domingo, 5 de maio de 2013

"NARA" - 47 -

- Evan Rachel Wood -
- 47 -
CONTINUA
A conversa continuou por mais tempo quando Amaro e seu filho tomavam café da manhã na sala de serviços. A questão de Margarida era o toque principal. Ela era menor de idade. Isso seria bom.  E estava pendente o caso de defloramento. Esse era bem mais grave. Contudo, o motorista foi morto em consequência de o tiro desferido por Margarida. Sempre que há crime existe um culpado. Nesse caso “todos” viram um “homem” de fora atirar em Salvador, o motorista. Mesmo com o depoimento de quem estava por perto, não valeria muito se a defesa da vítima, no caso Salvador, pusesse por terra tal questão. Seria alegação por demais de “falso testemunho” para todos os efeitos. A Polícia não havia procurado a moça até aquela data. Nesse caso, o fato estava a “esfriar” um pouco mais. Era essa a chave da questão levantada por Eurípedes. Ligando-se a saída de Margarida para a capital se teria então a “fuga”. Esse caso seria levantado pela Promotoria. E a conversa entre pai e filho não terminaria nesse ponto. O melhor seria constituir um advogado para Margarida, uma vez ter havido suspeita de a moça ter arribado da fazenda.
Eurípedes:
--- Doutor Vilaça é um bom advogado. Seria bom consulta-lo. – lembrou o médico.
O velho observou se havia gente por perto e nada comentou. Com um pouco de tempo surgiu Margarida vida do quintal e passando na sala de jantar. Então a moça cumprimentou o médico como se nunca o tinha visto e saiu a galope. O velho Amaro olhou para o filho sem nada dizer. Eurípedes foi quem chamou:
Eurípedes:
--- Menina! Volte aqui! – disse o médico com alegria.
Margarida:
--- Eu? – perguntou surpresa e sorriu.
Eurípedes:
--- Nós não nos falamos desde que a senhoria voltou. Venha! – continuou a chamar.
Margarida sorriu e deu meia volta se acercando de Eurípedes. De imediato foi dizendo:
Margarida:
--- Bom dia. Em que posso ser útil? – sorriu a mocinha.
Eurípedes:
--- Apenas um beijo. E me contar as novidades. – sorriu o médico.
De pronto a moça concordou com o pedido e disse não ter muita coisa a contar. E assim  ficou de pé junto Eurípedes a sorrir bastante. Enfim, Eurípedes puxou a moça pela cintura e fez a mesma se sentar em seu colo. Naquele instante o rapaz reclamou e pediu que Margarida saísse:
Eurípedes:
--- Cu duro! Vai matar o cão! – disse o rapaz a sorrir enquanto a moça saía de cima do doutor.
Margarida:
--- Foi o jeito de me sentar. – disse a moça a sorrir.
E os dois conversaram um tempo, não muito, é verdade, porém o instante desejado pelo médico. Ele não quis se adiantar no assunto do crime de Salvador, mas perguntou por sua mãe  Clotilde e a moça deu como resposta ter a mulher saído logo cedo com uma comadre para assistir o Santo Oficio da Missa devendo retornar dentro de instantes. O médico sorriu e agradeceu dando-lhe um tapa nas nádegas ao se despedir por instantes. A moça olhou para trás e nada falou. Apenas sorriu com a molecagem do seu irmão. Nesse mesmo instante entrava na sala de jantar a jovem Rócia com acara de sono. E de imediato pediu a benção do seu pai e deu um beijo no rosto do seu irmão. Os dois conversaram um pouco e Rócia saiu para o toalete do banheiro. De longe, Eurípedes falou a gracejar:
Eurípedes:
--- Veja se não fede! – falou um pouco alto.
A moça nada respondeu, mas deu uma boa gargalhada.  
Pouco antes das nove horas Eurípedes estava em casa de Nara. Consultas ou coisa e tal mais a lembrança de, na segunda feira, Nara teria de ir à Maternidade para fazer o acompanhamento por conta a enfermidade descoberta. O pai de Nara chegou do mercado onde fora tagarelar e cumprimentou o seu futuro genro. Na ocasião Sisenando falou sobre as aulas dos Grupos e Colégios. Nesses locais não havia aulas por esses dias devido ao terremoto. Os professores teriam assembleias nesse sábado para decidir o futuro dos escolares, pois em algumas escolas a situação era vexatória. Além de escolas, outros departamentos federais, estaduais e do próprio município entraram em colapso.  O Departamento de Transito foi um dos tais.
Sisenando:
--- Caos! Um caos! – relatou com exatidão.
