domingo, 25 de março de 2012

OS QUATRO CAVALEIROS - 12 -

- Kristen Stewart -
- 12 -
A VISITA
Nesse momento alguém tocou a porta do quarto onde estavam reunidos o coronel Godinho e o pistoleiro Otelo Satanás em conversas reservadas pelo acontecido na Fazenda de Policarpo. A porta foi aberta pelo pistoleiro a mando do coronel e adentrou ao recinto a moça Emília a dizer ao coronel ter vindo visitas para o homem já idoso. O coronel por vezes perguntou de quem se tratava e teve a resposta de quem poderia ser àquela hora tardia da manhã.
Emília:
--- Seu Prefeito e uma cabroagem com ele! – respondeu a moça sem fazer cerimonias.
O coronel olhou bem o pistoleiro Otelo Satanás e, após ajeitar a sua jaqueta relatou ao homem ser bom ficar no quarto enquanto ele tirava prosa com a autoridade municipal. Isso Otelo concordou e ficou a se ajeitar a seu modo pondo o cinto cheio de dalas a ponto de sacar a arma se por acaso tivesse necessidade. O velho coronel fez com a mão para ter ele cuidado, pois não havia necessidade de qualquer reação. À saída do quarto o coronel indagou de quem o prefeito estava em companhia e a moça fez de conta não saber.
O pistoleiro Satanás ficou no quarto e passou a ver as fotos penduradas na parede do quarto com se pusessem a recordar tempos remotos quase imortais no então vividos pelos pelas figuras de pais, mães, avós, bisavós e quanto mais restasse a se prestar uma meiga e singela homenagem. Fotos de uma menina, ainda pequena, talvez de oito anos emoldurasse todo aquele ambiente nostálgico e pleno de saudades. Quadro de barcos a vapor e de caravelas talvez de passageiros a trazer ocupantes de terras distantes para tao longo confins. E Otelo estava a procurar algum vestígio de parentes já há tanto desaparecidos do velho e decadente coronel Godinho. Livros velhos na estante empoeirada. Traços de um tempo infindo, talvez. Otelo, de mãos para trás, procurava ver de perto o tal passado longínquo. E, de repente, ainda a procurar relíquias de um tempo fugidio deu para ele notar ima imagem de uma Santa. Ela era a mãe de Jesus. Uma bela imagem da Santa Virgem. Podia-se notar em sua roupagem um traço fino de um vestido branco a cobrir por um manto azul suave arrodeados de ouro se bem parecia. A imagem representava o grande mistério da salvação. O arrepio tomou o corpo de Otelo ao notar bem acima de Maria Mae a figura de um ser totalmente moribundo o quase morto de Jesus Cristo, o filho. A cruz enorme mostrava Jesus pregado pelas mães e pelos pés com a cabeça pendida ao sinal de quem estava quase morto. Um frio terrível sacudiu todo o corpo de bandoleiro. E o homem não teve jeito e se persignou levando a mão para se benzer e proferir algumas palavras aprendidas do seu tempo de criança, ditas por sua mãe. Ao se lembrar do seu tempo infantil ele não teve jeito e chorou de emoção e saudades. Os seus tempos de criança onde tudo era verdade. E Otelo a perguntar a sua mãe como faria para chegar ao céu. E a mãe respondia com doce afago ter o tempo de se encarregar o momento. E Otelo a se lembrar de sua mãe já velhinha, se não tivesse morrido. Ele nunca mais ouviu a voz de sua genitora desde quando deixou a sua casa. E nem respondeu a sua mãe ao lhe perguntar se ele voltaria para um jantar.
Satanás:
--- Por que minha mãe? Por quê? – comentou com suma vergonha o pistoleiro.
O coronel Godinho chegou ao alpendre da casa onde encontrou o Prefeito Jorge Nepomuceno, da cidade de Alcântara e mais dois vereadores do município e dois soldados da Polícia. O prefeito se levantou do seu assento onde estava e cumprimentou o coronel como era a vez de fazer. O pistoleiro Renovato Alvarenga, o Chulé, estava encostado à varanda a ajeitar um espeto com o seu canivete e a observar bem para os dois policiais. Ele era de fora e não conhecia nada daquela comarca.  Os policiais se mantinham de pé. Um deles escorado com um pé no degrau da escada. Dava a impressão ter o policial olhado bem para os dois revolveres estilo 45 na cintura de pistoleiro. E esse não fazia por temer. Em certo instante Renovato subiu um pouco o cinto de balas e verificou se estava bem para sacar a arma. O coronel observou essa manha do pistoleiro e nada fez de questão. Nesse momento apareceu a moça virgem senhorita Emília com uma bandeja e uns copos para encher com um vasilhame cheio de água bem fresquinha tirada do pote de barro. O Prefeito Nepomuceno agradeceu a gentileza e mandou a moça servir aos dois vereadores e aos policiais. A moça não se fez de rogada e levou a bandeja e os copos para encher e servir aos vereadores e aos policiais. Por fim ofereceu também ao pistoleiro Renovato e esse agradeceu a oferta. Ele fez com o dedo um “não” sugestivo.
Renovato:
--- (com o dedo da mão direita dispensou a cortesia) –
Em seguida a conversa. O coronel ao prefeito como estava a passar. O prefeito imaginou ser ele sabedor do incidente com Severino Policarpo, seu vizinho.
Godinho:
--- Via penas a fumaça e alguns tiros. Eu até pensei se ele não estava a festejar o nascer de algum bezerro. – disse o velho coronel.
Prefeito:
--- Bezerro? (espantado). Policarpo morreu! A casa voou pelos ares, coronel! Ora bezerro! – reclamou o Prefeito o dizer do coronel.
Godinho:
--- Morreu? (assustado). Mas como foi essa tragédia? – fez saber o coronel.
Prefeito:
--- Da cidade a gente ouvia eram os estrondos! Parece ter sido o paiol! Policarpo guardava as armas no paiol em baixo da sua casa! Ora bezerro! Foi estrondo mesmo! – declarou o prefeito assustado com o parecer do coronel.
Godinho:
--- Mas não me diga uma coisa dessas? A casa do velho voou pelos ares? Mas que coisa! E todo mundo morreu também? – indagou o coronel se fazendo de inocente.
O Prefeito Jorge Nepomuceno passou o lenço na testa e respondeu ao coronel:
Prefeito:
--- Não! Todo mundo escapou. Tem uns feridos! Mesmo assim, nada grave! Uma mulher foi quem desmaiou pelo choque da explosão! Ele foi pego por uma haste de madeira ao sair da sua casa! Pelo menos foi o que eu soube! Informações de quem estava próximo! Ele morreu mesmo! E deve ser sepultado no cemitério da Fazenda! O filho espera chegar um tio, irmão de Severino! Parece! – declarou o prefeito aturdido com a questão.
Godinho:
--- Que coisa! Estou embasbacado com essa história! Como é que pode uma coisa dessas? É por isso que eu não confio em guardar armas perto de casa! Os trabucos que eu tenho, eu guardo em um quarto lá nos fundo do casarão! E digo mais! Com arma não se brinca! Ta vendo no que dá? Mas Severino Policarpo?! Estou pasmo! Quem diria? – comentou preocupado o coronel.
E as conversas continuaram por um bom espaço de tempo até entrar na questão da política. Sabia-se do Prefeito Nepomuceno ser ele prefeito para um novo mandato. Até por que no município tinha um único partido e esse era comandado pelo velho Coronel Godinho. Os demais partidos eram apenas proforma e todos aderiam ao partido maior. E nessa situação todos obedeciam e ninguém discordava.  O município tinha um deputado apenas. E esse era o coronel Godinho. Quando havia sessão na Câmara, esse tinha presença marcada. Isso era apenas “quando”! De resto, o coronel passava o tempo na roça a espantar as moscas. De deputado o povo nem pensava ser ele. E apenas se chamava de doutor ou coronel. Era assim a vida do campo.
Godinho:
--- Você se prepare, pois vai haver eleição. E todos querem o senhor. São 200 eleitores. Mas isso é importante. – relatou o coronel Godinho.
Prefeito:
--- Eu sei patrão! Eu sei. Agora, quando for para marcar as eleições e venho procurar o senhor para melhor ter certeza. – disse mais o Prefeito.
Godinho:
--- E o delegado vai trabalhar com a gente. Tem mais essa! – alertou o Coronel de olhos bem abertos.
O tempo passou e o prefeito se despediu do coronel. Os vereadores também agradeceram a presteza depositada. Os dois policiais de nada reclamaram. Apenas um esteve à espia por algum tempo para as armas do bandoleiro, talvez apenas com inveja por ter o rapaz um revolver estilo 45 e ele está bem longe disso. Nenhum dera até logo ao deputado e coronel Marcolino Godinho. Sempre a cavalos os cinco partiram para a cidade na esperança de tudo terminar bem.

