segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

ACASO - 34 -

- Polly Bergen -
- 34 -
AO PASSADO
Na manhã de um dia qualquer os alunos tiveram folga para participar de uma. Um palhaço caía para frente e para trás ao som dos risos espetaculares da meninada. Os palhaços de perna de pau eram de todos os mais curiosos. E palhaços anões eram o contratempo com manhã de lazer onde havia cinema, teatro, cantores de ambos os sexos, patinadores, palhaços entre as demais atrações. Além disso, tinham pipocas, salgados, sorvetes, alfenins, picolés, água muita para os que estivessem com sede e coisas mais. Os garotos e garotas foram de ônibus com as suas mestras da escola até o parque de entretenimento. Palhaços era a graça da meninada. Gigantescos palhaços. Além do mais, tinham os cantores com as suas rabecas fazendo curiosas distrações em uma parte do parque. O teatro de bonecos era o encanto a parte. Havia de tudo naquele teatro. Entre outras coisas a cacetada da mulher em seu marido por causa de não se sabe o que. Tudo isso tomava a atenção da garotada a morrer de rir. E na sala de cinema havia a projeção de um filme antigo onde ainda não tinha o som. Era um filme mudo para todos os efeitos.
Joel e Elizabete estavam a sentar ocupando um espaço junto ao outro em cadeiras da frente. A mocinha sorria como queria com as peripécias vistas da tela dos considerados heróis daqueles tempos passados. O garoto acompanhava a mocinha. E tudo então era alegria. O filme era do Gordo e o Magro. E durava pouco tempo para depois vir outro também engraçado. Todos eram aparentemente mudos. Apenas uma trilha musical que se adaptou com o passar dos tempos servia de arranjo. Mas isso não impressionava a garotada. Nesse momento, acercou-se de Joel a fada Isabel. A infante ao menos delicada aproximou do local e perguntou a Joel tão displicentemente:
Isabel:
--- Queres ir ao passado? – perguntou a fada Isabel ao garoto.
Joel:
--- O que? Passado? Que passado? – falou relutante o garoto Joel.
Isabel:
--- Onde se está fazendo esse filme. – respondeu a fada Isabel.
Joel:
--- Filme? Esse daí? Como? – respondeu cheio de duvidas o garoto.
Isabel:
--- Indo! Em um vapt-vupt. Eu vou com você! Quer? – perguntou a fada Isabel.
Joel:
--- Mas eu estou assistindo agora, aqui! – respondeu desconfiado o garoto.
Isabel:
--- Você está assistindo uma fita. Mas eu te levo ao lugar onde está sendo feito agora a fita! Diga se quer? – perguntou outra vez a fada Isabel persuadindo o garoto.
Joel:
--- E eu posso ir? Mas como? Se eu estou aqui! – respondeu cheio de dúvidas o garoto.
Isabel:
--- Viajando no tempo. Você pode ir a qualquer lugar. A esse estúdio. Às ruas da cidade. E a muitos outros locais! É só pensar! – sorriu a fada Isabel.
Joel:
--- Pensar? Mas como? – estranhou o garoto em poder pensar.
Isabel:
--- Do mesmo modo como você pensou em ver os pescadores. – sorriu a fada ao garoto.
Joel:
--- Ah! Já sei! Eu penso logo eu vou! – sorriu o garoto para a fada Isabel.
Isabel:
--- Está vendo como é fácil? Vamos! – sorriu Isabel a contemplar o garoto arteiro.
E logo os dois seguiram ao passado. E entraram no set de filmagem; e observaram de tudo um pouco. Desde as moças a dançar em um salão até chegar a ver dois artistas: um muito gordo e outro magricela. Eles estavam sentados esperando a vez de entrarem em cena. E Isabel teve de explicar ao garoto Joel:
--- Eles vão entrar em cena. Espere! – disse-lhe Isabel a contemplar o cenário modesto.
Joel:
--- E eu posso conversar com os artistas? – indagou o garoto já presunçoso.
Isabel:
--- Não! De jeito algum! Você está invisível aqui! Você é o futuro! E ninguém sabe que voe existe ainda! Você é o futuro! – respondeu de forma abrupta a fada Isabel.
--- Futuro? Mas que futuro? – indagou perplexo Joel.
Isabel:
---Futuro é o que vai acontecer. E você está no passado! Então ninguém pode ver você! E nem você pode tocar em nenhum deles. Entendes agora? – perguntou a fada Isabel com o ar de seriedade.
Joel:
--- Hum! Mais ou menos! – respondeu Joel em um caso de dúvidas.
Isabel:
--- Vamos sair daqui para eu te mostra outros setores do passado que você deverá conhecer em algum tempo! Chegue! – chamou a fada em um dado momento.