Por seu lado, àquela hora, o velho Amaro Castro chegava à fazenda. Ele teria de buscar outro caminhão tanque para fazer o abastecimento de água para o seu minguado gado.  Na cidade de Santa Cruz a situação era vexatória. Os carros tanques, quase todos, operavam para a Prefeitura a conduzir água para abastecer as moradias. Igualmente na cidade, não havia aulas nos Grupos e as repartições estavam paradas por ter havido prejuízos nas suas dependências por conta do recente terremoto. Até o cemitério do lugar se encontrava com muitas covas a descoberto. Também havia falta de água e os coveiros abandonaram o serviço.  Na Rodoviária ninguém mais estava. Era tudo desamparo. Havia uma parada de ônibus onde meninos vendiam cocadas e coisas assim. Uns ébrios a dormir sossegados como se nada houvesse a ter. Mulheres de roupas sujas andavam para um lado e para outro sem saber para onde ir. Um rapaz com um calão de água era tudo o que se via. Havia velhos a sentar em uma pedra e comentar a desgraça havida por causa do tremor. Uns cuspiam. Outros mascavam. Um mendigo passou para qualquer canto. Meninos jogavam com pedras como se fossem bolas de gude. Sol já quase a pino. Uma carroça passou conduzida pelo homem a levar uma carga de bananas. Gado solto pela rua. Isso era tudo o que existia em Santa Cruz esgotada pela seca. No igual instante chegou a praça o velho Amaro Borba em busca de um caminheiro qualquer. Dois ou três velhos estavam a cozinhar conversa e quase não ouviram o dono da terra. Tomaz acompanhava o patrão. E foi ele quem falou:
Tomaz:
--- Bom dia. Eu busco o homem do carro d’água. Por favor, os senhores sabem onde encontro? – indagou.
Velho olhou para Tomaz de cima abaixo como quem faz careta e logo declarou:
Velho:
--- Seu menino! O senhor espere um pouco, pois daqui a instantes chega um na praça. – falou o velho.
Tomaz:
--- Tem muitos? – indagou.
Velho:
--- Uma ruma! A maior parte trabalha pondo água para seu prefeito. Mas nem todos. Se mal lhe pergunto: como se chama? – indagou o velho.
Tomaz:
--- Eu me chamo Tomaz. Pois tá bom. Eu espero. – falou o vaqueiro.
E rodopiou nos pés caminhando para o local de onde tinha saído. Tirou o chapéu da cabeça para poder coçar. O velho era do mato e sabia muito bem quem era o vaqueiro. De imediato, Tomaz chegou até onde ficara o veículo e fomentou para o patrão ser possível encontrar alguém a transportar água. Mas, o pessoal estava fazendo transporte para a Prefeitura. Isso levaria algum tempo. Era preciso esperar alguém. O homem ficou amuado e salientou ser necessário se ir para uma sorveteria ou coisa assim. Ele estava com bastante sede. O vaqueiro concordou. E pediu para ficar a espera de alguém para fazer o trato.
Tomaz:
--- Eu fico aqui esperando o motorista. O senhor pode se dirigir aquele quiosque. – apontou o vaqueiro.
E o tempo se passou por um longo período até Tomar ouvir a zoada de um motor. Na verdade era um caminhão de transporte de água. Ele se pôs a beira da estrada e fez sinal para o motorista. Sem maior cuidado o motorista brecou o caminhão tanque próximo ao local onde estava Tomaz e indagou a razão. O vaqueiro disse que seu patrão precisava de água para o gado e não mais chovera no sertão.
Motorista:
--- Onde fica a fazenda? – indagou o motorista.
Tomaz:
--- Perto da Lagoa dos Burros. Tem estrada. Fazenda Boqueirão. Logo perto. – explicou com razão o matuto.
Motorista:
--- O patrão? – indagou cismado.

sábado, 4 de maio de 2013

"NARA" - 46-

- Cláudia Matos -
- 46 -
DESTINO
No sábado, ainda cedo, Eurípedes estava sentado em sua cadeira de palhinha lendo as notícias do dia em um jornal da cidade. O seu pai, Amaro Castro, ainda não tinha saído para a fazenda e estava sentado na cadeira de balanço. Ambos estavam na entrada da sua casa. O velho, a matutar, nada dizia. O filho apenas lia as noticias. E o tempo seguia com o valho Amaro negociando consigo mesmo. Por sua vez, Eurípedes comentava devagar as noticias já vistas por ele em outros jornais da tarde do dia anterior. Foi nesse ponto quanto Eurípedes indagou:
Eurípedes;
--- Margarida? – sem tirar a vista do jorna.
Amaro:
--- Lá dentro. – respondeu o velho.
Eurípedes:
--- Veio de vez? – indagou ainda lendo.
Amaro:
--- Vamos ver. – comentou meio baixo o velho.
Eurípedes:
--- Por que “vamos ver”? Houve problemas? – indagou preocupado o rapaz já sabendo de distúrbios na fazenda.
Amaro:
--- É. ...Negócio besta. – relatou o homem sem querer declarar.
Eurípedes;
--- E esse “negócio besta” tem nome? – indagou ainda lendo o jornal.
Amaro.
--- É. Tem. Mas é sem importância. – comentou bem baixo o fazendeiro.
Eurípedes:
--- Meu pai! O senhor está se metendo em encrencas. Esse “negócio besta” pode terminar em cadeia. – fez ver o médico.