sábado, 24 de março de 2012

OS QUATRO CAVALEIROS - 11 -

- 11 -
PANDEMÔNIO
No instante do estrondar na fazenda de Severino Policarpo, toda uma região, as mais distantes possíveis, ouviu o barulho ensurdecedor como se fosse muito e bem perto das casas grandes ou pequenas. Era o mundo se acabando a todo custo e em troco de nada. De forma aturdida o povo do mais longínquo recanto imaginava dizer ter sido um trovão inquietante e assustador aquele pandemônio infernal. A correria se fez presente no povo da vila da Lagoa e a qualquer preço a procurar refugio por baixo de mesas e camas. O acalento das crianças era o mínimo a se fazer. Todos com o maior pavor da tragédia anunciada. Nas acanhadas prateleiras das bodegas as estantes estremeceram e as garrafas foram ao chão se partindo aos cacos. Era o terror onde ninguém podia adivinhar o acontecido.
Alguém:
--- É o trovão! É mundo a se acabar! – gritava a mulher a correr desenfreada.
Outra:
--- Vala-me São Francisco! – gritava outra a procurar abrigo debaixo da cama.
--- Tamos lascados! – anunciava um homem a correr desembestado a qualquer canto.
Vacas, bezerros, touros, garrotes, ovelhas, cabras, bodes e ainda animais silvestres e mesmo o galináceo, os veados, cotias e até mesmo os cães e gatos corriam a qualquer preço para lugar nenhum. Os cavalos amarrados nas forquilhas se espantaram e puxaram as rédeas e saíram amedrontados na correria desenfreada. Os animais partiam para os lugares mais distantes em busca de algo onde pudessem se esconder.
Bêbado:
--- É o mundo todo! – dizia um bêbado anunciando o fim dos tempos, com uma garrafa em baixo do braço e um copo na mão posto pra cima de sua cabeça.
E o estrondar acontecia a todo instante com panelas, caldeirões, tachos a voar pelos ares na casa em chamas. Não tinha fim o drama da morada para todo mundo poder ver a cena. No sitio ao lado, porém distante, o coronel Marcolino Godinho dava um soco para o alto como quem quisesse dizer algo:
Godinho:
--- Tome o troco! – respondia o velho sem sorrir.
Na frente da casa grande do coronel,  o pistoleiro Renovato Alvarenga, o Chulé, se levantou do seu assento com temor da tamanha explosão ouvida há alguns quilômetros de distancia. A moça Lu correu para fora a perguntar:
Ludmila:
--- O que foi isso? – perguntou a moça desnorteadas com a explosão na casa bem longe.
E, com efeito, também chegou à donzela Emília totalmente desnorteada a perguntar ao pistoleiro Renovato cheia de pavor pelo qual ouvira naquele instante.
Emília:
--- Onde? Onde? Onde foi esse estrondo? – indagou alarmada a moça.
Ninguém sabia responder ao certo o efeito de tal explosão.  O pistoleiro Renovato caminhou até a soleira do alpendre e tentou advinha o fato acontecido sem nada para falar. A fumaça branca se tornou escura e subiu aos ares na distancia onde não se podia acreditar ser apenas o fogo da mata. Renovato pressentiu de algo mais ocorrido. Porém nada reportou afinal. O velho Coronel Godinho nada falava, mesmo assim se mostrava satisfeito com o acontecido. A esposa de Godinho, senhora Isadora Marques chegou para frente do casarão e pôs a mão na boca a refletir:
Isadora:
--- Meu Deus do Céu! O que é isso? -  indagou a mulher com muito susto
A capangada da Fazenda Guandu ficou toda abismada com o acontecido apenas a olhar a fumaça a subir e nada mais podia calcular.
Mulher com panelas:
--- Que foi isso? Incêndio? – perguntava a mulher da cozinha com o tacho na mão a olhar a fumaça negra subir.
Na cidade de Alcântara foi ouvida a explosão pelo povo do lugar e da roça. A gente toda olhava para o céu a observar a fumaça e perguntar onde poderia ter sido o drama total. Prefeitos, vereadores, até mesmo a polícia se acercava para ver mais de perto o terror incondicional havido em algum local bem distante da sede do município. Cada qual no seu cavalo rumou para o local da tragédia temendo com certeza de chegar tarde demais. Era fogo muito o havido no casarão onde nada restou. Apenas os moradores da fazenda do Policarpo, atordoados por demais choravam o desassossego havido nas suas vidas.  O lamento era sem quietação com moças, mulheres, rapazes, vaqueiros e mesmo jagunços a chorar suas mágoas. O  corpo do velho Policarpo jazia no chão coberto de cinzas bem ao longe da casa grande apenas com algumas pessoas a rezar e seu filho Deodato a lamentar.
Deodato:
--- Meu pai! Meu paizinho! Por que isso foi acontecer com o senhor? – era tudo a dizer o rapaz ajoelhado ante o cadáver.
Ao chegar ao local o pessoal da cidade, viu-se ter nada mais a fazer, pois os estragos eram totais na valiosa fazenda de Policarpo. O pessoal ao redor a fazer penitencia e outro a buscar algo em qualquer chão era tudo o haver desnorteado dos moradores. E o prefeito então afirmava não haver mais nada a ser feito.
Prefeito:
--- Tudo acabado! Nada mais se pode fazer! – lamentou o prefeito vendo a devastação da casa.
Duas horas depois da estrondosa explosão o coronel Godinho viu chegar os seus comandados tendo à frente o destemido bandoleiro Otelo Gonçalves Dias, o senhor Satanás. Esse apeou bem como os seus companheiros de viagem e a olhar o coronel, nada demais o homem falou. Apenas adentrou na sala e foi buscar um pouco de água para beber. Os três companheiros também fizeram o mesmo. O coronel veio para quarto de reuniões e nada mais falou com a turma de atiradores. Ele esteve até àquela hora no alpendre acompanhando a fumaça negra a sair bem longe da casa de Severino Policarpo. Os pistoleiros foram até a cozinha da casa grande do coronel e buscaram um pouco de comida. Enquanto isso o jagunço Bem-te-vi caminhou para sua casa de gente pobre. Nesse momento, Renovato Alvarenga, o Chulé, se aproximou do bando e nada indagou. Apenas olhou para Satanás, em olhar inquisidor para saber de algo. Satanás nada sabia dizer.  Chulé então falou:
Chulé:
--- O Prefeito passou para o lugar. – disse apenas Chulé sem maiores comentários.
Satanás estava já na mesa para comer munguzá e nada respondeu. Apenas olhou para Chulé querendo saber mais alguma coisa. Esse nada falou, pois não sabia o sucedido. O rapaz do punhal, Antero Soares, o Foguetão, chutou um tamborete para sentar. E olhou bem os olhos de Chulé. E Chulé olhou bem para o seu companheiro de empreitada. E nada falou. Então, Chulé se levantou para ir ao seu serviço. Nesse instante, um jagunço chegou e procurou pelo coronel Godinho:
Jagunço:
--- Onde está o coronel? – perguntou desaforado o jagunço.
Satanás:
--- Que você tem a dizer? – indagou Satanás bem serio.
Jagunço:
--- O fazendeiro Policarpo morreu! Um fogo devorador consumiu sua casa! – respondeu o jagunço um pouco desnorteado.
Satanás:
--- Quem disse a você? –perguntou Satanás.
Jagunço:
--- Eu vim de lá! Toda gente está apavorada! – respondeu o jagunço a tremer de medo.
Satanás saiu e foi até o escritório do coronel relatar o ocorrido. Afinal tinha saído tudo nos conformes. Era agora apenas pagar pelo feito, pois desta forma o serviço estava completo. Nada mais restava fazer.