E ambos saíram do set de filmagem e foram parar em um local de alguma cidade em outro Estado. Por lá havia um fotógrafo a fazer imagens de uma porção de gente, em um tempo remoto. Todos estavam em fileira juntos e separados a uma só vez. Uma senhora com um menino de seus oito anos, passavam ao lado do fotógrafo. Esse com a cabeça enfiada por baixo de uma espécie de lençol a ajeitar o foco da maquina. E a senhora a passar com máxima pressa. O seu vestido longo e elegante a cobri-lhe os pés. A blusa fina de seda cobria-lhe até o pescoço. O chapéu redondo e branco era tudo o que se ver. Um cinto escuro separava a saia de franjas rodadas era o máximo da moda. E o menino, era um vestir emplumado, camisa branca com colarinho ao pescoço, chapéu escoteiro, branco, calças longas de tecido  enfiadas nas perneiras do meio da canela até os pés. A diva chamou Joel a sua atenção, pois, no momento onde eles estavam a passear, ela sobrava ao ouvido do menino. Mas, de sua parte, o menino só fazia com o dedo como se fosse uma coceira a lhe perturbar. E isso, Isabel fez:
O garoto Joel ficou a espiar e logo viu o menino coçar a sua orelha. Ele perguntou a sua diva se poderia fazer igual. E Isabel respondeu com justa causa:
Isabel:
--- De modo algum. Você é o futuro! – advertiu a ninfa ao seu garoto.
Isabel:
--- Vou te mostrar outra proeza. Você está a ver aquelas moças sentada a frente ao fotografo? Eu vou até lá me por atrás e sair na foto!. Eu estou toda de branco!. Veja!. – disse a moça a sorrir e saindo para o local apropriado.
Com pouco tempo a ninfa retornou  sorrir. E quando o garotou perguntou a Isabel:
Joel:
--- Eu posso também? – perguntou Joel cheio de vida.
Isabel:
--- Não! Você é o futuro! Por isso, não existe ainda! – reclamou a ninfa ao garoto.
E Joel respondeu enigmaticamente:
Joel:
--- Eu sou o futuro! – relatou o garoto sem sorrir.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

ACASO - 33 -

- Keira Knightley -
- 33 -
BANHO DE MAR
Um dia, à tarde, Joel e Elizabete rumaram para a descida da praia, onde poucas pessoas estavam a tomar banho de mar. Uma turma de pescadores fazia o arrastão em uma parte mais distante. Os homens e rapazes puxavam a rede de pesca para fora da água com os seus corpos pendidos para trás. Era uma turma de vários homens e rapazes. Enquanto isso, meninos e meninas ficavam de fora a olhar seus pais ou irmãos a improvisar aquele serviço noturno ou diurno. Era uma ocupação a se fazer diariamente pelos homens do mar. Eles aproveitavam a maré vazante para compor a rede de pesca. Coisa fácil para quem apenas olhava e difícil para quem executava. Não havia poesia e nem história a cantar e contar. Apenas os homens teciam o serviço mais que árduo. A dupla olhava para os pescadores, do alto do morro e nada falavam como se eles fossem dois observadores celestiais. Joel mirou o mar em toda sua extensão para ver o local de melhor recanto para ele ir tomar banho. Nesse momento, Joel perguntou a sua namorada do faz de conta:
Joel:
--- Acolá tem pedras. Mas é um local melhor para se tomar banho. – falou o garoto.
A mocinha viu a cara o garoto e respondeu:
Elizabete:
--- Tu tomas! Eu fico só a olhar. Estou sem roupa! – respondeu a garota como a se desculpar.
Joel:
--- Besteira! Não tem ninguém lá. E as pedras encobrem a gente. – respondeu Joel.
Elizabete:
--- Tu tomas! Vai nu? – indagou a garota ao seu namorado de faz de conta.
Joel:
--- Tô de calção! E você? – perguntou Joel sem ter menor intenção.
Elizabete:
--- Eu não vou! Fico só a olhar você. E pronto! – respondeu a garota ao  ser indagada mais uma vez com sua voz de quem não vai mesmo.
E a dupla saiu na carreira ladeira abaixo, pisando em pedras, chutando a areia, arrastando o mato em um corre-corre sem fim. Ninguém se metesse a besta porque os dois – Joel e Elizabete – não se apanhavam tao cedo. Quatro burros que pastavam em um local remoto não se assustaram, apesar de um deles, ao ver a peripécia do casal, passou a relinchar como quem dizia: “Pega ele mulher!”. Na metade da ladeira o bonde trocava a posição da lança e os passageiros embarcavam todos de uma só vez. A conversa dos passageiros era a mesma de sempre: o governo e os políticos. Mesmo assim, os dois infantes nem ligavam para tal, pois o seu pego não pega era o que dava a maior emoção.