Amaro:
--- Que nada. Não dá em nada. Ela é menor de idade. E a questão foi à honra da menina. – confessou o fazendeiro.
Eurípedes:
--- Honra? Que honra? O homem agrediu a moça? – perguntou com segurança o médico.
Amaro:
--- Ela disse que “não”. Mas foi “desonrada”. – comentou o velho.
Eurípedes:
--- Houve sexo? – indagou novamente o médico.
Amaro:
--- Não sei. Parece. Não sei. – pensou o agricultor.
Eurípedes:
--- Se não houve sexo, não houve desonra. É melhor me contar a história. –
O velho Amaro ficou um tanto desconfiado e por uns instantes calou. O balaeiro chegava à casa do velho e se escorou na mureta a espera de alguém para atender. No instante veio à doméstica e o homem, já exaurido, pois os pães na bandeja. Um veículo de praça passou “desembestado” pela rua. Meninos atiravam pedras em um cajueiro à frente da casa do outro lado da rua. Alguns sorriam e corriam a sugar os cajus ainda verdes ou quase maduros. Um homem a passar aproveitava os galhos do cajueiro. Tudo era calmo naquele instante. Então, o velho começou a contar aquilo que lhe foi dito.
Amaro:
--- Assim ocorreu. – pigarreou.
Eurípedes:
--- E a arma? – indagou o rapaz.
Amaro:
--- Eu trouxe comigo. Lá dentro. Escondida. No baú. – declarou
E apontou com a mão para o interior da casa. O rapaz ficou calado e depois de alguns minutos declarou solene:
Eurípedes:
--- É “foda”. E fica aqui agora? –
Amaro:
--- Eu penso. Deixe as coisas esfriarem. Depois. .... Não há carência dela por lá. – comentou agoniado.
Eurípedes:
--- O senhor já resolveu? – indagou o médico.
Amaro:
--- O “furdunço”? Deixa como está. – ludibriou o homem
Eurípedes:
--- “Deixa como está” uma ova! Pensa que ninguém sabe? Ela mesma sabe muito bem! – alertou.
Amaro:
--- Ô meu Deus! Pra que eu fui de meter nesse negócio? – indagou com as mãos para o Céu.
O médico se virou para o pai e sorriu. Sorriu e sorriu. Quando mais tempo se voltava para o pai ele então sorria de se acabar como quem dizia: “esse velho manhoso”. Mesmo assim não disse nada. Apenas sorria. E a cada vez que observa o velho, então era a vontade de gargalhar. O pai olhou cismado para o filho e respondeu.
Amaro:
--- Mangue! Mangue mesmo seu “bosta”. – e se levantou da espreguiçadeira caminhando para o interior da sala soltando uns flatos fétidos.
Um pouco mais tarde Eurípedes comentou com o velho pai. Dizia o moço ter de conversar com Nara e sua mãe para saber se foi encontrada uma pessoa para fazer a limpeza da casa. Do contrário ele pensou em levar Margarida para ser a serviçal da casa:
Eurípedes:
--- Varrer, limpar, espanar, cuidar do menino. Essas coisas de doméstica. O senhor entente do caso muito bem. – pesquisou o rapaz.
Amaro:
--- Você acha que ela presta? – perguntou o velho apontando para o quintal.
Eurípedes:
--- Presta. Além do mais pode se “esconder” por mais dias da investigação. – falou.
Amaro:
--- Nesse ponto estou de acordo. E Nara quem é? – indagou o velho a estranhar.
Eurípedes:
--- Minha noiva! O senhor não sabe? – dialogou forte o rapaz.
Amaro:
--- Ah. Certo. Mas ainda não a conheço. – fomentou o velho a ingerir café.
Eurípedes:
--- Tem tempo. Ela me falou de visitar a menina Rócia, pois ambas sabem da mesma arte. – comentou o moço.
Amaro:
--- Ela também toca? – indagou perplexo.
Eurípedes:
--- Muito bem. – finalizou o filho.