sexta-feira, 23 de março de 2012

OS QUATRO CAVALEIROS - 10 -

- Nathália Dill -
- 10 -
ATAQUE
O vaqueiro Enério Suçuarana ainda fraquejava e devagar foi se refazendo ao ponto de poder balbuciar algo. Muito abatido pelo susto levado, deitado no tabuado feito de madeira forte, com a cabeça sustentada pelas pernas da mulher do fogão da casa, ele chegou a dizer ter um homem morto no caminho para a fazenda escorado em um pé de aroeira. Enério disse apenas isso com bastante dificuldade para pronunciar as palavras certas. O fazendeiro ao saber do tal fato mandou outro jagunço procurar no cercado para dentro da porteira e saber da verdade. O jagunço pôs pé no caminho até encontrar o outro jagunço morto escorado em um pé de aroeira parecendo ter sido enforcado, por certo. O jagunço se aproximou do morto com bastante cuidado temendo ainda estar vivo e empurrou com o cabo da faca. O defunto não se mexeu e na verdade estava morto de bom modo. Nesse ponto o jagunço por nome de Magro, como se veio logo, a saber, pinoteou de volta em seu cavalo, de olhos arregalados e de terror de mais a gritar insistente:
Magro:
--- Morto! Ele está Morto! Morto! – gritava apavorado o jagunço Magro a chicotear o seu cavalo em direção à entrada da casa.
Nesse ponto alguém chamou o fazendeiro a dizer ter o jagunço voltado com os bofes postos pela boca. E bastante alarmado o jagunço Magro apenas comentava ter o homem morrido de morte matada. O fazendeiro veio depressa e quis saber quem era o morto.
Policarpo:
--- Quem danado é esse morto? – perguntou o homem a esbravejar de todo modo.
Magro:
--- É o homem Zé de Cota! Ele está bem morto! E quem fez a morte dependurou no pé de aroeira. Tá morto, meu senhor! – falou Magro ao fazendeiro com todo medo do mundo.
O fazendeiro Policarpo ainda perguntou quem tal era esse Zé de Cota, pois não adivinhava a quem pagava pela proteção de sua vida.
Mulher cozinheira:
--- É um danado da vida!. Ele é moço ainda!. Quer dizer: era!. Ave Maria! – relatou a mulher cozinheira a respeito de Zé de Cota.
Ao saber da morte o fazendeiro Severino Policarpo apenas declarou:
Policarpo:
--- Enterrem! – declarou o homem sem mais por que.
E dali marchou para dentro da casa grande a resmungar palavras impróprias para um vivo, quanto mais um morto.
Nesse ponto, quando o fazendeiro tentava a chegar à porta da casa grande algo de novo ocorreu. Na mata virgem uma revoada de pássaros. Era bem longe da entrada da fazenda onde havia os pés de árvores muito bem alongadas, próximo a Serra do Timbó. Havia alí quantidade enorme de pássaro e algo fez com eles sumissem de vez por conta de algo. Magro foi quem notou a revoada. E de imediato chamou a atenção de Policarpo para o desacerto ocorrido.
Magro:
--- Meu patrão tem coisa lá no mato! – fez ver o moço a Policarpo.
O fazendeiro então voltou para ver de fato o motivo do chamado de Magro.
Policarpo:
--- Coisa? Que coisa? – indagou Policarpo sem entender de nada.
Magro então voltou a dizer ter os pássaros voados e alguma coisa os tinha assombrado.
--- É coisa de gente viva. Pois os passarinhos voaram. - relatou com temor o jagunço.
Severino Policarpo se voltou e com a mão na testa procurou vislumbrar a passarada e logo mandou chamar mais dois jagunços. Com o Magro eram três. Eles deviam ir até a mata da Serra do Timbó e vasculhar toda a área. Não importava o quanto fosse para encontrar os assustadores das aves, pois de cautela e galdo de galinha ninguém havia morrido certamente. Dito isso, por conseguinte, Policarpo pôs o pé para o interior da sala. E vaqueiro Enério, já restabelecido procurou beber um copo de água e depois foi para o seu aposento a descansar do susto levado. Um cabrito correu solto de mato a fora a berrar e Enério Suçuarana meio incomodado espantou o bicho. Na sequencia veio outro vaqueiro para apanhar o bezerro. Foi nesse momento onde tudo quase era calmo algo assombroso ocorreu. Foi um estrondo do outro mundo. Um ribombar frenético de uma única e só vez. Algo de assustar até os mortos. O paiol de munição explodiu e voou tudo pelos ares. A casa grande estremeceu e todos os moradores caíram pelo chão, quarto, cozinha e por qualquer lugar onde houvesse apoio de qualquer forma. Não houve um só espaço desocupado na casa onde não tivesse abrigo. O fazendeiro Severino Policarpo foi largado longe e veio a cair de qualquer forma por cima de um armário. Ele não teve tempo para fazer coisa alguma e nem noção do acontecido. Era um barulho tremendo aquele havido. Com certeza ninguém percebeu o paiol em baixo da casa a explodir tão de repente. E demorou um pouco para alguém dizer:
Alguém:
--- Ave Maria! O que é isso! – quis saber uma mulher caída por cima de uma tina.
Outros caíram por cima dos estoques de panelas, tachos, armários, camas, fogões, mesas e tudo o mais havido pela casa. Nas casas dos vaqueiros não ficou nada em pé. Até mesmo as crianças correram alarmadas com pavor a procura dos colos de suas mães. Isso, quando elas podiam. Pois no meio da confusão alarmante não havia jeito para alguém compreender o sucedido. Em cima da hora tinha jeito para se compreender de forma alguma aquele estrondo descomunal havido ao que parece em baixo do chão. Os cães latiam, corriam com espanto. As aves galináceas acorriam em busca de proteção em qualquer canto. Gado, bodes, carneiros, cabras e até mesmo o gato ficaram sem saber para onde correr. Os vaqueiros se quedavam apavorados do temor apresentado. A fumaça saiu do chão da parte onde estava o paiol e formou logo as labaredas imensas de fogo por todo o canto das dependências da casa. Então o tormentoso fogo tomou conta de todas as dependências do solar. O pessoal de dentro se levantou às pressas e correu para fora inclusive o fazendeiro Severino Policarpo a cambalear pelo caminho e o seu filho Deodato, rapaz de 20 e poucos anos. Ele estava a dormir aquela hora da manhã e o estrondo sacudiu da cama. O rapaz caiu entre a cama e o armário e só viu alguém gritar.
Alguém:
--- Fogo! Está tudo pegando fogo! Fogo! – dizia alguém alarmado e a correr puxando os outros ainda atordoados com o barulho descomunal.
Em dois minutos estava toda a casa ardendo em chamas. Os vaqueiros tentavam de locomover para fora de suas habitações, pois o estrago não havia atingido as modestas casas dos colonos e os jagunços eram todos alarmados. Esse pessoal estava a correr para longe da desgraça enquanto o tiroteio descomunal sacudia todo o solar como se fosse um bombardear constante deveras sustentado por algo inimaginável. Com a casa em chamas, o paiol a sacudir estrondos, o povo inteiro correu para então suspeitar de uma coisa qualquer a sacudir algo como faísca no quarto de guardar munições, com certeza.
Alguém:
--- É o mundo todo! – gritava alguém a correr desesperado para longe da residência.
O velho Policarpo, completamente atordoado, tentava sair da casa quando algo vindo de dentro sacudiu pelas costas o homem em voraz temor. O homem teve tempo apenas de gritar:
Policarpo:
--- AH! – Policarpo de gritou e caiu bem distante do casarão.
Com todos a correr para bem longe a casa então ruiu de vez ao cabo de poucos minutos. O filho do velho estava completamente zonzo com todo aquele barulho sem saber o que fazer. As cozinheiras ficaram a chorar com tudo o feito e nada podiam fazer. Os pobres vaqueiros arranjaram água para tentar aplacar o incendo destruidor. E por mais água a jogar, mais o fogo consumia as dependências da casa grande. Era um verdadeiro pandemônio sem ninguém saber o mais a fazer. O valho Policarpo, atingido em cheio por algo descomunal. Não teve jeito e morreu no mesmo instante com fratura da espinha dorsal. A fazenda foi abandonada no correr do dia por jagunços e vaqueiros. Alguns arranjaram um gado para levar consigo e outros eram sós abandonos.
Alguém:
--- Coisa triste! Quem diria! – reprovou alguém pelo destruidor incêndio.
O fogo perdurou por vários dias a consumir o restante da casa. O filho Deodato Policarpo era um só inconformado.