Em pouco instante Joel, quase nu, estava tomando banho de mar em uma lagoa por entre as pedras dos arrecifes os quais protegiam o avanço da maré quando cheia. Mesmo assim, havia um lado sem proteção onde a água do mar avançava até as encostas do paredão e dali descia novamente para o oceano. O paredão tinha uma altura de cinco metros e para descer se tinha que procurar lugares de mais acesso. E foi por um desses locais que Joel pulou para a praia. A mocinha Elizabete ficou a observar o seu amado a se embrulhar nas águas mansas da lagoa entre pedras e sargaços enquanto a jovem ficava a sorrir das peripécias do garoto a brincar dentro de um mar de um verde claro e quase sempre embranquecido. Uma jangada voltava a praia mais distante do local onde Joel estava. A jovem Elizabete olhou muito bem para a jangada ainda longe de encostar. Mais outras três jangadas rumavam de muito longe onde a mocinha apenas divisava a cor das velas. E essas jangadas também deviam aportar em um mesmo lugar que a mais perto estava. O vento morno soprava a face da donzela e um zunido tomava conta dos seus ouvidos fagueiros. O cheiro forte da brisa marinha era o que mais acalentava a jovem infante no seu prazer de descansar sozinha naquela furtiva beira-mar. A relva plana encima do paredão dava abrigo as borboletas de asas douradas a enfeitiçar o tenro mato entre tantas outras borboletas azuis, amarelas, brancas e de variadas cores. O vento cálido desdenhava ao derredor as brumas verdes do sereno acaso. No oceano distante a mocinha abismada procurava ver mais longe de aonde vinha à caravela navegante em certo tempo onda havia apenas a água cálida e turbulenta. E o ar e a brisa morna sopravam mais forte ainda a acoitar o cabelo crespo e loiro da mocinha amada. De repente, um susto: Um homem maltrapilho vinha a cada passo de um local distante, talvez do ancoradouro das jangadas pescadoras. A mocinha se levantou da relva e correu por entre matos em busca de proteção do garoto Joel. O seu coração batia forte e temeroso. Ela disse apenas:
Elizabete
--- Um homem! – falou assustada Elizabete ao chegar mais próxima do garoto.
O garoto se levantou do meio da lagoa e olhou para fora e para longe. Nada ele pode ver. E respondeu enfim:
Joel:
--- Pescador, sinhá boba! - respondeu Joel a sorrir mergulhando logo após nas aguas cálidas do mar sereno.
Elizabete:
--- Ele vem pegar a gente? – indagou assustada a mocinha temendo o efeito da emoção.
O menino sorriu de onde estava dentro do lago. E então respondeu:
Joel:
--- Talvez! Principalmente as meninas gordas como você! – disse o garoto a sorrir.
Elizabete verificou seu corpo e bateu com o pé. E disse:
Elizabete:
--- Gorda é a sua mãe! Bruto! Cavalo! Cheira sovaco! – sacudiu a mocinha o verbo para cima de Joel com ampla brutalidade.
O garoto não teve outra e então sorriu. Logo após mergulhou na água morna do mar.
Com o passar do tempo Elizabete se despiu em parte, ficando apenas de roupa de baixo e de corpete relatando de vez para o garoto.
Elizabete:
--- Não olhe para trás. Vou entrar na água. – disse Elizabete ao tempo em que mergulhou no banho de uma só vez.
O dia já estava a acabar com o Sol a desaparecer por detrás dos verdes matos na altura da colina. Era tempo de se ir para casa. A mocinha, ao entrar na sala não avistou a sua mãe. Com certeza dona Eliza havia saído para fazer as compras da noite. Elizabete entrou bem devagar e se trancou no banheiro para tomar seu banho de água fria e ao tempo de lavar o seu cabelo, retirando a sujeira que ficara deixada pelas águas do mar bravio. Uma delícia de banho. E em seguida ela ouviu a tranca da porta de saída da sua casa e se lembrou de sua mãe. Elizabete logo clamou:
Elizabete:
--- Mae? – falou bem alto a mocinha.
Uma voz:
--- Sou eu. Onde está sua mãe? – perguntou a voz como se estivesse preocupado.
Elizabete:
--- Deve ter saído meu pai! – respondeu a mocinha ao senhor Paulo Rebouça.
O senhor Paulo Rebouça Lemos se aquietou e foi ouvir o rádio enquanto tirava os sapatos e coçava os pés com uma régua. Já estava quase noite quando a mulher Eliza chegou da mercearia com os pacotes nas mãos. A essa altura Elizabete já estava trancada no seu quarto de dormir a enxugar o cabelo loiro e encaracolado. A mãe, Eliza, apenas perguntou onde a moça esteve a tarde toda.
Elizabete:
--- Em casa de Magali. – respondeu a filha a sua mãe.
Eliza:
--- Magali? Estranho! Ela esteve aqui à procura de você! – respondeu Eliza com cisma.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

ACASO - 32 -

- Audrey Tautou -
- 32 -
CÉU E INFERNO
Na segunda-feira tinha aula de religião. Antônio dos Santos. O ponto da discórdia entre os outros colegas alunos. Tinha sido removido para outra classe.  Por isso a aula devia transcorrer normalmente. A professora de Religião era uma Freira, Irmã Dulce dessa vez. A classe estava quieta para ouvir tudo o que era para dizer sobre religião e, possivelmente, nenhum dos alunos faria perguntas. A aula seguiu tranquila até o ponto em que Joel Calassa teve a audácia de indagar:
Joel:
--- Professora! Dá licença? – perguntou Joel a Irmã Dulce.
Irmã:
--- Pois não querido aluno. – respondeu a Irmã.
De lado, a garota Elizabete cutucou Joel e advertiu ser ela uma Freira. O menino voltou a fazer a pergunta:
--- Tão me cutucando aqui pra dizer Freira. – respondeu o garoto.
Elizabete:
--- É Irmã, seu cavalo! – respondeu baixinho a sua colega.
Joel:
--- Deixa eu perguntar sinhá cavala! – respondeu Joel para Elizabete.
Irma:
--- Deixem de arengas. Vamos a questão do aluno! – falou a Freira de forma branda a sorrir.
