sexta-feira, 21 de março de 2014

DOIS AMORES - QUARENTA E OITO -

- Daniela Luján -
- 48 -
ENCURRALADO
 
A Polícia de Transito de imediato liberou o veículo após tomar conhecimento da identidade de Caio Teixeira, agente policial do Governo. Ele declarou ter um veículo passado em ligeira pressa após a ponte do Forte e por tal motivo, o estava a perseguir, pois no seu interior era levado um cidadão de identidade rigorosamente suspeita. O Comandante da equipe de policiais entendeu muito bem o caso e ordenou ao pessoal perseguir também o veículo infrator a estarem àquelas alturas em transito para o município de Extremoz. Outros veículos da Polícia foram de imediato avisado a contornar o seu destino, uma vez que o transito seria desviado para outra estrada. Apesar da demora, Caio seguiu a viatura policial a procura do carro infrator. No outro ponto da estrada de Extremoz um caminhão basculante transitava em temerosa velocidade em busca da estrada da BR-101 entre Natal e Ceará Mirim. Por ser um dia feriado, o transito de veículos era menor naquela manhã de sol. Pouca gente transitava por entre as habitações. Um veículo ou outros trafegava em sentido de Extremoz. Entre tais veículos encontrava-se o auto de passeio no qual vinha o General Wagner Rahner a portar sua nova identidade. Wagner tinha uma porção de identidade e jamais usava a mesma quando era necessário. Na rodovia RN que o homem viajava, já levava outro tipo de identificação. Com ele seguia o seu motorista.  O General tinha pressa em chegar a sua mansão existente na estrada de Extremoz. Era por isso que ele orientava ao seu motorista ter de ir mais rápido possível. O comandado respeitava piamente as instruções emanadas do irritável General. Por onde o comandado seguia não tinha visão da outra estrada e muito menos do caminhão basculante. Esse tal veículo – o basculante - tinha um assento alto e apenas se notava o braço do seu motorista, quando esse colocava para fora por alguns instantes. A face do caminhão era de uma forma de uma pessoa mal encarada com sua lamina do para-choque bem fornida, faróis dianteiros como se fossem de alguém por veras de olhar malvado preso entre os dois para-lamas há ficar um pouco abaixado do restante do motor. E era um motor robusto por sinal. Motor severo como se fosse de alguém sádico. Uma buzina no alto do teto era usada quando o caminhoneiro tinha de cruzar com outro basculante. Os para-brisas do caminhão eram todos opacos tangidos pelo mal uso de basculante de estrada. Por fim, a sua lataria era toda enodoa por seu desgaste onde apenas uma lona cobria a inimaginável jamanta. 
O veículo do ex-General era um Volks Golf de cor negra  há uma velocidade excepcional para o desempenho de um outro carro. O velho homem queria pressa, a não se saber por qual razão, pois todo o desempenho o veículo tinha por fornecer. Meninos brincavam na calçada de suas habitações e olharam bem para o veículo transitar em excessiva velocidade. Um homem a colher frutos amadurecido no quintal de sua casa percebeu angustiante a velocidade do Volks Golf ao transitar célere. A mulher gritava para o menino:
Mulher:
--- Passa pra dentro molestado! – gritava sem dó nem piedade para o garoto.
De outro ponto da estrada sem sinal de avance vinha de Extremoz o basculante com o seu modo enervante de alguém para matar, seguindo sem aviso o seu destino traçado. Seus 22 pneus era mágico desempenho de um negro caminhão movido a diesel. Na sua carroçaria era tudo coberto como se ali estivesse uma teratologia hedionda, sagrada e perfeita. O trucado rosnava desumano e solene tal qual uma fera universal em busca da sua indefesa e mortífera presa. Quem olhasse do alto o espectro do famigerado ser podia conceber o atroz e bárbaro acidente a ocorrer em segundos. O trágico e cruel final já estava por chegar. Uma barreira na qual se podia vislumbrar o fim do mundo enlaçava o atroz acidente. Quando o gigante trucado enveredou pela estrada agarrou em cheio o pequeno Volks em comparação ao seu tamanho. Foi um desastre feroz e trágico. O amontoado de ferros retorcidos caminhava lento e vagaroso para o seu temível fim. Trepidante os dois veículos se enroscaram em um único final, descendo barreira abaixo como animais sanguinolentos a rosnar com audaz ferocidade até buscar o seu último e trágico caminhar. Era horrível e sofrida a queda dos dois traumatizados veículos. Um automóvel e um trucado caminhando lento para o seu assombroso final. O pneu dianteiro do lado esquerdo do cruel trucado rosnava feroz  como o ranger terrível do estertor da morte.
Homem:
--- Vai bater! – dizia um homem de sua janela.
Mulher:
--- Meu Deus do céu! – rogou a mulher.
Bêbado:
--- É morte certa! – relatava um bêbado ao avistar a cena.