quinta-feira, 22 de março de 2012

OS QUATRO CAVALEIROS - 09 -

- Vitória Frate -
- 09 -
MUNGUZÁ
Dos quatro cavaleiros apenas três podiam seguir o destino marcado para o jagunço temeroso. Isso porque o quarto pistoleiro, Renovato Alvarenga tinha compromisso assumido com o seu chefe de guardar a moça, senhorita Ludmila da possível ação de combate ou de conquista pelo pessoal do sito do homem forte Severino Policarpo. Desse modo, o pistoleiro buscou ajuda de  outro jagunço da Fazenda Guandu, do coronel Marcolino Godinho. E para todos os efeitos eram quatro a levar o jagunço, homem preso cuja sina era morrer após a saída do terreiro da Fazenda. Dito isso, Renovato Alvarenga sossegou, pois a sua missão continuava: a de garantir a segurança da moça Ludmila. Àquela hora da manhã a moça Lu estava ainda a dormir, uma vez ter ido para a cama por volta de uma hora da madrugada. Ao saber da decisão do coronel Godinho o alvoroçado pistoleiro teve mesmo de voltar para o seu café da manhã e a comer apetitoso munguzá de caroço. Para o homem, a comida estava uma delícia, principalmente para quem passou a noite quase toda sem se alimentar, uma vez ter o fogo desnorteado as obrigações domesticas da casa. E na tensão do povo, nem sequer o café havia sido pronto, regularmente para todos os habitantes da Fazenda. Ao chegar a seu devido canto na mesa dos vaqueiros, Renovato estranhou o caso e logo foi perguntar a cozinheira da manhã:
Renovato:
--- Ei! Meu munguzá? Ele desapareceu. - reportou o pistoleiro.
A mulher olhou para o pistoleiro e fez um bico como se nada soubesse do tal munguzá. E disse ao homem sem ver de que:
Cozinheira:
--- Pergunte a Emília. Ela é quem toma a responsabilidade da sopa! – falou sem ter receio.
O pistoleiro rodou nos pés e saiu a procura da moça Emília passando por uma e outra cozinheira até chegar ao ponto onde estava a distinta senhorita. Ao chegar ao local onde estava a moça de vez o pistoleiro foi logo perguntar como se não tivesse saído para longe do salão das comidas.
Renovato:
--- Onde está o meu prato sinha dona? – indagou desnorteado o pistoleiro
A moça olhou de lado para Renovato a cuidar do asseio das panelas e logo despejou uma saraivada de insinuações.
Emília:
--- Botei para os porcos, pois não vi nenhum outro a caminhar por lá! – respondeu bastante abusada a donzela.
O pistoleiro ficou desapontado com a resposta da moça e fez cara feia. Por fim perguntou Renovato a moça como se nada tivesse dito a ele naquele momento.
Renovato:
--- Pode por ainda um pouco pra mim? – indagou Renovato com pouco de pressa a ajustar seu chapéu na cabeça.
O corpo do homem se envergou em direção a moça e ele ainda estava a ajeitar com as suas mãos o seu chapéu ao tempo em esboçava leve sorriso. A moça olhou de volta para o pistoleiro e toda arrebitada se pôs em marchar para cuidar do taxo da comida e fez de conta não ver o pistoleiro. Em seguida correu com o taxo até o salão e lá depositou em um prato um alto volume de munguzá. Em seguida Emília pegou o taxo e se arribou em direção a cozinha passando por Renovato, dando um encontrão a chegar a pisar em seus pés. O homem gritou na se sabe se de raiva ou de dor levantando o pé para esfregar como se o mesmo estivesse ferido naquele canto.
Renovato:
--- Olha meu pé, senhorita! Ui! Ui! Ui! – proferiu pistoleiro a mancarem um único pé.
A moça sorriu e perguntou ao pistoleiro que ainda mancava se o pisão tinha doído.
Emília:
--- Ah doeu? Doeu? – indagou a moça no seu jeito brejeiro e entrou na porta da cozinha.
O pistoleiro Chulé findou a caminhar mancando em um pé só e a olhar para a jovem Emília com a cara bastante abusada pela dor sentida. Ao passar pela porta a moça ainda fez um sorriso com se querendo se vigar de alguma coisa ou de alguém. O pistoleiro nada respondeu e sem tirar a vista da porta procurou a se sentar-se à mesa da comida onde estava ainda uma porção de vaqueiros e jagunços. Em seguida, Chulé meteu a boca no prato como se nunca tivesse visto um prato de munguzá.
O jagunço Bem-te-vi acercou da porteira do cercado de Severino Policarpo. E  logo  foi dizendo ter em mãos um presente para o dono da fazenda aos demais jagunços de posse da porteira. Ele levava o corpo de outro jagunço, já bem morto por um golpe certeiro de punhal a lhe perfurar a nuca causando morte quase instantânea. Os jagunços olharam bem para a figura montada em seu cavalo e um deles chegou a dizer:
 Outro Jagunço:
--- Esse é Zé de Cota? – perguntou de modo estranho o jagunço da porteira.
O outro jagunço respondeu qualquer coisa e pinoteou em seu cavalo com a pressa destemida a correr de algum tiro com certeza a disparar pelos demais jagunços da porteira da Fazenda do senhor Severino Policarpo. Ele nem deu sentido ao chamado feito por um dos tais e cavalgou apressado, em zigue zague para se defender de algum tiro desfechado em sua retirada. Os jagunços ficaram a comentar se era mesmo Zé de Cota. Ao passar alguns minutos ficou a desavença de quem levaria o presunto para o velho Policarpo, dono da Fazenda.
Dizia um:
--- Leva tu! –
Dizia outro:
--- Eu não! Leva tu mesmo! –
E nessa lengalenga ficou a responsabilidade para o jagunço principal. Ele fora quem recebeu o presunto na porteira. Portanto, nada mais do jagunço entregar na fazenda ao seu chefe. O certo foi do jagunço a caminhar rogando pragas contra os outros compadres e ao mesmo tempo amaldiçoar o jagunço morto por qualquer motivo de ter feito. Era um dia de sol forte e chegar à fazenda era por demais problemáticos, principalmente alguém levando um presunto sem futuro algum. Tendo isso feito o jagunço se arrependeu de tal modo e finalmente ele deixaria Zé de Cota pendurado em qualquer galho de arvores existente no caminho.
Jagunço:
--- Deixo sim! Ele que venha buscar! Eu vou embora agora mesmo! – decifrou o jagunço.
Dito isso, o jagunço dependurou Zé de Cota no pé de aroeira e rumou por um caminho mais distante e de vez procurou se esconder o restante do dia para ninguém notar o seu paradeiro. Horas depois um vaqueiro encontrou dependurado em um pé de aroeira o corpo de Zé de Cota. Com a aparência de um morto vivo, o jagunço pendurado parecia pedir ao vaqueiro ter ele a caridade de lhe soltar. Nesse momento o vaqueiro se assombrou de verdade e correu mato a cima e mato a fora e sem poder gritar, pois sua voz estava embargada de terror. O vaqueiro caminhou para a fazenda a gorgolejar por alguém de dentro e a pedir socorro.  O terror aplacado no homem lhe deixou sem fôlego e logo desmaiou.  Uma mulher veio em seu socorro e logo verificou ser ele o vaqueiro Enério Suçuarana, vaqueiro da fazenda. A mulher chamou alguém o mais depressa possível. Nesse momento apareceu o fazendeiro Severino Policarpo pelo vexame da mulher em acudir o vaqueiro. Com o fazendeiro vieram também várias outras pessoas da casa grande igualmente a procurar saber o acontecido.
Mulher:
--- Acudam aqui! Acudam aqui! O vaqueiro Enério Suçuarana está morrendo! Acudam pelo amor de Deus! – gritava a mulher cheia de pavor.
Com isso, chegaram outros moradores do sitio e puxaram Enério para local mais alto e esfregaram as mãos em seu pulso e em seu peito para ver se o homem tornava a consciência. Após um breve tempo o vaqueiro abriu os olhos e balbuciou algo indecifrável. Um homem procurou compreender então falou depois de alguns minutos:
Homem:
--- Ele falou em um morto! – disse espantado o homem do socorro.
Nesse ponto o dono do sitio falou:
Policarpo:
--- Morto? Quem? – fez sentir o velho Policarpo totalmente desnorteado.   