Joel:
--- Existe Céu? – indagou Joel a Irmã.
A Irmã Dulce muito tranquila enfim respondeu:
Irmã:
--- Claro que existe. É onde está o mestre e para onde nós iremos. – sorriu a Irmã ao responder a questão levantada pelo garoto.
Elizabete:
--- Claro que existe seu Macarrão de uma figa! – se intrometeu a mocinha Elizabete.
A classe toda entrou em delírio, a gargalhar com a pergunta feita por Joel. Isso demorou a acalmar. Mas por fim, o negocio voltou ao normal.
Joel:
--- E o inferno? – perguntou o aluno a Irmã Dulce.
A classe toda gargalhou por longo espaço de tempo. Assobios, bolinha de papel e tudo o que podia voar os alunos arremessaram na cabeça de Joel.  Por fim a classe acalmou.
Irmã:
--- Também existe. É o lugar do Demônio e dos seus amigos. – fez ver a Irmã Dulce olhando direto para  garoto Joel.
Joel:
--- É danado! Mas o Céu fica em cima ou do lado? –  apontou Joel com o dedo para cima e para o lado a querer posicionar na verdade o Céu.
A classe inteira gargalhou. Os assobios não faltaram. E um dos alunos aperreado gritou:
Aluno:
--- Silêncio bocado de bosta! – disse um aluno aos demais.
Aí foi que a gargalhada se espalhou pela classe toda de alunos. Era uma batucada infernal sobre as carteiras da Escola. Enfim, o silêncio com o apelo feito pela Irmã Dulce apenas com as mãos.
Irmã.
--- Meu dileto filho. O Céu fica sobre nós e o Inferno está ardendo em chamas abaixo de nós. – ressaltou a Irmã Dulce.
Joel:
--- Mas se nós formos considerar a posição geográfica do Universo, o Céu está acima de nós. Se eu hoje estou sentado aqui, eu não estou com base para o Céu. Se levarmos em conta o nosso planeta e o Sol, nós estamos em uma vertical. E sendo assim, não estamos para cima ou para baixo do Céu ou do Inferno. A se levar em conta o Inferno ser para os maus elementos, então se pode notar ser o lugar abaixo dos meus pés. Esse é o inferno. E o Céu não está acima das nossas cabeças. Mas ao lado. Para cima. Além do mais, se for considerar que acima tem o polo norte, é claro, vê-se ter o Céu um lugar indefinido. Por isso, não é acima e nem do lado. Considere-se que o Universo é todo plano, uma teia de aranha por assim dizer. E então não há espaço para se navegar nem para cima nem para baixo. – reclamou o garoto com todo o seu palavreado.
A classe toda reclamou das alusões feitas pelo garoto Joel sem entender de nada. Assobios e bolinhas de papel foram a maior parte da questão. E a Irmã pedia tão somente:
Irmã:
--- Calma meus diletos filhos! Calma! A você, meu caro aluno (Joel) tem a te dizer ser o Céu e o Inferno enigmas da criação. Deus criou o Céu. Na verdade, Ele criou o Céu que nós vemos, como as estrelas e tudo mais. Porem, Ele criou também o Céu dos anjos. Arcanjos e Santos. Não é obrigado se posicionar em que lugar esteja esse Céu. Ele não é tratado como físico. E nem químico. É para que nós possamos crer em um lugar, um paradigma a que se possa ter após estarmos vivos e conscientes na Terra. – sorriu a Irmã Dulce completamente consciente do que falava.
Joel:
--- Em outros termos bem simples: Céu e Inferno não existem como nós queremos que eles existam. – refletiu o aluno Joel.
Irmã:
--- Bem. Isso fica ao livre arbítrio. – falou seria a Irmã Dulce na sua aula de religião.
Após a conclusão da aula, o aluno Joel Calassa foi chamado a Diretoria para ouvir conselhos da diretora Maria da Penha. E perguntou a professora de onde ele tinha rebuscado tanto saber para uma aula simples de religião E o garoto respondeu:
Joel:
--- Dos livros minha boa diretora. Se nós formos estudar com maior precisão, veremos duas coisas, no mínimo, importantes: a Religião e a Ciência. As duas jamais conseguem bater uma na outra. Se eu estudo ciência na classe, então eu deixo a religião para outro embate. Não se pode confundir o estudante a dizer o que a Ciência diz e o que a Religião prega. Ciência é Ciência. Religião é Religião. O Inferno é a causa do temor da morte. Ele prega as doutrinas. Ou seja: princípios que servem de base. É isso. – relatou sem temor o aluno.
Penha:
--- Você é católico, Joel? – perguntou com cisma a diretora.
Joel:
--- Sou. Mas não aceito a mistura da ciência com a Religião. – respondeu o garoto.