"NARA" - 45 -

- Jacqueline Bissett -
- 45 -
DIA SEGUINTE
No dia seguinte, Eurípedes saiu logo cedo de sua casa em busca do hospital. O tremor de terra acabara de momento. O médico tinha o dever de verificar os enfermos e, de modo principal, a sua noiva internada há um dia. O doutor Eurípedes estava tenso, porém sabia não haver nada a temer, pois o caso de Nara era circular, aparentado ser a cada mês ou mais tardar, de alguns meses. Na verdade, a virgem moça teve preocupação extremada naqueles dias por conta, principalmente do primeiro abalo. Ele não teve tempo suficiente de conversar com o seu pai e teve oportunidade de observar Margarida poucas vezes, quando a moça estava a cuidar das roupas no varal da casa. E foi apenas um “olá, como vai”,  sorrisos e nada mais. Ao passar pela Cigarreira, o rapaz comprou um jornal da manhã para tomar conhecimento do acontecido no dia passado. Sempre que podia o médico fazia essa “aventura” e até sorriu quando se lembrou do caso. Dentre outros assuntos tinha o sismo. Foi tremor de 7,7 graus na Escala Richter a uma profundidade de 40 quilômetros atingindo as placas tectônicas existente no Oceano. O médico nada fez. Mesmo assim seria ótimo averiguar com cientistas do ramo e observar se tal sismo poderia se repetir mais constante. O informe dava ainda como número de mortos cerca de quarenta pessoas apenas na capital. No restante do Estado, o Departamento de Sismologia não tinha dados concretos. O Governo afirmava ser muito cedo para definir numero de mortos. Terminando de ler a notícia o médico seguiu em frente vendo os estragos provocados da cidade. A Caixa de Água estaria vazia naquele momento, pois a adutora de abastecimento estourou fazendo estragos na linha do Bonde e demais bairros da Capital além da Rua da Praia conhecida por Rua do Motor. No Hospital havia falta de água tendo a direção se apoiado nos carros tanques do Exército e Marinha. A dificuldade encontrada era a de chegar ao Hospital os carros tanques. Com o rompimento da Caixa as adutoras ficaram inoperantes. Logo cedo, o médico adentrou ao seu trabalho ingressando no seu gabinete. No local chegou a conhecer recentes apontamentos e logo depois saiu, deixando uma funcionária a se ocupar de certos assuntos. Nada o médico indagou apesar de sabido de uma reunião ainda durante a manhã. Eurípedes ouviu o relato e agradeceu. Ele vestiu a beca e logo a seguir saiu a visitar os enfermos chegados às ultimas horas. Euripedes tomou conhecimento por parte de uma enfermeira ser aqueles os doentes menos graves. O lamento era de todos os enfermos. Ele nada fez a não ser verificar os apontamentos deixados por um médico de plantão. Ao sair indagou a uma enfermeira se havia alguma novidade. A enfermeira respondeu:
Enfermeira:
--- O pátio está repleto de enfermos! O Hospital está fazendo o que pode e mais! Não sei! Algumas enfermeiras estão com seus parentes acamados nessa casa de loucos! – chorou a mulher.
O médico nada comentou. Apenas olhou para o salão toado por pacientes, cada qual o mais doente. As enfermeiras e auxiliares cuidavam de muitos sem nada poder fazer. A sirene de uma ambulância anunciava a chegada do carro com mais doentes. O médico coçou a cabeça e nada pode fazer. Em seguida se dirigiu ao apartamento onde estava a sua noiva. No local havia pilha de objetos em desuso amontoado em um canto. Não tinha mais uma auxiliar. Apenas ele encontrou o seu futuro sogro a olhar o tempo. A moça estava quieta, deitada em sua cama. O médico indagou a seu Sisenando como estava a situação.
Sisenando;
--- Normal. A menina está bem. Eu acho. Ceci seguiu para a casa. Ela levou o neto. Apenas isso. – declarou um pouco tristonho
Eurípedes;
--- Muito bem. Eu vou levar Nara agora mesmo. O Hospital está lotado de doentes. Ela está bem. O sangramento foi suspenso. – respondeu de modo preocupado o médico.
De volta à residência, Nara continuou calada. Apenas um pouco zonza. Eurípedes seguia com o seu pai a conversar sobre os efeitos do sismo. O tempo estava claro com o sol matinal. Nesse instante Nara falou um pouco em sussurro:
Nara:
--- A minha cabeça está zonza. – disse a moça e começou a vomitar.
Sisenando a olhar para trás viu a sua filha vomitando. E chamou o futuro genro.
Sisenando:
--- Pare o carro! Pare o carro! Pare o carro! Nara passa mal! – falou atrapalhado o velho.
Eurípedes brecou o veículo e saiu com pressa para o banco de trás procurando acalmar a noiva enquanto tirava de seu bolso o estetoscópio para verificar a pressão. Mas que depressa o velho Sisenando caminhou pela outra porta e totalmente desnorteado indagou com vexame:
Sisenando:
--- O que você sente? – indagou o pai totalmente atrapalhado.
Nara nada dizia. Apenas vomitava no salão do veículo. O médico tirou do bolso um frasco de um medicamento e depois notou não ser aquele. Coçou a cabeça e em um segundo deitou a moça no banco de trás e fez massagem nos pulsos para evitar os seios. O pai totalmente desnorteado apenas queria saber o estado de saúde de Nara. O médico procurou acalmar o velho e respondeu apenas:
Eurípedes:
--- Mal estar. É melhor levá-la a outro hospital. E depressa. O senhor fica no banco de trás. Vê se ajuda. Nara tenha calma. Vamos resolver a sua situação. – falou calmo, mas com pressa.
De imediato Eurípedes fez meia volta e rumou com pressa para a Maternidade onde a moça devia ter sido internada desde seu desarranjo. O carro de Eurípedes voou como uma pena e não demorou tanto em chegar a Maternidade. O medicou levou a noiva nos próprios braços enquanto os maqueiros pediam para ajuda-lo. E então o médico acedeu ponde a moça na cama do pronto socorro. Avisou à funcionária para “andar” depressa om a paciente.
