro do meu avô. Morava sozinho numa cabana. Quando já era velho demais. – relatou Norma Vidigal um tanto assustada.
--- E o seu pai o que dizia? – indagou Armando preocupado.
--- Nada. Ele não sabia de ter ido à cabana do velho. Na verdade, o cercado do meu bisavô tomava grande área. Era de não se ver o fim. Aqui na praia, ele tirava para fazer negócios ou mesmo repousar. Já velho, meu bisavô sempre dizia:
--- Esse casarão não se vende! – falava o coronel Vidigal em voz firme.
--- Por isso seu pai não vende? – indagou o rapaz um pouco preocupado.
--- Não. Nem ele, nem minha mãe, nem eu, nem minhas irmãs. – falou Norma deitada no colo de Armando.
--- Quantas irmãs você tem? – perguntou o rapaz.
--- Somos três: Norma, que sou eu, a mais nova; Newma, a de mais idade, casada; e Noêmia, a do meio, também casada. – sorriu a mais nova das irmãs.
--- Só mulher? – quis saber Armando.
--- Só. Dois meninos morreram quando novos. Eles seriam mais velhos que eu. – sorriu Norma a olhar a cara de Armando.
--- Cinco filhos. – respondeu pensativo o rapaz.
--- Teve mais quatro abortos. – sorriu a moça.
Depois da meia noite Armando Viana dormia em uma bela e bem fornida cama de madeira de tempos remotos ao lado de Norma Vidigal. E foi então, no silencio da noite, ao soar as ondas na beira-mar remexendo a areia que o homem despertou perfeitamente assombrado com um ruído no interior da mansão. No começo ele olhou para a moça e a viu dormir como um anjo. Por isso não atentou chamá-la para coisa alguma. A lâmpada iluminava meio quarto com uma luz branda. Armando olhou em volta para ver de onde pudera vir o ruído e nada pode decifrar. Era um barulho surdo de sapatos de couro a pisar com um solado rangedor. Ele ouviu rápido quando acordou do seu sono profundo. Bem poderia ser alguém ao chegar a casa em hora bastante adiantada. Ou então, ratos ou morcegos. Porém para um animal de tão pequeno porte aquele era um barulho bastante grave, surdo e de tamanha agitação. O rapaz escutou por mais alguns instantes, e o barulho cessou por completo. Era mais ou menos da direção da sala de jantar. Por isso, Armando atinou para alguém da casa grande. Após passar algum tempo na esperança de adormecer de novo, Armando plenamente adormeceu acordando apenas à luz do sol da manhã cedinho quando Norma se contorceu na cama ao fazer:
--- Hum! Que sono! Tenho vontade de dormir. – disse Norma de forma preguiçosa.
O rapaz olhou para a moça desnuda e a cobriu com um lençol. Ao passar de alguns minutos, o homem teceu um breve comentário a respeito do ruído acontecido em plena meia-noite ou mais ou menos. Norma estava querendo dormir novamente e acordou de vez com as palavras do moço.
--- Ruído? Que ruído? Não teria sido um gato? – fez perguntar a moça de modo surpresa.
--- Não. Não foi um gato. O ruído terminou na sala de jantar. E parecia ser de alguém com sapatos de couro com saltos e tudo. – respondeu Armando com certo temor.
--- NOSSA!!! Mas ninguém vem dormir aqui! – comentou Norma atordoada.
--- Pode ter sido alguém que esquecera alguma coisa no dia passado. – respondeu Armando procurando tranqüilizar a moça.
--- Mas ninguém vem mesmo aqui!!! – disse alarmada a jovem Norma.
--- Gato não foi. Era pisada de gente. Eu juro que era. – alarmou o rapaz.
--- Estás me fazendo medo ou é verdade? – indagou preocupada Norma Vidigal.
--- Sério. Rangido de sola e de salto de sola. Dos grossos. Eu digo o que ouvi! – falou um tanto assombrado o rapaz.
--- Meu Deus do Céu. Agora deu! Você não sai daqui mais! – reprovou a moça.
--- Ora não saiu. Eu vou me levantar e ver se na sala se deixou alguma coisa! – respondeu de pronto Armando temendo o que podia ser.
--- Vou também! Espera!!! – se vexou a moça cobrindo o corpo com um penhoá.
Com um pouco de tempo os dois amantes saíram para a sala de jantar. Ela acanhada toda, se cobrindo pelas costas do rapaz. E esse, com medo até, foi seguindo devagar em direção a sala onde ouvira com certeza os passos terminar. Na sala de janta aonde eles chegaram a poucos momentos tudo estava em ordem. Tudo ali estava arrumado com presteza. Norma servira o jantar da noite e guardara todos os utensílios em seus locais. Nem um arranhão para se notar. Nem mesmo na geladeira a gás havia qualquer negocio. Mesmo depois de abrir a geladeira e examinar o seu interior, Norma não notou qualquer anormalidade. Tudo estava pronto. E até mesmo no guarda-louça tudo estava coberto com panos como a moça colocara. Não mais temendo, Norma foi até a cozinha e olhou os quatro cantos. Ali tudo estava em perfeita ordem como a moça deixara na noite anterior. O casal saiu da cozinha e foi até a porta do quintal onde Armando pode ver uma velha construção, certamente à construção paupérrima para os escravos dormirem naquele local. Ele nada perguntou. Olhou e calou. Norma depois de abrir a porta não notou nada desigual onde até havia batente para descer ao rés do chão.
--- Estranho! Nada de anormal! – argumentou a moça alarmada.
--- É. Pode ser. Mas eu ouvi o passar de uma pessoa quarto afora. – respondeu Armando muito baixo.
--- Vamos ao quarto das moças. Pode haver algum sinal. – respondeu Norma Vidigal.
No quarto fechado ela abriu com força para olhar tudo existente por entre as camas das moças quando eram meninas. Ao chegar ao local, Norma abriu a janela pesada feita de madeira bem acabada e fechada com uns ferrolhos de tranca, longos, dando da ponta de baixo a de cima. Para abrir o ferrolho a moça teve de fazer uma força enorme, pois a ferrugem estava a comer o metal de bronze.
--- Puxe aqui, amor! – pediu a moça a Armando.
Esse, de imediato sacudiu com força o ferrolho de tranca até soltá-lo de vez. E pela força que fez logo viu ter nada a abrir a janela enorme. Então, o casal foi até a porta de entrada de o casarão verificar se algo de estranho tinha ocorrido na parte da noite. A porta de dupla face ainda estava trancada com Norma deixara na noite anterior. Nem a porta ou nenhuma janela fora aberta pelo lado de fora. E mesmo se alguém estivesse pelo lado de dentro da casa grande também não ousara tocar em nenhuma tranca.
--- Você ouviu mesmo o barulho, querido? – indagou Norma apavorada com a certeza do rapaz
--- Ouvi! Não estou dizendo? Eu ouvi um barulho de sapato de sola a andar pela casa até chegar à sala de jantar. – tremeu de medo o rapaz ao dizer tal fato.
--- Sei não. Só tem uma coisa a ser feita: falar com dona Carmozina! – falou a moça tremendo de medo por causa da aparição da noite.
--- Quem é Carmozina? – quis saber Armando a tremer de medo.
--- Uma velha. Ela é descendente de índios. É muito respeitada por essas bandas. Seu avô foi um índio terrível. Serviu aqui na fazenda quando era do meu avô. O pai desse índio era também índio e serviu ao meu bisavô. Era chamado de “Flecha”. Ela tem um filho índio já bem velho. Porém mais novo que sua mãe, é claro. – respondeu Norma a tremer os dentes.