A diretora da Escola, Maria da Penha, ficou a pensar, olhando muito bem para o garoto Joel ser aquele rapazinho quieto ser um raro escolar de um Grupo que a mestra dirigia.  Ou de um ser superior capaz de decifrar o enigma do Céu e do Universo. A professora batia com seu lápis em cima do birô.  E logo após com as mãos sobrepostas cruzadas para trás, se levantou de sua cadeira e foi até a janela que dava para a rua. Ali pode ver o rapaz grande a procurar algo em sua casa. Talvez uma borracha. Talvez um lápis. Ou qualquer coisa dessa espécie. Alguém o chamou de dentro do casebre e ele se voltou para responder o que era preciso. Os seus braços abanavam para cima e para baixo como se sentindo desaforado. De imediato, uma mulher magra o advertiu seriamente. A professora viu a mulher, mas não podia decifrar o dizer que eles faziam. Maria da Penha apenas pensou em brigas.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

ACASO - 31 -

- Audrey Hepburn -
- 31 -
VISITANTES DO CÉU
A cada passo que davam eles olhavam atentos velhos Sóis, alguns ainda com luz e outros em eterno ostracismo de tanto tempo sem claridade. Planetas esquecidos, já sem vida, quase mortos, parados no seu tempo era a vida adormecida. Cometa que de brilhar então não tinha mais a sedução que então tivera em seu tempo. Estrelas esquecidas pelo  terminal estação, algumas em desmanches para se guardar em depósitos onde não mais podiam sair do local. Constelações jogadas ao léu, mais parecendo depósitos de quinquilharias postos a qualquer sorte. A Serpente do Mar já havia morrido. E suas estrelas também se recolheram ao eterno Buraco Negro, pois na verdade era azul. O Centauro estava a adormecer o sono letal dos cometas. A Nuvem de Magalhães, a mais brilhante entre todas, já havia perdido o seu apogeu. As nebulosas e seu grande aglomerado de nuvens repousavam o eterno sono do plasma. Os Pilares da Criação morrera para sempre. O Cinturão de Asteroides já pertencia ao passado remoto. E os duendes da Terra pesquisavam um por um os eternos milenares senhores universais. Era o tempo do ocaso.
Joel:
--- Como estão mortas essas velharias. – deduziu o garoto a olhar o Tempo.
Isabel:
--- Esse monte de coisas mortas é só um pequeno penhor de nossa era. – relatou sombria a sua companheira Isabel.
Joel:
--- Não diria nunca que esse fosse o Buraco Negro. Por acaso ele é azul. – respondeu Joel a observar os monstros sagados do passado.
Isabel:
-- Ainda tem mais o que se pode observar. Vamos nós sair pela parte de trás de Buraco. – salientou Isabel.
E os dois perambulavam olhando um caso e outro num silencio sepulcral onde todos os corpos vivos já pareciam amortecidos. E, por final, os dois saíram pelo espaço de trás e se remeteram para o presente onde Joel estava a dormir na tranquilidade da madrugada. Por fim, Isabel depositou um beijo na face do garoto e, por fim, sumiu.
Ao acordar, no domingo, o garoto sentiu um pressentimento de ter viajado para algum lugar do Universo e ficou simplesmente a pensar. A sua mãe, Isaura Calassa passou de repente e bateu na porta do quarto para advertir ao garoto:
Isaura:
--- Missa! Está na hora! Acorda! – falou Isaura para o menino preso ainda nos lençóis.
Ele ouviu um chiado de chinelas e logo pensou:
Joel:
--- Meu pai! – divagou Joel em seu pensar.
O homem falou algo com a mulher e não para Joel ouvir. El ainda entre lençóis a indagar se na verdade foi um sonho o que tivera. Ou não. A sua mãe passou depressa pelo quarto e abriu a porta para chamar por mais uma vez o garoto.
Isaura:
--- Acorda menino! Tá na hora da Missa! O padre não espera ninguém! Ora! – reclamou a mulher deixando a porta do quarto totalmente aberta.
Joel:
--- Já estou indo. Apenas descansar um pouco. Acordei agora. – respondeu o garoto.
A mulher vinha de volta da sala de visita e logo chamou outra vez:
Isaura:
--- Acorda vadio! Não tem nada disso! Levanta e vai tomar banho! Lava a boca para depois tomar café! Ora! – falou a mulher com altivez.  
Na volta da Igreja, Joel olhou a casinha de taipa onde o homem morava. Com certeza ele não estava em casa. Três garotos brincavam na frente da casa. A sua mãe veio de trás para frente ver o povo passar saindo da Igreja. No interior do quintal extenso havia um plantio de arvores algumas com saborosas mangas Rosa. De tao doce, chegava a dar água na boca, pensou o garoto ao ver as mangueiras. Um rapaz estava a tirar as mangas maduras enquanto outro rapaz tirava as mangas de cima onde o outro não podia alcançar. Folhas no chão faziam um verdadeiro tapete. Em um trecho do cercado, havia um buraco onde se depositava galhos de fruteiras e mesmo as folhas amortecidas pelo tempo. Joel Calassa notou esse buraco porque alí estavam a se queimar os galhos, as folhas mortas e talvez algumas mangas estragadas pela ação do morcego.  
Elizabete:
--- Que estas a olhar? – perguntou a mocinha ao garoto.
Joel:
--- Os homens colhendo frutas. – respondeu o garoto sem se preocupar com o vexame de Elizabete.
Elizabete:
--- Lá em casa tem mangueiras também. – respondeu a mocinha sem ser perguntada.