Atendente:
--- Nome? – indagou a moça.
Euripedes:
--- O  pai vem atrás. Ele da às informações cabíveis! Vamos! Vamos!...- falou Eurípedes a notar algo como sangue ou mucosa uterina.
Os maqueiros foram depressa para uma saleta de emergência. Um médico experiente surgiu e se pôs a indagar eventuais problemas. As respostas eram dadas. Eurípedes destacou ser a primeira vez do acontecido. A enfermeira fez de imediato um soro na paciente enquanto os médicos conferenciavam a respeito da saúde de Nara.
Médico:
--- Nada de gravidez? – indagou o medico.
Euripedes;
--- Em absoluto. Ela sofreu pelo recente abalo ocorrido em Natal. O anterior. Esteve estressada por demais. Além disso, eu julgo ser algo ligado ao endométrio. – falou o doutor Eurípedes.
E a conversa girou por quase meia hora e os dois médicos foram visitar de perto a paciente para observar como estava a moça. O medico da Maternidade auscultou a virgem e tocou de leve na região uterina para sentir algo de anormal. Depois de certo tempo o  médico se voltou para Euripedes e comentou ser preciso um exame mais acurado para se ter um resultado mais conclusivo.
Médico
--- A jovem fica por mais um dia para se observar como se passa – comentou.
Sisenando de imediato chegou à Enfermaria onde podia estar a sua filha querida, porém na metade do caminho encontrou com o doutor Eurípedes e este o orientou a esperar pela sua mulher e o neto, pois naquele instante a moça já estava medicada e em repouso. O homem Sisenando baixou a cabeça, bateu com o chapéu e aceitou a ponderação. E o médico Eurípedes ficou de seguir até a casa de Nara para avisar a troca de Hospitais naquele instante. E esperava de Ceci o compreender.
Nara ficou internada por três dias enquanto os médicos analisavam o problema da doença. Após esse diagnostico, o doutor Eurípedes foi incumbido de dar o seu parecer, pois como noivo era mais em conta para ele falar da síndrome de ovário policístico, um desequilíbrio nos hormônios sexuais femininos. Com esse desequilíbrio hormonal pode causar alterações no ciclo menstrual com a formação de pequenos cistos nos ovários.
Ceci:
--- É grave doutor? – indagou espantada a mulher.
Eurípedes:
--- Não. ... Não é. Mas pode causar inclusive a infertilidade. Esse problema trás incômodos à moça. ...E tem casos de outra irmã sofrer de igual distúrbio. Como Nara não tem irmã, ela é a primeira. – explicou Eurípedes.
Nara;
--- O que vocês falam em cochicho? – indagou a moça por despertar sua curiosidade..
Eurípedes;
--- O seu problema. É um caso comum. Mas você deve ter na certa a infertilidade. Pode-se fazer uma cirurgia. Mesmo assim, ainda se desconhece o parecer da síndrome. Mas isso não prejudica em nada você casar. Tem moças que às vezes tem duas menstruações cada mês. Tudo é complexo. O seguro mesmo é se tratar. – sorriu o medico.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

"NARA" - 44 -

- Agatha Moreira -
- 44 -
TRAGÉDIA
O caso tomou maior impacto quando Margarida descobriu um corpo sem a sua cabeça. Um grito de comoção e horror se ouviu de parte a parte dos que estavam a vasculhar o destroço daquilo que fora um ônibus. E entre gritos e prantos as ainda poucas pessoas vasculhavam os escombros em uma curva acidentada onde houve o desastre. Ouviam-se gemidos de dor com muitos doentes, quase todos sem nada poder fazer. Alguns não tinham um braço. Outro lhe faltava uma perna e os melhores estavam todos ensanguentados por conta de outros feridos. A enfermeira da ambulância fez-se de dura a procura dos ainda vivos, pois a morte campeava no chão árido. E aos poucos chegavam carros vindos da parte de Caicó, Currais Novos e outros municípios e a ajuda então toma folego. Os feridos eram de imediato posto nos carros os quais seguiam destino a fora em busca de Santa Cruz. Com esse tempo surgiu uma equipe de soldados, nada mais que cinco homens, incluindo o delegado de Santa Cruz. Por não terem condução eles vieram em carros particulares. Alguém falou em uns militares de Currais Novos. Esses também vieram em suas motos. Eram poucos. Não mais de três. Equipes de paramédicos de Santa Cruz também vieram ao local do acidente. Aos poucos se juntavam todos: um verdadeiro batalhão a procura de ajuda. Alguém contou os mortos.
Alguém:
--- Eu contei vinte corpos. – relatou um dos ajudantes da tragédia.
Outro:
--- Mas tem três ali. – dizia outro todo molhado de suor e sangue. E apontava o seu dedo em direção aos três mortos.