O certo é que os veículos se entrelaçaram barreira a baixo, cada um por cima ou por baixo a certo modo, se enroscado e abocanhado cada vez mais como dois cães raivosos infectados pela enfermidade da raiva. Nada mais escapou com vida daquela morte nefasta. O carro menor ficou por baixo do maior como um infeliz do desatino. O trucado soltou o seu enorme ruído aflito nos últimos suspiros com um roncar tremendo onde todo o povo ouviu o estertor da morte. Enfim era o seu alento derradeiro.
De imediato, os veículos policiais chegaram ao local do fúnebre acidente. Estava também o agente policial Caio Teixeira. Ele veio com os seus fieis amigos, Bartolo, Dalva e Fernando. Os três amigos ficaram em verdadeiro suspense vendo o final trágico do General Wagner Rahner, homem de tantas fugas e escapatórias. Ali, no chão quente de uma manhã de sol, lá estava o homem entre os destroços retorcidos do seu carro. Em pedaços e ensanguentado por forma de um desatino cruel e trágico o ancião já não estava mais sentindo para pedir alento.
A mulher, Joana Vassina, foi informada, de imediato, da morte do General Wagner Rahner em acidente da estrada de Extremoz. O caso foi levado pela Polícia Federal solicitando a sua presença no processo de identificação do corpo do ancião. A mulher Joana Vassina, estava em um bosque onde passava tempos resguarda pela Força Aérea. Em alguns dias Joana ficou um tanto amortecida por causa de tanto amargor em ter de se transferir de um local para outro. Ela já não suportava tanto abalo e teve de ser submetida a uma dosagem de medicamento em que lhe postava em sono profundo. Até aquele dia, quando despertou Joana, em um cômodo estranho se inquietou por não saber onde na verdade estava. Houve dialogo da senhora Edna a lhe informar ter Joana estada em profundo sono por efeito de medicamentos. Com isso a mulher se pôs a se lembrar dos tempos de dias passados por vezes escuros e acanhado. O caso foi encerrado e Joana não mais se deu a importar. No instante supremo Joana foi visitada por um oficial da Base.  E então, ela enfim por estar acordada teve a real surpresa de o General Wagner Rahner ter morrido em acidente em um dia feriado numa estrada do interior. Aquilo foi um baque extremo:
Joana:
--- Como? Morreu? – interrogou assustada.
Oficial:
--- A Polícia Federal solicita a vossa presença para a identificação da vítima. – respondeu.
Joana:
--- Se não foi mais um dos truques infames daquele feiticeiro, que seja verdade. Eu estou pronta. – relatou a mulher.
O tempo nublado com a face carrancuda parecia ser uma fera monstruosa capaz de tragar os mais inocentes e vis seres. Não chovia nem um tanto, porque não precisava chover. Apenas o tempo era mau. Cruel. Terrível! Como os seres vindos de baixo da Terra em busca dos seus corpos inanimados. No cemitério pouca gente havia. Caio e os seus amigos Bartolo, Dalva, Fernando, Oliveira e a senhora Joana Vassina. Um alguém estava ao lado sem buscar comentários qualquer. Apenas estava ali, calado, sisudo e mudo. Os coveiros já estavam prontos para em terrar rasa cumprir o seu dever de sepultar o cadáver do ancião General Wagner Rahner, o carrasco nazista cumpridor das ordens emanadas por seus eternos e abjetos superiores. No desastre ocorrido na estrada, o velho homem morrera sem vitória e sem glória. Apenas morrera igual às formigas que se pisam com os pés marcados de lama. A sua sepultura era semelhante as que se enterravam os defuntos malsinados pelo tempo sem lápide ou inscrição qualquer. Aquele era um cadáver nômade como tantos outros. Como os ciganos, os russos ou outros de igual particular infortúnio. Os participantes da cena macabra estavam no local sem chorar, sem comentar, sem maldizer seja lá o que fosse. Eles apenas estavam para enxergar o derradeiro fim do ancião. A senhora Joana simplesmente olhava a terra quando os coveiros sacudiam em cima de um pobre caixão sem qualquer qualificação. Um caixão comum feito de madeira e coberto de um pano roxo. Para Joana, aquele era o ultimo suspiro a soltar a beira da aberta cova o homem que um dia foi o seu rígido senhor. O tempo corria para o seu inacabável final quando tudo se encerrou.
Os enigmáticos senhores do tempo caminhavam soturnos por entre os túmulos existentes no cemitério do Bom Pastor onde havia na estrada um buraco enorme aberto pela chuva de verão a poucos dias. Caio, por fim, quebrou o silêncio:
Caio:
--- Vai dormir aonde, senhora Joana? – indagou vagaroso
Joana:
--- Sei lá! Em qualquer lugar. – reclamou a mulher.
Caio:
--- Quem é esse homem logo atrás? – indagou confidente.
Joana:
--- Não observei! Quem? – falou a olhar para trás.
O homem se aproximou a senhora Joana e logo após indagou:
Estranho:
--- Permita-me. É a senhora Joana Vassina? – indagou com modos.
Joana:
--- Quem é o senhor? – perguntou a mulher.
 
 

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