Joel:
--- Em quase toda casa tem. Mas ali é manga Rosa. Saborosa como que. – respondeu o garoto sem tirar os olhos dos dois rapazes
Elizabete:
--- Besteira! Lá em casa tem manga Bacuri! – respondeu a mocinha sem dar tréguas ao garoto.
Joel:
--- Já vai brigar, já? Sinhá burra! Bacuri tem um tumor na cabeça! – fez ver Joel com brutal insolência.
Elizabete:
--- BURRA É A SUA MÃE! Seu Macarrão azeitado! – disse a mocinha com despeito.
Isso fez com que o garoto corresse na frente e deixasse a mocinha para trás. E a mãe de Joel a chamar pelo filho.
Isaura:
--- Pissit! Volte já pra cá! – gritou a mulher venda também da missa.
Elizabete:
--- Deixa ele. Aquele Macarrão me chamou de burra também. – disse a garota perfeitamente despeitada.
Dona Eliza:
--- Menina! Que conversa é essa? Ouviu o que o Padre disse? – reclamou a mãe de Elizabete admoestando a filha rebelde.
A menina deu de ombros e correu atrás de alcançar Joel para lhe dizer que estavam empates e não queria reprovar o garoto. A sua mãe tinha lhe passado um carão. Foi o que Elizabete afirmou. O garroto deu de ombros como que dizia:
Joel:
--- Eu? Que me importo? – teria pensado Joel Calassa.
A residência de Isabel era próxima do local onde Joel e Elizabete devia passar na volta as suas residências. A garota tremeu de medo e disse que por ali não passaria pois era a casa da moça que se matou enforcada.
Elizabete:
--- Ela se matou dentro da casa! – conversou com bastante medo a mocinha.
Joel:
--- Ela está viva! Ora! – respondeu Joel ao falar de Isabel.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

ACASO - 30 -

- Sophie Marceau -
- 30 -
NOVAMENTE
Na tarde do sábado Joel caminhou para a Igreja ao lado de Elizabete, sua companheira e, às vezes, também namorada infanto-juvenil. Os dois trocavam ideias sobre assuntos de interesse comum. A infanta-jovem Elizabete falava sem parar do tempo havido para fazer o catecismo de modo a que todos entendessem os mandamentos da lei. E o garoto, distraído, olhava apenas as nuvens, cujos desenhos pareciam um animal. A mocinha a falar, falar e ele apenas a olhas as nuvens. Em dado instante, a jovem falou sobre os Mandamentos da Lei ditas por Nosso Senhor:
--- Isso muda tudo. – falou a ingênua garota.
Distraído que estava Joel pôs fé em uma silhueta das nuvens:
Joel:
--- Um cachorrão. – fez ver o menino jovem.
Tal termo aqueceu os ânimos da jovenzinha Elizabete que, de repente se voltou para Joel.
Elizabete.
--- Que? Cachorrão? Cachorrão é você. Bruto! Estupido! Ignorante! Macarrão! – fez ver a inocente jovem tudo aquilo de uma só vez.
Joel:
--- Hei! Espere! Estou falando das nuvens. E esse nome é você, sinhá bosta fedorenta! – reclamou o garoto com toda ênfase.
Elizabete:
--- É bosta fedorenta, é? É bosta fedorenta, é? É bosta fedorenta, é? –  Elizabete indagou nervosa e cheia de ira  e aproveitando jogou os cacos de telhas, bandas de tijolos, pau e pedra sobre o garoto que, de qualquer forma procurou se defender.
Joel:
--- Espera sua burra coiceira. Espera! – gritava o jovem rapazinho à menina moça que não parava de jogar sobre o seu algoz tudo que encontrava pelo chão.
A mocinha saiu em debandada para a Igreja e a correr atrás também estava o garoto Joel. Do outro lado da rua tinham uns casebres de taipa. Em um deles um homem olhava toda a cena com o seu cachimbo na boca sentado sobre um toco posto deitado. Entre uma cusparada e outra o homem olhava as duas criaturas e se punha a sorrir. A casa de taipa era locada em um terreno cheio de plantas, como jaqueira, bananeiras, mangueiras, coqueiros, pitombeiras e outras mais ou menos saborosas. Todos os dias. Logo cedo da manhã, o homem saía de casa com um balaio na cabeça a oferecer as frutas colhidas na hora. De tarde, o homem chamado seu Balaio nada mais tinha a fazer. E no sábado, principalmente. Balaio já vendera tudo o que tinha e o que sobrava ficaria para o dia seguinte. Mas quase nada sobrava. Balaio era apelido e o seu nome era Manoel Nogueira. Mesmo assim, todos os que compravam frutas ao vendedor o conheciam apenas por Balaio. E naquela hora, sem nada mais para o que fazer, Balaio sorria por demais com as arteirices do casal de garotos.
E Joel teve a sorte de escapar do jogar de uma banda de tijolo feito pela garota Elizabete. Foi nessa ocasião que os dois se atracaram. De certo tempo, a menina ficou pela frente de Joel, e esse a agarrou por trás em uma luta desigual para a mocinha. E ela gritava:
Elizabete:
--- Me solta! Me solta! Me solta seu ladrão de cocadas! Me solta! Me solta! Se não eu grito! – dizia a garota com um verdadeiro alarme por conta a reação do garoto.