Um policial detinha um dos que estavam na ajuda, pois pegara o rapaz a saquear as vítimas. E assim o militar seguia com o desastrado a procura de um pé de pau onde o poria amarrado com cordas.  Margarida procurava a cabeça de uma mulher. Essa mulher perdera a cabeça e Margarida a chorar nada pode divisar entre o matagal existente na ribanceira. Um rapaz disse então;
Rapaz:
--- Encontrei uma cabeça. – e mostrou soerguendo em suas mãos
A moça quase desmaia de tanto horror sentido.
Margarida:
--- Ai meu Deus! É da defunta! – disse alarmada a moça.
O homem subia a rampa com uma criança de colo. Outro ajudava um ancião a caminhar. Nem sempre podia e tinha de conduzi-lo nos braços.
Homem:
--- Vamos meu pai! É logo ali! – recomendava o moço.
Nesse meio tempo uma guarnição do DNER ( Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) chegou ao local e outras viaturas particulares faziam a retirada das pessoas com vida e partiam como loucas em busca de outras cidades para atender aos pacientes. Era um tumulto, pois aquele acidente não era mais o único havido naquela estrada cuja ribanceira de mais de cinquenta metros de profundidade provocava vertiginosos tombos de carros, carretas e ônibus a fazer percurso entre Natal e interior. Eram mais de duas horas de trabalho e Margarida nem ouviu o chamar do seu pai adotivo, uma vez ter ela o trabalho constante de ajudar aos mais dedicados. Quando tudo chegou ao seu final, o número de mortos foi contado: trinta e seis ao todo. Pouca gente sobrou com vida.  
Margarida:
--- Pronto! Terminei! Agora é com você! – fez ver a moça.
Na tarde daquele dia Margarida se limpava de todo sujo quase como pregado em seu corpo. O velho senhor Amaro Boba Castro lamentava o acidente a conversar com o vaqueiro Tomaz. Entre outros assuntos, o velho chegou a dizer ter de ir ainda naquele dia para a Capital, pois levaria a moça para deixar os negócios esfriarem um pouco.
Amaro;
--- Nunca se sabe o que pode acontecer. Por isso é melhor eu levar a moça. – comentou com vista para os lados.
Tomaz:
--- E se a Polícia. .... – sem completar o dito.
Amaro.
--- Bem! Você diz que eu fui. E que a moça saiu para a casa de um padrinho ou qualquer coisa desse modo. – falou com voz baixa o homem.
O vaqueiro coçou a cabeça e se mostrou inquieto.
Tomaz;
--- Que padrinho? – indagou.
Amaro:
--- Não sei. Inventa um nome qualquer. Diz que a moça foi para repousar do cansaço do desastre. – comentou
Tomaz;
--- Bom. Está bem. Eu invento. – falou o vaqueiro.
No caminho de volta o velho Amaro Castro ficou a meditar como faria para por a moça em casa, apesar de sua mulher saber do apadrinhado do homem. Mas, era de supor ter a mulher Clotilde, ficar de orelha em pé em ele buscar a filha adotiva assim nem mais. Tantas coisas e ele a pensar de negócios sem maior importância. Afinal o rapaz estava morto de vera. De vera. O caminho era um pouco longo, principalmente à tarde/noite como era de fazer. Amaro ainda olhou mulheres e crianças a arrumar suas casas quando era quase noite. O terremoto foi sentido também naquele mato grande de fazer medo. Homens, quando muito mal vestidos, procuravam ainda um chinelo para calçar. Outros ficavam a olhar o tempo para ter a certeza do estrado já haver passado de vez. Alguns vaqueiros escutavam um homem já idoso. Amaro viu esses instantes apenas ao passar de carro pela cercania da cidade ainda longe. Aquela cidade interiorana muito longe da capital. Na Igreja Católica as portas estavam abertas e o pessoal adentrava. Era sinal de haver novena ou coisa assim. Algum falava na praça em frente a matriz. Assuntos os quais a ele só interessava. Os pássaros já estavam recolhidos. Apenas as aves noturnas cruzavam o céu. Um cão atravessou lentamente a estrada calçada. Já era a cidade. Gente em uma padaria. Um bar. Uma casa de residência. Outra. Um, dois, três e mais carros estacionados. Caminhão carregado de torta. E seu Amaro Borba não se importava com tudo o que estava percebendo. A moça, Margarida, pediu a seu pai de criação uma parada em um restaurante de estrada:
Margarida:
--- Pare ali no restaurante. – falou a moça sem nenhum motivo.
Amaro:
--- Está com fome? - indagou o homem.
Margarida;
--- Pão com queijo. – disse a moça.
Amaro:
--- Não almoçou? – indagou
Margarida:
--- Coisa alguma. –declarou.
Começava a anoitecer. O veículo estacionou em um ponto reservado. Um casala de jovens passavam a discutir sobre algo. Margarida ficou sozinha no interior do carro. Um garoto chegou com uma flanela e despejou água no para-brisa. Depois passou o pano. E nada o garoto falou. Esperava tão somente a gorjeta. A moça o olhava se motivo. Pessoas entravam no restaurante. Outros veículos chegavam. Um rapaz descia do carro. A mulher também. Era um casal. Uma garota ficou dentro do automóvel. E gritou:
Garota;
--- Sequilho! – pediu a menina com voz ativa.