quarta-feira, 21 de março de 2012

OS QUATRO CAVALEIROS - 08 -

- Aishwarya Rai -
- 08 -
O CUNHADO
Eram oito horas da noite daquele dia fatal para o Coronel Godinho e seus ajudantes a combater as chamas a devorar o galpão de feno e outros alimentos do gado e cavalos quando chega à cena tempestuosa do fogo o seu cunhado, Alcebíades, irmão de sua mulher, Cantídia, todo alvoroçado com a notícia. O homem desalinhado procurou de imediato a sua irmã. Essa estava a cuidar do gado e a tanger as vacas ara outro curral. Sem mais nem menos o homem foi a pergunta de todo mundo.
Alcebíades:
--- Como foi que começou o fogo? – indagou espantado a tremer o homem.
A mulher nem deu por conta do fato, porém disse-lhe apenas:
--- Como todo fogo. Foi rápido. Eu não sei contar em detalhes. Eu estava a assistir a Missa. – comentou Cantídia.
--- Missa? Teve Missa aqui? – perguntou assustado o seu irmão.
--- Teve. Ora. Sempre tem. – disse ainda Cantídia.
--- Onde está o cunhado? – perguntou bastante alarmado o homem a tecer seu chapéu.
--- Tá lá! – fez a mulher com a cara a mostrar o lugar onde estava o coronel.
Alcebíades correndo assustado foi até o local onde possivelmente estava o coronel, no meio de tanta gente a cuidar de evitar um novo fogo e apagar o restante da fumaceira a assolar o ambiente. Após procurar no meio de tanta gente Alcebíades encontrar o coronel dando ordens a qualquer preço para o pessoal cuidar mais dos galpões ainda intacto. Em lá chegando Alcebíades procurou ajudar de qualquer jeito o restante da fumaça vez ter o fogo consumido todo o depósito da ração do gado e dos cavalos. O homem Alcebíades era também criador de gado em sua fazenda distante de do município de Alcântara a ficar em outra região. No tempo de chuva tudo era uma beleza. Mesmo assim, com a chuva caída há poucos dias, não devia existir um clima de fartura para os fazendeiros do lugar. Alcebíades era dono de ampla região de terras no município de Itaú do Borbas há mais de dez léguas de distancia de Alcântara. Na safra do ano a turma de fazendeiros se reunia em um sitio para comemorar a fartura. E desse período estava marcada para ser a dois meses. O fogo no celeiro do coronel Godinho deixou Alcebíades temeroso. Na viagem feita numa charrete puxada a cavalo, o homem ficou a imaginar como sairia à festança dos meses a faltar. Alcebíades chegara a fazenda do seu cunhado àquela hora da noite acompanhado por dois vaqueiros e quatro jagunços vindos a cavalo acompanhando o patrão. Os jagunços eram sisudos e não trocavam conversas nem mesmo entre eles. OS vaqueiros eram mais cordiais. Entre uma cusparada e outra sempre tinham algo a dizer pelo seu caminho de dez léguas.
Tão logo chegaram a fazenda Guandu do coronel Godinho a jagunçada seguiu a palavra do seu patrão Alcebíades de agarras com afinco as escaramuças do fogo sem nem se importar com as ordens emanadas do próprio velho coronel. Os destemidos jagunços faziam todo o serviço de retirada da fumaceira enquanto os vaqueiros comandava o gado solto ao longo da fazenda. Os vaqueiros se juntaram aos demais homens de ferro do coronel para tanger o gado até alta parte do sertão bravio. A hora não findava entanto os vaqueiros tangiam o gado para longe do cerco onde se fez o fogo há algumas horas passadas. E o coronel trocava palavras com o seu cunhado querendo adivinhar o responsável por aquela tragédia sem fim.
Godinho:
--- Eu só quero adivinhar se foi o canalha do Policarpo quem mandou tocar fogo no celeiro! Eu duvido se não foi aquele miserável! Foi para compensar o tira teima dos seus jagunços com o pessoal da minha fazenda! – falou brabo o coronel Godinho,
E o seu cunhado se fez na conversa:
--- É provável, compadre! É provável! Mas não está na hora de tratar de vingança! Afinal vamos ter de esperar! Alguém que boto fogo há de aparecer! – relatou com firmeza o seu cunhado.
Alcebíades estava temeroso de uma guerra iminente entre ambos os lados em peleja. Godinho era homem vingativo por demais. O outro dono de fazenda, o Severino Policarpo era outro destemido da revanche. E essa teima demorava anos sem ter nunca resultado algum. Sabia-se por um lado ter Policarpo namorado por alguns meses à dona Cantídia. Depois se acercou do casal o coronel Godinho e findou por tirar a moça dos braços de Policarpo. Nessa brabeza terminou por Godinho a se casar com Cantídia. Na continuação do tempo o valho Policarpo gerou um filho de nome Deodato. Esse também quis saber de namorar a filha de Godinho e daí começou de novo a contenda. E a arenga demorou por tantos anos entre a família Policarpo contra a Família Godinho. Teve um tempo de Godinho mandar a filha se internar em um colégio da capital. Quando Lu retornou do Colégio de Freiras se pôs tudo de novo com o rapaz Deodato querendo namorar a garota Ludmila. Com isso a teima se arrefeceu. Chega a tirar quando o velho Policarpo pôs a enfrentar o seu bando com o bando de Godinho. Essa era a teima da contenda.
Passava da meia noite quando tudo terminou na Fazenda Guandu. O coronel Godinho, seu cunhado Alcebíades, a mulher Cantídia, esposa de Godinho e a filha do casal a senhorita Lu, rumaram para a casa grande. O restante do pessoal ficou a tirar os vasculhos do incêndio e os vaqueiros, um tanto temerosos, a procurar o gado perdido no alto sertão da gigante fazenda. O pistoleiro Renovato Alvarenga, o Chulé, foi também dormir em local mais sossegado da Fazenda Guandu. Em cima dos seus farnéis ele procurar conciliar a dormida. Isso foi quando Renovato pressentiu a presença de algo a sua espreita. De repente, ele se acoitou e esperou para ver com maior segurança diante do escuro feito quem era o alguém. Nesse ponto, um berro. Era um bezerro a adentrar no seu celeiro a procura de sua mãe. Chulé deve um susto daqueles e guardou a sua arma já em punho e tangeu o bezerro para longe. Nessa noite-madrugada Chulé sonhou com a sua irmã, Josefina, a lhe trazer um prato de cuscuz e o café quentinho. Foi de repente. E ele acordou assombrado por conta desse sonho. Olhou para um lado e para outro. Só havia os outros três pistoleiros com certeza a dormir. A lua estava alta em plena madrugada. E Chulé não fez por menos: agarrou no sono outra vez.
Manhã cedinho quando o sol dormia em seus derradeiros instantes o pessoal da cozinha já estava a preparar o desjejum da rapaziada: vaqueiros, jagunços e os quatro pistoleiros. O pessoal estava a conversar sobre o fogo da noite passada, pois até aquele instante se fazia ainda o rescaldo do antigo celeiro. Os vaqueiros combinavam os deveres; os pistoleiros estalavam os dedos a espera da refeição; e os jagunços nada comentavam. Era a turma calada do ambiente. Um revolver caiu na cintura de um jagunço e detonou um tiro. O jagunço se arriou e puxou para cima a sua arma. Os vaqueiros sorriram entre si. Mas os quatro pistoleiros se curvaram na mesa procurando se precaver e em cima da hora eles puxaram as suas armas do coldre temendo o resultado do ocorrido. Apenas o bandido Antero ficou sentado a observar o acontecido, pois nada havia a temer. Uma mulher se acercou do pistoleiro Otelo e lhe disse algo. Ele obedeceu e em seguida saiu o refeitório dos vaqueiros. Os demais pistoleiros ficaram a indagar:
Pistoleiros:
--- Só ele? Mas por quê? – perguntou um a outro.
--- Vá ver que tem serviço! – respondeu o outro.
Antero Soares, o Foguetão a lutar sem armas nada respondeu. E Renovato Alvarenga apenas sorriu do ciúme dos demais. Mesmo assim, nada reportou. A espera do angu demorou pouco tempo, pois a mocinha Emília surgiu na porta com um taxo grande de munguzá. Foi logo pondo a comida e servir então ao pistoleiro Chulé e esse, contente com a primazia feita pela moça agradeceu e meteu a cara a comer sem se importar com o ciúme de Emília a chamar o homem de besta por ter de comer tudo e de repente:
Emília:
--- Besta! Nem se importa comigo! – e deu um “tunc” saindo logo em seguida.
Antes mesmo de acabar a sua refeição matinal, Renovato Alvarenga e os outros dois pistoleiros foram chamados por Otelo Gonçalves, o Satanás, para seguirem depressa para um canto qualquer da imensa sala de visitas. E os três pistoleiro, incluindo Antero Soares, forma todos de imediato a acompanhar o seu chefe Otelo Gonçalves sem nada mais a perguntar. O certo foi a presença de um jagunço aprisionado pela tropa do Coronel Godinho e esse falou demais. Foi então ter o Coronel ter conhecimento sobre o incendo da noite passada sido ateador por ordens do criador de gado Severino Policarpo. E a ordem era a vingança do desafrontado Coronel: marcar com o mesmo sague. O jagunço preso seria posto de volta, amarrado no seu cavalo, porém sem vida. Era essa a paga do raivoso homem sem estribos.