Joel:
--- Não solto! Não solto! Não solto! Você não é quem dizer ser braba? Agora é que eu não solto! – gritava o garoto atracado com Elizabete,
Quando tudo estava enroscado entre a mocinha e o garoto, eis que surge para desatracar o homem forte conhecido por Balaio. Sem mais conversa o homem suspendeu do chão o garoto Joel e logo disse com severidade:
Balaio:
--- Vocês brigando? Não tem vergonha? Já para a Igreja. Ou eu chamo o padre para casar os dois. Ora! – disse Balaio largando o menino no chão.
Joel:
--- Ta vendo? Ta vendo? Ta vendo? Sinhá zaraolha!  - e se largou a correr para entrar na Igreja.
A mocinha fez o mesmo. Aturdida com a grandeza do homem, meteu o pé a correr num verdadeiro pega não pega e entrou na Igreja completamente assustada. A calma da Igreja tranquilizou os dois brigões do meio da rua. Eles entraram no templo e se toparam com João Clemente, sacristão da Igreja e auxiliar do padre e de dona Mumbé, a professora de catecismo de crianças que estão para receber a hóstia da primeira Comunhão. Ao notarem a presença do homem bastante forte e grande, os dois malcriados alunos do catecismo ficaram mais tranquilos. Joel e Elizabete seguiram até o banco da frente e depois de algum tempo, eles sorriram um para o outro.
À noite, Joel dormia. Noite silente de nadas se ouvir a não ser o vou do besouro ou os pássaros da noite toda. Alguns gritinhos de corujas. Mas isso era comum. A casa estava quase que escura. Apenas uma lâmpada no corredor era acesa. Ratos buliçosos a procurar o seu ninho nos cantos de parede. Da rua se ouvia os apitos estridentes dos guardas-noturnos e nada mais a não ser o latido de um cão ou um miado de gato. O sinal era que todos os habitantes estavam a dormir àquela hora da noite. Talvez madrugada. E naquele instante, Isabel se aproximou do leito de Joel. Calma e tranquila a mocinha puxou o dedo mindinho do pé do garoto como a querer acordá-lo. Em meio à penumbra da luz do seu quarto, em um abajur lilás para fazer sua competição com a luz do corredor, o garoto de momento acordou um pouco a dormir como um ébrio naquela quietude do lar. E falou inconsciente pelo que se passava.
Joel:
--- Vai pra onde? – perguntou sonolento o garoto.
A mocinha sorriu e disse apenas:
Isabel:
--- Vamos passear? – disse o espirito de Isabel a sorrir.
Joel:
--- Para onde? – indagou o garoto com todo o sono da vida.
Isabel:
--- Por aí. Ver de perto os Buracos Negros! – sorriu Isabel ao comentar um assunto que ele levantara na escola junto a professora Maria Eugenia.
Joel:
--- Mas eu vou lá ao Buraco? – perguntou a desconfiar o garoto da proposta feita por Isabel.
Isabel:
--- É. Se você quiser. Sendo não, vamos passear pelas estrelas. – respondeu delicadamente a jovem Isabel.
Joel:
---Pera! Deixa eu me vestir. – relatou o garoto sonolento.
Isabel:
--- Você já está vestido. – sorriu a jovem Isabel.
Joel:
--- Mas faz frio lá fora! – argumentou o garoto com medo de sair de casa sem um roupão.
Isabel:
--- Besteira. Faz nada. É só uma volta. – sorriu Isabel a persuadir o garoto
E os dois duendes seguiram para o universo infinito onde tudo não passava de um sonho. Ele e a mocinha percorreram o espaço e entraram no buraco negro. E viram de tudo que os homens não podiam ver. Sois a brilhar, planetas, satélites e tudo o mais que não se nota mais no espaço. Era verdadeiramente um encanto aquilo que os duendes podiam ver e quase a tocar com as próprias mãos.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

ACASO - 29 -

- Ursula Thiess -
- 29 -
A QUESTÃO
A professora estava entretida na leitura do livro e mal escutou o que informou Joel o qual permaneceu calado por alguns segundos. Ele estava a ouvir as recomendações de Isabel para deixar a professora entretida até a mulher recuperar a sua memoria em direção ao que acabara de dizer o aluno. Isabel estava viva, mas para o outro lado:
A professora:
--- O que você disse? – indagou a professora Maria Eugenia se desocupando do livro.
Joel:
--- Nada. – respondeu o garoto sem maior pretensão.
Isaura:
--- Você não falou em uma moça? – perguntou a mãe de Joel.
Joel:
--- Foi. – ajeitando os pes a parar de balança e começou a coçar um no outro.
Eugenia:
--- O que tem a moça? – indagou sem muito prestar atenção a resposta do garoto.
Joel;
--- Isabel não morreu. – disse outra vez o garoto.
Eugenia:
--- Ah sim. Eu me lembro. Como não morreu? Aquela menina? – perguntou assustada Maria Eugenia ao garoto Joel Calassa.
Joel:
--- O povo diz isso. Mas ela não morreu. – replicou Joel a Maria Eugenia.
Eugenia:
--- E quem morreu afinal? Pelo jeito uma menina se enforcou depois de se confessar. – falou repentinamente a professora Maria Eugenia.