Um ônibus cruzava a estrada. O caminhão voltava. Tudo era o comum. Mesmo no posto de combustível onde os prestadores de serviços atendiam aos clientes de viagem. A virgem ligou o rádio do carro para ouvir qualquer assunto. E logo a notícia se espalhou. Um ônibus virou na curva da estrada de Santa Cruz. Havia mortos e feridos. Muita gente a prestar imediato socorro. Margarida não queria saber de mais nada. E desligou o rádio do automóvel. Demorou um instante para seu Amaro Borba retornar. Ele trazia dois hambúrgueres, espécie de sanduiche de carne com queijo, bacon, ovos fritos além de cebolas, alface e tomate. Além dos alimentos Amaro trazia copos de sucos. Ele entregou uma parte a Margarida e ficou com a outra. O homem também não almoçara a contento. E ali mesmo de refastelaram. Nuvens no céu demonstravam sinal de chuva. O homem se alegrou. E de imediato pensou em Margarida. Ele tentava saber de algo mais. Mesmo assim, calou.
Amaro:
--- Chuva! Ótimo! – disse o homem.
Em instantes o automóvel partiu e estava na cidade às oito horas da noite. Havia carros demais na estrada.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

"NARA" - 43 -

- Maria Flor -
- 43 -
INTERIOR
O terremoto ocorrido naquela manhã foi sentido os seus efeitos muito mais longe. Em lugares distantes as pessoas viram em suas residências os objetos a tremer e a falta de energia elétrica também foi um fato consumado em vários municípios a se estender da Grande Natal e de algumas cidades mais longínquas. Não chegou haver pânico em algumas cidades. Mesmo assim, a gente ficou a olhar com perturbação as telhas de suas casas. Parecia ser tudo a tremer no instante maior da tragédia. Em seu veículo, o senhor Amaro Castro nada sentiu, pois o carro estava a caminho de volta a sua fazendo e ele a discutir com a sua filha adotiva. De um modo ou de outro o seu vaqueiro Tomaz ouviu um ruído surdo e procurou verificar no chão do carro algo a acontecer. E em certo tempo ele mesmo comentou:
Tomaz;
--- Oxê! Pensei ter pisado em alguma coisa! Um barulho esquisito! – falou o vaqueiro.
De qualquer forma nada de mais ocorreu. E o veículo continuou a sua vertiginosa marcha em busca do cercado da fazenda. Seu Amaro sempre a discutir, uma vez não ter alguém a fazer o serviço de Salvador, Por isso mesmo ele reclamava horrores.
Amaro:
--- E agora? E agora? Quem eu vou procurar? Tudo por sua culpa? – relatava com bastante fúria.
Margarida nada ao menos falava. Ela apenas juntava as pernas, enfiava o dedo na boca e olhava o caminho a trafegar. E não se deu conta nem mesmo de uns vaqueiros a trotear lugar a fora, uma vez ser aquilo muito normal do sertão por onde andava. Uma mulher com uma trouxa de roubas na cabeça, um cachimbo na boca mais parecia um trem, e a filharada para trás, ao reboque. Era tudo o que Margarida podia ver ou sentir nos calafrios de seus tenros braços. Nem por isso a menina moça estava prestando atenção ao batalhão de crianças, sua mãe e os vaqueiros. Eles, homens sisudos do interior. A mulher, coisa alguma a se desejar. Mas a filharada não contava bem essa história. Era um tempo inglório.
Quando a terra tremeu, a mulher se apavorou. A filharada correu para o seu lado. E todos perguntavam a um só tempo.
Filho:
--- Mãe! Tem um bicho no chão! – disse a pequena menina a sua mãe.
A mulher se inquietou. Mesmo assim, a acolher a menina, nada pode relatar. E falou:
Mulher;
--- O que diabo é dez? –indagou a imaginar o tempo.
Garoto:
--- Corram! – falou o garoto mais graúdo espichando as pernas em direção contrária.
Mulher;
--- Volte cá Farofa!. Minha mãe?! O que estou fazendo?! – e pinoteou nos pés para onde mandasse a chama.  
E foi assim o terremoto sentido em vasta região do Estado. Eram correrias e mais correrias de um povo desambientado e sem saber o seu estado. Para o lado norte, para o lado sul. No oeste ou no leste. Onde houvesse caminho a correria era uma loucura. Umas mulheres com seus filhos nos braços. Outra a chamar por um alguém. E cada qual fazia o seu nas cidades do interior do Rio Grande. A anciã olhava o Sol para ver se algo demais acontecia, pois para a anciã tudo tinha a haver com o Sol. E comentou;
Anciã;
--- O Sol não mente. Ele está no mesmo lugar, como sempre! – reclamou a pobre.
Filho:
--- Mãe! - (gesto prolongado) – É a terra que está zoando! Venha pra fora! – relatou o filho pelo que disse a anciã.