terça-feira, 20 de março de 2012

OS QUATRO CAVALEIROS - 07 -

- Jan Sterling -
- 07 -
JOSEFINA
Emília pôs a roupa na tina para lavar a roupa de Renovato Chulé naquela tarde/noite do dia. Porém ao colocar a roupa para lavar a moça teve o cuidado de retirar dos bolsos das calças o mais importante dos documentos e papeis. Ao verificar tudo o que puxava, Emília verificou uma foto ligeiramente amassada de uma jovem bela com o dizer atrás: “Com amor: Josefina”. Aquele retrato deixou Emília intrigada e ficou a pensar:
Emília:
--- Josefina? Quem será? Namorada? Só pode ser! Ah lá! Deixa prá lá! – reportou Emília colocando a foto no quarador junto com os demais documentos tirados do bolso de Chulé.
E com isso, pensando em Josefina, podendo ser namorada de Renovato, Emília continuou a esfregar toda a roupa antes de por no tacho de água quente para tirar o resto de gordura existente nas calças e na camisa além das marcas de fogo por ter o homem enfrentado a duras penas. A mão da moça a esfregar a roupa suja e o pensamento a girar como um pião solto em uma calçada da vida. Por demais ter Emília esfregado o seu pensar era um só: Josefina
Emília;
--- E ele é casado? Pode até ser! Quem duvida é outra! Mais basta! – resmungava Emília com bastante raiva de ser Renovato casado.
E assim continuava a esfregar a roupa na tina. Às vezes com bastante fúria. Em outras a moça já cansada de pensar e de esfregar a roupa nova. Quando lhe dava veneta, ela esfregava com bastante força para depois esmorecer e passar a mão na testa molhada de suor. E sempre a falar baixinho:
Emília;
--- Ave Maria! Deus te guie! Nossa Senhora! Se for casado eu então desisto! – falava baixo a donzela.
Com tais pensamentos a mocinha terminou de lavar a roupa e meteu no tacho a estar no fogo com água fervente. E socou as peças para baixo e para cima fazendo um murmúrio para passar a raiva.
Enquanto isso, na sala de refeição dos vaqueiros e jagunços, estava o pistoleiro Renovato esperando a boia. Os demais pistoleiros estavam sentados juntos a ele e a conversar sobre o fogo desse dia. O coronel Godinho e sua filha Lu ainda estavam a acompanhar o trabalho dos jagunços a acabar de vez com o incendo destruidor de todo o celeiro. Eles e mais algumas pessoas a fazer o rescaldo onde ainda surgia fogo, embora sem muito perigo de se espalhar para outro celeiro próximo. O coronel comandava a todos a falar bem alto;
Godinho:
--- Apaga alí! Apaga ali! Apaga ali! – recomendava o coronel temendo o revirar do fogo àquela hora da noite.
Os jagunços obedeciam a tudo recomendado. O carro de boi com uma barrica de água continuava a subir e a descer a trazer a água para controlar as renitentes chamas. A agua era apanhada na Lagoa Dourada existente na Fazenda do coronel em um baixio existente para os lados do Boqueirão dos Meninos um pouco distante da sede da fazenda. Tal lagoa dizia-se ser mal assombrada, pois o pessoal mais velho contava história de gente morta a estar viva ou coisa do outro mundo. Animais perdidos; mugidos de onça para chamar as vacas gordas. Eram coisas deveras assombrosas. Para os meninos ainda pequenos se dizia:
Assustados:
--- Não vá lá. Se não o bicho de pega! – alertava a mulher por demais assombrada.
De qualquer forma os homens costumavam ir buscar água na Lagoa Dourada quando era tempo de seca ou por uma atitude como a do celeiro a pegar fogo a ponto de destruir todo o plantio do algodão ou mesmo acabar com os demais celeiros alí existentes. Com relação ao Boqueirão dos Meninos todos eles temiam o caso. Uma selva gigante a rodear toda a Lagoa. Quem tivesse coragem podia caçar até mesmo animais de porte médio, como veados e porcos do mato. Às vezes um coelho ou coisa assim. No tempo de estio ouvia-se o pio da coruja sempre agourenta. E com seus olhos de fogo feito dois canhões de brasa.  Era assim a vida no mato da fazenda Guandu.
Por volta das oito horas Emília apareceu muito bem atarantada a trazer os documentos do pistoleiro Renovato e pôs-se a entregar tudo o encontrado com a esfinge à garota Josefina posta acima do volume para o homem muito bem perceber ter ela avistado essa foto. Emília chegou apressada e deu os documentos ao pistoleiro:
Emília:
--- Taí o que tinha! – falou com certa brabeza a moça a entregar os documentos e a foto.
O pistoleiro apenas respondeu:
Renovato:
--- Obrigado. – e pouco olhou ao retorno.
Ao pegar os documentos ele viu a foto da sua irmã e a beijou sem maiores preocupações, pois já era um bom tempo não ter avistado Josefina. Nesse momento uma moça, talvez freira, pois noviça o moça foi por um bom período de sua mocidade. E logo a seguir colocou com todos os documentos o retrato no bolso de trás da calça apertada. E não percebeu Emília ter feito uma parada no meio do seu caminhar e olhar para trás a ver o comportamento de Renovato. E foi na hora de beija aquele retrato ter a moça de veras a olhar a cena. Em seguida Emília sacudiu as tranças do seu cabelo para frente e para trás e a dizer:
Emília:
--- Merda! Ainda quer outra! – falou zangada a moça.
E logo seguiu para a cozinha da casa grande a deixar a turma de vaqueiros, jagunços e pistoleiros a refastelar-se a seu modo. No salão onde os homens merendavam outras moças e mulheres serviam o que a eles faltasse. Portanto, Emília não fazia falta. Mesmo assim, a moça a estar na cozinha da casa grande começou a lagrimejar não sabendo se de raiva ou se de amargura por ter seu amor sido desfeito a um piscar de olhos. Até então Emília não sabia dizer o seu estado emocional. E se lacrimejava era de modo da insatisfação ter tido por causa do elegante moço, o pistoleiro andarilho Renovato Alvarenga, cujo nome ela nem mesmo sabia dizer. Apenas alguma vez ouvira um dos outros pistoleiros chama-lo de Chulé. Emília fez pouco caso do nome, pois acreditava ter ser verdadeiro nome outro sentido. Mesmo assim a moça lacrimejava constante até ao ponto de sua mãe indagar:
Mãe de Emília:
--- Estas chorando? – perguntou a sua mãe meio cabreira.
Emília passou a mão no rosto e respondeu mesmo sem fé.
Emília:
--- A fumaça do fogo do celeiro. – respondeu Emília e se voltou correndo para outra sala.
A mãe da mocinha ficou a cismar o tal fogo do celeiro a por argueiro nos olhos de sua filha e não dos outros. Ou pelo menos nos seus olhos? Havia gente demais no apagar o incêndio do celeiro desde o seu início. A mãe de Emília, dona Iracema, esteve a ajudar levar os baldes de água por várias horas, até à tarde. No entanto, os seus olhos não foram afetados, talvez pelo fato de ter ficado bem ao longe do fogaréu, na fileira de gente a conduzir a água de um poço ao longe da catástrofe.  Por isso mesmo nada lhe afetou os olhos. Contudo, o tempo se foi e a questão dos olhos de Emília passou por completo da mente de dona Iracema. Enfim, ainda estava o pessoal a apagar alguma chama e a mulher teve mais o que fazer. O coronel Godinho e a sua filha Ludmila ainda estavam por perto do celeiro a comandar o pessoal. Havia várias pessoas em torno do celeiro. Até a mãe de Ludmila, a senhora Cantídia Godinho ainda estava no comando dos vaqueiros para retirada do gado em busca de um local mais seguro, pois o curral não era tao longe assim do celeiro.
Cantídia:
--- Amanhã não vai ter leite! – arguia a mulher.
Isso por causa do fogo e o espantar das vacas leiteiras. Tais animais retinham o leite diante da preocupação em se safar de um fogo, uma cheia ou outra coisa qualquer. Era a defesa dos animais reter o leite. Se bem for defesa do ser humano em reter o leite diante de um perigo qualquer. A diminuição na produção de leite materno decorre sumamente desse perigo. E as vacas também são pares nessa fase de lactação. A preocupação de dona Cantídia tinha por bem essa noção.
Cantídia:
--- Cho bicho! Pra lá! Prá lá! – fazia a mulher espantando o gado.