Joel:
--- É. Mas ela não morreu. Ela está viva. A gente já passeia por ai. – respondeu Joel coçando um dos pés.
Eugenia:
--- Ah sim. Eu pensava que ela tinha morrido. Como não morreu? Ela morreu sim! Mortinha da silva! – respondeu a professora Eugenia totalmente desnorteada.
Um silêncio pairou no espaço e no tempo. Nesse momento, dona Isaura Calassa, mãe de Joel, teve que se ausentar por uns poucos instantes para cuidar do café para a visita. O menino Joel olhava para o chão e de outras vezes fitava a professora. Uma nuvem caiu sobre a memoria da professora Maria Eugenia. E ela não ouvia mais o menino Joel. Quem estava a falar nesse instante era a jovem menina Isabel. E somente a professora Eugenia tinha a condição de ouvir a menina moça. Nem mesmo Joel sabia o que Isabel falava através dele. Era um mundo no qual apenas as duas pessoas, Eugenia e Isabel, poderiam dialogar com certeza. E foi assim que a historia teve início:
Isabel:
--- Eu sou Isabel, minha senhora professora. – falou Isabel a mestra com muita calma.
A mestra Eugenia, pois apenas a falecida garota tinha o habito de falar como falou: senhora professora. Da sua vez, a professora indagou o que estava alí a fazer a enigmática donzela.
Mestra:
--- Que estás a fazer, virgem donzela? – indagou a professora Eugenia quase assustada.
A garota sorriu muito levemente. E então, falou:
Isabel:
--- Eu estou aqui, minha querida senhora professora, por um motivo muito simples. E o que eu desejo falar, a senhora, professora, não devereis se recordar, pois estivemos nós a viver como gente, em uma época distante. Era o ano de 1174 quando eu nasci pela enésima vez. E na mesma data nascia Edwiges, na Alemanha, filha de Bertoldo IV da Morávia e de sua esposa Inês de Rochlitz. A menina Edwiges, conhecida apenas por Jadwiga Slaska, viveu num ambiente de luxo e riqueza, o que não impedia de ser simples. Eu era a filha de uma governanta. E crescemos juntas. Ao sabor do tempo, minha amada e senhora Eugenia, eu e Edwiges, éramos crianças de uma mesma idade. E assim crescemos, até a idade de termos nos separados. Edwiges casou aos doze anos com Henrique I, príncipe da Silésia, na Polônia, tendo sido mãe por seis vezes. Ela era uma pessoa culta. E eu, uma simples filha de uma governanta, senhora professora. O que eu estou a dizer apenas a senhora, minha amada Eugenia eu sei que quando acordares desse transe jamais se lembrará de coisa alguma. A senhora apenas irás rever a nossa historia quando passares para esse lado da vida. – relatou com suave enlevo a moça Isabel alí ao lado do menino Joel.
E de repente a professora Eugenia acordou daquele sonho misterioso, sombrio e enlevado. À sala surgia a senhora Isaura Calassa, mãe de Joel, com uma chávena posta em uma bandeja, onde se podia notar a presença de xicaras, açucares e biscoitos doces e açucarados. Isaura serviu a professora uma xicara de café, pois na bandeja estava o café e o chá. A moça preferiu café e em seguida agradeceu:
Mestra:
--- Obrigada. Não precisava de tamanha feitura. – disse Maria Eugenia a sua por menos alegre mulher, dona Isaura.
Isaura:
--- Não custa nada. – respondeu a mulher com um leve sorriso.
Eugenia:
--- Não me faça fazer viciada. Pois eu adoro tomar uma xicara de café. – disse Eugenia a Isaura.
E a conversa girou em torno de café, chá e vícios de se ter a tal chamada merenda ou o Chá das Cinco. Com isso as senhoras soltaram breves gargalhadas quando teciam tais efemérides passageiras. O garoto olhou para os pés:
Joel:
--- Mãe! Vou lavar os pés. - e olhou com gesto desconfiado para a mestra ao lado.
Isaura:
--- Tome banho! E tire o seró das orelhas. – fez ver a sua mãe.
Eugenia:
--- Menino travesso! – sorriu a professora do garoto.
Era uma tarde amena aquela da sexta-feira. Não tardaria em chegar a sua residência o chefe geral, Jaime Calassa. Com certeza ele já estava próximo a conversar coisas triviais com os amigos da vizinhança. Eugenia já se postava a porta para sair. O menino, após o banho, vinha todo molhado a enxugara sua cabeça com a toalha felpuda. E nesse ponto o garoto perguntou a Maria Eugenia.
Joel:
--- Já vai professora? – indagou o menino meio assanhado da cabeça.
Eugenia:
--- É preciso. Já empreguei muito trabalho à tua mãe. – respondeu Maria Eugenia.
Isaura:
--- Ora! Fica mais! Não deu trabalho algum. – sorriu sem querer a mulher Isaura Calassa.
Joel:
--- Eu tinha até que fazer perguntas a senhora. Mas deixa para segunda feira. – sorriu o menino
A tarde começou a cair e o sol brilhante já deixara o seu rubor para dormir sonolento após as cinco horas. Pássaros canoros volteavam em bandos em busca do seu agasalho. O homem do pão voltava como sempre sem nada mais a oferecer.