E o ribombar do terremoto continuou em réplicas menores por mais tempo. Os moradores desnorteados corriam céleres para qualquer lugar. Um veículo se montou em uma cerca. E parecia um animal quando pula sobre um cercado. O motorista, desnorteado, indagou:
Motorista;
--- Que diabo eu fiz? – indagou o homem ao se assustar.
Antes de chegar à fazenda o seu proprietário observou ter várias pessoas a sair dos seus casebres em busca de alguma coisa. Todos caminhavam com pressa e assustados e o vaqueiro Tomaz falou algo de terremoto. Seu Amaro Castro de repente quis virar para trás a sua cabeça, mas não lhe foi possível por haver tanta gente no caminho. Então, o homem apenas falou:
Amaro:
--- Terremoto?! – indagou assustado.
Tomaz observou desconfiado o povo a correr pela rua de casebres longe da cidade e perto da bodega de Chico Anselmo onde se ouvia gritos alarmantes e o próprio Anselmo, com a sua enorme pança a correr assustado para prender as galinhas. Essas estavam soltas pelo meio da rua e com o assombro do desastrado pessoal voavam em total alvoroço. E Chico Anselmo, assustado com o tremor, procurava por as aves para dentro do chiqueiro e se proteger da mesma forma daquilo que ele não sabia ao certo, pois sentira apenas uma vez na vida. Mesmo assim alguém falou também amedrontado.
Alguém;
--- O mundo está tremendo! – disse alguém quase morto de terror.
Seu Chico Anselmo falou ser aquilo um tremor de terra pois já sentira uma vez e não fazia tanto tempo assim.
Anselmo;
--- É um terremoto! Cuidado! As minhas galinhas! – relatava tudo inseguro ao mesmo tempo.
Foi nesse instante que saltou do carro o vaqueiro Tomaz para tomar conhecimento o dado motivo do sucedido. Nesse ponto, o vaqueiro sentiu os pés estremecerem a um tempo só. Nem se ligou o vaqueiro das mulheres apavoradas com aqueles ameaçadores estrondos. E então nem precisou o vaqueiro a indagar ao bodegueiro do que estava a ocorrer. De imediato voltou para dentro o carro para dizer a seu patrão ter sentido o tremor. O homem também sentiu o tremor na ocasião quando o pé no chão para descer do carro. E relatou alarmado.
Amaro:
--- Estou sentindo a coisa! – relatou por sua vez o patrão com olhos esbugalhados.
Em dado instante um motorista de um caminhão dirigia com rapidez o seu veículo a procura de amparo, pois ele estava a informar de um ônibus cheio de gente ter virado próximo de Santa Cruz. Nesse acidente muitas pessoas estavam presas entre as ferragens do carro. O motorista buscava amparo para as vítimas.
Motorista:
--- Socorro! Peço amparo pelo amor de Deus! Um ônibus cheio de gente virou canga-pé! Acudam! Acudam! – falava extasiado o motorista.
Amaro:
--- Agora deu! Onde foi o caso? – indagou inquieto o homem.
Motorista;
--- Foi logo ali na curva! O senhor pode ajudar! Eu estou com o caminho carregado de melão, mas vou para lá! Estava apenas a procura de ajuda! – relatou apavorado o motorista.
Anselmo, com sua imensa barriga não teve duvidas. E seguiu com o motorista para a curva da morte. Logo atrás estava seu Amaro. E muita gente desassossegada a correr de qualquer modo em busca de ajudar.
Já havia muita gente a ajudar os enfermos. Carros estavam parados nas encostar e os seus donos a acudir as pessoas. Muita gente ferida e nada menos de vinte pessoas mortas colhidas entre as ferragens do veiculo. Era um verdadeiro pandemônio. A terra tremia e sobre esses sismos o desastre ocorrido. Margarida teve de fazer esforço para ajudar na busca de mortos e feridos com ajuda de todos os sobreviventes ou pessoas vindas de outras regiões. Uma cabeça rolou no chão. Era de uma mulher, pelo visto. Naquele atordoado de gente não havia sequer um só homem da Polícia. Era muito bem sabido ter o destacamento de Santa Cruz apenas seis policiais, sendo um deles o delegado. Esse fazia a vez de telegrafista quando fosse preciso.
No local do acidente do ônibus com inúmeras mortes chegava há instantes uma ambulância com doentes e, acompanhando, uma enfermeira além do motorista. A enfermeira desceu da ambulância às pressas e foi prestar socorro às vítimas. A mulher conhecia bastante as vítimas quando estavam para morrer. E a essas, a enfermeira deu maior amparo enquanto Margarida cuidava dos apenas feridos, alguns com sangramento interno. Mesmo assim, a virgem não deixou de atender a esses pacientes. O tumulto se fez ao sentir ser a maior parte de mortos e pouca gente ferida.
Margarida:
--- Horror! Veja só! Essa mulher perdeu a sua cabeça! Nossa! – alarmou insistente Margarida ao se defrontar com a defunta.