segunda-feira, 19 de março de 2012

OS QUATRO CAVALEIROS - 06 -

- Pier Ângeli -
- 06 -
FOGO
A chuva castigou o sertão de Alcântara durante toda a semana com o trovejar retumbante a cortar o céu sem dó nem piedade. As volumosas águas correntes atravancaram a estrada a carregar corpos de pequenos e médios animais. Houve até mesmo um afogado levado pela correnteza. O povo a acudir proteção de Santa Genoveva protetora das enchentes rezava apeado em perene oração. Procissões estavam programadas para se fazer quando a torrencial chuva passasse. Era o temor de todos os fieis a rezar a ladainha dia e noite sob o relampear fustigante na serra de Brotas. Após tanta reza e sacrifício a chuva amainou e o sol forte voltou a brilhar em toda a área consumida pelo aguaceiro da semana. Os agricultores já pensavam em roçar a terra e a plantar milho e feijão, colheita tida em três meses. O comercio de sementes abriu suas portas para atender a todos quantos procuravam o que plantar. Era clima de euforia entre os camponeses e cada um dizia ter esperança em um ano muito bom aquele da chuva de verão mais parecendo inverno. A ponte de pau rompida e arrastada pelo aguaceiro foi mandada reparar pelos jagunços e vaqueiros da Fazenda Guandu, do velho coronel Marcolino Godinho, homem de ferro da região a despeito do seu algoz fazendeiro Severino Policarpo. Toda aquela região da chapada da Serra de Brotas era comandada pelo coronel a despeito do fazendeiro Policarpo, homem destemido do lugar. O fazendeiro costumava dizer:
Policarpo:
--- Eu sou quem manda aqui. Quem pode mais do que eu? – indagava o fazendeiro a seus pistoleiros e jagunços.
E com a morte de Marimbondo o fazendeiro mandou capangas procurar outros pistoleiros para trabalhar em sua fazenda. E o grupo saiu mundo afora. De Asa Branca a Serra da Cruz, de Brejo dos Crioulos a Várzea Grande a procura de matador de aluguel era uma só. O preço pouco importava. Na Vila da Lagoa o recado era um só. “Matar pra não Morrer”. Era a ordem do maior criador de gado daquela região, o fazendeiro Policarpo. Por seu lado, o coronel Godinho estava muito bem aparelhado: tinha ao seu lado o pistoleiro Satanás a comando de um grupo sem temor de matar ou de morrer.
Com o tempo bom, o sol a brilhar, os jagunços a trabalhar na construção da nova passagem sobre o riacho de Brotas, mesmo sendo de madeira do sertão, a situação se acalmou de vez. O Coronel mandou rezar missa na capela da fazenda onde todos ou quase todos os habitantes do lugar puderam acompanhar contritas as palavras do sacerdote. O celebrante procurou acalmar os ânimos dos pistoleiros e o coronel teve a dizer não haver animo algum. Isso era história de gente mal intencionada.
Godinho:
--- Seu padre! Não tem animo algum! Eu sigo a minha linha! Se tiver, é coisa dos outros! – relatou com firmeza o coronel querendo dizer ser coisa do Policarpo.
O sacerdote calou e depois da Missa seguiu-se a monumental festa com um lauto café com bolos, macaxeira, batata, inhame e tudo mais o que servia na oportunidade. Um sanfoneiro cobria a atenção do pessoal a tocar o seu fole velho. O casal de noivo de faz de conta puxava a dança para os demais dançarem. Era uma alegria total. Apenas com o gorducho sacerdote a olhar de víeis para o pistoleiro Satanás, pois o homem não parava de pular com um dos seus acompanhantes, o outro arremessador de punhal Antero Soares, o Fogueteiro. E foi assim até largas horas da manhã quando alguém gritou:
Alguém:
--- Fogo! Fogo! Fogo no galpão das vacas! – gritou alarmado um destemido vaqueiro.
Diante do alarme do vaqueiro a chegar esbaforido e cheio de temor, a festa acabou e o povo correu em direção ao galpão onde se armazenava a ração dos animais. As labaredas comiam todo o celeiro por inteiro ameaçando outros galpões de igual importância. A ação do fogo impedia os vaqueiros de chegar mais perto. Formou-se uma corrente de pessoas para buscar água e jogar no armazém. O coronel gritava para os seus comandados:
Godinho:
--- Aqui! Desse lado! Vamos! Água! – gritava o coronel por demais alarmado.
E a fila toda de gente a sacudir mais águas em todas as direções até mesmo no galpão próximo do celeiro destroçado pelas chamas ardentes e incontroláveis. De repente, chegou um carro pipa com bastante água para tentar sufocar as chamas do grande celeiro. Cavalos e gados foram postos ao abrigo mais adiante de modo a não correr maior perigo. No combate às chamas estava presente também a filha do coronel Godinho a levar baldes com água na tentativa de aplacar as chamas. Os pistoleiros Otelo, Júlio, Antero e Renovato igualmente não fizeram questão no combater as chamas devoradoras. Até mesmo o sacerdote largou a batina e de calça e camisa sem cerimonias combatia as vorazes chamas.  A ação de todo o pessoal no extinguis esse fogaréu só terminou ao final da tarde. Gente veio de cidade próxima para ajudar a extinguir as labaredas sem fim.  Um alguém declarou:
Alguém
--- Nessa hora não chove! – relatou alguém totalmente suado pelas ardentes chamas do incêndio devorador.
Quando tudo havia terminado os furiosos combatentes seguiram cansados e busca de repouso no alpendre da casa grande. Cada um lembrava a ação do fogo e havia quem dissesse ser aquilo ação criminosa do criador de gado Severino Policarpo, vizinho do coronel Godinho. Os três pistoleiros foram chamados para dentro do casaram e ficou de fora, todo comido pelas chamas o quarto pistoleiro, Renovato Alvarenga conhecido por Chulé.           Esse simpático pistoleiro ainda bastante exaurido pelo esforço desprendido procurava tomar um gole de água enquanto a mocinha Emília corria para dentro  para fora da casa a levar mantimentos, água e leites para todos os participantes do combate ao incêndio desproporcional.
Emília:
--- Nunca vi fogo tao grande assim. – comentava a mocinha.
Renovato apenas fazia se limpar da sujeira do fogo a abanar a fuligem pregada em sua roupa nova e bem molhada. A mocinha passou e viu a ação do rapaz e disse bem depressa:
Emília:
--- Deixa! Eu tenho outra roupa nova! Vá pru banheiro dos homens! Vá! Vá! – recomendou a mocinha com bastante pressa
E assim caminhou a moça para o interior do casarão com seu jeito de menina mulher. O pistoleiro de arguta fama esteve a olhar com bastante atenção àquela jovem empregada da casa. Ela queria apenas ajudar o homem. Não mais, não menos. A sua ação era a de uma mucama ou talvez alguém a ajudar os mais necessitados. Podia-se supor talvez a garota a estar já um tanto aconchegada ao moço. E mesmo assim era ela uma pessoa feliz. E não queria olhar com desdém alguém ainda a necessitar de sua ajuda. Era só isso então.
E Renovato Alvarenga lembrou de repente de uma irmã. Ela era de idêntica idade da sua irmã, talvez um pouco ainda mais moça. A irmã de Renovato tinha esse mesmo proposito: sempre ajudar e não vê a quem. Católica, a moça irmã de um atirador profissional ingressou da Ordem Franciscana para as jovens moças. Não tinha dia nem hora para Josefina estar a ajudar alguém necessitado. Certo dia ela acordou tarde da noite por causa de uma ajuda para o seu irmão Renovato. Foi o primeiro crime de morte de Renovato. E ele precisava se esconder no Mosteiro ate a confusão cessar. A polícia inteira estava a sua procura. E ele amoitado no Convento a ninguém saber. Nem mesmo a freira Madre Superiora Irmã Hortência. A polícia esteve inclusive no Convento e não o encontrou. Apenas os policiais saíram para Renovato pegar o seu rumo. Desde esse dia, o pistoleiro não viu mais a sua irmã Josefina.
Emília:
--- Táqui a roupa! Vá se ajeitar! Depressa! E não tem mais nem menos! – disse então a mocinha Emília entregando a roupa de muda e se voltando para a casa.
O rapaz ficou com embrulho de roupas na mão e não sabia como agradecer àquela domestica de verdade. O homem ficou parado como uma estátua a olhar apenas a roupa dada. Parecia ter o mar se aberto e ele a passar para a outra margem. Diante de todo aquele fervor humano o jovem rapaz pistoleiro com as roupas novas em suas mãos, pensou tão somente em Josefina, sua irmã. E logo depois e sentiu um remorso por tudo quanto fizera e apenas chorou. Era um caso surpreendente aquele da ação da mocinha em dar roupas a um estranho. Ele não queria chorar. Mesmo assim chorou. E se dirigiu ao banheiro dos vaqueiros e ali chorou copiosamente por ver a ação de Emília despretensiosamente a ajudar um pistoleiro. Estavam ali dentro do banho os vaqueiros da Fazenda, todos por ajudar no combate as chamas a qual destruiu por completo o celeiro. Todos os vaqueiros comentavam o fato. E entre todos os outros rudes homens se encontrava o pistoleiro Renovato tao somente a chorar. E nada mais. Quando um vaqueiro deixou o banheiro disse a Renovato:
Vaqueiro:
--- Pronto amigo. O banheiro está livre! – falou o vaqueiro